quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Pelo conteúdo, merece leitura atenta...

"Exmos. Srs,

Venho por meio deste dar minha opinião pelo facto de uma "senhora" estar a queixar-se de haver muitos cães no Parque Nossa Senhora dos Milagres.
Esta noticia chocou-me, não pelo conteúdo em si, mas por uma vez mais não andarem a caça dos infelizes que abandonaram os seus cães ou deixaram que os mesmos reproduzissem e andarem a CAÇA das vítimas que são sempre os animais. Está mais que provado que o abate não é solução, mas as Câmaras preferem eutanasiar do que apostar em esterilizar e castrar. Neste aspecto e noutros a Câmara de Valongo é um exemplo a seguir. Também não consigo entender porque há verbas para tantas obras, grupos de folclore e para as associações nada. Pelo que sei, as mesmas tem que fazer pela vida para sobreviverem, porque se um animal vai para uma clínica, quem paga é a Câmara? Não, porque esta iria eutanazia-lo, nem pensaria mais no assunto. Há médicos veterinários conscientes, mas ainda não vi nenhum com CORAGEM para ir a frente com o propósito que fez ao dedicar-se na faculdade e prometer salvar vidas e não mata-las. Não há condições para fazerem esterilizações nos canis municipais? Então façam um acordo com clinicas ou associações que já o fazem. O problema está, sempre no mesmo ponto....muitos não querem perder os seus postos de trabalho e como tal os valores ficam em 2º plano. Todos sabemos que o que digo é a mais pura verdade.
Fica uma pergunta para os leitores e agradecia que enchessem as caixas do correio e as linhas telefonicas para as Juntas de freguesia e para os próprios veterinários municipais,camaras municipais: quando um animal é atropelado na via pública o que se faz? quero ver se algum lhes saberá responder.
Se a resposta for diferente desta, estão a mentir. Há que contactar o SEPNA 808200520 ou a Protecção Civil(que nesses casos pouco ou nada fazem) e alertar que está um animal atropleado na via publica em sofrimento e que exigem que se desloque imediatamente o veterinário municipal daquela zona para proceder a remoção/tratamento ou a eutanásia(em último caso para não sofrer mais ainda o animal). Se assim não fizerem podem e devem proceder a uma queixa por negligencia. E se não aparecer ninguém levem vocês próprios a uma clinica de urgência e depois levem a factura para a camara pagar porque é a obrigação da mesma e não vossa. Não tenham medo das autoridades sejam elas quais forem, o problema é que quando se trata de animais a GNR,PSP, Protecção Civil e até mesmo o organismo oficial para tratar desses assuntos SEPNA não ligam muito....é o País que temos, mas dependerá de nós muda-lo ou não. Liguem para as câmaras das vossas Cidades localidades, visitem os canis, vejam as condições, sejam participantes! Afinal quem elege os políticos, quem paga impostos? Nós! Estamos num País democrático e como tal, temos o direito e dever de denunciar pançudos que nada fazem, mas para não perder o seu posto seja ele qual for ficam calados. Porque não vão a caça de quem abandonou os animais? Porque as Juntas colocam os microchips (obrigatórios) pagamos para isso e os animais a grande maioria os Presidentes das Juntas ou responsáveis esquecem os papéis nas gavetas(caso mais recente Junta de Freguesia de moldes) Bonito não é? Encobrem-se uns aos outros por não perderem o tachozito....que ridículo,estas pessoas são despreziveis e agora vamos assistir em SJM a caça aos cães. Espero não deparar-me com uma situação dessas porque caso isso aconteça(normalmente é de madrugada e os mais complicados são pêgos com dardos anestésicos ajudados pela PSP e a veterinária municipal) Juro por tudo que chamo as TVs e isto vai ter que mudar.
Espero que haja mais vergonha por parte dos políticos, autoridades em geral, veterinários municipais(que muitas vezes dizem que não podem isto ou aquilo,mas na verdade não podem é perder os seus postos de trabalho(tachos), porque eles tem a sua autonomia, é bom que os leitores saibam destas coisas para ficarem mais esclarecidos)e se preocupem menos com tantas actividades lúdicas e olhem para o bem estar animal da mesma forma que olham para as restantes actividades.
Que façam colóquios sobre a necessidade de castra/esterilizar (para as pessoas que já possuem animais)e não deixar ser adoptado nenhum animal sem o mesmo ser castrado ou esterilizado. Se for adoptado em cachorro(2/3 meses terá que apresenta-lo após o mesmo(a) ter 6/7 meses para futura esterilização/castração.
As autoridades se virem uma pessoa a passear o seu animal pedir identificação (do cão, vacinas, microchipa)se não a tiver ou o cão estiver sem trela, passar uma coima, isso até daria dinheiro as Juntas...será que não sabem as Leis? Fazer visitas incertas a apartamentos, casas, cujos muitos animais morreram de fome e sede porque os donos foram embora e os deixaram lá.Mas talvez não...não interessa, e dá muito trabalho, não é? Que tristeza! Anexo documentos para saberem mais sobre castração/esterilização e caso percam seu animal a fonte a qual poderão recorrer para obter estas informações é: www.encontra-me.org

Cumprimentos e espero que sejam bem punidos quem abandonou estes animais que agora vão morrer ou ficar num local minúsculo até serem eutanasiados ou irem para o intermunicipal onde a sorte é quase a mesma e não é feita uma triagem dos adoptantes(declarado por fonte segura).Sendo muitos animais infelizmente adoptados para ficarem a vida inteira amarrados numa corrente de meio metro numa casota ridícula de cimento ou pior ainda, servirem de isco para lutas de cães.Pobres coitados, que vêem ao mundo para sofrer e quem tem obrigação de os proteger MATA-OS!"

Ricardo Alberto.C. Moutinho

A propósito de uma reportagem no Jornal "O Regional de São João Madeira"

"Investigação revela falácia que é o chamado ‘abate humanitário"

"Que a expressão ‘abate humanitário’ é um oximoro, isso qualquer vegano já sabe. Mas, como muitas organizações que supostamente defendem animais apoiam esse golpe de marketing da indústria de exploração de animais, é importante esclarecer o público que se deixa levar por essa mentira.

A ONG inglesa AnimalAid filmou com uma câmera escondida, entre 19 de outubro e 3 Novembro de 2009, o que acontecia na Tom Lang Ltd, em Ashburton, Devon. O matadouro é certificado pela Soil Association, o selo orgânico mais respeitado na Grã-Bretanha. E, durante esse tempo, o que o investigador registrou foram animais sendo chutados, lançados a distância e apanhando. Alguns deles não foram atordoados como manda a cartilha do chamado ‘abate humanitário’, tendo sido até mesmo decapitados ainda vivos.

A ONG informa, em um press-release, que três funcionários foram suspensos e os órgãos oficiais já se manifestaram para apontar o dedo a essa empresa pega ‘em flagrante’. O jornal de maior circulação da Inglaterra cobriu o assunto com uma matéria de destaque. Mas, apesar disso, milhões de animais continuarão a ser enviados para esse destino de horror, tudo isso para encher os bolsos de alguns e o paladar corrompido de muitos.

A reação correta para essa tipo de investigação não é pedir que se instalem métodos de monitoramento de matadouros. Isso não vai resolver nada porque o problema é filosófico e não apenas logístico. Enquanto os animais são tratados como propriedade alheia, é impossível esperar que eles sejam respeitados, principalmente por pessoas embrutecidas por ofício tão esdrúxulo.

O saldo positivo dessa investigação é que ela ajuda a destruir o mito do abate humanitário. Se você acha essa situação revoltante, faça a sua parte para pôr um fim a essa situação e torne-se vegano. Ao ajudar a diminuir a demanda por produtos animais, você contribui para que um dia vivamos em mundo sem matadouros."

Ver vídeo aqui - "ANDA - Agência de Notícias De Direitos Animais"

Fundo Monetário Animal

Mais uma bela iniciativa, em prol dos animais abandonados!

A história na integra:

"Amigas e amigos,
Vou começar por enviar este email a quem me conhece e pedir que reencaminhem, na esperança de chegar a todos quantos ajudam os animais, sejam associações, sejam particulares.
Erika Nunes (eu mesma), desde sempre amante dos nossos melhores amigos de várias patas, cores, feitios, etc, desde 2004 que começou a colaborar com o grupo de amigas que veio a formar os Bichanos do Porto. Saiu, por motivos pessoais e, até, de saúde, em 2005, pois engravidou e teve mais um bebé e não "dava jeito" nenhum continuar numa vidinha às vezes indecente em horários e correrias com os bichinhos. Mas, este ano, voltou à actividade. Uma mãozinha num caso dos Bichanos, outra nos Animais de Rua, outra em vários particulares de outras zonas do país e, até, da ABRA. A certo ponto, este ano, tinha 10 gatos em casa, duas cadelas no quintal e dois miúdos pequenos para criar (sozinha). Ajudas monetárias e em géneros foram sendo dadas sempre, desde à SOS Animais, até à ASAAST, à AANIFEIRA, etc. Ainda conseguiu esterilizar a maioria de uma colonia de rua (colónia da Regeneração, Porto), mas a dificuldade na angariação de fundos (pagou N do bolso), as capturas sozinha com duas crianças pequenas, às vezes de noite num beco ermo, outras vezes à chuva, os transportes antes e depois de ir para o trabalho e os pós-operatórios com a casa também cheia de penduras, interrompeu temporariamente esses "trabalhos". Agora, "chovem" gatos bebés abandonados na rua, em hipotermia, em cima de telhados sem saída, caídos nos quintais de vizinhas que não gostam de gatos (e já envenenaram alguns), etc. No email, "chovem" urgências todos os dias e os euros de sempre as mesmas pessoas não se multiplicam. Essencialmente, queria dar mais e não tinha como, então ajuda-se com o que se tem: ideias, iniciativa, profissionalismo e contactos também.
A Carla Mendonça, com quem eu (Erika) tinha contactos profissionais, mas com quem, aquando da adopção da gata dela, comecei a conversar sobre estes assuntos e, embora sem tempo, sem "vida" e sem "estômago" para lidar com as situações dos animais no terreno, quis ajudar com euros e achou que as pessoas, tal como ela, antes de adoptar a gata que adoptou agora, não conhecem a realidade do trabalho dos voluntários no terreno e da extrema necessidade de fundos para tudo: desde os medicamentos as rações, passando pelas areias de gato ou as trelas de cão.
Criámos a 18 de Dezembro de 2009, um grupo no Facebook denominado FUNDO MONETÁRIO ANIMAL (FMA), que está a dar os primeiros passos mais burocráticos para funcionar e que visa angariar uns trocos (um euro hoje ou esta semana ou este mês, multiplicado por muitos, ajuda muito) para distribuir por aqueles casos que recebemos diariamente no email: aqueles gatos doentes, aquele cão atropelado, aquela associação sem ração, etc, etc. O FMA quer receber esses apelos no email fundo.animal@gmail.com e apresentará os casos no grupo para motivar quem desconhece essa realidade para que ajude.
Imaginámos uma forma de funcionamento que nos salvaguarde de qualquer desconfiança e seja justa. Esperamos ter pensado bem:
- cada mês começará com saldo a zero e terminará com saldo a zero;
- o extracto de cada mês será apresentado aos "benfeitores" do mês, havendo apenas os movimentos de crédito de cada um; deles e o débito para os casos eleitos, apenas deduzido do valor que o banco cobra para a transferência bancária (0,5€) - assim, não haverá dinheiros injustificados, nem custos de funcionamento, pois a conta não tem despesas (Banco Big);
- um euro=um voto: ninguém decide sobre o destino dos fundos alheios, muito menos quem criou o FMA;
- quem deposita ajudas mas não quer votar será informado do resultado do mês e os seus euros terão sido convertidos em votos divididos pelos participantes daquele mês, assim será o julgamento colectivo a decidir também sobre aquele dinheiro;
- quem receber o dinheiro, seja particular ou associação, terá como único dever informar o público do FMA da ajuda recebida e do desfecho do caso ajudado - acreditamos que, com mais historias felizes, com belos "antes e depois", as pessoas sentir-se-ão mais motivadas a ajudar.
O caminho só se faz andando, passe o cliché. Estamos a começar, teremos de contar com a vontade e boa-fé dos amigos e de quem já nos conhece antes de chegarmos a cada vez mais pessoas. Agradeço que quem me conhece, a mim ou à Carla Mendonça, possa dar algum testemunho (no Facebook ou no blog) que abone a favor da verdade desta iniciativa em que sabemos que corremos riscos pessoais, pois haverá sempre quem nos coloque em cheque por haver dinheiro envolvido, mas que visa apenas e tão-só, ajudar a criar consciência para os problemas com que nos deparamos enquanto voluntários e, efectivamente, que o resto da sociedade se digne contribuir, ao menos, com um eurito aqui e ali. Tudo junto, fará a diferença.
Por agora, queria pedir também que, quem tiver e puder ceder, nos envie (fundo.animal@gmail.com) fotos de animais ajudados por vós, que não sejam demasiado chocantes para quem não tem "estômago" ou não está habituado a isso, mas que só assim perceberá por que é que os animais precisam de ajuda. Com a vossa permissão, serão publicadas no blog e na página do Facebook e, tendo definição suficiente, com os devidos créditos, em jornais e revistas que divulgarão, brevemente, a iniciativa
Obrigada por lerem tanta prosa!


Erika Nunes (kya2005@gmail.com)
Facebook:http://www.facebook.com/pages/Fundo-Monetario-Animal/375345985306?ref=search&sid=1787821527.1840953272..1
Enviar apelos para fundo.animal@gmail.com
Fazer depósitos para 0061 0050 00543958500 60 (Banco Big)


DIVULGUEM POR TODOS OS VOSSOS CONTACTOS, FÓRUNS, GRUPOS, AMIGOS, ETC E VAMOS FAZER A DIFERENÇA!"

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

"Dia de cão"

À semelhança da Nestlé, agora também uma empresa portuguesa aderiu ao dia do animal, neste caso o "dia do cão", à sexta feira, todos podem levar consigo para a empresa, o seu amigo de 4 patas...Mas que belo exemplo, só mesmo coisa de empresário de mentalidade aberta, evoluída, sensível, típica de um primeiro mundo, que ainda não é o nosso.

"Quando falamos num dia de cão, referimo-nos habitualmente a um mau dia, que nos surpreende porque quase tudo corre mal. Mas nós descobrimos um caso em que um dia de cão é um dia feliz." "Nós por cá"



segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Coisas Simples...



Cada inicio de ano, é para mim um novo recomeço...

Eu gosto dos contrastes do Outono, do amarelo e do vermelho, do verde e castanho das folhas das árvores.
Gosto dos entardeceres,da mística que transportam.
Gosto de passear os meus cães pela praia no Inverno.
Gosto do cheiro da terra quente, arrefecida pela chuva.
Gosto de Figos e de Morangos, bem vermelhos.
Adoro Animais, são o melhor que este planeta reserva.
Gosto de gente inteligente, criativa e irreverente.
Gosto de sorrisos abertos e verdadeiros, daqueles que deixam os olhos em "bico".
Gosto de vinho branco num fim de tarde de Verão.
Gosto do cheiro de relva aparada, cheira a renascer.
Gosto da paz do pinhal e de me perder na sua solidão.
Gosto do som dos riachos, é harmónico.
Adoro U2, a minha banda sonora.
Gosto de olhos verdes, são exóticos.
Gosto do cinza, que tinge o meu Porto.
Gosto do mar revolto, da sua fúria.
Gosto de Praga, cidade do meu imaginário.
Gosto de filmes de gente real.
Gosto de como me sinto, num concerto ao vivo.
Gosto de ideais, que me fazem acreditar num futuro possível...
Gosto de poetas e de pintores, são sensibilidade bruta.
Gosto de espíritos inquietos, são excitantes.
Gosto de livros e de pensar à "toa"...
Gosto de histórias de viagens, fazem-me sonhar.
Gosto de saber, conhecer e descobrir que nada sei!
Gosto de dançar, deixar o corpo solto.
Gosto da palavra liberdade.
Gosto de fotos a preto e branco, são arte pura.
Gosto de cidades misteriosas, não reveladas.
Gosto de luz, da claridade dos dias.
Gosto dos sinos nas Igrejas, carregam o peso da imponência..
Gosto de baloiço e bicicletas.
Gosto de flores e pássaros, são o brilho da natureza.
Gosto de velhos hábitos, porque confortam a alma.
Gosto de lareiras acesas.
Gosto de flocos de neve, da suavidade do seu toque.
Gosto de rir.
Gosto de John Malkovich e Johnny Depp.
Gosto de conversas cheias...por tudo o que dizem.
Gosto de teatros, claustros do mundo.
Gosto do aroma de café.
Gosto do "Oceano Pacífico".
Gosto do gosto de chocolate.
Gosto de "sangria".
Gosto da Costa Alentejana,paraíso perdido.
Gosto de Azul Indigo.
Gosto de lençol de linho.
Gosto do reflexo da Lua, testemunha de amores confessos.
...
Não gosto de circos e palhaços.
Não gosto de gente banal.
Não gosto de hipocrisia e cinismo.
Não gosto de casas velhas.
Não gosto de tirania.
Não tolero injustiças.
Não gosto de ficção cientifica.
Não gosto de prédios altos.
Não gosto das chaminés das fábricas.
Não gosto de "filas".
Não gosto de intolerância.
Não gosto de ruas sujas.
Não gosto de mentalidades retrogradas e mesquinhas.
Não gosto de politiquice e demagogias.
Não gosto de pessimismo.
Não gosto de praças vazias.
Não gosto de "farturas".
Não gosto de arrogância.
Não gosto de falta de ideias.
Não gosto de música "oca".
Não gosto de ordens.
Não gosto de dogmas.
Não gosto de "jogging".
Não gosto de falsas promessas.
Não gosto de falta de consciência.
Não gosto de conformismo...

..."there is always a hope for a better future as long as we don’t give up the fight!"...

...Porque é chocante, mas poderoso e porque não podemos fazer de conta que não existe, de que esta não é a realidade...por isto, RECOMENDO!


"Animal recebe 350 denúncias de maus tratos todos os meses"


"Autoridades não actuam por limitação da lei e pouca sensibilidade, diz associação.

Todos os meses a associação Animal recebe, em média, 300 a 350 denúncias de maus tratos a animais. Na maioria, cães que os donos abandonaram ou fecharam em casa, privando-os de cuidados ou alimentação. Mas estes números estão muito aquém da realidade global do País, pois muitas das queixas são feitas directamente às autoridades. Contudo, considera Rita Silva, da Animal, as burocracias e limitações da lei, e a falta de sensibilidade das forças policiais e judiciais, não permitem resolver o problema. Por exemplo, retirando o cão ao dono que o maltratou.

Em Espanha, um juiz tomou recentemente uma decisão inédita, ao retirar um cão ao dono por este lhe infligir maus tratos sistemáticos. Mas neste país, tratar mal os animais é um crime punível com uma pena de prisão de três meses até um ano. Cá, um comportamento destes poderia apenas ser punido com uma contra-ordenação até 3740 euros, explicou ao DN, Ana Silva, da Animal. Mesmo assim, acrescenta, "raramente as pessoas chegam a ser multadas".

"Depende da boa vontade e da sensibilidade de quem recebe a queixa, e da interpretação que faz da lei. Muitas vezes, nem sabem que são autoridade na matéria", afirma a dirigente da associação. Se as autoridades (policiais ou veterinárias) responderem à denúncia, podem admoestar ou instaurar um auto, explica, citando a lei.

São raros os casos em que os animais são retirados aos donos, pois tal pressupõe a concordância dos mesmos ou exige um mandado judicial para entrar no domicílio. "Acontece apenas em casos extremos, quando as pessoas têm mais animais do que devem e põem em causa a saúde pública. Por exemplo, uma colecção de cães ou gatos, onde estes acabam por se comer uns aos outros."

Quando os animais ficam à guarda do Estado, como prevê a lei, há oito dias para as condições serem restabelecidas ou o animal adoptado. "Senão são alienados, ou seja, mortos no canil. A maioria dos canis não tem condições para os manter ou esterilizar."

Ana Cristina Figueiredo, jurista da Quercus, também critica a inexistência de mecanismos legais que permitam actuar directamente, e até prevenir, estes problemas. "Muitas pessoas denunciam. Mas os casos resolvidos são poucos. O domicílio é inviolável e quando não há vontade das pessoas, nem o organismo policial pode entrar", disse ao DN. E exemplifica: em Cascais, havia um leão a viver em cativeiro. Só com um mandado judicial foi possível lá entrar."

In "Diário de Notícias"

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL!


A todos um DOCE NATAL e um INCRÍVEL 2010!!!

Avatar", uma experiência a não perder!"

Este fim de semana vi o filme "Avatar", do realizador James Cameron, em 3D, tudo o que posso dizer é que recomendo vivamente a experiência, não só pelo impacto visual, mas também pela mensagem incutida e pelo renascer dos fantásticos "contos de fadas"...MUITO BOM!*****

"Avatar é um verdadeiro "tour de force" de Cameron, uma obra gigantesca, descomunal, épica. Um filme sem precedentes que não é uma evolução... é, acima de tudo, uma revolução! Uma absoluta, tremenda, envolvente e arrebatadora obra prima visual que empolga o espectador desde o momento em que a primeira imagem em 3D salta para o écran até aos créditos finais."...

Movie Pit

"Ilegalidades no Canil Municipal da Guarda" Parte II

Acho inacreditável, como esta situação se continua a arrastar...e não há uma associação de defesa animal, que se interesse e interfira!...Falamos da cidade da Guarda, onde se fazem sentir temperaturas negativas e assim sendo, tendo em conta as constantes denúncias, os animais depositados no canil desta cidade, estão a sofrer verdadeiras torturas, toda a gente sabe, é publico e ninguém age judicialmente!...Simplesmente revoltante!!! Os argumentos do médico veterinário...são no mínimo irrisórios...e a petulância do veterinário municipal, é deveras incrível, não passando de um funcionário do estado, cujo salário é pago com os nossos impostos, demonstra uma verdadeira insensibilidade para com estas vitimas.

"No Jornal "O Interior"
Edição de 17-12-2009

"No passado dia 7 de Dezembro, o Senhor Médico Veterinário Municipal respondeu, na SIC, à minha indignação perante o que eu e alguns outros cidadãos presenciámos no Canil Municipal da Guarda nos dias 17 e 18 de Dezembro.

Entre outras afirmações ele disse, à laia de explicação, que os cães estão molhados porque alguns têm apetência por se irem deitar nos recipientes da água!

O que estaria o veterinário a dizer? Que os cães do Canil Municipal da Guarda apresentam alterações comportamentais que os levam a portar-se como focas?

Seria que o veterinário nos estava a querer dizer que os cães do canil apresentam alterações comportamentais por serem tratados quais objectos descartáveis, como os dejectos que saem de camiões do lixo como o que vimos ser lavado dentro das instalações do Canil no dia 30 de Novembro passado? Ou o carro que lá tinha estado a lavar no dia 17 do mesmo mês?

Ou seria que o veterinário nos estava a querer dizer que os cães do Canil estão de tal maneira perturbados pelo susto e tensão de serem acordados todos os dias às 6:30 da manhã com um jacto de água apontado à sua cela que se rebolam nas taças da água e por isso ficam molhados?

Não. Parece-me que, do que o Senhor Veterinário disse, podemos apenas concluir que os animais do Canil ficam, de facto, todos molhados – na cidade mais fria do país, em Novembro, em Dezembro, com o vento a entrar pelo espaço de mais de 10 centímetros no cimo de todas as portas, isto na melhor das situações, que é quando estão fechadas...

Perante uma denúncia relativa ao infringimento do Decreto-Lei nº 315/2003 de 17 de Dezembro sobre o bem estar animal, esperávamos que o responsável técnico superior do Canil Municipal falasse sobre a sua preocupação relativamente ao que fora denunciado e se propusesse corrigir o que de errado estivesse a ser feito. Mas não foi isso que fez. Para além de dar uma explicação totalmente inverosímil quanto à causa de os animais se encontrarem molhados e a tremer de frio a todas as horas do dia, o Senhor Veterinário lança para o ar o facto, que toda a gente sabe, de que um canil não é um hotel canino – como se quem denunciava estivesse a confundir os dois tipos de locais e, portanto, não se lhe devesse dar ouvidos.

Por fim, relativamente à queixa de não haver sequer caixa de primeiros socorros para um tratamento rápido, o Senhor Veterinário afirmou que um canil municipal não é um centro veterinário (o que as pessoas também sabem), esquecendo, contudo, o disposto na lei: “Todos os animais devem ser alvo de inspecção diária, sendo de imediato prestados os primeiros cuidados aos que tiverem sinais que levem a suspeitar estarem doentes, lesionados ou com alterações comportamentais” (nº 3 do artigo 13º do referido Decreto-Lei). Mais ainda: “Os animais que apresentem sinais que levem a suspeitar de poderem estar doentes ou lesionados devem receber os primeiros cuidados pelo detentor [centro de recolha] e, se não houver indícios de recuperação, devem ser tratados pelo médico veterinário” (nº 3 do artigo 16º do mesmo documento).

O Senhor Veterinário disse conhecer uma carta dos direitos dos animais mas o que tem mesmo de conhecer é a Lei portuguesa, que segue directivas europeias, e de que aqui trago apenas alguns excertos.

Por exemplo, sobre a ilegitimidade de manter os animais molhados e a tremer de frio no canil, cito o mesmo Decreto-Lei: “O manuseamento dos animais deve ser feito de forma a não lhes causar quaisquer dores, sofrimento ou distúrbios desnecessários (nº 4 do artigo 13º).

Assim, e para obstar a estes maus tratos infligidos pelos tratadores, bastaria mandar soltar os animais, outro requisito não seguido ultimamente no Canil: “Os animais devem dispor do espaço adequado às suas necessidades fisiológicas e etológicas, devendo o mesmo permitir: 1a) A prática de exercício físico adequado” (números 1 e 1a) do artigo 8º). Ou seja, basta soltarem-nos durante o período em que se lavam as celas para que um razoável bem-estar lhes seja permitido.

O cumprimento das normas de bem-estar animal estabelecidas é normal para quem gosta de animais. Ter apenas formação está longe de chegar, como se prova ao sabermos, por exemplo, que um dos tratadores a possui.

A responsabilidade de impor o cumprimento da Lei, neste caso de dar orientação técnica ao pessoal, é, em primeira instância, da incumbência do assessor técnico (não se sabe se algum já foi contratado para o Canil da Guarda) e, acima deste, do responsável técnico do Canil: o médico veterinário municipal.

Estas situações já foram denunciadas pela assessora técnica anterior, Eng. Gabriela Lopes, e foram verificadas pela vereadora Dra. Maria de Lourdes Saavedra que as tentou sanar decidindo o afastamento dos tratadores. Resultado? O contrato da primeira não foi renovado. À vereadora foi-lhe retirado o poder de decisão sobre o Canil.

A pergunta que urge e que requer uma explicação clara é a seguinte: porque é que a Lei não está a ser cumprida? "

Por: Luísa Queiroz de Campos"

Jornal o "Interior"


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

"Campanha de esterilização de animais abandonados"

Desde já apresento as minhas desculpas pela extensão deste "post", mas a importância do tema assim o impõe...

"LISBOA – Participação na Assembleia Municipal aberta ao público dia 10/12

Representantes da Campanha de Esterilização (10 pessoas) estiveram presentes nesta sessão.


Foram lidos os textos abaixo reproduzidos, um de apresentação dos objectivos para Lisboa da Campanha de Esterilização e outro sobre as condições de detenção dos animais no Canil/Gatil de Lisboa e a necessidade urgente de obras.


Nesta assembleia o público intervém no início da sessão e não há qualquer resposta dos deputados municipais o que é bastante desconsolador , mas é o regulamento. Ficámos a saber que só em sessão posterior os deputados podem chamar o assunto a debate, o que esperamos que venha a acontecer com as propostas que apresentámos
No final das intervenções houve deputados que bateram palmas, no que foram secundados pelos amigos dos animais presentes na sala.
No final, alguns deputados vieram falar connnosco assim como uma jornalista.
Hoje está a ser enviada, por e-mail, documentação a cada um dos Partidos representados na AM e à presidente da AM."

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"LISBOA – INTERVENÇÃO NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE 10/12

Exma. Srª. Presidente, Exmos. Deputados Municipais, Exmos Presidentes das Juntas de Freguesia
Estou aqui em representação de um grupo de 68 cidadãos do concelho de Lisboa que, preocupados com a situação dos animais abandonados e negligenciados da cidade, estão empenhados numa Campanha Nacional de e Esterilização de Cães e Gatos.
Informo que esta campanha mobiliza já 446 munícipes de 96 concelhos.
A política que tem sido seguida no nosso país para erradicar animais abandonados assenta exclusivamente no abate anual de dezenas de milhares de cães e gatos. Esta política, além de éticamente condenável, é ineficaz e dispendiosa porque não resolve o problema uma vez que todos os dias aumenta o número de animais abandonados já que a sua reprodução é descontrolada.
Manter uma estrutura de abate como o canil de Lisboa é muitíssimo mais dispendioso do que implementar uma política activa de esterilização que a breve prazo reduzirá substancialmente o número de animais que ali entram.
Eis as nossas propostas:
• O regulamento do Cani/Gatil de Lisboa deve contemplar a esterilização obrigatória de todos os animais dados para adopção. Defendemos que a esterilização deverá ser feita antes do animal ir para os novos donos, a menos que exista recomendação veterinária em contrário, ou seja nos casos em que a esterilização possa ser nociva para a saúde do animal. A única maneira de ter a certeza que o animal adoptado não se irá reproduzir é assegurar a sua esterilização a priori da adopção. A partir do momento em que o munícipe X vá ao canil e escolha o animal Y para adoptar, este só será entregue ao novo dono já com a esterilização efectuada. Se os Canis Municipais não se envolverem de uma maneira pro-activa numa política de esterilização obrigatória, estarão a contribuir para a perpetuação do problema da sobre-população, pois os animais adoptados poderão vir a reproduzir-se.
• Uma vez que o Canil de Lisboa possui 5 veterinários ao seu serviço, a prática sistemática de esterilizações parece-nos algo perfeitamente viável. No entanto, sugerimos que o Município proponha protocolos de colaboração com clínicas veterinárias e com as Faculdades de Medicina Veterinária, onde os custos seriam apenas os dos materiais e assim se contribuiria também para a formação prática dos alunos do 4º/5º ano (obviamente sobre supervisão dos professores de cirurgia).
• A Câmara e as Associações de Defesa Animal do concelho devem realizar parcerias para a esterilização dos animais abandonados que estas recolhem. Em Lisboa existem, do nosso conhecimento, 4 associações com espaços próprios ou de aluguer, que recolhem animais abandonados pelos donos ou que se dedicam à esterilização dos mesmos. A saber: Pravi, União Zoofila, Sociedade Protectora dos Animais e Animais de Rua. A Câmara deverá negociar com cada uma destas instituições protocolos de apoio à esterilização, estipulando o número mínimo de esterilizações com que estas podem contar, uma vez que as mesmas não recebem qualquer apoio estatal.
• Defendemos ainda que a Câmara Municipal proporcione aos munícipes com recursos comprovadamente limitados a esterilização gratuita dos animais que possuem. Esta medida deverá ter um regulamento explicativo e deverá ser amplamente publicitada nas Juntas de Freguesia e no site da internet da Câmara Municipal.
Frisamos ainda que as nossas propostas irão poupar dinheiro ao Município, pois a esterilização é a única maneira eficaz de reduzir a população animal errante e assim reduzir também o elevadíssimo número de animais que entra nos canis municipais. Se tomarmos em conta a eficácia da política de esterilização, o baixo valor de custo destas intervenções frisa ainda mais a viabilidade da sua implementação. De facto, os materiais e produtos envolvidos na esterilização de uma cadela de 20 kg têm unicamente o custo de 11,39 euros e na de uma gata de 4 kg, o custo de 9, 73 euros.
Por último, Exmos senhores, queremos frisar que o grupo da Campanha de Esterilização aguarda com grande expectativa a oportunidade de colaborar estreitamente com o Município para se implementar esta política de forma eficaz. A esterilização de animais errantes e negligenciados é de certeza um dos casos em que as considerações éticas envolvidas estão ao mesmo nível das considerações económicas. A esterilização reduz o número de animais. Reduzir o número de animais errantes irá, a longo prazo, poupar dinheiro ao Município. Os benefícios são óbvios. Parece-nos que em tempo de crise, qualquer medida que se proponha a reduzir custos, como é o caso da Campanha de Esterilização, é merecedora da vossa consideração.
O nosso grupo de cidadãos atentos e empenhados é composto por pessoas muito diversas, que desempenham varias profissões e com saberes diversificados que estão disponíveis para trabalhar em conjunto com o Município de Lisboa na implementação desta Campanha de Esterilização.
O apoio desta Assembleia às propostas que aqui apresentámos é da maior importância para o sucesso desta iniciativa e é esse apoio que vos pedimos.
Terminamos com a informação de que, na sequência da nossa intervenção na reunião pública do executivo da Câmara em 25 de Novembro, já efectuámos um contacto para o gabinete do Exmo Senhor Vereador José Sá Fernandes e aguardamos a marcação de uma reunião .
Obrigada pela vossa atenção.
Sandra Archibald"

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Exmos Senhores

A minha intervenção é sobre as condições de acolhimento dos animais no Canil/gatil municipal, a necessidade urgente de obras e consequentemente a necessidade de que o orçamento de 2010 contemple as verbas necessárias para a remodelação do canil.
No seguimento de uma intervenção semelhante que fiz na reunião pública do executivo da Câmara que teve lugar em 25 de Novembro, o Sr. Vereador Sá Fernandes afirmou, em resposta, que neste momento existe um projecto para as obras, que vai ser lançado um concurso e que as obras serão feitas. No entanto, instado a dizer se o orçamento de 2010 contemplava as verbas para as mesmas, não deu uma resposta clara .
Já depois dessa sessão, esteve aberta a apresentação de ideias no âmbito do orçamento participativo e 11% do total das 540 ideias apresentadas diziam respeito exactamente à urgente necessidade de obras no Canil/Gatil. Um tão elevado número de munícipes a referirem um mesmo problema da cidade, a manifestarem uma mesma preocupação, é revelador do profundo descontentamento da população da cidade com a forma como são tratados os seus animais abandonados no canil/gatil de Lisboa.
Para quem nunca foi ao canil, vou descrever sucintamente as condições terríveis em que vive a maioria dos animais. Para sabermos do que estamos a falar, convém dizer que no canil entram em média 7 cães por dia e 5 deles acabam por ser abatidos o que perfaz cerca de 2000 cães abatidos num ano.
São os estrados com pouco mais de 1 m em que os cães de porte médio ou grande nem se conseguem deitar, presos com uma curtíssima corrente que não sei se terá 50 cm . Ali 60 a 70 cães fazem as necessidades, comem, bebem e sobretudo ladram, ganem e uivam, num stress e sofrimento que parte a alma. Estes estrados, que não são sequer boxes, não têm as dimensões exigidas por lei. De facto o Dec-Lei 276 de 2001 de 17 de Outubro, em anexo retomado no Dec- Lei 255 de 2009 de 24/09, exige para detenção em regime fechado, o espaço minímo, para um animal até 16 kg , de 2 m2.
A sala e as gaiolas em que estão presos os gatos não têm as menores condições, sendo pouco maiores que gateiras. Em 2006, os dados fornecidos pelo próprio canil, indicavam uma mortalidade dos gatos de mais de 40% dos gatos entrados no canil, que nesse ano foram cerca de 1100, ou seja animais que não chegam a ser abatidos ( o que é de facto uma forma de reduzir custos…) simplesmente morrem devido às condições de cativeiro e nomeadamente em consequência de doenças contraídas no próprio canil.
Há ainda uma espécie de “ caixa forte” fracamente iluminada onde estão os chamados animais perigosos, cujos donos, esses sim provavelmente perigosos, têm processos judicais e que ali ficam meses.
Não é suportável a manutenção deste campo de concentração para animais na cidade europeia que Lisboa pretende ser.
Assim, apelo a esta Assembleia para que no exercício das suas funções de aprovação do plano de actividades e do orçamento para 2010 garanta que as obras no canil/gatil de Lisboa estejam contempladas.
Apelo ainda a que esta Assembleia aprove, com caracter de urgência, uma deliberação que impeça o Canil/Gatil de Lisboa, dado não ter actualmente as condições requeridas de sanidade e de bem estar, de efectuar capturas de gatos nas colónias existentes na cidade enquanto não estiver construido o novo gatil.
Obrigada pela vossa atenção.
Lisboa, 10 de Dezembro de 2009
Margarida Garrido"

Campanha de Esterilização de Animais Abandonados

Se pretende saber o que a este nível se está a fazer na sua cidade e se quer participar, porque só assim se consegue mudar, visite o site da campanha em Campanha de Esterilização de Animais Abandonados

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

"Uma história abaixo de cão"

"Nada me enraivece mais do que a violência contra gente que não se pode defender. Contra animais.

"Primeiro levaram os comunistas, eu calei-me, porque não era comunista. Quando levaram os sociais-democratas, eu calei-me, porque não era social-democrata. Quando levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque não era judeu. Quando me levaram, já não havia quem protestasse".

A frase, ou o poema, é o que resta de um conjunto de declarações avulsas e obscuras de Martin Niemöller (1892-1984), um pastor luterano alemão que foi internado pelos nazis em campos de concentração. Niemöller, que começou por ter sintomas de anti-semitismo e tentou 'dialogar' com Hitler, acabou um dos mais vigorosos críticos da indiferença do povo alemão perante a política de extermínio. Na vulgata, aquelas palavras circulam mais ou menos assim, um brevíssimo tratado da indiferença. E são erradamente atribuídas a Bertolt Brecht, que escreveu contra essa indiferença. A indiferença que prefere voltar as costas à acção. A indiferença da cegueira voluntária.

Quantas vezes ficaremos em silêncio perante a atrocidade? Não a atrocidade que vem descrita nos media e impele ao julgamento ou linchamento colectivo. A atrocidade do vizinho do lado. A atrocidade vulgar e quotidiana, com o sarro da crueldade repetida.

Uma pessoa conta-me uma história: tem uns vizinhos (imigrantes brasileiros) que têm um cão, há mais de um ano. O cão está sempre abandonado no quintal, sem comida e sem água, e alguns vizinhos têm pena do animal e atiram-lhe comida, ou um pouco de água que ele possa lamber, pela janela. Ouvem-no "chorar". Espiam-lhe os ossos saídos. Os brasileiros são agressivos e não admitem maltratar o cão. Por terem atirado comida ao cão, os donos do cão arrombam uma das caixas do correio. Deixam na caixa arrombada um hambúrguer cru. A pessoa não tem meios para colocar uma nova caixa de correio, o prédio é modesto.

Os donos do cão acabam por dizer-lhe que não era para ela, o hambúrguer. Enganaram-se. A caixa fica arrombada. Ninguém denuncia, não vale a pena, acham.

Um dia destas, alguns vizinhos ouvem o cão ganir. Alguns. Estendido no quintal com um pano por cima. Parece estar a morrer. Não se mexe, sem forças. Outra pessoa vai inquirir, a medo, o que se passa com o cão. Foi atropelado. E não o levam ao veterinário? Vão deixá-lo morrer assim? Não conseguiram telefonar, ninguém atendeu os telefones, etc. O cão morre lentamente. Horas depois, levam o cão, embrulhado no pano, e metem-no na bagageira do carro. Vivo. O cão desapareceu. Ninguém sabe se foi internado ou abandonado para morrer.

Quando me contam a história sinto que qualquer coisa deve ser feita. O quê? A pessoa pede-me que nada faça. Uma denúncia à Sociedade Protectora dos Animais? O Código Penal não prevê tutela destes casos. Decido falar com os donos do cão. A palavra dono é importante. A pessoa que me conta a história diz que não tenho nada que intervir, nem causar-lhe problemas com "os brasileiros" que ameaçam toda a gente. Eles são os donos. Talvez o cão regresse.

Lembro-me como detestava ouvir a "carroça dos cães", que vinha de noite apanhar os cães vadios. Matavam-nos com uma injecção no canil oficial. Os cães gemiam aterrorizados dentro da furgoneta sem janelas. Chamavam-lhe "carroça dos cães". Um dia, há muitos anos, vejo um cão ser apanhado. Com uma rede. O rafeiro debate-se, dão-lhe com um pau. Eu era uma criança, nada podia fazer. A sensação de impotência ficou-me. Os tempos mudaram. Hoje, os cães são recolhidos e alimentados no canil da Câmara Municipal. Podem ser adoptados.

Nada me enraivece mais do que a violência contra gente que não se pode defender. Contra animais. São casos em que, muitas vezes, as mulheres, as crianças e os cães têm um 'dono'. E têm medo. Num restaurante de luxo do Algarve vejo um grupo de homens ligados ao futebol sentados com mulheres. Uma delas não é muito nova e tem a cara esmurrada, olhos negros, lábio inchado. Tapa-a com as mãos. Os olhos lacrimejam de vergonha. O dono ri-se, diz-lhe que pode comer com metade da boca. O restaurante assiste, como eu.

Vejo um pai bater no filho perante a indiferença da mãe. Bofetadas e socos. A criança deve ter uns 4 anos e é arrastada pelos cabelos. Há testemunhas. Intervenho e o pai diz que me bate. Falo com a mãe e começa a chorar, pede-me que nada faça. Chamo a polícia. A polícia encolhe os ombros. As testemunhas fugiram, alegando afazeres. Se quiséssemos ir à esquadra... O dono do filho diz que me meti numa birra de criança que não era da minha conta. Diz que me processa. Na despedida, ameaça passar-me com o carro por cima. A criança treme nos braços dele. Sinto-me insuficiente. A claridade moral não nos cega, nós é que escolhemos fechar os olhos. Ainda não sei como termina a história do cão.

Texto publicado na edição do Expresso de 28 de Novembro de 2009 "

Clara Ferreira Alves (www.expresso.pt)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Grupo Parlamentar do PCP também responde aos protestos contra o espectáculo de circo com animais da AR

"Numa tardia, mas, ainda assim, positiva, o Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português respondeu da seguinte maneira às cidadãs e cidadãos que se dirigiram ao Parlamento com protestos contra o espectáculo de circo com animais que foi promovido para os membros e funcionários da Assembleia da República:


Exmo.(a) Sr(a)

Em nome do Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português, agradeço a mensagem que nos dirigiu. Como certamente saberá, o GP do PCP foi o primeiro a apresentar um Projecto de Lei com vista ao fim da utilização de animais selvagens em circos ou espectáculos de entretenimento. Infelizmente esse Projecto foi rejeitado pela maioria absoluta do PS na passada Legislatura para que o Governo pudesse copiar as soluções propostas pelo PCP e entregá-las através de legislação da sua autoria. É um expediente político lamentável, mas que infelizmente se repete.

Sobre o espectáculo de circo promovido pelo Grupo Desportivo Parlamentar, o Grupo Parlamentar do PCP não emitiu opinião sem antes contactar directamente o Grupo Desportivo, tendo em conta que a Administração da Assembleia da República delegou nesse Grupo a organização dos eventos e comemorações de Natal da Assembleia. Não seria correcto da parte do Grupo Parlamentar do PCP tomar posição sem antes utilizar os canais que possibilitam o contacto directo com a organização tendo em vista o esclarecimento e resolução do problema.

Como é já do conhecimento público, o Grupo Desportivo Parlamentar diligenciou junto do Circo para que não tivessem lugar números com animais selvagens, dando assim resposta também aos protestos que chegaram à Assembleia da República. Da parte do Grupo Parlamentar do PCP, conte com a coerência que o caracteriza. O PCP afirmou o seu contributo (com o Projecto de Lei nº 765/X – que pode consultar aqui), aliás inovador, para que fosse possível começar um novo caminho para os espectáculos circenses, sem animais selvagens e o compromisso que assim assumiu, mantém-se.

Todos os dias, porém, têm lugar inúmeros espectáculos de circo com recurso a animais selvagens, muitos deles à margem da lei. Sobre essa matéria, o PCP manteve sempre uma acção vigilante, dirigindo Requerimentos e Perguntas ao Governo sobre a real capacidade fiscalizadora, como se pode verificar nesta ligação ou nesta sobre licenciamento de parques zoológicos - que datam já de 2005 - e que bem demonstram que o PCP não se debruça sobre as matérias em função do seu mediatismo.

Saúdo a sua mobilização para a defesa do bem-estar da vida animal. Da parte do PCP, tudo faremos para que a fiscalização das condições de manutenção de animais, em todas as circunstâncias, tenha por parte do Governo a devida intervenção, ao contrário do que se vai verificando. Da mesma forma, tudo faremos para continuar a denúncia e o combate a esta política de abandono e de subvalorização dos recursos e dos elementos naturais que nos rodeiam, que degrada a qualidade de vida das populações e converte todas a manifestações naturais em meras mercadorias sobre as quais incide sempre apenas e um só objectivo: o da exploração para obtenção de lucro.

Com os melhores cumprimentos,

Pedro Ramos
Chefe de Gabinete do Grupo Parlamentar do PCP"

Publicado no blog da "Associação Animal"

"Earth Song - Michael Jackson (legendado em português)"

A propósito da "cimeira de Copenhaga", que teve por intuito estabelecer objectivos na diminuição do índice de poluição dos países em geral.

Vídeo que foi censurado na altura, nos Estados Unidos da América.


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

"No Canil Municipal da Guarda – 1ª parte"

"Em Portugal existe um conjunto significativo de pessoas que maltrata animais. A confirmar esta minha convicção, serve o exemplo da passada quinta-feira em que, viajando no inter-cidades da Guarda para Lisboa, chega até mim, vindo de um dos lugares ao lado, o som de um porco a grunhir. Provinha de um telemóvel. Sobre ele debruçavam-se dois ferroviários que, descontraidamente, davam grandes gargalhadas a ouvi-lo. Porque aquele som de um animal em sofrimento me estava a incomodar, expliquei-lhes que o que lhes estava a dar prazer a eles era o som de um animal em sofrimento e que eu não tinha de ouvir aquilo. Os guinchos do animal desesperado pararam. Mas este é apenas um exemplo do que é a insensibilidade de alguns.

Sendo nós uma espécie mais evoluída em relação aos restantes mamíferos (afinal não pertencemos à espécie dos Neandertal, nem já à do homo sapiens, mas sim à do homo sapiens sapiens), seria de esperar, talvez, uma atitude de maior compaixão, solidariedade, gratidão e amizade para com seres que connosco partilham o planeta, e que, fazendo parte integrante do nosso habitat, nos prestam serviços e nos oferecem a sua amizade incondicional.

Mas não. Há ainda demasiada gente que se compraz e faz gala em tratar mal os animais. Parece-me estar a ouvi-los: “Atiro aqueles gatos à parede e eles fazem poc, poc, poc!”; ou ainda: “Como não me queria obedecer, atirei-lhe a mangueira à cabeça e fiz-lhe logo um buraco! O sangue do filho da ... até esguichou para a parede!”

Para já não falar de todos aqueles que, apesar de proibido por lei, os abandonam: os abandonam quando eles crescem e já não têm a graça de ser cachorro; os abandonam quando, ao comportarem-se como cachorros que são, roem tudo o que encontram; os abandonam quando vão de férias e não pensaram com antecedência onde os deixar; os abandonam quando não prestam para a caça; os abandonam quando estão velhos e doentes.

Sendo esta a mentalidade de uma parte da população, seria de esperar que, ao pôr em funcionamento um canil municipal, o presidente da autarquia tivesse extremo cuidado na escolha dos tratadores a contratar – fosse a partir de grupos indiferenciados de candidatos ou de grupos mais diferenciados (não esqueçamos que os maus exemplos proliferam, por vezes mesmo por parte das entidades de quem se espera maior responsabilidade e o melhor exemplo).

Teria sempre de haver parâmetros muito concretos que levassem a encontrar pessoas cuidadosas e carinhosas para com os animais. É que os cursos de formação nunca transformam sentimentos. O curso de formação ensina técnicas, não confere um lado humano e de empatia a quem o não possui à partida.

Foi essa falta de humanidade e empatia que vi quando visitei o Canil Municipal da Guarda na passada terça e quarta-feira, dias 17 e 18 de Novembro, a diversas horas do dia.

Os cães do canil encontravam-se continuamente molhados. Tremiam de frio. De manhã o chão dos compartimentos estava a ser lavado e, juntamente com o chão, os animais eram também molhados e alguns, os mais baixotes, estavam a pingar água. Vi cães, mas estou a imaginar que o mesmo acontece aos gatos... À tarde, quando lá voltei, os cães continuavam a pingar água. Os maiores tinham o pêlo todo húmido. Apesar de haver duas ninhadas que tinham ninho, havia uma cadela, aparentemente recém-chegada, só com um cachorro, que não tinha ninho, só o estrado molhado, e tremia de frio. Havia dois ninhos num vão de escadas cá fora mas que não estavam a ser usados e eu própria coloquei um deles à mãe cadela com um tapete que trouxe de casa com esse fim.

Os restantes cães – e havia um total de 19 adultos e nove cachorros – tinham como cama uns estrados de plástico molhados onde se poderiam deitar. A alternativa era estarem de pé, sobre a água. Ao chamar a atenção do tratador para os cães todos molhados, este disse que era natural, que não podia lavar o chão sem molhar os animais.

Um dos cães, que acabei por trazer para casa, deixava pegadas de sangue ao andar. O tratador de serviço comentou que tinha havido luta entre os cães. Mas não - era apenas a pele fragilizada das suas patas. Como estão todo o dia em contacto com a água num piso quase liso, as almofadinhas das patas não chegam a secar e, não sendo endurecidas por caminhadas em terrenos com relevo, ficam muito frágeis e abrem gretas com facilidade.

É interessante notar que, tendo um dos dois membros da Associação A Casota, presentes na altura, pedido ao veterinário municipal um pouco de Betadine para lhe pôr nas patas, este o tenha negado, dizendo que não havia Betadine nem caixa de primeiros socorros porque no Canil Municipal não se tratavam animais.

O tratador confirmou que os animais não eram soltos. Desde fins de Julho passado que os cães do Canil Municipal da Guarda deixaram de poder estar um tempo fora das celas todos os dias, o que fora hábito durante os três anos em que a engenheira zootécnica lá estivera e que faz parte das boas práticas para o bem-estar animal que a lei prevê (Decretos-Lei nº 276 de 2001 e nº 314 e nº 315 de 2003). Bastava que os soltassem enquanto lavavam as celas para que não ficassem molhados, a tremer de frio, todo o dia e toda a noite, como acontece no século XXI, na cidade mais fria do país.

Na reunião havida na Câmara Municipal da Guarda em 14 de Setembro de 2007 sobre o funcionamento do Canil, tinha sido já decidido o afastamento dos actuais funcionários afectos ao Canil e a sua recondução noutras funções. Dois anos depois porque continuam ainda lá aqueles homens inicialmente contratados para a recolha de lixo? O que é assim tão forte que mantém no Canil Municipal da Guarda “tratadores” que lidam desta forma com os animais?

Por: Luísa Queiroz de Campos"

Jornal "O Interior"

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

"[Miguel Moutinho, dirigente da ANIMAL, em entrevista à ANDA – Agência de Notícias dos Direitos dos Animais, do Brasil]"

"In ANDA, 20 de Novembro de 2009)

Com formação em Filosofia, Miguel Moutinho é ativista dos direitos animais e vegano desde 1998. Entre outros projetos em defesa dos animais que fundou e coordenou, está o Centro de Ética e Direito dos Animais. Desde 2002, ele é dirigente da ANIMAL, uma organização fundada em 1994, que completa este ano 15 anos de existência a serviço dos animais de Portugal, e que é, atualmente, uma das mais ativas organizações de direitos animais da Europa. Nesta entrevista concedida com exclusividade à ANDA, Miguel Moutinho fala sobre o trabalho da ONG que dirige, analisa a relação da sociedade com os animais e apresenta sua visão sobre as correntes no movimento de defesa animal. Confira!

ANDA – Como analisa o estado do respeito pelos animais em Portugal, da defesa e da proteção destes?

Miguel – Ao longo dos últimos anos, a sociedade portuguesa evoluiu bastante no que diz respeito ao seu grau de consciência acerca das características dos animais, das suas necessidades, e acerca dos muitos problemas que os afetam. O chamado public awareness, ou seja, a consciência pública e do cidadão comum acerca dos direitos dos animais e das violações destes – no caso, em Portugal – evoluíram imenso, fruto de um intenso trabalho de campanha, de alerta e de informação e sensibilização que tem sido feito, nomeadamente pela ANIMAL. Claro que, por outro lado, as muitas injustiças e atrocidades que são cometidas contra os animais passaram a ser mais conhecidas, mais identificadas e mais discutidas, pelo que se pode ter a percepção de que haverá hoje mais problemas que afetam os animais em Portugal do que havia no passado. Contudo, sendo embora verdade que os problemas não diminuíram, eu diria que, ainda assim, não há mais problemas – há apenas a manutenção dos muitos que sempre houve e há uma maior consciência desses mesmos problemas e da sua intensidade. Não deixa, porém, de ser verdade que o Estado Português, sobretudo por omissão de uma ação pedagógica, legislativa e inspectiva, preventiva e punitiva, no sentido de proteger os animais do país, tem permitido que haja uma quase total impunidade em relação a quem comete qualquer forma de abuso contra animais, seja em que contexto for, embora isso se note mais quando as vítimas são os chamados “animais de companhia”, principalmente os cães e os gatos, que são aqueles que estão mais próximos das pessoas e por quem estas nutrem uma especial empatia e simpatia. Essa mesma impunidade e os problemas que estão na sua base e que dela são efeito registam-se, no entanto, também fora desta área, que é mais popular, mas, justamente por isso, são menos notados, embora também haja um crescendo de consciência e preocupação dos cidadãos em relação a esses animais e a estas questões. Este é o quadro geral. Em termos mais concretos, notam-se sinais específicos muito positivos: muitas pessoas começam a compreender, muitas vezes intuitivamente, até, o erro da expressão “donos”; nos dois últimos anos, sobretudo, passou a ser reconhecida como uma questão muito importante o lamentável fato de os animais serem juridicamente categorizados como “coisas”; também nos últimos anos a repulsa social pelos atos de crueldade contra animais mais públicos, mais evidentes e mais imediatamente perceptíveis como errados, como é o caso das touradas, dos circos com animais e dos rodeios, cresceu e ganhou expressão política; além disso, nos últimos anos tem havido cada vez menos caçadores ativos, embora haja ainda muita caça, infelizmente. A experimentação animal passou também a ser uma questão que merece atenção, além de haver um fenômeno crescente de adesão ao vegetarianismo e ao veganismo, com restaurantes vegetarianos a abrirem portas (e a manterem-se em atividade e bem-sucedidos) por todo o país, sobretudo nos meios mais urbanos mas já com alguma expressão também no interior do país, ao mesmo tempo que, desde as mercearias pequenas aos hipermercados, a oferta de produtos para vegetarianos e veganos tem crescido tremendamente. Há cada vez mais associações e grupos informais de proteção dos animais a atuar por todo o país, embora infelizmente ainda não de forma muito sofisticada e modernizada, mas é uma questão de tempo até que este meio se organize melhor, modernize e melhore as suas práticas e venha a fazer um trabalho melhor pelos animais. Considerando todos estes elementos, diria, pois, que a realidade portuguesa, apesar das suas muitas barreiras culturais de resistência aos direitos dos animais e apesar dos seus problemas muito próprios, também decorrentes do fato de Portugal ser um país periférico, está em progresso visível no que se refere à maneira como os animais são vistos e tratados, faltando principalmente que o Estado acompanhe, por meio de medidas políticas diversas e pela concretização prática destas, os avanços importantes que a sociedade portuguesa tem dado neste domínio.

ANDA – Que trabalho tem feito, nomeadamente por intermédio da ANIMAL, na defesa dos direitos dos animais em Portugal?

Miguel – Fundamentalmente, a ANIMAL tem feito um esforço hercúleo, ao longo dos seus já quinze anos de existência, e sobretudo nos últimos anos, para ser um autêntico motor de potenciação e realização de todos estes progressos. A ANIMAL tem sido a única organização do seu gênero a atuar em Portugal. A esmagadora maioria das organizações de proteção dos animais do país atua em nível local, exclusivamente ou quase exclusivamente na prestação de assistência e proteção a animais individuais, particularmente a cães e a gatos, lidando com os muitos dramas que os afetam, nomeadamente com o abandono, que acontece impunemente em Portugal ainda hoje. A ANIMAL tem procurado fazer o outro trabalho, igualmente importante, de despertar consciências, de informar as pessoas e de, com base nisso, tentar envolvê-las e à sociedade portuguesa neste processo de mudança sobre o modo como os animais são e devem ser vistos e tratados. E claro que este trabalho tem envolvido um muito amplo trabalho jurídico, político e legislativo, assim como mediático. Como disse, as resistências são muitas, os problemas culturais e a hesitação em mudar hábitos e comportamentos, tornando-os mais éticos, são obstáculos que se têm apresentado – e que todas as organizações de direitos humanos, de direitos dos animais e ambientalistas conhecem, de forma mais ou menos intensa, em qualquer parte do mundo, e a escassez de recursos e de apoios também não tem ajudado. Tal deve-se também ao fato de a ANIMAL ser muito leal aos animais, pelo que, embora seja uma organização que se pauta pela racionalidade, pela razoabilidade, pela tomada de posição éticas em defesa dos animais com base na melhor informação disponível e em fatos objetivos – ou seja, tendo uma abordagem racional e não emocional à defesa dos direitos dos animais –, tem necessariamente que defender os direitos dos animais por completo, e não apenas “mais ou menos”, o que faz com que se torne uma organização menos atrativa, sob alguns pontos de vista, para receber apoios. É também uma organização que faz questão de ser totalmente independente, razão pela qual nunca recebeu nem nunca aceitaria receber qualquer apoio de qualquer organismo do Estado. Ora, com uma tão firme observação e defesa destes princípios, e tendo em consideração que a ANIMAL se distanciou inclusivamente de muitas organizações, como a WSPA, PETA, HSUS, RSPCA e CIWF, entre outras, pelo fato de estas defenderem e tomarem posições que a ANIMAL considera que não respeitam nem promovem os direitos dos animais, a existência de recursos e de parcerias para a realização deste trabalho torna-se um desafio ainda maior. Mas o que é verdade é que, embora com muito esforço e sacrifício, a ANIMAL tem estado dedicada, leal e determinadamente ao serviço dos animais de Portugal e apoiando, na medida do possível, quem se preocupa com eles.

ANDA – Acha que tem sido bem-sucedido?

Miguel – Apesar do muito que ainda há por fazer e apesar do muito que, com mais recursos humanos e financeiros, poderia ter sido feito, sim, considero que tem sido um trabalho bem sucedido. A ANIMAL tem tentado, ao longo dos anos, estar ao nível do melhor que se faz no mundo em termos de defesa dos direitos dos animais. Com uma estrutura muito pequena e com uma tremenda limitação de recursos diversos, a ANIMAL tem ainda assim conseguido fazer em Portugal um trabalho que, proporcionalmente, se pode equiparar ao trabalho de algumas das maiores, mais capacitadas, incluindo em termos de recursos, e mais dinâmicas e reconhecidas organizações de proteção dos animais da Europa e dos EUA. Claro que, para qualquer defensor dos direitos dos animais, tudo o que fazemos para que a justiça que é devida aos animais não-humanos seja concretizada é sempre pouco e não chega, sobretudo quando vemos sucessivas evidências de que o que está por fazer para instituir de fato os direitos dos animais e a proteção destes é uma tarefa monumental e assustadora, que se subdivide em milhares de trabalhos diversos e necessidades múltiplas que precisam de ser supridas. Não nos sentimos em paz nem satisfeitos, enquanto tantas injustiças e atrocidades são cometidas, e pensamos sempre que podemos e devemos fazer mais e melhor. Mas somos humanos, temos limitações diversas, num país difícil para os animais, e, tentando analisar o nosso trabalho e o impacto que tem tido para os animais e na sociedade portuguesa, no modo como esta se relaciona com os animais, entendo que é legítimo considerar que a ANIMAL tem sido bem sucedida no seu trabalho pelos animais em Portugal.

ANDA – E, de uma perspectiva mais global, como vê, nomeadamente num ângulo de comparação, a proteção dos animais na Europa, no Brasil e no Mundo?

Miguel – O Brasil, do mesmo modo que tem vindo a crescer social, econômica e politicamente, tem avançado imenso no que diz respeito à proteção dos animais. Em muitos sentidos, e embora dependendo da cidade ou do estado de que estejamos a falar, o Brasil é mais avançado nesta área do que muitos países da União Europeia, incluindo Portugal. Quanto à Europa, é desigual, naturalmente. A União Europeia, por exemplo, é composta por 27 estados-membros com histórias e experiências sociais, culturais, políticas e económicas muito diferentes entre si. Por isso, também se notam essas diferenças na proteção dos animais. Para todos os efeitos, a União Europeia, enquanto legislador, tem definido mínimos, na área da proteção dos animais, que têm forçado mudanças importantes, sobretudo pelas implicações que têm nas mudanças de percepção e de hábitos dos seus povos em relação aos animais, em muitos dos seus estados-membros, mas está ainda hoje muito aquém do necessário e do esperado. A União Europeia tem que representar e materializar a modernização – incluindo do ponto de vista moral e político, nas matérias de importância moral, como é o caso dos direitos dos animais – e não deve ceder às resistências que favorecem arcaísmos sanguinários como as touradas, por exemplo. Presentemente, os 27 estados-membros da União Europeia toleram, indefensavelmente, a brutalidade cometida contra os animais nas touradas em apenas 3 estados-membros: Portugal, Espanha e França. Acredito que isso seja transitório e que será uma questão de tempo até que a UE tome posição contra isto, mas é mais natural e expectável que, entretanto, os sobressaltos cívicos que se têm registado em Portugal, em Espanha e em França contra as touradas levem a que esses estados as proíbam – há até já vários sinais que indicam que isso poderá estar perto de acontecer. A UE deveria também ter uma política central de proteção dos chamados “animais de companhia”, mas, até agora, tem-se auto-excluído dessa área. Neste contexto, tem crescido a solidariedade e o trabalho em rede entre organizações dos diversos estados-membros, coligadas formal ou informalmente, para lidar com problemas específicos, como a experimentação animal, a criação, exploração e morte de animais com fins alimentares, ou pelo seu pêlo, a manutenção e o uso de animais em estabelecimentos de entretenimento, etc., mas, a meu ver, o movimento europeu está ainda muito descoordenado e dividido, porque está a tentar adaptar-se à nova realidade quase-federativa da União Europeia, tentando lidar, ao mesmo tempo, com as violações dos direitos dos animais que ocorrem no seu espaço nacional, tendo que o ver também como espaço europeu, trabalho esse que essas organizações se vêem obrigadas a ter que fazer na esfera nacional e na esfera comunitária. É uma adaptação que espero e antecipo que se torne mais rápida e mais eficaz em breve, e que venha a permitir melhorar os seus resultados para os animais. Quanto aos EUA, têm, na minha opinião, as melhores estruturas de proteção dos animais no mundo. Os melhores santuários, para animais de espécies domésticas e selvagens, estão nos EUA, por exemplo. Mas, por ser um país muito heterogéneo, tem, dentro de si, gravíssimos problemas de difícil solução e, ao mesmo tempo, os melhores exemplos dos diferentes tipos de trabalho que há a fazer na defesa dos direitos dos animais. De resto, globalmente, apesar do holocausto animal ser ainda desesperantemente tremendo e avassalador, a verdade é que o mundo não pára de caminhar no sentido de respeitar e proteger cada vez mais os animais. Sintoma disso é, indubitavelmente, o fato de cada vez mais pessoas reconhecerem que não é legítimo alimentarem-se de animais ou aproveitarem-se, direta ou indiretamente, da sua exploração e violentação – o vegetarianismo e o veganismo são cada vez mais comuns e os apelos, das mais diversas fontes – até já da FAO, das Nações Unidas –, para que as pessoas adoptem dietas e hábitos de consumo livres de exploração de animais são cada vez maiores, mais repetidos e mais diversificados.

ANDA – Na discussão entre as diversas correntes da defesa dos animais, desde o bem-estarismo estritamente reformista ao abolicionismo puro, qual é a posição em que se encontra e que defende?

Miguel – Eu considero que é moralmente errado defender apenas a proteção do bem-estar relativo dos animais enquanto são explorados e até serem mortos, admitindo a exploração, o aprisionamento e/ou a morte deles. Não há uma única razão moral válida que possa sustentar essa injustiça. Por isso, defendo que não é legítimo defender a reforma da exploração animal e que temos, isso sim, o dever de defender e promover a abolição de todas as formas de exploração e opressão dos animais não-humanos. Por isso, recuso terminantemente uma posição reformista, que considero ser eticamente errada e inaceitável. Chamar-me-ia, por isso, abolicionista. No entanto, lamento a maneira irrazoável com que o chamado abolicionismo tem sido defendido, nomeadamente por teóricos como Gary Francione. Se as posições que este defende fossem aplicadas exatamente como ele as propõe, estaríamos a prestar um mau serviço aos animais, na minha opinião. As críticas dele às campanhas “single issue” (por exemplo, a uma campanha que aborde apenas os circos com animais ou as touradas ou a experimentação animal) são absurdas. Desde quando é que defender, numa campanha específica, o fim das touradas ou da experimentação animal é admitir que tudo o resto que essa campanha não aborda é aceitável ou menos importante? Na verdade, as campanhas “single issue” são muito úteis para centralizar questões e dar a possibilidade às pessoas de compreenderem os problemas particulares de forma singularizada, sem prejuízo da importância de se articular esses problemas particulares com o problema global, de base, do especismo e das suas implicações. Ao mesmo tempo, e ainda que seja fundamental fazer campanhas e educação a favor do veganismo, não é razoável pensar que isso chega ou que deveríamos apenas dedicar-nos a fazer campanhas acerca do veganismo porque o veganismo abrange tudo. A este propósito, e sem prejuízo da necessidade de promover o veganismo o mais possível, não vejo o que pode haver de errado em conseguir, de imediato, que uma qualquer atividade negativa para os animais possa ser abolida para já, ainda que todas as outras continuem. E não penso que seja perda de tempo apostar tempo e recursos em fazer com que isso aconteça em vez de nos dedicarmos só à defesa do veganismo. São trabalhos complementares que podem e devem ser feitos simultaneamente. Outra crítica que faço a Francione está relacionada com a sua recusa de aceitar qualquer iniciativa em defesa dos animais que seja, ainda que transitória ou instrumentalmente, reformista ou que trate os animais como “coisas”, juridicamente. E explico porquê. Por exemplo, presentemente, em Portugal, os animais são ainda categorizados como “coisas” no Código Civil. A legislação que os protege é extremamente branda e omissa e prevê que qualquer ato de crueldade contra animais, qualquer que ele seja, constitui apenas uma contra-ordenação, ou seja, um delito menor, punível com uma sanção económica (equivalente a uma multa), e não como um crime. Por isso, entendo que, ainda que transitoriamente, e sem prejuízo dos esforços que façamos para mudar a legislação para que seja mais correta e mais justa para os animais (esforços esses que estarão já perto de ser bem sucedidos – o Ministério da Justiça português está a avançar com uma medida nesse sentido e a ANIMAL tem feito o que pode para garantir que essa medida é concretizada), a verdade é que, no imediato, poderemos salvar muitas vidas de animais se não nos limitarmos a tentar prevenir ou punir um ato de crueldade apenas tratando-o enquanto mera contra-ordenação (caso em que a lei considera que, intrinsecamente, esse ato de crueldade é um delito menor), acrescentando-lhe, em vez disso, a dimensão de crime – crime de dano –, uma vez que o animal será de alguém, e portanto será uma coisa de alguém que será danificada (caso em que a lei considera que, extrinsecamente, esse mesmo ato de crueldade é um delito criminal grave), o que, por essa via, poderá permitir salvar a vida a muitos animais e fará uma enorme diferença, no imediato. Não será assim em todos os casos, mas é em muitos. Ainda que essa categoria seja errada, injusta e chocante, se ela permitir salvar uma vida neste momento, deve ser usada. Do meu ponto de vista, não faz sentido atendermos a princípios morais puros de abolicionismo puro, como defende Francione, sem atendermos às suas consequências para os animais. No limite, teremos que analisar questão a questão, caso a caso, devendo sempre lembrar os princípios e afirmá-los, procurando sempre mudar a sociedade e as suas leis para protegerem de forma mais justa e correta os direitos dos animais. Não há qualquer dúvida acerca disso. Mas também devemos fazê-lo não fechando os olhos, no imediato, às consequências das nossas decisões, aos recursos que temos para defender animais e à diferença que isso faz para eles. O ponto é: se esse expediente jurídico for o único que, no momento, me permite salvar a vida a um animal, eu vou usá-lo, ainda que tenha que dizer, em tribunal, que o animal é, juridicamente, uma coisa (acrescentando-lhe, claro, mais elementos argumentativos e fazendo, ainda assim, uma crítica a essa categoria injusta e errada). Se o animal for salvo e ficar bem em resultado disso, isso foi justificado e eu considero que tinha o dever de fazer isso. Tal não impede, porém, que, tanto em tribunal como em qualquer outro contexto, eu continue a apontar e a criticar o mais possível a injustiça e o absurdo de categorizar e tratar os animais como coisas. Mas, se os defendo e se lhes sou leal, não me posso sentar numa poltrona de moralidade completamente desinfectada, escolher não me envolver com questões em que a minha ação pelos animais pode fazer toda a diferença, designadamente usando os recursos jurídicos atualmente disponíveis para tal, e limitar-me a afirmar princípios moralmente puros e a defendê-los apenas na sua forma mais correta, deixando, entretanto, que muitas injustiças sejam cometidas quando podem ser evitadas através destas estratégias e métodos, enquanto se defendem também os direitos dos animais de uma maneira mais abrangente, teórica e moralmente mais correta. Tudo isto serve para dizer que, como o abolicionismo está presentemente muito ligado a Gary Francione e à maneira como ele o apresenta, eu não me considero abolicionista. Sou, no fundo, vegano, ativista e defensor dos direitos dos animais e “no-kill” (só considero aceitável eutanasiar um animal no caso de verdadeira eutanásia, ou seja, em que haja razões éticas e razões clínicas indiscutíveis que, combinadas, o justifiquem, pelo que me oponho terminantemente a políticas como a defendida e executada pela PETA e outras, que matam e advogam a morte de animais por alegadamente não haver lar para eles). É este, de resto, o posicionamento da ANIMAL."

Como podemos nós?...

Como podemos nós, achar, que um animal é uma coisa, nada mais que um objecto, uma jarra, um pau?

Como podemos nós, considerar que um cão ou um gato, não sente frio no gélido Inverno, que não sente sede, que não sente fome, que resiste ao intenso calor, que não padece de tristeza, ou pula de alegria, que não sente...?

Como podemos nós, achar, que um cão vive bem e feliz, acorrentando uma vida inteira a um cadeado, como se estivesse a cumprir pena de um crime que não cometeu, privado de uma réstia de liberdade?

Como podemos nós considerar, que uma cadela vive serena e lhe apraz ter "ninhandas" de 6 em 6 meses, que gosta de ser constantemente perseguida por matilha de machos (que se ferem nas constantes lutas...), em tempos de cio e por fim, assistir impotente à não sobrevivência dos seus filhotes...?

Como podemos nós, achar, que é engraçado ver as fêmeas terem os seus bebés, porque são pequeninos e engraçados e depois, quando deixarem de o ser, afogam-se no rio, ou depositam-se nos contentores do lixo?

Como podemos nós, espancar, pontapear, queimar um animal, só porque ele está ali, só porque existe e porque o dia nos correu menos bem?

Como podemos nós, comprar animais, a lojas e criadores, quando temos tantos e tantos, a sobre-lotar abrigos de associações, ruas e canis municipais?

Como podemos nós, sustentar negócios ilegais e legais de venda de animais?

Como podemos nós, vestir "peles", que não as nossas, só porque sim, ignorando ou querendo ignorar, o terror que se esconde por detrás daquele bonito casaco?

Como podemos nós, olhar nos olhos de um cão e deixá-lo ficar num canil municipal, condená-lo a uma morte, quase certa e "sofrida"?

Como podemos nós, ser tão frios ao ponto de receber as lambidelas de carinho de um animal e larga-lo à sua sorte, numa qualquer rua, que para o cão ou gato é só e apenas o deserto...?

Como podemos nós, enjaular um cão, só para o tornar um excelente caçador, e se frustrar as expectativas, o caminho será a "selva"?

Como podemos nós, recriminar outras culturas, porque sacrificam em praça pública animais, em função das suas crenças, quando nós também temos telhados de vidro?

Como podemos nós, acreditar que uma cadela/cão, um gato...podem estar melhor se não forem esterilizados ou castrados, considerando neles os nossos receios ou complexos, julgando a situação, em nós?

Como podemos nós, achar, que é melhor vê-los feridos, famintos, doentes, escorraçados, perdidos, desesperados pelo abandono, ao invés da prevenção pelo controle da sua população?

Como podemos nós, achar, que os devemos ignorar, nada fazer por eles, porque no mundo crianças passam fome?

Como podemos nós, achar, que no nosso país eles até são bem tratados", são apenas animais?

Como podemos nós, viver pacificamente, dormir sem pesadelos, quando enfrentamos a realidade de frente?

Como podemos nós, não reagir e agir, quando as promessas não se cumprem?


Como podemos nós, cidadãos, desistir de lutar pelos seus direitos, direito a não ser considerado uma coisa, um objecto, só porque a luta é difícil, porque é mais fácil desistir e porque as políticas e as mentalidades tardam em mudar?

...

Como podemos nós, achar, que sairemos impunes de tanta barbaridade?






Se quiser um animal, tem por exemplo, o canil municipal da Maia, aí encontra entre outros, a
Caramela, já lá está depositada há meses, está no fim da linha da sua curta vida...Por isso, não compre, adopte a Caramela!


Contactos:
Canil Municipal da Maia
Rua da Estação 4470 Maia
Tel.: 229.408.661
E.mail:
ameliasousa2006@gmail.com

..."Esse momento pode ser um desgosto enorme para muitos donos e as suas famílias, mas eu acredito que os animais entram nas nossas vidas para nos ensinar, entre outras coisas, que o envelhecimento e a morte são coisas naturais, que durante a nossa existência devemos encarar e aceitar a morte como apenas mais uma fase do ciclo de vida da natureza. Os cães honram a vida e convivem bem com a morte. Na verdade encaram-na muito melhor do que nós.
Nesse aspecto deveríamos pensar neles como nossos professores. A sua sabedoria natural pode confortar-nos quando tiver-mos de enfrentar as nossas próprias, humanas, fragilidade e morte."...

Do livro "A Paixão de César"