quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Como podemos nós?...

Como podemos nós, achar, que um animal é uma coisa, nada mais que um objecto, uma jarra, um pau?

Como podemos nós, considerar que um cão ou um gato, não sente frio no gélido Inverno, que não sente sede, que não sente fome, que resiste ao intenso calor, que não padece de tristeza, ou pula de alegria, que não sente...?

Como podemos nós, achar, que um cão vive bem e feliz, acorrentando uma vida inteira a um cadeado, como se estivesse a cumprir pena de um crime que não cometeu, privado de uma réstia de liberdade?

Como podemos nós considerar, que uma cadela vive serena e lhe apraz ter "ninhandas" de 6 em 6 meses, que gosta de ser constantemente perseguida por matilha de machos (que se ferem nas constantes lutas...), em tempos de cio e por fim, assistir impotente à não sobrevivência dos seus filhotes...?

Como podemos nós, achar, que é engraçado ver as fêmeas terem os seus bebés, porque são pequeninos e engraçados e depois, quando deixarem de o ser, afogam-se no rio, ou depositam-se nos contentores do lixo?

Como podemos nós, espancar, pontapear, queimar um animal, só porque ele está ali, só porque existe e porque o dia nos correu menos bem?

Como podemos nós, comprar animais, a lojas e criadores, quando temos tantos e tantos, a sobre-lotar abrigos de associações, ruas e canis municipais?

Como podemos nós, sustentar negócios ilegais e legais de venda de animais?

Como podemos nós, vestir "peles", que não as nossas, só porque sim, ignorando ou querendo ignorar, o terror que se esconde por detrás daquele bonito casaco?

Como podemos nós, olhar nos olhos de um cão e deixá-lo ficar num canil municipal, condená-lo a uma morte, quase certa e "sofrida"?

Como podemos nós, ser tão frios ao ponto de receber as lambidelas de carinho de um animal e larga-lo à sua sorte, numa qualquer rua, que para o cão ou gato é só e apenas o deserto...?

Como podemos nós, enjaular um cão, só para o tornar um excelente caçador, e se frustrar as expectativas, o caminho será a "selva"?

Como podemos nós, recriminar outras culturas, porque sacrificam em praça pública animais, em função das suas crenças, quando nós também temos telhados de vidro?

Como podemos nós, acreditar que uma cadela/cão, um gato...podem estar melhor se não forem esterilizados ou castrados, considerando neles os nossos receios ou complexos, julgando a situação, em nós?

Como podemos nós, achar, que é melhor vê-los feridos, famintos, doentes, escorraçados, perdidos, desesperados pelo abandono, ao invés da prevenção pelo controle da sua população?

Como podemos nós, achar, que os devemos ignorar, nada fazer por eles, porque no mundo crianças passam fome?

Como podemos nós, achar, que no nosso país eles até são bem tratados", são apenas animais?

Como podemos nós, viver pacificamente, dormir sem pesadelos, quando enfrentamos a realidade de frente?

Como podemos nós, não reagir e agir, quando as promessas não se cumprem?


Como podemos nós, cidadãos, desistir de lutar pelos seus direitos, direito a não ser considerado uma coisa, um objecto, só porque a luta é difícil, porque é mais fácil desistir e porque as políticas e as mentalidades tardam em mudar?

...

Como podemos nós, achar, que sairemos impunes de tanta barbaridade?






Se quiser um animal, tem por exemplo, o canil municipal da Maia, aí encontra entre outros, a
Caramela, já lá está depositada há meses, está no fim da linha da sua curta vida...Por isso, não compre, adopte a Caramela!


Contactos:
Canil Municipal da Maia
Rua da Estação 4470 Maia
Tel.: 229.408.661
E.mail:
ameliasousa2006@gmail.com

..."Esse momento pode ser um desgosto enorme para muitos donos e as suas famílias, mas eu acredito que os animais entram nas nossas vidas para nos ensinar, entre outras coisas, que o envelhecimento e a morte são coisas naturais, que durante a nossa existência devemos encarar e aceitar a morte como apenas mais uma fase do ciclo de vida da natureza. Os cães honram a vida e convivem bem com a morte. Na verdade encaram-na muito melhor do que nós.
Nesse aspecto deveríamos pensar neles como nossos professores. A sua sabedoria natural pode confortar-nos quando tiver-mos de enfrentar as nossas próprias, humanas, fragilidade e morte."...

Do livro "A Paixão de César"

Seja solidário, abrace esta causa!

Clicar para aumentar a imagem.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Se tem cães desaparecidos misteriosamente, investigue...

"ALERTA MARGEM SUL DO TEJO

Publicado num jornal local ( Noticias Populares), terça feira 15 de Janeiro de 2008


Longa e sem um final feliz. Assim é a história de Óscar, um Pointer Inglês, e a de muitos outros cães furtados. “Bonito e humilde, excelente caçador e acima de tudo, amigo”, descreveu-o o dono, que pediu para não ser identificado. Desapareceu na ultima semana de Fevereiro do ano passado, de um terreno na Fonte da Vaca, e foi encontrado meses mais tarde, num acampamento cigano, no Algarve, já morto. Foi, por isso, num tom de amargura que ouvimos as recordações e toda a historia. Na noite em que desapareceu foram furtados 3 outros cães: um que estava junto do Óscar (rafeiro, que acabou por aparecer no dia seguinte) e dois que estavam no terreno vizinho, também de caça. “Corri tudo à procura do cão. Sou teimoso e entendi que tinha que encontrá-lo vivo ou morto. Falei com vizinhos que me disseram que tinham visto uma carrinha vermelha suspeita a rondar aquela zona, e que a carrinha devia pertencer a ciganos. E foi por isso que comecei a ir a todos os acampamentos que encontrava, sempre a pretexto de estar à procura de um cão de caça para comprar. Uns recebiam-me bem e tentavam vender-me animais, outros eram muito desconfiados e pouco amistosos”, conta José Pereira (nome fictício). Até que um dia, e resultado de muita insistência, soube, por intermédio de um individuo conhecido, que o cão estava em Loulé.
“Arranquei para o Algarve assim que pude, já com algumas referências. Percebi que existe uma espécie de intercâmbio: os cães roubados na nossa zona são enviados para lá e os que são apanhados no sul transportados para cá, para evitar problemas.....Lá voltei a entrar em mais acampamentos, até que acabei por encontrar o Óscar, que já estava morto há uma semana no chão de um terreno onde havia para cima de 200 outros animais. “Chocou-me muito”. E em que condições? “Muito mal tratados, famintos, feridos, cheios de carraças” . Como relatou ao NP, asseguraram-lhe que os cães não eram roubados. “Disseram-me, lá no Algarve que todos aqueles cães estavam abandonados quando foram recolhidos por eles, que depois de acabar a época da caça as pessoas os abandonavam. Chegaram a pedir-me 500€ e 600€ por um cão. Afirma ter conhecimento de muitos outros casos de cães furtados em Pinhal Novo, sobretudo nas zonas rurais, e lamenta, por isso, o pouco que é feito para combater o problema. “Na altura participei à GNR. Tomaram nota mas duvido que tenham efectivamente tomado alguma providência, que possam fazer alguma coisa. E isto é revoltante, porque afinal não há lugares seguros, nem dentro dos nossos próprios terrenos. Não me passava pela cabeça que pudesse haver um negócio assim, tão bem montado. Há ciganos que vivem mesmo da venda de cães e há muitos caçadores que vão aos acampamentos comprá-los.

Mais sorte teve Carlos Santos, morador na Venda do Alcaide, que conseguiu recuperar a cadela Bulldogue Inglês duas semanas depois de lhe ter sido furtada do quintal. Uma história igualmente surpreendente, que acabou com a detenção de um individuo, como contou ao NP. “Assim que me apercebi que a tinham levado, e depois de a procurar por todo o lado, enviei mails aos criadores da raça, coloquei fotografias nos jornais, apresentei denuncia na GNR e espalhei a informação na internet”. Acções que viriam a ser recompensadas. “Passadas quase duas semanas houve um criador que me telefonou a dizer que havia um individuo que tinha uma cadela para vender e pelas informações que lhe tinham sido dadas, tudo apontava que fosse a minha. A transacção iria ser feita em Lisboa, junto ao Amoreiras. Informei a Policia, que ficou de alerta, e no momento em que o individuo abriu a carrinha ( que conduzia sem documentação) para mostrar a cadela ao criador (suposto comprador) eu apareci e vi logo que era a minha”, recorda com satisfação. A cadela estava bem e o sujeito foi apanhado em flagrante. É curioso que se tratou da pessoa de quem sempre desconfiei. Até já tinha falado com ele, que não só me negou que tivesse sido o autor, como ainda me ameaçou com a GNR por estar a difama-lo.
Já Nicolete Silva, que reside junto ao Intermarché do Pinhal Novo, desapareceram 2 cães da raça Serra D’Aires no passado dia 15 de Novembro. “Não entraram em minha casa para me roubarem os cães. Houve um dia em que o portão ficou mal fechado e eles sairam, mas já tinha acontecido antes, davam um passeio e regressavam um pouco depois, mas desta vez só voltou uma outra cadela que tenho.

No ano passado, e segundo os dados da GNR do Pinhal Novo, registaram-se 8 casos de furto de cães na freguesia, numeros que não diferem muito relativamente ao ano de 2006. As suspeitas do ladrão, afirma o cabo Gomes, e “pelas indicações que as pessoas dão, recai na maior parte dos casos, em individuos de etnia cigana, que rondam a zona antes de cometerem o delito. E quais são os cães mais procurados? “Dálmata, Boxer, Rottweiller, Perdigueiro e Labrador, cães de raça com algum valor comercial mais faceis de vender”. No caso de alertas de furto que chegam ao posto (importa ter em conta que há pessoas que não fazem denuncia junto das autoridades, caso de Nicolete Silva) e segundo o Cabo Gomes a GNR do Pinhal Novo faz a divulgação da ocorrência a outras patrulhas no sentido de se procurar o animal. Alguns são recuperados, a maior parte não."

Outros relatos:

http://arcadenoe.sapo.pt/forum/viewtopic.php?t=56046&highlight=ciganos

http://arcadenoe.sapo.pt/forum/viewtopic.php?t=54897&highlight=ciganos



domingo, 22 de novembro de 2009

Vote Earth!

Estamos em tempo de eleições.

Os candidatos são o nosso planeta ou as alterações climáticas.

Quem ganhará?

Submeta o seu voto aqui e leve-o à cimeira de Copenhaga que se avizinha.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Try Again

Só porque sim, porque adoro esta música, fica a sugestão - "Try Again"


"Circo sem animais força criatividade"

Fotografia: (c) Carlos Carreira

"Directora criativa do Cirque Soleil diz que proibição da compra de animais estimulará a criatividade artística

(In DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 18 de Novembro de 2009)

A directora criativa do Cirque Soleil Lyn Heward considerou que a portaria portuguesa que proibe a compra ou reprodução de animais para o circo obrigará os artistas circenses a desenvolver a sua criatividade. Lyn Heward disse no seminário sobre Criatividade, destinado a empresários, em Lisboa, que não era nem a favor nem contra a presença de animais no mundo do circo. "Pessoalmente, adoro animais e não me incomoda vê-los a actuar.", afirmou.

O quê a preocupa é a forma como se encara esse trabalho, como são expostos e transportados. "Ao contrário do ser humano, um animal não toma a decisão de ser artista de circo porque não tem essa capacidade de escolha", frisou.

Lyn Heward até vê vantagens: "Se não puder haver animais no espectáculo, então o ser humano vai ter que desenvolver muito mais a sua criatividade. E isso é óptimo", defendeu. Esta medida não preocupa o Cirque Soleil, que não trabalha com animais.
Este circo canadiano começou com 73 artistas de rua e actualmente tem 20 diferentes espectáculos espalhados pelo mundo e 4.000 empregados, dos quais 1.100 são artistas."

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Um exemplo que podemos seguir...

"St. Louis, 11 Nov (Lusa) - Mais de cem cães "pit bull terrier" envolvidos em lutas de animais nos Estados Unidos estão ser treinados para ter um lar, apesar de algumas vozes os terem considerado inaptos devido aos seus "traumas".

Mais de 120 cães daquela raça foram colocados num abrigo graças aos esforços de associações de defesa de animais. Cerca de 120 aguardam a mesma sorte.

"Não são animais perigosos, são vítimas de abusos", sustentou a vice-presidente da Sociedade Humana do Missouri, Debbie Hillm, acrescentando que os cães "só querem estar em casa de alguém".

Lusa

O que está por detrás da carne que comemos...

" Os Pecados da carne

Esta reportagem pode ser encontrada na Revista Visão n.º 869, de 29 de Outubro de 2009.

Merece leitura atenta.

(Clicar nas imagens para aumentar)" _ Partido pelos Animais









...Não que fosse para mim uma surpresa, mas sinceramente, não fazia ideia de que o cenário se apresentava tão grave e cruel!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

"Campanha Nacional de Esterilização de Cães e Gatos Abandonados"

"PONTO DE SITUAÇÃO ACTUAL (5 Novembro 2009)

Uma petição (ver abaixo) que recolheu 3800 assinaturas em mês e meio, uma razoável cobertura dos órgãos de informação, um acolhimento simpático, mais ou menos empenhado, a nível central dos Partidos que nos quiseram receber e a quem fizemos a entrega da petição, algumas respostas de candidatos a munícipes que enviaram e-mails, umas meramente formais, outras revelando a disposição de avançar na resolução local da situação de calamidade em que se encontram os cães e gatos abandonados e negligenciados – mas este pouco que conseguimos não é nada e para conseguirmos reais alterações temos de persistir.

Assim , um apelo para a continuação desta luta foi lançado aos 3 800 peticionários e neste momento ( 5 de Novembro) são quase 400 pessoas em 90 concelhos do país a ofereceram-se para irem às assembleias municipais e reuniões dos executivos camarários apresentar de viva voz as 3 reivindicações centrais desta campanha:

1º- os canis devem esterilizar todos os animais que são dados para adopção. No caso de a Câmara respectiva não possuir os meios técnicos (pessoal ou/e equipamentos) para proceder às esterilizações, deverá pedir a colaboração das Escolas Veterinárias ou/e celebrar protocolos com clínicas veterinárias com vista a assegurar essa esterilização.

2º- os animais abandonados devem ser esterilizados gratuitamente ao abrigo de protocolos entre as Câmaras e as Associações de Animais com vista a estancar e reduzir progressivamente o seu número a curto e médio prazo.

3º – as Câmaras Municipais devem proporcionar aos munícipes com recursos financeiros limitados a esterilização dos animais que possuem. As Câmaras devem referenciar os munícipes que repetidamente entregam ninhadas de gatos ou cães para abate com vista a conseguir a esterilização das fêmeas que procriam."

Campanha de Esterilização Animal


terça-feira, 3 de novembro de 2009

“Ajudo animais que chegaram a confiar na fidelidade humana…”

"Um eterno amigo dos animais. Com os seus quase 80 de idade, Arnaldo Lopes compra, cozinha e distribui diariamente comida a cães e gatos abandonados, em diversos pontos da Arrábida e da cidade.

Teodoro João
red.teodoro@osetubalense.pt


Uma rotina diária, ao final das manhãs. A reportagem de «O Setubalense» acompanhou num destes dias Arnaldo Lopes em mais uma acção de solidariedade para com animais abandonados, espalhados pela serra da Arrábida. Ao final da tarde faz outra ronda, nalguns espaços da cidade, onde distribui comida a cães e gatos igualmente abandonados. Entre a sua oficina e casa, possui dez cães, todos salvos da rua.
O porta-bagagem do seu velhinho carro é uma espécie de restaurante ambulante. “Já podia ter trocado de carro, mas prefiro gastar dinheiro com os animais,” atira com indisfarçável humildade. Todos os dias, parte para a ronda repleto de comida, diversificada e já dividida, para distribuir pelas dezenas de cães e gatos espalhados em locais estratégicos da Arrábida, mais precisamente entre a Comenda e a zona da Secil. “Isto é carne de frango (coxas e asas) que eu compro, aos domingos, cerca de 100 quilos. Depois, todos os dias cozo uma panela grande, juntamente com massas e venho distribuir nestes locais.” começou por explicar o senhor Arnaldo Lopes, antigo sócio da empresa “Coelho e Lopes, Lda”, e que continua a trabalhar na sua oficina de serralharia, sita na Fonte Nova.
“Sabe, sou uma pessoa incapaz de matar uma aranha, osga ou mesmo um rato. Entendo que todos os animais têm uma função e razão de existência. Respeito muito a vida,” divagou o nosso interlocutor, antes da primeira paragem, nas imediações da Secil, onde já o esperavam uma dúzia de gatos, que evidenciaram alegria ao som do trabalhar do carro. Carne de frango cozida, ração para gatos e tigelas para a água. Este hábito vem de muito longe, logo após o 25 de Abril de 1974, época em que este senhor deu aulas práticas de serralharia mecânica e teóricas de matemática industrial, na fábrica da Secil. “Por este caminho sempre houve animais abandonados, comecei a trazer-lhes comer, até hoje, faça sol ou chuva, porque os animais comem todos os dias como nós, não é verdade?”
A visita matinal tem paragem em seis locais estratégicos, à beira da estrada, onde há sempre sinais de espera animal por quem lhes vai matar a fome. “Esta cadelita pariu há duas semanas. Tem os filhos ali para dentro mas ainda não os vi,” diz Arnaldo Lopes numa das paragens. Noutra, outros três cães também esperavam pela refeição diária.
Em todas as paragens, deposita comida e verifica a água, por entre giestas ou canaviais. “O problema é que alguns dos bichos morrem na estrada. Este ano já apanhei cinco atropelados. Trago sempre sacos pretos para esses casos,” acrescenta.
O senhor Arnaldo diz-se consciente de que a sua atitude “não é bem vista” por toda a gente. “Sinto-me melhor assim que estar sentado o dia inteiro numa taberna ou banco de jardim. A minha preocupação não é o que podem pensar de mim, mas sim do que será feito destes animais quando eu não poder vir tratar deles…”

Arnaldo Lopes não esquece aquelas imagens de cães bonitos, de coleira ao pescoço, mas tristes e abandonados à beira da estrada, esperando pelos donos. “Sabe, os animais pensam sempre que o dono há-de voltar, mas já entenderam que eu sou uma instituição para eles…” rematou.
Um caso marcante, junto à Secil:
“A cadela foi para o canil e salvei os oito cachorrinhos” Um caso que marcou Arnaldo: uma cadela pariu oito cães, por si salvos, perto da fábrica da Secil, porque a progenitora foi recolhida pelo canil.
Ainda hoje, tem três desses animais.
Oito cães bebés foram descobertos por Arnaldo Lopes, há cerca de três anos, perto da Secil. Este eterno amigo dos animais soube que a “carroça dos cães” havia recolhido a cadela progenitora, e não descansou enquanto não encontrou as crias. Graças à sua persistência, conseguiu descobrir os indefesos canídeos, dos quais ainda hoje mantém três na sua oficina. “Trouxe os oito cachorrinhos para casa. Eu, a mulher e filha, demos biberão aos bichinhos”, recorda Arnaldo que diz ter contactado a associação de defesa animal ‘Sobreviver’, da qual é sócio, no sentido de recuperar a cadela do canil, para dar de mamar aos filhos, o que foi conseguido. “Já os canitos estavam criados, a cadela mãe acabou por morrer,” lembra.
Entretanto, a referida associação conseguiu donos “para alguns deles, e auxiliou-me no processo de esterilização das três cadelas que continuam comigo, na minha oficina na Fonte Nova.”
Com as sucessivas gerações de animais abandonados, e por si alimentados, Arnaldo chega a pensar na sua idade: “Já não sou novo, caminho para os 80. O que será destes animais quando eu deixar de poder vir aqui? Coitadinhos, nem quero pensar nisso…”

As vasilhas de plásticos - umas com asas, outras com coxas de frango, outras ainda com ração para gatos e cães – fazem parte da azáfama deste senhor. Afinal de contas, é mais um final de manhã, como todas as outras na vida do benfeitor Arnaldo Lopes. Porventura, o único amigo de muitos destes animais que um dia já conheceram alguém a quem confiaram a sua fidelidade.
T.J."

In Jornal "Setubalense"

Arquivo: Edição de 28-10-2009


domingo, 1 de novembro de 2009

"Os Olhos dos Tigres"

"Quando era criança e me levavam ao circo, o que mais me afligia eram os olhos dos tigres. Os olhos assustados e resignados dos macacos, os olhos sem vida de leões e elefantes, os dos cavalos aos círculos na pista, rasos e desorbitados como os dos cavalos dos carrosséis, os das esquálidas pequenas trapezistas, metidas em surrados fatos de lantejoulas e fixando vaziamente um ponto abstracto acima das nossas cabeças enquanto agradeciam, hirtas, os aplausos, entristeciam-me.
Mas nos dos tigres havia impotência e orgulho ferido, como se estivessem enclausurados dentro de si e não coubessem dentro de si. Sentia que nos desprezavam e que desprezavam a parte de si que, às ordens do domador, subia e descia ridículos escadotes ou saltava mecanicamente através de arcos em chamas. E culpava-me por assistir ao penoso espectáculo da sua humilhação, imaginando que deviam (com razão) odiar-nos. A lei que finalmente aponta para o fim do abuso de animais nos circos acaba com um espectáculo tão humilhante para os animais quanto para quem (como acontece igualmente nas touradas) se compraz com a sua humilhação."

(Por Manuel António Pina. In “Jornal de Notícias”, 21 de Outubro de 2009)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Consumidor consciente...

Sendo um consumidor consciente, preocupa-me que as marcas que uso, principalmente no que à cosmética diz respeito, não efectuem testes em animais. Recuso-me a sustentar a minha vaidade à custa do sacrifício e sofrimento de animais.

Portanto aqui fica, para o esclarecimento de quem tenha essa consciência, o que se tem feito na procura de alternativas aos testes em animais, no que à cosmética concerne.

"A Colipa, além de manter a colaboração com o projeto Sens-it-iv, anunciou três novos teste in vitro para a substituição dos ensaios de sensibilização feitos em animais, cujo objetivo é predizer o potencial alergênico de uma substância química quando em contato com a pele.

Dois dos testes em questão baseiam-se no efeito das substâncias químicas nas células dendríticas, encontradas em grande quantidade na pele, participantes da resposta imune deste tecido. O primeiro deles – o human cell line activation test (h-CLAT) – foi desenvolvido por duas companhias japonesas, já foi testado em cinco laboratórios desde 2004 e foi considerado satisfatório. O segundo, desenvolvido pela L’Oreal e a Cosmitol AS (Procter & Gamble) será testado em outros laboratórios em breve.

O terceiro dos três testes anunciados se concentra no potencial preditivo da reatividade química de um componente frente às proteínas responsáveis por sua sensibilização.

Além disso, um grupo de pesquisadores do Rensselaer Polytechnic Institute, da Universidade da Califórnia, e da Solidus Biosciences desenvolveu dois biochips que, juntos, podem avaliar a toxicidade de produtos nos primeiros estágios de seu desenvolvimento.

Esses chips fornecem informações sobre toxicidade de maneira rápida e barata, indo ao encontro da necessidade dos produtos cosméticos de serem seguros e sem substâncias testadas em animais.

O primeiro deles, o DataChip, mimetiza a estrutura celular do corpo humano, pois compreende 1080 culturas de células humanas, permitindo um rápido screening da toxicidade potencial de substâncias químicas e fármacos em diferentes tipos de células humanas. Já o MetaChip, que mimetiza as reações metabólicas hepáticas, é importante porque muitas vezes uma substância benigna pode se tornar altamente tóxica quando metabolizada pelo fígado.

O objetivo principal desses chips é lidar com as necessidades principais de análise da toxicidade de um novo composto químico: o efeito nas diferentes células humanas e como a toxicidade é afetada durante a metabolização dessa substância."

Opinião do autor:..." Na Europa há um acordo de não se realizar mais testes em animais até 2009, por isso há uma corrida na pesquisa de métodos alternativos in vitro. O que realmente puder previnir os testes em animais será muito bem visto, mas eliminar testes in vivo é uma realidade pouco provável. Em algum momento animais ou seres humanos terão de testar as novas substâncias, para garantir o uso seguro destas por milhões de consumidores.

Referências:
MONTAGUE-JONES, G. Animal testing alernatives developed for cosmetics. Acesso em 06/01/08.
BIRD, K. Progress in animal testing alternatives, says Colipa. Acesso em 15/01/2008.
MOO-YEAL, L. et al. Three-dimensional cellular microarray for high-throughput toxicology assays. PNAS, v.105, n.1, p.59-63, jan/2008."

Retirado de "Cosmética em Foco"

A ver ainda - Cosmeticsdesign-europe

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A energia é depois usada para aquecer casas na Suécia

"(in tvi.iol.pt, 16 de Outubro de 2009 http://www.tvi24.iol.pt/ambiente/coelhos-suecia-biocombustivel-estocolmo-tvi24/1096162-4070.html )

Caçadores suecos estão a matar coelhos para serem usados para produzir biocombustível. Os animais são queimados para gerar energia para aquecer as casas da Suécia, noticia a «BBC Brasil».

Os coelhos são abatidos em Estocolmo, na capital. As autoridades dizem que milhares de coelhos são mortos anualmente para proteger parques e campos na cidade, uma vez que sujam os espaços verdes, dizem as autoridades. De acordo com as explicações oficiais, e como não há predadores de coelhos em Estocolmo, as autoridades contratam caçadores para abater os animais.

Depois, os coelhos são congelados até serem um número suficiente, para serem levados para a central da cidade de Karlskoga, onde são queimados para produzir energia para o aquecimento de casas.

A União Europeia financiou mesmo o desenvolvimento do processo que permite produzir biocombustível a partir da queima de restos de animais, informa a «BBC Brasil». Com esta técnica, o corpo do coelho é esmagado, ralado e depois levado para uma caldeira, onde é queimado junto com pedaços de madeira e lixo para gerar calor.

«É um bom sistema, porque resolve o problema de lidar com o lixo animal e gera aquecimento», disse à «BBC Brasil» o director da empresa que desenvolveu o processo."

Há coisas para as quais não encontramos palavras para comentar...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

"Macacos, elefantes, leões e tigres proibidos nos circos"

"12 de Outubro de 2009,

Lisboa, 12 Out (Lusa) - A exibição de animais nos circos tem os dias contados com a publicação de uma lei que proíbe a compra de novos macacos, elefantes, leões ou tigres e que impede a reprodução dos animais já detidos pelos circos.

A portaria 1226/2009, publicada hoje e que entra em vigor na terça-feira, divulga uma lista de espécies consideradas perigosas, pelo seu porte ou por serem venenosas, que só podem ser detidas por parques zoológicos, empresas de produção animal autorizadas e centros de recuperação de espécies apreendidas.

Os circos não fazem parte da lista de excepções, assim como as lojas de animais, que também ficam proibidas de vender cobras de grande porte ou venenosas, algumas aranhas ou lagartos."

Também há felizmente BOAS NOTÍCIAS!!!!!!

"Até ao final de 2010 o Gabinete Médico Veterinário Municipal de Sintra irá dispor de novas instalações com canil e gatil, onde a autarquia vai investir um milhão, quinhentos e trinta mil euros. As novas instalações vão nascer ao lado do velho canil, no local onde funcionou o matadouro de Sintra. O equipamento vai ter sala de cirurgia, área de adopção para até 200 animais, local para animais de grande porte e 54 'celas' de quarentena. "Desconheço outro igual, embora haja bons exemplos de menor dimensão", revela Alexandra Pereira."Esta equipa criou um novo nível de exigência em relação ao bem-estar animal e hoje temos um Gabinete Médico-Veterinário muito diferente do que encontrámos depois de 30 anos em que não se fez nada em Sintra", considera o vereador."

In "Diário de Notícias"

Parabéns à Drª Alexandra Pereira, que tenho o prazer de conhecer, que pena não serem todos os veterinários municipais, amantes da profissão e de animais como a Drª Alexandra.

E claro um bem haja ao Vereador Luís Patrício e ao Presidente da Câmara Municipal de Sintra, pela sensibilidade!

"Quem visita a Quinta da Regaleira, um dos ex-líbris da vila de Sintra, apercebe-se rapidamente da colónia de gatos que vive no local e tenta conquistar a simpatia dos turistas, sobretudo na zona da cafetaria. Mas a maioria dos visitantes desconhece que, desde Agosto, foram alojados na quinta quase uma centena de gatos recolhidos pelo Gabinete Médico Veterinário Municipal.


"Fomos chamados para ajudar a controlar a colónia residente com cerca de 30 animais, e daí surgiu a ideia de recuperar este espaço para acolher provisoriamente os nossos gatos, dado que o nosso canil vai entrar em obras", explica a veterinária municipal Alexandra Pereira (ver caixa). A iniciativa teve o apoio da Fundação CulturSintra e passou pela recuperação de 11 capoeiras em tempos usadas para acolher aves exóticas.

Agora, os 90 hóspedes brancos, pretos, amarelos, azuis ou malhados ocupam com satisfação o parapeito, junto à vedação, ou as inúmeras plataformas de madeira. Uns para aproveitar o sol de Outono, outros, quem sabe, para contemplar sabiamente a mística do espaço. "Não é qualquer um que tem esta vista directa para o castelo de Sintra", comenta Alexandra.

Uns são mansos e pedem colo, outros escondem-se, revelando os traumas dos maus tratos ou do abandono. "Temos uma zona ampla e outra reservada para os mais assustados, mas já se nota a diferença no comportamento, porque alguns eram bravos e agora são meigos", revela.

É o caso do "Riscas", um gatinho cinzento e preto que não perde tempo e salta para os ombros do jornalista. "Era bravo, mas agora que provou mimos não quer outra coisa", explica uma das tratadoras.

Sónia começou como voluntária e agora está a colaborar ao abrigo de um acordo com o Centro de Emprego. "É uma experiência óptima e compensa tudo. O mais difícil é resistir a levá--los todos para casa… Já tenho três gatos e um cão, mas acho que vou ficar com o 'Riscas' ,porque ele não me larga", conta a tratadora enquanto o bichano lhe salta para os ombros. "Muitas vezes são os animais que acabam por escolher o dono", conta.

Apesar da quantidade, são raros os arrufos e o sossego só é quebrado na hora da comida (cerca de oito quilos de ração distribuída diariamente). O segredo está no enriquecimento ambiental feito por voluntários que criaram uma grande variedade de espaços. "É o Seteais dos gatos, um "hotel" de luxo, não só pelo enquadramento, mas também pelo trabalho de enriquecimento", admite o vereador responsável pelo Gabinete Médico Veterinário Municipal.

Apesar das boas condições, o vereador Luís Patrício recorda que a maioria dos "hóspedes" estão ali pelas piores razões. "São animais que não têm culpa de terem ido parar às mãos de humanos sem cuidado, para não dizer mais". E o autarca não esconde o orgulho no trabalho feito em quatro anos (ver caixa). "

In "Diário de Notícias" 4 de Outubro

A Associação APCA de Sintra, também vai construir um novo abrigo para os seus animais, em terreno cedido pela Câmara.


Segundo se diz, também Oeiras vai conhecer um novo canil/gatil municipal, espero que nos mesmos moldes que o de Sintra!

Será que algo começa a mudar?

Em nome da causa ANIMAL.

"Uma petição que recolheu quase 3800 assinaturas em mês e meio, uma razoável cobertura dos órgãos de informação, um acolhimento simpático, mais ou menos empenhado, a nível central dos Partidos que nos quiseram receber e a quem fizemos a entrega da petição, algumas respostas de candidatos a munícipes que enviaram e-mails, umas meramente formais, outras revelando a disposição de avançar na resolução da situação de calamidade em que se encontram os cães e gatos abandonados e negligenciados – mas este pouco que conseguimos não é nada e para conseguirmos reais alterações temos de persistir.

Trago a sugestão de que nos organizemos por concelhos para levarmos, agora em voz, às assembleias municipais e reuniões de câmara abertas à participação do público, as pretensões constantes da petição – esterilização obrigatória de todos os animais adoptados nos canis, esterilização gratuita, feita nos canis pelos veterinários municipais ou através de protocolos com clínicas, dos cães e gatos abandonados e negligenciados, esterilização gratuita dos animais dos munícipes com recursos financeiros limitados - acrescidas de outros aspectos que localmente sejam relevantes, como por exemplo, as condições e politicas de abate dos canis.


Se está disposto a continuar nesta luta, peço-lhe o seguinte:


Envie um email para campanha.esterilizacao@gmail.com sem texto, para facilitar o tratamento da informação, indicando simplesmente no “assunto” Concelho em que vive, o seu nome (facultativo) e e-mail

Por exemplo, no meu caso:

Lisboa, Margarida Garrido, m.margarida.garrido@gmail.com


A partir daqui serão constituídas mailings por concelho e as pessoas serão postas em contacto umas com as outras e a partir daí terão de se organizar localmente.

O ideal seria que até ao fim do ano, tivéssemos conseguido realizar reuniões em todos os concelhos em que existe um número mínimo de pessoas a quererem colaborar.

Depois , fazemos um balanço e logo vemos o seguimento.

Estes nossos esforços não são nada quando comparados com os sofrimentos porque estão a passar os animais encerrados e abatidos nos canis.


Por eles, pelos outros que estão na calha para os substituírem na desgraça, não podemos desistir.


Cumprimentos

Margarida Garrido"

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

"Fábrica de Aniamis para experiências - Biotério Central" da Azambuja (Portugal)"

"IMPORTANTE - PROTESTE E AJUDE OS ANIMAIS



Várias entidades portuguesas pretendem torturar dezenas de milhar de animais

Campanha contra o novo "Biotério Central" da Azambuja (Portugal)

Este Biotério a ser construído será um local onde irão de forma muito cruel torturar milhares de animais para fins ditos "científicos". Terá uma capacidade de 20 000 a 25 000 animais que serão vendidos a universidades, institutos de investigação e empresas farmacêuticas. Custará 36 milhões de euros, dos quais 27 milhões são provenientes dos impostos pagos por todos. Este dinheiro deve ser investido na investigação e implementação de novas alternativas e não no atraso da ciência.
Tendo em conta a ausência de ética e ineficácia existente na experimentação em animais, por favor não deixe de mostrar a sua indignação contra a construção do biotério.


Saiba o que pode fazer vendo os artigos abaixo e o link :

http://www.eco-gaia.net/forum-pt/index.php?topic=876.0

Este site será actualizado sempre que houver novidades, visite regularmente.

Coloque os seus comentários no fórum:

http://www.eco-gaia.net/forum-pt/index.php?topic=876.0

Há alternativas à experimentação em animais.

Portugal quer construir um Biotério quando todos os que existem em tantos e tantos países estão a fechar por esta ser considerada uma prática desnecessária.

Ouçam a entrevista e vejam o vídeo em www.pob.pt.vu

Assinem a petição! > www.petitiononline.com/pob2010/petition.html"

(...)"Nota: Para informações mais detalhadas e para uma abordagem científica acerca de quão anti-científica, inválida e fraudulenta é a experimentação animal, por favor visite:

. www.curedisease.net

· www.curedisease.com

· www.pcrm.org

· http://www.eceae.org/g_resources.php

· www.endeuanimaltests.org

· www.scienceroom.org"

Associação Animal



Nobel da Paz para Barack Obama


"A Academia Sueca justifica, ainda neste momento, a atribuição do prémio Nobel da Paz a Barack Obama.

O presidente dos EUA é galardoado com o Nobel da Paz "pelos extraordinários esforços no fortalecimento da cooperação da diplomacia internacional e na cooperação entre os povos".

"O combate às alterações climáticas", em ciclo contrário à política do antecessor George W. Bush, e a afirmação na oposição à "proliferação das armas nucleares" são outros dos argumentos da Academia sueca para eleger Obama como Nobel da Paz."

In "Jornal de Notícias"

BRAVO!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

"Amigos dos Animais sem dinheiro para rações""

"Os 120 quilos diários de ração para 250 cães traduzem-se em 1600 euros mensais impossíveis para a Associação dos Amigos dos Animais de Santo Tirso. Vive-se de voluntariado e de apoios escassos. Grita-se um apelo: ajuda.

Todos têm um nome. Todos têm uma história. Teodoro é cão de caça. Grande, meigo. Envelheceu, perdeu dentes e deixou de ser útil. Foi descartado no abrigo da instituição, atirado por cima da rede. Assim mesmo. Ninguém sabe como resistiu à queda…

A pequena Julieta, pintas de dálmata em forma de 'basset hound', tem menos de um ano. Viu a vida tropeçar no azar do dono: o homem perdeu a casa onde moravam e teve de recorrer a uma habitação social, onde os animais são proibidos… Habituada a um apartamento e à proximidade humana, Julieta dá sinais de depressão.

De cauda sempre espevitada e pomposamente enrolada em felicidade, Casie está adaptada. Tem um fetiche: uma bola que ora esconde, ora coloca aos pés de alguém para que lha atirem. Imbatível na corrida, parte desenfreada. Nem as patas curtas são obstáculo: não há outro cão que alcance a bola antes dela. Há, ainda, as existências menos felizes de "uma cadela que foi encontrada amarrada a cadeado a uma árvore, com as crias mortas ao lado" ou um cão achado também "amarrado a uma árvore, com um saco na cabeça", indigna-se Luísa Pelayo, presidente da Associação dos Amigos dos Animais de Santo Tirso (ASAAST).

Chega-se a resgatar animais do canil municipal, para salvá-los do abate certo, e "há sempre cães em lista de espera", alerta a responsável. "Nos casos mais críticos, temos de arranjar maneira de fazê-los entrar", diz.

Contas feitas, o abrigo, situado num terreno alugado em Santa Cristina do Couto, está, pois, "lotado", com cerca de 250 animais a consumirem 120 quilos de alimento por dia.

"A nossa luta diária é para arranjar ração", preocupa-se Luísa Pelayo, explicando que a Associação vive apenas das quotas dos associados (2,5 euros mensais) e da generosidade alheia. "Não temos mais para os sustentar. É impossível", lamenta.

"O dinheiro da Associação não chega para alimentar os animais e pagar aos veterinários. Precisamos de ajuda", pede. "Há despesas que saem do nosso bolso", assume Luísa Pelayo, confirmando que, ali, trabalha-se por devoção. Não há lucro: apenas o reconhecimento dos bichos, que se vão somando no blogue www.asaastirso.blogspot.com. Sempre à espera de alguém que os queira."

In "Jornal de Notícias" (08 de Outubro 2009)


"BE visitou hoje,dia 7/10, o canil municipal de Lisboa"

"Aguardei a delegação do BE que se deslocou ao canil de Lisboa para a visita às instalações e acompanhei essa visita . Logo após a passagem pelos vários espaços do canil retirei-me para o carro e por conseguinte não assisti à conversa entre a delegação e os responsáveis do canil.

Perguntei à candidata Natasha Nunes se iam fazer um comunicado sobre a visita o que esta confirmou. Portanto a razão de ser deste e-mail é o meu relato pessoal do que vi e senti naquelas dezenas de minutos que durou a visita. Assim que tenha o comunicado do BE divulgá-lo-ei.

Quem já entrou no canil de Lisboa sabe do que falo. É sobretudo para os outros que escrevo.

Começo por uma afirmação - tudo no canil é horrível. O canil foi concebido como um local de extermínio ( neste momento devem ser abatidos cerca de 2000 animais /ano, o forno crematório lá estava a funcionar, passámos ao pé) e apesar das obras feitas recentemente não perdeu esse seu traço essencial.

São as boxes mínimas com uma curtíssima corrente ( 50 cm ?) para estadias de curta duração, até ao abate. Ali dezenas de animais fazem as necessidades, comem, bebem e sobretudo ladram, ganam e uivam, num stress e sofrimento que parte a alma. Estas boxes não têm as dimensões exigidas por lei. Pergunta-se : como é que a DGV tolera isto ? Só os particulares é que têm de cumprir a lei? Ou estas já de si miseráveis leis de protecção dos animais que temos neste país não são, de facto, para cumprir?

A sala dos gatos, as boxes dos gatos, são indescritíveis de pequenez, quase umas gateiras.Não tive coragem de espreitar mas disseram-me que nalgumas estavam mães e filhos.

Depois, a sala dos “animais perigosos”. Imaginem uma caixa forte e dentro desta umas jaulas com uns pobres seres aos pulos e a ladrar em pânico. Terão luz? Não sei ao certo. São animais cujos donos têm processos judiciais , ficam meses no canil.

Depois, chega-se à parte moderna , à parte dita “ boa” do canil. Tratam-se de boxes no exterior com dimensões razoáveis, de um material que me pareceu um metal escuro, mas não posso jurar porque nesse momento acho que já me encontrava em choque. O aspecto não é simpático, parecem jaulas. Ali estão animais sozinhos ou mais de um por jaula . Estes animais são em muito menor número que todos os outros, são os “adoptáveis”.

E depois , oh, ironia há uma boxe enorme, com 3 cães, mesmo à frente da entrada, é patético, é de chorar porque se havia dúvidas sobre o que ficou para trás, aquilo é o contraponto e quem a concebeu não percebeu que aquela jaula é um libelo contra o canil de Lisboa para quem acaba de o visitar .

Junto uma reportagem do DN do ano passado que tem números fidedignos sobre o canil de Lisboa.

O canil de Lisboa é muito pior do que certos outros, os do Porto, por exemplo ? Não sei.

Mas sei que este canil tem de mudar sem demora.


Cumprimentos,

margarida garrido"


...Quanto ao Bloco de Esquerda, há que encontrar uma coerência nas suas políticas, pois estamos atentos às possíveis inconsistências...

Chico-espertismo português

"A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo.

Nós como matéria-prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais o que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.

Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.

Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.

Como "matéria-prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...

Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.

E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!

É muito bom ser português. Mas quando essa Portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda..

Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.

AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!"

Eduardo Padro Coelho in Público, 2007
(mas podia ser em 2009... ou 2020)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Telhados de vidro...

Como se pode ver nesta notícia, a Câmara de Salvaterra de Magos, a única no país sob o jugo do Bloco de Esquerda não se opôs à realização de um "rodeo" na cidade, perante o beneplácito da autarca, defensora dos touros do morte, ao contrário do que é a ideologia apregoada pelo partido.

Para um partido que declarou, quase aos quatros ventos, ser o único com uma secção do seu programa eleitoral dedicada aos direitos dos animais, esta posição da autarca de Salvaterra (que se vai recandidatar á Câmara, com o apoio do BE) chega como uma verdadeira pedrada no charco da credibilidade e coerência dos valores defendidos pelo Bloco...


Já sabemos, desde há muito, como a política (e os políticos) andam desacreditados neste país. O que não esperávamos era um tiro no pé desta natureza...


Ah, e o timing de divulgação desta notícia, em pleno Dia Mundial do Animal, foi perfeito!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A arrogância de ser humano...


(...)"O assunto de Deus diz o provérbio makwa (1), é como o ovo: "se não seguramos cai ao chão, se seguramos demasiado parte-se".

Do mesmo modo, a ideia de "meio ambiente" pressupõe que nós, humanos, estamos no centro e as coisas moram à nossa volta. Na realidade, as coisas não nos rodeiam, nós formamos com elas um mesmo mundo, somos coisas e gente habitando um indivisível corpo."...

in ..."interinvenções"

Palavras dos outros

(...) "Os números são aterradores: 90 milhões de africanos morrerão com SIDA nos próximos 20 anos. Para esse trágico número, Moçambique terá contribuído com cerca de três milhões de mortos. A maior parte destes condenados são jovens e representam exactamente a alavanca com que poderíamos remover o peso da miséria. Quer dizer, África não está só perdendo o seu próprio presente: está perdendo o chão onde nasceria um outro amanhã. Ter futuro custa muito dinheiro. Mas é muito mais caro só ter passado."...


Foto: (c) Artur Franco

..."Os desafios são maiores que a esperança? Mas nós não podemos senão ser optimistas e fazer aquilo que os brasileiros chamam de levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. O pessimismo é um luxo para os ricos."...

Mia Couto

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Adopte um animal no canil municipal de Aveiro.


Lindo "Terrier", à espera de um dono...



Simpática miniatura, muito brincalhão (ADOPTADO)



Manos (ADOPTADOS!)


Se é da zona, ou se simplesmente quer adoptar um animal, vá ao canil municipal de Aveiro, por lá se encontram vários animais à espera de um dono que o estime para toda a vida.


Brad

Salve um deles, ser-lhe-à eternamente grato!

Flor (ADOPTADA)

Canil Municipal de Aveiro (...no tópico Adopções)

4 de Outubro, dia mundial do animal


Tiro o chapéu ao autarca da Câmara Municipal de Valongo, pela sensibilidade com que trata os animais abandonados e questões inerentes no seu município. No nosso país, é exemplo raro!

"Será celebrado pela Autarquia de Valongo, pela nona vez consecutiva, o Dia Mundial do Animal.

Teremos neste dia inteiramente dedicado aos animais, uma demonstração canina de Mondioring, a tradicional bênção dos animais, e um desfile de moda canino.

Paralelamente decorrerão outras actividades, tais como, passeios de burro grátis, um workshop de tosquia, uma campanha de adopção de animais do centro veterinário Municipal, a oferta de brindes, entre muitas outras.

Aceite este nosso convite e apareça com o seu fiel amigo,

O Presidente da C.M. de Valongo, Dr. Fernando Melo"

Outras campanhas em curso desenvolvidas pelo Centro veterinário Municipal de Valongo (clicar):
- Esterilização de animais pelos veterinários sem fronteiras;

Nos dias 26 e 27 de Setembro, será o Concelho de Valongo visitado pelos voluntários dos Veterinários Sem Fronteiras – Portugal, que, numa iniciativa inédita e em conjunto com o Centro Veterinário Municipal de Valongo, irão proceder à esterilização gratuita de cerca de 40 cães e gatos pertencentes a Munícipes carenciados e inscritos no programa de esterilizações a baixo custo desta Autarquia ou por indicação de Associações de protecção Animal.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"Mais de 3700 assinaram petição"

"Todos os candidatos autárquicos vão receber cartas para que se comprometam a optar pela esterilização e, assim, evitar o abate

Quase quatro mil pessoas já assinaram a petição que defende a esterilização dos animais abandonados, em vez do abate, adiantou ao DN Maria Margarida Garrido, promotora da iniciativa. A primeira peticionária, que estima serem abatidos 30 mil animais por ano, em Portugal, explica que o próximo passo é pressionar os candidatos autárquicos a tomar posição.

"Enviei na terça-feira uma carta aos candidatos à Câmara Municipal de Lisboa", diz Maria Garrido, eleitora na capital. O gesto deverá ser repetido por todo o País, uma vez que as mais de 3700 pessoas que assinaram a petição estão a ser convidadas a enviar um documento semelhante para aos respectivos candidatos autárquicos.

Na carta, Maria Garrido defende que os abates feitos pelos canis não resolvem o problema dos animais abandonados. "A política de abate do canil municipal de Lisboa (cerca de 2000 animais/ano) está desajustada do objectivo de reduzir o número de animais abandonados que não tem cessado de aumentar", lê-se no documento enviada aos candidatos, incluindo António Costa e Santana Lopes.

Para a lisboeta, a solução é a esterilização dos animais de rua, sendo responsabilidade das autarquias tomar medidas neste sentido: "É urgente uma campanha nacional de esterilização organizada pelas câmaras em colaboração com os canis e associações".

Maria Garrido garante ter tido respostas positivas de cidadãos de todo o País, apesar de ainda não ter recebido qualquer resposta oficial dos candidatos autárquicos.

No entanto, nos dias 15 e 16 deste mês, os representantes dos peticionários foram ouvidos pelos partidos com assento parlamentar, na Assembleia da República, com excepção para o PS. E só o BE defendia no programa a esterilização dos animais."

In Diário de Notícias


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

"Alemanha: Animais afectados pela crise têm "sopa dos pobres""

"Há cães grandes como um labrador e pequenos como um pekinois . Há pastores-alemães, jack russel ou rafeiros. Os donos, tal como os animais, são todos diferentes: idosos, mulheres jovens, homens, famílias, grupos de punks com meias rasgadas. Uns estão desempregados, outros doentes ou sem abrigo, bastantes reformados: pessoas que, por uma razão ou por outra, ficaram sem o rendimento habitual e recorrem à Tiertafel, uma espécie de sopa dos pobres para os animais.

Na antiga escola de Treptow, uma zona de Berlim Leste bastante periférica, dezenas de pessoas esperam a sua vez com mochilas e sacos para levar ração e biscoitos, e não só para cães e gatos: o banco alimentar tem comida para pássaros, hamsters, porquinhos da Índia... "e agora até temos um cavalo", diz Mike Schäfer, um dos voluntários. Antes de receberem a comida, os donos dos animais tiveram de se registar, mostrando comprovativos de rendimento - pensões de reforma, subsídio de desemprego ou outras prestações sociais. Outra condição é que não tenham acabado de adquirir o animal.

A sopa dos pobres dos animais abriu em Berlim em Outubro de 2008, e há já outras iniciativas em várias cidades alemãs. Em Berlim são ajudados uns 800 donos com cerca de 2125 animais; a nível nacional são oito mil donos.

Cada sábado, cerca de dez voluntários estão na antiga escola para ajudar a distribuir os cerca de 900 quilos de comida que vêm de doações das empresas que produzem comida de animais - "quando vêem que o prazo está quase a acabar e já não podem vender dão-nos", explica Mike Schäfer. Também há muitas doações individuais, em comida, trelas, brinquedos, tudo e mais alguma coisa. Com a crise, muitas pessoas deixam de ter hipótese de tratar os seus animais, e cada vez mais são abandonados. A ideia da Tiertafel é que as pessoas que perderam o rendimento habitual - e passaram a contar só com os 350 euros do subsídio de desemprego - possam manter os seus animais.

Claudia, uma mulher de 50 anos que parece mais jovem sobretudo por causa do cabelo meio rasta - embora discreto, apanhado no alto da cabeça - e que prefere não dizer o apelido, está nesta posição: de um emprego normal passou a receber a ajuda do Estado para desempregados de longa duração - 350 euros, para os desempregados de curta duração o subsídio é bastante maior - e isso não é suficiente. Confessa que alimenta o seu cão com a ração que vai levar daqui e com restos de carne que os supermercados deitam fora, um dia após o fim do prazo.

Tommy Pohle, um engenheiro informático magro de óculos redondos e postura zen, conta que o trabalho que faz já não lhe dá o suficiente para si, a mulher, que entretanto ficou doente, os dois filhos, a cadela e o gato. A Tiertafel faz com que consiga manter os animais bem alimentados. "Temos ajuda do Estado, claro, mas não chega para tudo", sorri, olhando para a cadela. Foi afectado pela crise? "Bem, sem dúvida que há dois anos estava muito melhor."

Veterinário também

"Não tenho emprego e o cão tem de comer", resume Lutz Klimpel, um outro engenheiro informático de rabo de cavalo grisalho e chapéu de abas, que tenta controlar um pastor-alemão especialmente enérgico. "Ajuda muito, são 20 ou 30 euros por mês que poupo - e sem emprego é preciso poupar em tudo."

Sabine Guthke é mais jovem mas está com o mesmo problema de desemprego já há dois anos. "Antes pintava paredes mas agora não há trabalho por causa da crise", diz. "Não temos muito dinheiro para tratar dos animais" - ela tem um cão e um gato - "assim é muito bom podermos ter a comida". E há ainda um veterinário que vem de vez em quando, uma vantagem preciosa, diz Sabrine: "Mas espero não ter de vir cá sempre. Espero conseguir um trabalho depressa e poder passar a ter dinheiro para tratar deles". Mas Sabine não tem grandes expectativas de que as eleições de domingo tragam alterações. "Vou votar, mas não vai mudar grande coisa". Também o informático Klimpel diz que os partidos estão "cada vez mais iguais", e "a grande coligação vai manter-se e não vai necessariamente fazer grande coisa". Claudia gostava que "as coisas mudassem" e que houvesse uma coligação vermelho-vermelho verde (sociais-democratas, Die Linke, Verdes), a única que iria "atacar os bancos que nos puseram nesta embrulhada"."

(In “Público”, 22 de Setembro de 2009)

Mas que belo exemplo!

"Alunos e professores de escola de Guimarães constroem canil para 30 animais abandonados

A Escola Santos Simões, em Guimarães, construiu um gatil para acolher 30 gatos que são tratados por alunos e professores, uma experiência única em Portugal que uniu a comunidade escolar contra o abandono dos animais, disse hoje à Lusa, a coordenadora do projecto.

"É um projecto pedagógico que tem por objectivo reforçar a ligação emocional entre as crianças e os animais, dado que através delas, podemos educar uma população", sustentou Luísa Veiga, professora e coordenadora do Gatil Simãozinho.

Com 30 animais, o gatil foi criado para acolher gatos vadios que viviam em terrenos próximos daquela escola do 2º e 3º ciclo."

Blog: Gatil Simãozinho

terça-feira, 22 de setembro de 2009

"Esterilização gratuita - Veterinários sem Fronteiras Portugal"

"Nos dias 26 e 27 de Setembro, será o Concelho de Valongo visitado pelos voluntários dos Veterinários Sem Fronteiras – Portugal, que, numa iniciativa inédita e em conjunto com o Centro Veterinário Municipal de Valongo, irão proceder à esterilização gratuita de cerca de 40 cães e gatos pertencentes a Munícipes carenciados e inscritos no programa de esterilizações a baixo custo desta Autarquia ou por indicação de Associações de protecção Animal."

Veterinários Sem Fronteiras

Um exemplo a seguir para todas as autarquias deste país...