quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Entre o céu e o inferno.

... "A paixão é independente, é música alternativa. O amor é hit parade, é sucesso na rádio cidade. O amor dificilmente viverá sem a paixão e não me venham dizer que o contrário também é verdade, porque pode muito bem ser e daria cabo de toda esta minha tese que conclui precisamente agora."
In "Espero bem que não"


Foto: (c) Carlos Garcia

Li isto e não pude deixar de ficar indiferente, nem deixar de pensar no assunto. Porque é mesmo assim, a paixão é o que cega o amor, a paixão é irracional, é temperamental, é impulsiva, é inconsequente, é o certo e o errado ao mesmo tempo, é o limite, é pele, é autenticidade, é loucura, é desejo, é o incerto, é o que ainda está para vir e o que já chegou. A paixão não tem paciência, não espera, é apressada, vive ao segundo, irascível, impiedosa, sôfrega, empírica. A paixão não tem de ser, a paixão é, sem precisar de mais nada. Não precisa de respostas, não precisa de querer, porque já tem. Não vive de ilusões, e pode ou não ser para sempre, não tem pretensões...porque vive do agora e do presente. A paixão é devoradora, entranha-se, não pede licença para entrar, é selvagem e irreverente, é audaz e mal educada, é o mar revolto e os ventos de uma tempestade, não é segura, mas é viciante. A paixão é um vinho bom, que embriaga, é uma fruta suculenta, é uma montanha russa, é um "sei lá" e um não querer saber, é um nada e é um tudo... Já o amor, é outra coisa bem diferente...

...

É preferível a angústia da busca à paz da acomodação.

In "Meu estranho mundo"

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Fragilidades...

Foto: (c) Paulo Gomes

Ao longo do tempo, sempre existiu algo que me perseguiu e inquietou o espírito, essa coisa a que se chama perder a lucidez, o equilíbrio mental... enfim, a loucura.
Sempre achei que se fosse médica, seria psiquiatra porque nada me atrai mais que a mente humana... Mas isso, de perder a consciência de quem sou...ideia aterradora...a loucura, será o viver num mundo só nosso, o que não significa necessariamente ser algo de mau... pois nesse mundo alternativo, tudo terá um qualquer sentido, se é que isso importa. Mas o não saber que eu sou eu...não reconhecer em mim os que quero, as coisas que me fazem feliz, os cheiros de que gosto, as músicas, as cores, os animais, as flores, os locais, as minhas referências, as memórias... não me entender comigo mesma, estranhar-me... isso sim, assusta-me. Contudo, a insanidade parece-me um recurso natural da nossa mente, um refúgio, um casulo, um qualquer local dentro do nosso cérebro onde a alma se esconde quando já não aguenta a pressão de um qualquer conflito, de uma qualquer fragilidade...ou a dor da realidade se torna em algo insuportável, talvez ela procure aí um analgésico, uma fuga ao tormento...e cria, dessa forma, a sua própria tábua de salvação...


domingo, 31 de outubro de 2010

Para quando o novo canil/gatil municipal de Lisboa!??????

"Esclarecimento – o projecto das obras no canil /gatil municipal foi o mais votado pelos lisboetas no Orçamento Participativo de 2009/2010. Neste momento, está para votação o Orçamento Participativo de 2010/2011 que até tem direito a cartazes de rua.
Em 3 de Maio o Vereador Sá Fernandes declarou na RTP1, no programa «Portugal em Directo», que as obras no canil/ gatil se iriam iniciar em finais de Setembro/Outubro.

Agora, a 26 de Outubro, uma munícipe de Lisboa recebe um e-mail da Equipa do Orçamento Participativo, junto da qual protestou dizendo que “até deviam ter vergonha de falar neste orçamento participativo quando ainda não iniciaram os projectos aprovados no passado ano”, informando que o “ Projecto 3ª Fase de Construção do Canil/Gatil Municipal, um dos Projectos Vencedores do OP2009/2010, está a seguir os trâmites normais, estando o Projecto de Execução concluído e aguarda o Lançamento da Empreitada “.

Ou seja, quando reunimos com a CML em 1 de Julho foi-nos dito que o projecto tinha ido para a Divisão de Obras para o lançamento do concurso de empreitada e 4 meses depois, pelos vistos, aí continua bem paradinho.

Entretanto, as condições em que continuam os animais podem ser vistas neste vídeo feito em Outubro de 2010. Só não se sente o cheiro nauseabundo nem se ouve o choro incessante dos animais.

http://www.youtube.com/watch?v=a6OjgmsXmo8&feature=player_embedded

ver mais em http://campanhaesterilizacaoanimal.wordpress.com/"

......................

"O projecto que os munícipes votaram estava orçamentado em 375 000 euros

(http://www.cm-lisboa.pt/archi/doc/OP_343o_projectos_vencedores.pdf)

Agora em e-mail de 29/10 dirigido a um munícipe, a equipa do Orçamento Participativo escreve:

“A verba do projecto vencedor (350.000€) está cativa e aguarda-se o lançamento da empreitada para breve.

Todos os projectos vencedores nos Orçamentos Participativos da Câmara Municipal de Lisboa são implementados, conforme compromisso assumido com os cidadãos”.

O compromisso é de 375 000 euros e não de 350 000!"

Fonte: http://campanhaesterilizacaoanimal.wordpress.com/

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

... "ter intimidade"...

Foto: (c) Joana Guerra

(...) " Que significa "ter intimidade"?
- É uma coisa demasiado esquecida - explicou a raposa. - Significa "ter relações de proximidade".
- Ter relações de proximidade?
- Sim - confirmou a raposa.- Para mim, tu não passas de um rapazito semelhante a cem mil outros rapazitos.
Não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Para ti, eu sou uma raposa semelhante a cem mil raposas. Mas se tiveres intimidade comigo, precisaremos um do outro.
Tu serás, para mim, único no mundo. E eu serei, para ti, único no mundo...
- Começo a compreender - disse o principezinho. - Há uma flor...julgo que ela tem intimidade comigo...
É possível - respondeu a raposa. - Vê-se de tudo na Terra...
- Oh!, não é na Terra - exclamou o principezinho.
A raposa mostrou-se intrigada:
- Noutro planeta?
- Sim.
- E nesse planeta há caçadores?
- Não.
- Isso interessa-me! E galinhas?
- Também não.
- Não há nada perfeito - suspirou a raposa.
Mas, retomando a sua ideia, a raposa prosseguiu:
- A minha vida é monótona. Caço galinhas e os homens caçam-me. Todas as galinhas se assemelham e todos os homens se assemelham. Por isso, aborreço-me um pouco. Mas se tiveres intimidade comigo, a minha vida encher-se-á de sol. Passarei a distinguir um ruído de passos diferentes de todos os outros. Os outros passos fazem-me esconder debaixo da terra. Os teus, como uma melodia, convidar-me-ão a sair da toca. E depois, olha! Vês além os campos de trigo? Eu não me alimento de pão. O trigo, para mim, para nada presta. Os campos de trigo nada me evocam. E isto é triste. Mas o teu cabelo é da cor de ouro. Se tiveres intimidade comigo, será maravilhoso. O trigo loiro far-me-á lembrar de ti. Apreciarei o sussurrar do vento por entre os trigais..."

(...)

" - Só se conhece aquilo com que se tem intimidade - comentou a raposa. - Os homens deixaram de ter tempo para conhecer seja o que for. Compram coisas feitas aos vendedores. E como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se quiseres ter um, tem intimidade comigo!
- Que hei-de fazer? - perguntou o principezinho.
- Precisas de ser muito perseverante - explicou a raposa. - Ao princípio, sentas-te ali na erva, um pouco longe de mim. Espreitar-te-ei pelo canto do olho e tu nada dirás. A linguagem é fonte de mal-entendidos. Depois, dia a dia, vens sentar-te um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era preferível teres vindo à mesma hora - disse a raposa. - Se vieres, por exemplo, às quatro horas da tarde, a partir das três horas começo a ser feliz. Quanto mais se aproximar a hora, mais feliz me sentirei. Às quatro horas perturbo-me e inquieto-me; descobrirei, assim, o valor da felicidade! Mas se vieres seja quando for, nunca sei a que horas hei-de ataviar o coração...São precisos ritos.
- Que é um rito? - perguntou o principezinho.
- É também uma coisa demasiado esquecida - respondeu a raposa. - É o que faz que um dia seja diferente dos outros dias, uma hora das outras."(...)

In "Principezinho" de Saint - Exupéry.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Pravi, precisa de ração, mantas e afins...

"A PRAVI está desesperada com falta de ração (e mantas) para alimentar todos os nossos animais existentes em hoteis e FAT’s.

Primeiro, vimos solicitar que nos ajudem com vista a angariar o mais rápido possível alguma ração. Segundo, estamos em vias de conseguir uma campanha de recolha de alimentos na zona de Lisboa, PRECISAMOS DE MAIS VOLUNTÁRIOS, aliás poderão inscrever-se apenas com vista a essa campanha que em princípio será bimensal.

Se todos dermos um bocadinho, tudo é mais fácil para nós e a carga alivia um pouco.

Muito obrigada.

Contacto: 91 910 45 76;

91 848 43 61;

92 541 11 38;

e.mail: botasebigodes@gmail.com

Pravi- Nucleo de Lisboa"

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Nada mudou...

Foto: (c) João Correia

"O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já se não crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Todo o viver espiritual, intelectual, parado. O tédio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce... O comércio definha, A indústria enfraquece. O salário diminui. A renda diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo."

Eça de Queirós

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

"ASSIM VIVEM TRÊS URSOS, HÁ CINCO ANOS"

O relatado por esta amiga dos animais nesta denúncia é inacreditável. Como se pode compreender que três ursos sobrevivam fechados num cubículo, onde nem um cabe, há pelo menos 5 anos, mal alimentados e negligenciados, como se entende que num país integrado na União Europeia, num mundo dito civilizado, as autoridades nada façam para resolver esta situação!?




"NA ZONA DE MARCO DE CANAVEZES - NORTE DE PORTUGAL, TRÊS URSOS VIVEM NESTAS CONDIÇÕES ABOMINÁVEIS, HÁ CINCO ANOS!

Um circo falido deixa para trás esta situação de miséria: 3 ursos dentro de um camião, numa jaula de 2 por 3 metros. Apreendidos pelo ICNB por falta de docu...mentação legal, estes três ursos vivem à guarda do filho do proprietário do circo agora falido. São alimentados a pão, cedido pelas padarias das redondezas.

INDIGNIDADE, DESOLAÇÃO E PRECARIDADE ABSOLUTA. PORTUGAL - A EUROPA NÃO MORA AQUI! ALGUMA SUGESTÃO?
anabelamayor@gmail.com
TM.919853960"

...

(...) "As pessoas grandes gostam de números. Se lhes falam de um novo amigo, nunca interrogam sobre o essencial.
Nunca perguntam: "Como é o tom da sua voz? Que jogos prefere? Será que colecciona borboletas?" Mas perguntam: "Quantos anos tem? Quantos irmãos tem? Quanto pesa? Quanto ganha o pai dele?" Só então julgam ficar a conhecê-lo. Se disser às pessoas grandes: "Vi uma bela casa de tijolo vermelho, com gerânios nas janelas e pombas no telhado...", não conseguem imaginar uma casa assim. É preciso dizer-lhes: "Vi uma casa de quinze mil contos".
Então exclamam:"Que linda!"
Do mesmo modo, se lhes disser "A prova de o principezinho ter existido é que era encantador, ria e queria uma ovelha. Querer uma ovelha prova que existe", encolhem os ombros e afirmam: "Criancices"!"...


In "O Principezinho", Saint-Exupéry.

Foto: (c) Mariah

domingo, 24 de outubro de 2010

Sempre


D
o teu passado

não tenho ciúmes.

Vem com um homem
às costas,
vem com cem homens nos cabelos,
vem com mil homens entre o peito e os pés,
vem como um rio
cheio de afogados
que encontra o mar furioso,
a espuma eterna, o tempo!

Trá-los a todos
ao lugar onde te espero:
estaremos sempre sós,
estaremos sempre, tu e eu,
sozinhos sobre a terra
para começar a vida!

in Os Versos do Capitão, Pablo Neruda.

O que eu quero para a vida?

(...) "O que eu quero para a vida?
Logo de manhã a fazerem-me essa pergunta.
Se ma fizessem de noite eu sabia o que responder:
-Quero dormir!

Mas , assim, a fazerem-me logo pela manhã, fico sem palavras.

Voltem logo à noite, pode ser?
Eu logo vos respondo." (...)


In "O homem ou é tonto ou é uma mulher" de Gonçalo M. Tavares.



Foto: (c) José António

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

"Cães também sofrem com doenças sexualmente transmissíveis"

A meu ver, um pouco exagerada, mas penso que a informação é válida...

"Os cães também sofrem com o TVT (tumor venéreo transmissível), que é uma doença venérea assim como, AIDS, câncer, gonorréia e a sífilis em seres humanos.

A doença é um tumor ou uma espécie de câncer que dá através da transmissão de células doentes para o órgão genital do animal, no macho ou na fêmea e ela é transmitida pelo contato sexual de um animal sadio com o contaminado, ou até mesmo pelo hábito de cheirarem-se. Neste caso o tumor pode se instalar no nariz ou até na boca do animal.

O médico veterinário William Ferreira afirma que quanto antes detectado o tumor no cão ou na cadela, melhor será o resultado do tratamento. “Os donos devem trazer seus animaizinhos de estimação pelo menos a cada seis meses, para uma consulta com o veterinário”.

Em alguns casos o tratamento necessita de quimioterapia e/ou cirurgia, por isso o melhor caminho a ser tomado é evitar o contato de nossos animais com cães desconhecidos, principalmente cães de ruas.

“Tome sempre cuidado quando sair com seu cão pela rua e nunca deixe que ele saia sozinho” comenta o veterinário.

Evitando o contato direto entre os animais, seja sexual ou não, você evitará a transmissão deste tumor, além de evitar outros problemas como possíveis brigas e transmissão de outras doenças infecciosas. Afinal nossos animaizinhos de estimação merecem todo cuidado."

(Nota: Segundo sei, mas pode investigar, esta doença só é transmissível entre animais não castrados/esterilizados.)

Fonte : Animais S.O.S


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A grandeza de um ser...

Recebi um e.mail, que me contava esta história, achei de tão grande beleza, que não podia deixar de a divulgar...


"Morador de rua cuida de 10 cães



Rogério é um morador de rua que vive numa carroça coberta com 10 cães, entre eles, alguns encontrados em condições extremas - espancados pelos antigos donos, jogados pela janela de um caminhão, doentes, abandonados e esfomeados, largados ao léu, amarrados em postes etc.

Vive de doações de ração, remédio e comida. Os cães são muito bem tratados, mas dependem do amor e do carinho que o Rogério tem por eles, e da caridade daqueles que o conhecem e admiram.



Ele fica próximo a pontos de ônibus na avenida Georges Corbusier, após a rua Jequitibás (região do Jabaquara, em São Paulo), os cães não atrapalham ninguém, são super-educados e simpáticos (todos castrado(a)s) e passam boa parte do dia dentro da carroça.

Ele é muito querido pelos comerciantes da região, mas o problema é durante a madrugada, quando bêbados no volante, e garotos usuários de droga na região, tem sido uma constante ameaça. Rogério já foi espancado por jovens drogados e chegaram a jogar álcool nele enquanto dormia com os cães dentro da carroça, por sorte não tiveram tempo de acender o fósforo, pois um dos cães latiu e o avisou do perigo.




Ele é um exemplo de como uma pessoa pode se doar. Alguém na condição dele, poderia ter escolhido outros caminhos, mas Rogério demonstrou coragem e decidiu perseverar. Além de ser uma pessoa de muito valor, faz caridade prá deixar muito bacana por aí no chinelo. Sua presença ilumina os lugares por onde passa, mas ele já está cansado e também não é mais tão jovem assim.



Assim, é diante de tudo isso peço que ajudem a divulgar esta história para que o Rogério possa conseguir uma oportunidade que lhe propicie melhores condições de moradia e de vida, em qualquer cidade, para que ele possa cuidar não somente dos seus, mas de outros tantos cães abandonados por esse Brasil, e que precisam de muitos cuidados e de carinho. Já lhe ofereceram abrigo, mas desde que os cães ficassem para trás, e o Rogério recusou, pois para ele, estes cães são como filhos; são sua familia.



Outro dia ele estava levando todos os cães para um pet shop para tomar banho - eram 11 cachorrinhos felizes – eram originalmente 10, mas agora apareceu mais um, um fox paulistinha que eu não conheci porque no momento que conversamos estava no banho. Ele disse que havia passado remédio contra pulgas nos cachorros, e que o tal remédio é meio melado, e então teve que dar banho em toda a tropa. Perguntei quanto ele iria gastar para dar banho em toda aquela tropa de cachorros, e ele, sorrindo como sempre, disse que a moça do pet shop o ajudava e não cobrava nada. Santa alma! Aí eu perguntei a ele – e você? Onde toma banho? E ele me respondeu que tomava banho no posto de gasolina da esquina, banho frio, gelado mesmo. Disse que como era nordestino, estava acostumado.

As vezes faltam palavras que possam definir a grandeza de uma alma como esta, que mesmo não tendo quase nada para si, dá o pouco que tem para minorar o sofrimento desses pobres animais de rua. Muito mais importante do que as aparências, a riqueza, e o poder ostentado pelas pessoas, são suas atitudes e seus valores éticos e espirituais."

domingo, 17 de outubro de 2010

Coisas da alma...

Sinto falta dos amigos que deixei lá atrás.
Sinto falta das paixões "sofridas" da adolescência.
Sinto falta do primeiro beijo.
Sinto falta do Tulicreme e de comer Cola Cao à colherada.
Sinto falta dos doces da mãe e dos ralhetes do meu pai.
Sinto falta do aconchego da avó e dos Domingos passados na casa dos avós.
Sinto falta da companhia dos manos.
Sinto falta dos meus melhores amigos (canitos), aqueles que me viram crescer: Heidi, Laika, Joky e Piloto, que me deixaram bem no início da minha caminhada...
Sinto falta da minha mochila amarela com botão vermelho.
Sinto falta do recreio da minha escola.
Sinto falta do meu triciclo e dos meus patins.
Sinto falta do baloiço.
Sinto falta de trepar às árvores e de observar os girinos nos riachos, das águas límpidas dos rios.
Sinto falta das férias de Verão passadas à toa....
Sinto falta da inconsciência de uma idade e da ingenuidade da infância.
Sinto falta de brincar na rua.
Sinto falta do professor de Filosofia e de faltar às aulas de Religião e Moral.
Sinto falta das primeiras descobertas.
Sinto falta de correr descalça pelos campos de cultivo.
Sinto falta de colher amoras.
Sinto falta do meu velho amigo "galo", dos magustos no pinhal.
Sinto falta de coleccionar horários escolares e não ter aulas ao Sábado de manhã.
Sinto falta de "subtrair" fruta aos pomares dos vizinhos.
Sinto falta das viagens que não fiz.
Sinto falta de falar sobre nada...
Sinto falta de ter tudo para ser feliz.
Sinto falta...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

"Nada me prende a nada"...

Nada me prende a nada.
Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.

Fecharam-me todas as portas abstractas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.

Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta - até essa vida...

Álvaro de Campos

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

..."Gozava a minha própria natureza, e todos nós sabemos que é aí que reside a felicidade"...

(...) Passava também por generoso e era-o. Dei muito, em público e em particular. Mas, longe de sofrer, quando era preciso desfazer-se de um objecto ou de uma quantia em dinheiro, tirava daí constantes prazeres, o menor dos quais não seria uma espécie de melancolia que, por vezes, nascia dentro de mim, ao considerar a esterilidade destas dádivas e a provável ingratidão que se lhes seguiria. Tinha mesmo tal gosto em dar que detestava ser obrigado a isso. A exactidão em coisas de dinheiro maçava-me, e encarava-a sempre de mau humor. Precisava de ser senhor das minhas liberalidades."...

Albert Camus





Foto: (c) André R. Araújo


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Pensamentos...


Foto: (c) Joana

Com facilidade associo as duas palavras, gente e desilusão.

Por acaso ou não, animal algum (leia-se irracional) por momentos me desapontou, fosse lá de que forma fosse. Já os outros, os racionais, fazem-no diariamente. É inato, talvez. É da nossa natureza. Ao contrário dos animais, nós mentimos, iludimos, induzimos, falseamos... somos desleais e arrogantes. Vivemos com dificuldade em perdoar, no cimo de um pedestal de vidro, tão frágil como nós próprios. Inseguros, cobardes, indiferentes, somos complexos nas nossas relações e frustramos com constância as expectativas que os outros, ingenuamente ou de boa fé, depositam em nós...

Banalizamos as palavras, usamo-las à toa, fazemos promessas que sabemos não cumprir... Irascível e calculista, o ser humano na sua essência não é fiável, não reside em si essa inerência...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O fantástico inefável...

"Um filósofo contemporâneo de Lovecraft, o desconcertante Wittgenstein, disse que "o que não pode ser dito, melhor será calá-lo". Esta frase podia ser de certa forma o lema do truque estilístico mais peculiar do próprio Lovecraft. Para este, a fantasia desemboca sempre no inefável; as palavras esgotam-se muito antes de a imaginação pura ter concluído a sua fulgurante viagem. Mais ainda: as palavras são obstáculos, tropeços que dificultam ou estagnam a criação do realmente fantástico [...]" (Fernando Savater, Sobre Viver)"

Fonte: Ugly Kid blog.

sábado, 25 de setembro de 2010

"O Cão - O que vê, cheira e sente."

Para os amantes de cães, recomendo a leitura deste interessante livro, da autoria de Alexandra Horowitz, licenciada em Filosofia e com doutoramento em cognição canina.

"O Cão - O que vê, cheira e sente."

Texto Editora

(...)"Certa manhã, acordei de barriga para baixo, puxei os braços sobre a cabeça, estiquei as pernas até aos dedos dos pés e icei-me apoiando-me nos cotovelos.
Ao meu lado, a Pump despertou e fez exactamente o mesmo que eu: contraiu as patas dianteiras, esticando-as bem à sua frente, depois endireitou as patas traseiras, inclinando-se para a frente e erguendo-se. Agora cumprimentamo-nos todos as manhãs a espreguiçamo-nos ao mesmo tempo. Só uma de nós abana a cauda."(...)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Não há muito mais a dizer...senão a fazer!

"Testemunho de Miguel Veloso após visita ao Canil Municipal da Câmara Municipal de Lisboa - igual a tantos outros!!

por Ajudar Bichos Como Nós"


..."E nós, no Projecto "Ajudar Bichos como Nós", subscrevemos na íntegra, pois já passamos pelo mesmo:"


"Olá. Fui hoje ao Canil/Gatil Municipal do Monsanto procurar, entre os desafortunados, o meu Tweeny, o gato que desapareceu há umas semanas. Não sei o que lhes possa dizer sobre o que vi.. Acho que, em toda a minha vida, nunca vi tanta miséria.Cá fora o barulho já era angustiante e vi-me completamente cercado por dezenas de moscas. Já tinha assistido a 2 situações pouco éticas antes de entrar. Uma delas era um casal que vinha enterrar o seu cão. Pediram-lhe o BI para comprovar que era de Lisboa. O senhor não tinha BI, tinha Cartão do Cidadão (Azar, no Cartão do Cidadão não consta a zona de residência). A senhora que vinha com ele idem. O casal estava a chorar e os senhores a dizer que tinham que apresentar algum documento com morada de Lisboa, "(...)senão têm que pagar". Eu estava ao lado, ouvi e estendi o meu BI. Disse-lhes: "Eu moro em Lisboa". Acabou por ser gratuito. Desculpem-me, mas não é esta M**da de burocracia que quero ouvir depois de um dos meus falecer.Passado um pouco vem um outro senhor com um carrinho de mão cheio de sacos do lixo e aproxima-se do carro. Os sacos do lixo tinham animais mortos dentro. Animais empilhados uns em cima dos outros num carrinho de mão?! O casal a chorar e o senhor leva o carrinho de mão para perto do...lixo.Depois destes filmes, já não estava com muito boa disposição, mas lá fui eu.A acompanhar-me vinha uma pessoa responsável pelo tratamento dos animais, um senhor com mau aspecto, de poucas falas. Pelo caminho, peguei no telemóvel com gravador de vídeo para captar umas imagens daquilo que via para poder partilhar, com o objectivo de os denunciar/expor. O senhor ia à minha frente e indicou-me o caminho. Antes de entrar nos longos corredores, pior que os chamados corredores da morte do 3º mundo passo pela zona dos cães, aproximo-me do vidro que nos separa e uns quantos encolhem-se de medo, outros atiçam-se em minha direcção, sendo estrangulados pelas cordas/correntes fortes. O senhor, impaciente, aguarda-me à entrada do Gatil. Segui-o. Assim que entrei disse-me que tinha que guardar o telemóvel pois não eram permitidas gravações, nem fotografias. Ainda refilei, mas o que presenciei, tirou-me o pensamento das filmagens.Deparei-me com um cheiro nauseabundo, barulho ensurdecedor, os gatos completamente aflitos, envoltos nas próprias fezes, maltratados, cheios de escoriações, mal nutridos, miavam desesperadamente, vi gatos a trepar as grades com a gana de querer sair, vi gatos cheios de medo completamente encolhidos, vi gatos bebés sem mãe, cadavéricos, sujos, doentes. Olhei para cima e as condutas do ar faziam um barulho tremendo, tinham fios pendurados, estava tudo sujo.. Aquilo são condições?! A primeira coisa que reparei foi no barulho e no cheiro, como é óbvio. Vi um cão no gatil e perguntei porque é que o cão estava ali (e ladrava compulsivamente), pois aquilo era o gatil. Ele responde-me que foram os doutores que mandaram.Perguntei ao senhor quanto tempo os animais estavam ali até serem abatidos. O senhor responde-me prontamente 8/15 dias, dependendo dos Doutores..os veterinários. Depois, pergunto-lhe se os gatos eram tratados. Ele, no meio dos murmúrios, diz que depende dos doutores. Perguntei-lhe se os doutores eram os donos do canil/gatil. Ele responde-me que eles é que mandam e que não podia fazer nada.O que são os doutores??? Serão uma espécie de máfia que controlam tudo e todos e que têm os seus capangas para não deixar filmar, fotografar, etc... ?? Será que não há Veterinários competentes ? Será que alguma vez irão para Veterinária quem realmente quer ser Veterinário, ao invés de irem os frustrados que não entraram em Medicina ? Onde está a parte humana dos Veterinários ? E dos outros responsáveis pelo canil/gatil? O objectivo do canil/gatil é eliminação dos cães e gatos da cidade ? Deviam ter vergonha. Eu sou de Lisboa e isto envergonha-me."

Nada que seja novidade, mais um testemunho do que se passa no verdadeiro campo de concentração que é este canil municipal...seria bom, que outras figuras publicas o visitassem e fizessem a denúncia!... Já é hora de alguém ter a coragem de lutar a sério contra este horror!...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"Deus morreu", Nietzsche

Sempre me fez pensar, ouvir dizer: "sou católico, mas não praticante". Como se pode ser cristão não praticante? Penso tratar-se de uma resolução de contra-senso. Isto porque, se rezamos ou evocamos Deus, se somos baptizados ou se casamos pela igreja...estamos a agir em conformidade com as leis do catolicismo.

Apesar de não marcarmos presença assídua nas capelas, ou a Igreja como instituição (na nossa actualidade) não afirmar grande sentido, a verdade é que se acredita em algo que transcende tudo isso...Essa consistência (não obstante a ideia parecer, por si só, abstrata) que o nosso interior sabe existir, contrariando Nietzsche na sua "tese" sobre Deus...Assim sendo, encontramos na nossa razão a substância que concretiza e materializa o que sabemos ser um espirito absoluto.
Ainda que, por vezes, não compreendamos os seus desígnios e voltemos a questionar o sentido desta temática, a complexidade do universo e onde encaixa a nossa personagem neste enredo a que chamamos vida.

A fé, contudo, recoloca-nos nos trilhos de uma lógica pragmática - a harmonia e o equilibrio de todas as coisas está segura pela mão de um Deus maior... Mas será assim tão simples, tão linear?...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Agora, como antes...

Foto: (c) Paulo C.


O Mundo em S.O.S.!

Onde tudo pode acontecer, já nada é salvaguardado. Parece-me tudo tão frágil, pouco do que parece é... Os líderes políticos (governantes) atropelam-se em favores e "arranjinhos" de interesses, ficando a verdade das coisas escondida por trás das palavras construídas pelo artificio dos entendidos. A corrupção ataca por todas as frentes, tornando-se um monstro de tentáculos longos e escorregadios, que escapam por entre os dedos daqueles que dizem basta, - queremos a justiça que a democracia proclama!

Países soberanos são ocupados em função das teorias vazias do ocidente, quando se sabe que o cinismo e a hipocrisia, são vocábulos de ordem na boca dos homens que falam em nome dos inocentes... O medo é cada vez mais uma condição ditada pelo terrorismo, que se faz sustentar por causas que o indivíduo ganha e aliberdade perde.

A pobreza e a desigualdade entre os povos impõe-se, na terra daqueles que fecham os olhos e seguem caminho, sem repararem nos rostos, cuja angústia está traçada, como se do destino se tratasse. Curioso... é o facto da vida humana adquirir um valor tão diferente, quando falamos do continente africano ou asiático. Parece que essa não é uma vida tão válida. O tempo passsa e nada muda!...

..."How long must we sing this song?"...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Animais com testes restringidos na Europa

"Primatas só podem ser usados em casos excepcionais, se estiverem em causa doenças como a sida e malária

Os primos directos do Homem vão ser excluídos de ensaios laboratoriais na UE. Só em pesquisas sobre doenças muito ameaçadoras para a espécie humana será admitido o recurso a gorilas, chimpanzés, bonobos ou orangotangos. A directiva vale a partir de 2013.

Depois de um moroso processo, foi aprovada pelo Parlamento Europeu a Directiva que enquadra o uso de animais vertebrados em experiências científicas.

O documento estabelece normas rígidas relativas ao bem-estar dos animais (desde o tamanho das jaulas ou gaiolas ao acesso à água), bem como linhas de procedimento ético com o propósito de evitar sofrimento aos animais. Os Estados têm agora de se preparar para o cumprimento da Directiva a partir de Janeiro de 2013.

Ao longo do processo e elaboração legislativa, a Comissão Europeia desencadeou iniciativas e apoiou projectos para a introdução de métodos alternativos ao uso de animais em laboratório. Esse é um desígnio que continua a ser desenvolvido pelo Centro Europeu de Validação de Métodos Alternativos. ?Substituir, reduzir e refinar os testes em animais? são os lemas dessa tarefa.
Os animais usados nos ensaios foram-no sobretudo para a investigação de produtos ou dispositivos destinados à saúde humana (57,5%) e animal. Eles são cobaias em estudos sobre vírus, imunologia, genética, tratamentos oncológicos e outros da área farmacêutica.

Uma parte menos significativa destina-se a avaliar se produtos ou substâncias para uso humano ou de alimentação animal são tóxicos. Produtos químicos industriais e pesticidas são também assim testados.

A nova Directiva restringe a utilização dos grandes símios (como os chimpanzés, bonobos, gorilas e orangotangos) a situações em que a sobrevivência destas espécies esteja em causa ou na eventualidade de um surto de doença debilitante ou que ponha em causa a vida de seres humanos.

Esta excepção é justificada pelo facto de “a Comissão Europeia não vislumbrar a dispensa de primatas não-humanos num futuro previsível.” Ou seja, a proibição vai admitir excepções (autorizadas), na medida em que decorrem “programas vitais de investigação em doenças infecciosas como a sida, malária e hepatite."

Fonte: Jornal de Notícias

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Íntimo pessoal

"Cada um tem o destino universal de fazer consigo mesmo o modelo de mais uma estátua humana. E esta fabrica-se apenas com íntimo pessoal.
O nosso íntimo pessoal é inatingível por outrem. É este o fundamento de toda a humanidade, de toda a Arte e de toda a Religião. O nosso íntimo pessoal é de ordem humana, estética e sagrada. Serve apenas o próprio. É o seu único caminho. O melhor que se pode fazer em favor de qualquer é ajudá-lo a entregar-se a si mesmo. Com o seu íntimo pessoal cada um poderá estar em toda a parte, sejam quais forem as condições sociais, as mais favoráveis e as mais adversas. Sem ele, nem para fazer número se aproveita ninguém."


(José de Almada Negreiros, Nome de Guerra)"

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

"Menos agricultura pode significar mais incêndios e pior alimentação"

"Portugal perdeu, entre 1968 e 2007, um milhão e meio de hectares de superfície arável. A situação está a preocupar ambientalistas e especialistas, que receiam o aumento dos fogos e a perda de biodiversidade no País.

Lembro-me que há uns anos se ia até ao monte para limpar as matas. As pessoas cultivavam e estavam mais atentas aos campos. Protegendo os seus terrenos, as pessoas eram uma espécie de vigilantes da natureza." Muitos portugueses conseguem rever-se nas palavras de Susana Fonseca, presidente da Quercus, sobre o abandono dos campos agrícolas por todo o País. A perda de superfície agrícola em Portugal - um milhão e meio de hectares, de 1968 a 2007 - potenciou vários problemas: a dificuldade em detectar incêndios, a diminuição da produção de produtos nacionais e biológicos, a erosão dos solos e a diminuição de biodiversidade.

"Todos estes problemas são próprios de países de alta densidade populacional em que a acção humana deixa cada vez menos espaço ao ambiente". Carola Meierrose nasceu na Alemanha, mas já há 32 anos que lecciona na Universidade de Évora. A bióloga dedicou-se a estudar a relação entre a agricultura e a promoção da biodiversidade e começa por ditar o principal problema da perda de superfície agrícola: "a verdadeira importância da terra arável está na produção de alimentos saudáveis".

A especialista acredita que a agricultura biológica aumenta a biodiversidade, e Susana Fonseca é da mesma opinião.
"Industrializou-se a agricultura e isso veio prejudicar o ambiente, com os adubos e pesticidas lançados ao chão", lamenta a ambientalista, que acha que se deve voltar ao antigamente: "É difícil passar esta mensagem em tempo de crise, mas as pessoas têm de se mentalizar que a agricultura actual é demasiado barata. E os produtos usados vão prejudicar solos, água, provocar doenças... é um ciclo", diz.

Outro dos maiores impactos da perda de solos agrícolas é o aumento dos incêndios. A opinião de ambas as especialistas pode ser simplificada em "menos agricultura, menos vigilância, menos limpeza, mais probabilidades de fogo".

"A relação entre a perda de superfície agrícola e o aumento dos incêndios é directa. As pessoas antigamente estavam no campo e cuidavam e vigiavam a floresta", diz Susana Fonseca. A ambientalista lembra que o êxodo para as cidades e a emigração deixaram ao abandono muitos campos próximos de florestas. Perderam-se muitos pares de olhos para vigiar a zona, braços para limpar as matas, cujo mato era usado como alimento para animais ou adubo para os campos. Isto sem esquecer que o mato deixado nos terrenos abandonados é altamente inflamável.

A limpeza não é apenas importante para o controlo dos incêndios. A biodiversidade de determinada região também tem muito a ganhar com o cultivo dos campos.

Exemplo disso são as espécies de aves que se alimentam no chão, das sementes agrícolas. Anos de agricultura levaram várias espécies a adaptar--se à actividade. Sem limpeza, as plantas crescem livremente e impedem as aves de se alimentarem e se manterem nos mesmos locais.

"As zonas de terreno agrícola são abrigo para espécies raras, como as abetardas da zona de Castro Verde, que não existiriam em Portugal se não fosse pelas grandes extensões de cereais cultivados", explica Carola Meierrose.

Uma ameaça que é preciso combater a todo o custo. A bióloga explica porquê: "Já só temos 24% de Terra emersa para agricultura e pastoreio, e agora querem arrasar as zonas de vegetação existente no mundo". O que ainda trava a destruição das áreas aráveis, defende a alemã, "é a falta de meios para o fazer"."


Fonte: DN Ciência

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Republicar....

Mares de Portugal I


Anos 80, uma mão cheia de ilusões...


Entrar na adolescência nos anos 80 teve o seu quê de ambiguidade. Por um lado, a vida despreocupada de quem tem como missiva do dia o brincar na rua, por outro, o medo que acalentava, porque alguém na altura me falou na bomba atómica e sua ameaça (sustento da guerra fria). Sonhava com isso e achava que o amanhã não iria chegar. Enfim, lá ultrapassei esse tormento, talvez devido ao despertar de interesse pela música, pelos livros e com isso ocupava o espirito...

Sem saudosismo lamecha, recordo a escola, os amigos de então, tardes passadas a pensar no nada, as primeiras saídas nocturnas aos 16 anos de idade (recorrendo, para o efeito, a subterfúgios e mentiras) com horário de regresso marcado sem flexibilidade, os colegas que fumavam os primeiros cigarros, bebiam as primeiras cervejas e assistiam aos primeiros concertos, para mim tudo era uma miragem...

A segurança pairava num marcado ambiente urbano, as "playstation" eram ainda o projecto de alguém, os computadores algo aliciante, os DVD's uma ideia, tinha a liberdade e o prazer de desfrutar dos espaços abertos, de rebolar na terra, de subir às árvores, de pisar a erva e mergulhar nos rios (ainda) limpos. A casa não era o destino eleito para o após aulas, nem os meus pais corriam atrás de mim, como se de uma jóia de vidro se tratasse e que estivesse na iminência de partir ou desaparecer...
Vivi na inocência de quem dá pequenos passos e vai tropeçando na escalada do percurso do nosso crescimento. Gostei da rebeldia que marcou um período de audácia.

Olhando à rectaguarda, penso que deveria ter aproveitado mais, sugar o tutano à vida. Naquela época, achei que teria tempo para o fazer. Mas sabem, só se sente o nirvana às coisas nos momentos exactos, e só ali faz todo o sentido. Depois disso, não é perfeito, o encanto desvanece e a ilusão cai no vazio.

Republicações...


Foto: (c) Miguel Afonso

E se?

Já todos pensamos um dia e se?

E se tivessemos nascido em outra cidade, um diferente país... e se os nossos pais não fossem estes... e se o(a) companheiro(a)fosse outro(a)... e se o "curso" que tiramos não fosse este, e se os amigos fossem outros...E se tivessemos lido outros livros, escutado outras músicas, visto outros filmes... E se tivéssemos mergulhado noutros mares, cheirado outras flores, pisado outras folhas... e se gostássemos de outras cores, de outros poetas e se o caminho da viagem não fosse este, e se outro fosse o comboio... E se o sentir a chuva não fosse imprescindível e a sensação da brisa tão agradável, e se o sol não fosse a luz que brilha mais alto e os sonhos a maior ilusão... Seria a nossa vida igual, o que a condiciona?

As nossas escolhas, o acaso ou o destino... E se...?!


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

"Japão: petição com 1,7 milhões de assinaturas pede fim da caça aos golfinhos"

"A caça aos golfinhos no Japão está a gerar um movimento de protesto, sustentado por uma petição com 1,7 milhões de assinaturas, de pessoas de 150 países. Hoje, uma manifestação às portas da embaixada dos Estados Unidos em Tóquio pediu a intervenção de Barack Obama.

Richard O’Barry - personagem principal do filme “The Cove – A Baía da Vergonha”, que no início do ano ganhou o Óscar para melhor documentário e denuncia a caça aos golfinhos que é praticada em Taiji – entregou a petição aos responsáveis da embaixada.

Ontem, a pesca aos golfinhos foi retomada naquela vila japonesa. Todos os anos, os pescadores de Taiji capturam cerca de dois mil golfinhos. Uns são vendidos a parques de atracções turísticas com espectáculos com animais marinhos e outros são mortos para serem consumidos.

“Estamos aqui para pedir ao Presidente Obama para agir e pedir ao Governo japonês para parar este massacre anual, brutal e anacrónico de golfinhos”, disse O’Barry, antigo treinador de mamíferos marinhos para a famosa série “Flipper”.

O activista - que está no Japão com ambientalistas americanos, canadianos e australianos – explicou que renunciou visitar Taiji depois de ter recebido ameaças de grupos nacionalistas nipónicos. “A polícia preveniu-me que se fosse iria haver violência”, salientou.

Em Março, o Óscar para “The Cove” provocou a ira da população de Taiji que criticou de “hipocrisia” os ocidentais, que se emocionam com os golfinhos mas depois massacram vacas e porcos nos matadouros.

Numerosos habitantes da vila criticam ainda o realizador do filme, Louie Psihoyos, por ter ignorado a tradição cultural da caça aos cetáceos praticada na região desde o século XVII."

Fonte: Jornal Público

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Dúvidas...

"Não há nada mais sedutor para o homem do que a liberdade da sua consciência, mas também não há nada mais torturante. [...] Existem três forças, as únicas forças na Terra capazes de conquistar e cativar para sempre as consciências destes rebeldes fracos, para felicidade deles. Estas forças são: o milagre, o mistério e a autoridade. Rejeitaste o primeiro, o segundo e a terceira [...] E poderias realmente supor, por um instante que fosse, que as pessoas também teriam forças para resistir a semelhante tentação? Terá a natureza humana sido assim criada, será ela capaz de rejeitar o milagre e, nos momentos terríveis da vida, nos mais terríveis momentos, nas questões da alma essenciais e torturantes, será a natureza humana capaz de seguir apenas a livre escolha do coração?"

(Fiódor Dostoiévski)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

"Esterilização obrigatória nos centros de recolha de animais"

"Não é um tema novo, mas volta agora a despertar atenção pela recente decisão que obriga à esterilização dos animais abandonados e recolhidos pelos canis municipais. A medida já foi adoptada pelos municípios de Lisboa e do Porto e deverá alargar-se a todo o país. Os números oficiais divulgados pela Direcção-Geral de Veterinária demonstram que mais de 44 mil cães e gatos foram recolhidos pelas autarquias nos últimos quatro anos em Portugal. A estes números, acrescem os que são entregues e/ou abandonados à porta dos canis - agora designados por Centros de Recolha Oficial (CRO) por força do Decreto-Lei 314/2003, que aboliu os termos "canil" e "gatil". A legislação de 2003 obriga também a que todos os municípios tenham um CRO, o que nem sempre se verifica.

Fernando Rodrigues, médico veterinário da Câmara de Valongo e defensor da esterilização, afirma que a lei ajuda à melhoria das condições dos centros de recolha, que nem sempre tinham capacidade para o fazer. Para o veterinário, apesar das melhorias verificadas com a nova legislação, esta ainda peca por ser "muito ambígua". "A nossa competência é o incentivo à esterilização, mas isso tem de ser efectivamente feito pelo Ministério da Agricultura, que devia ter uma acção mais forte junto das clínicas", completa Fernando Rodrigues, que desenvolveu uma tese sobre o Estudo prévio para a implantação de um programa de controlo de reprodução em canídeos.

O veterinário rejeita a ideia de "política de lucro", para os veterinários, uma acusação lançada por algumas associações de defesa dos animais. Todos são, no entanto, a favor da esterilização, mas o que estas associações contestam são os valores praticados. Para o veterinário, o problema não incide nos valores praticados pelas clínicas, antes na falta de comparticipação do Estado, contrariamente ao que acontece, por exemplo, na Alemanha. Neste país, o proprietário paga uma licença vitalícia pelo animal, cujos montantes suportam uma espécie de sistema público de saúde para os animais. Rodrigues defende a realização de protocolos entre as clínicas veterinárias, autarquias e associações de defesa de animais, que permitisse às pessoas com menos posses esterilizar os seus animais."

Fonte: Jornal Público

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

'Adeus eterno!'


"[...] Escutei estas palavras repetidas: 'Adeus eterno!' E ainda várias vezes: "Adeus eterno!" E então eu despertava na minha agitação, gritando: "Não quero mais dormir!" Hoje cheguei a temer a aproximação do sonho, se me deve trazer visões tão dolorosas, cheias de uma vida tão intensa, como as que me perseguiam o cérebro cheio de fantasmas. [...] Considerando que minha vida era mais necessária a outros do que a mim, cheguei a inquietar-me realmente, e detive-me a tempo, mas com um esforço que está a acima de qualquer descrição. Fizesse o que fizesse, parecia como se diz em termos militares, "a morte me saía à frente."

Renunciar ao ópio não era de modo algum libertar-me das angústias que eram "mortais" na correcta acepção do termo; mas, por outro lado, morrer em consequência de espantos nervosos, morrer de febre cerebral ou de loucura, eis as alternativas que se me antojavam. Felizmente, ainda me restava bastante firmeza de carácter para escolher deliberadamente o partido que me imporia mais sofrimentos, mas que me mostrava ao longe a esperança de me salvar definitivamente.
Esta possibilidade realizou-se; pude escapar ao ópio. O desfecho desta nova crise nas minhas experiências achas-se descrito com bastante exactidão nas linhas seguintes, que meus amigos leitores encontraram na primeira edição destas Confissões. Se estas linhas ali se encontram, é que a crise de que falam não foi mais que um esforço provisório que aplainou o caminho para outras crises mais suportáveis, a que meu sistema constitucional se submeteu gradualmente.

[...]
Lord Bacon supõe que é tão doloroso nascer como morrer. Parece provável: durante todo o tempo que consagrei ao diminuir da minha ração de ópio, sofri os tormentos de um homem que passa de um modo de existência a outro e que sente, ao mesmo tempo, ou alternadamente, as dores do nascimento e da morte. O final não foi a morte, e sim uma espécie de regeneração física; assim posso acrescentar que sempre, depois e de vez em quando, fui experimentando uma ressurreição juvenil das minhas faculdades.

Resta-me, todavia, uma herança o meu antigo estado: os meus sonos não são tranquilos. A mortal agitação e o transtorno da tempestade não se apaziguaram de todo; as legiões que acampavam no meu sonho puseram-se em marcha, mas não desapareceram inteiramente. O meu repouso é ainda incompleto, agitado; está como as portas do Paraíso, tal como as viram ao voltar-se os nossos primeiros pais; ainda está como no espantoso verso de Milton:

'Cheio de terríveis rostos e braços ameaçadores'."

(Thomas de Quincey, Confissões de um Comedor de Ópio")

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

"A saúde mental dos portugueses"

"Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.



Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.


Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência,
urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez
mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.

Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a
casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma
mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão
cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho
presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela
falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar
que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês,
enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à
actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de
escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando
já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com
responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos
números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de
pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência
neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o
estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se
há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso

Médico psiquiatra"


Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no Público, 2010-06-21"

"Alternativas na Educação"

"Neste vídeo de 33 minutos, a InterNICHE investiga novos caminhos na educação científica. Da anatomia à fisiologia, da cirurgia à farmacologia, compilamos experimentos clássicos onde o uso de animais foi substituído por uma variedade de métodos alternativos.Com o foco na obtenção de conhecimento...s e habilidades necessárias para um bom desempenho na profissão, estas novas ferramentas e abordagens são demonstradas por professores que as usam hoje em dia.Alternativas na Educação é um vídeo para professores e estudantes de biologia, medicina humana e veterinária, nutrição, farmacologia, fisiologia, membros de comités de ética e legisladores."



quinta-feira, 19 de agosto de 2010

"Bélgica quer esterilizar todos os gatos até 2016"

"O objectivo é ter todos os gatos esterilizados até 2016: um departamento do Governo belga lançou uma proposta que passa por iniciar o processo de esterilização já em 2011 e estendê-lo por cinco anos.

Segundo a imprensa local, o que se pretende é reduzir o excesso de animais das ruas das cidades e chegar a 2016 com todos os animais registados, vacinados e esterilizados, algo que envolverá o Serviço Federal de Saúde Pública.

Para justificarem a medida, as autoridades belgas explicaram que mais de um terço de 37 mil gatos recolhidos em centros de animais abandonados tiveram de ser sacrificados.

Neste momento, dos 589 municípios belgas, 207 já têm algum tipo de plano de esterilização de gatos."


Fonte: Correio da Manhã


Medidas como esta são necessárias também por cá, esterilização de gatos e cães, são a solução para combater o excesso de animais e abates indiscriminados nos canis municipais em Portugal.

...Este é um drama que urge em ser resolvido!


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Petjornal - Um outra forma de divulgar animais para adopção.


PET jornal. Trata-se de um site que gere uma base de dados portuguesa de animais para adopção. O PetJornal é um site simples onde pode encontrar um animal para adoptar ou anunciar animais para adopção.

Para informação mais detalhada -
Petjornal

terça-feira, 17 de agosto de 2010

"Actividade do Canil Municipal de Lisboa"

"Os quadros e gráficos elaborados a partir dos dados sobre a actividade do Canil Municipal de Lisboa podem ser vistos aqui

Podemos concluir que, ao longo do período considerado (2002-2009), entraram cada vez mais animais no canil/gatil de Lisboa (referimo-nos apenas aos animais vivos e a gatos e cães). Nestes últimos 8 anos, entraram, em média, 2 700 animais por ano tendo sido possível garantir uma mesma ordem de saídas através fundamentalmente do abate.

Metade dos animais que entraram no canil foram abatidos e 20% morreram, os restantes 30% ou foram restituídos ou então foram adoptados. A taxa de mortalidade (abates mais óbitos) ronda os 70%.

Face ao aumento de actividade sobretudo das capturas, mas também das entregas de animais, todas as saídas cresceram, por exemplo o abate cresceu 39% em 2009 face a 2002, enquanto o número de óbitos mais do que duplicou, tendo mesmo quadriplicado para o caso dos gatos.

Conclui-se, portanto, que a capacidade de acolhimento não aumentou, pois o aumento das entradas é acompanhamento por igual movimento de saídas, sendo o abate a solução definitiva mais utilizada.

No Canil de Lisboa, em 2009, entraram por dia, aproximadamente, 10 animais no canil. Destes 7 morreram, dos quais 5 foram abatidos.

A informação que existe aparenta alguma inconsistência, sendo apresentada numa óptica de “gestão de stocks”, desconhecendo-se, por exemplo, o motivo do óbito, o tempo de permanência, a capacidade instalada para permanência de animais e quais as condições de vida proporcionadas aos animais que permanecem no canil.

Fica, portanto, um conjunto de questões por responder, tais como, o que é que justifica o aumento tão significativo de óbitos? Quais os cuidados médico ou veterinários prestados? O porquê do aumento das capturas a par do aumento das entregas? Entre os abates praticados pelos veterinários do canil quantos correspondem a animais que são entregues com doenças terminais e com indicação médica de eutanásia?

Estas e outras questões devem ser respondidas por quem detém responsabilidades nesta matéria de forma a que os munícipes de Lisboa compreendam as estratégias seguidas pela CML no que respeita os animais abandonados da cidade. Será que os habitantes de Lisboa querem:

1) continuar a pensar que hoje deram entrada no canil mais 10 animais e que 5 vão ser abatidos?

2) continuar a viver com o horror da falta de solução para os milhares de animais que vivem nas nossas ruas e cujo futuro será a morte?

3) explicar aos nossos filhos que pagamos impostos para que uns senhores tenham a tarefa de capturar o animal, em condições, por vezes, brutais, para o deixar morrer ou então para o abater?

4) continuar a ouvir os animais chorarem e não fazerem nada?

Ou vamos mudar de políticas e encontrar soluções sustentáveis e de acordo com o respeito pelo bem-estar dos animais em harmonia com os cidadãos de Lisboa?

Ficam as perguntas e a vontade de implementar as soluções.

(1) Os dados que servem de base a esta análise têm as seguintes fontes:

Dados de 2002 a 2006 : http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/

Paginas/DetalhePerguntaRequerimento.aspx?ID=38344

Dados de 2007 a 2009 : enviados, a pedido, pela CML, vereação do Dr. Sá Fernandes, em 18 de Junho de 2010"

Fonte: campanhaesterilizacaoanimal.wordpress