quarta-feira, 1 de junho de 2011

Para quê uma Nova Lei de Protecção dos Animais?

Os casos de crueldade, negligência e abandono multiplicam-se a cada dia que passa. As autoridades “competentes” para agirem nesses casos, ou não sabem que são autoridades (não conhecem a legislação), ou então não se esforçam minimamente para fazê-la cumprir. Há ainda os casos em que mesmo querendo agir, esses agentes da autoridade não têm meios para fazê-lo;

     Os Centros de Recolha Oficial, vulgos canis municipais, são, regra geral, uma miséria. As condições em que os animais são mantidos são cruelmente vergonhosas, e também, regra geral, não é feito qualquer esforço para mudar o estado de coisas. Os funcionários municipais recrutados para trabalhar nos canis, geralmente não têm qualquer formação na área, e pior, vão fazer serviços para o canil como forma de “castigo”. Sim, vão gerir “resíduos sólidos urbanos”. As Câmaras Municipais promovem a crueldade, impedindo os cidadãos de alimentarem os animais famintos, pedindo-lhes, assim, que ignorem o que vêem. Promovem a falta de compaixão, e nada fazem para resolver realmente e de forma eficaz o problema dos animais errantes. É assim que, oficialmente, tratamos os animais que são responsabilidade do Estado;

     Os circos com animais continuam a instalar-se um pouco por todo o país, os médicos veterinários municipais continuam a ter medo dos circenses, e continuam, mesmo com nítidas ilegalidades no que diz respeito ao bem-estar dos animais, a contribuir para o licenciamento dos ditos. A última legislação, autoria do Governo, não está a ser minimamente cumprida, a situação é do conhecimento geral, mas as autoridades locais, regionais, e nacionais nada fazem. Como dizem as funcionárias da DGV (Direcção Geral de Veterinária, autoridade máxima nacional na área) “eles depois vêm para aqui reclamar e cheiram mal”;
   
   Os rodeios estão, a pouco e pouco, a instalar-se em Portugal, de certa forma manobra da indústria tauromáquica, e a DGV está, desde 2005, para emitir opinião perante um parecer que a ANIMAL lhe entregou a respeito dessa actividade, alegando que aguarda um parecer de um especialista brasileiro (…);

     Depois de, em 2008, a ANIMAL ter participado com a sua proposta para a alteração do Estatuto Jurídico dos animais no Código Civil num grupo de trabalho liderado por uma Direcção-Geral do Ministério da Justiça, e de essa proposta ter recebido boas críticas por parte desse organismo, hoje, em 2011, os animais continuam a ser tão considerados no Código Civil quanto o é uma cadeira;


Estes pontos poderiam continuar infinitamente, como todos sabemos. O símbolo máximo da forma como tratamos os animais em Portugal é a tauromaquia. O Campo Pequeno é um local de tortura, primitivismo e barbaridade localizado no coração da capital do país. Aquele local simboliza a forma como tratamos os animais em Portugal. Nem precisamos de ir mais longe, basta que observemos como se entretém o povo deste país. Como podemos esperar que se protejam os cães, os gatos, e todos os outros animais, se massacramos bois numa arena, cobramos bilhetes, emitimos o espectáculo nas televisões nacionais, e temos as celebridades, os fazedores de opinião, a regozijarem-se com ele?


Por todas estas razões e por tantas outras, é fundamental que nos indignemos, que ajamos, que saiamos para as ruas. O trabalho de mudança faz-se nos escritórios, sim, mas também se faz nas ruas.  Por favor considere juntar-se à ANIMAL no dia 25 de Junho, e vir dizer à Direcção-Geral de Veterinária que já chega. Já chega de serem permissivos com tudo o que de mal se passa com os animais deste país.


Acredita na importância de uma Nova Lei de Protecção dos Animais em Portugal? Então junte-se a esta campanha! Saiba como aqui:  http://www.animal.org.pt/animal_campanha17set.html "


Fonte: Associação Animal

domingo, 29 de maio de 2011

Poema 20

Posso escrever os versos mais tristes esta noite 
Escrever por exemplo: 
A noite está fria e tiritam, azuis, os astros à distância 
Gira o vento da noite pelo céu e canta 
Posso escrever os versos mais tristes esta noite 
Eu a quiz e por vezes ela também me quiz 
Em noites como esta, apertei-a em meus braços 


Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito 
Ela me quiz e as vezes eu também a queria 
Como não ter amado seus grandes olhos fixos ? 
Posso escrever os versos mais lindos esta noite 
Pensar que não a tenho 
Sentir que já a perdi 
Ouvir a noite imensa mais profunda sem ela 
E cai o verso na alma como orvalho no trigo 
Que importa se não pode o meu amor guardá-la ? 
A noite está estrelada e ela não está comigo 
Isso é tudo 
A distância alguém canta. A distância 
Minha alma se exaspera por havê-la perdido 
Para tê-la mais perto meu olhar a procura 
Meu coração procura-a, ela não está comigo 
A mesma noite faz brancas as mesmas árvores 
Já não somos os mesmos que antes havíamos sido 
Já não a quero, é certo 
Porém quanto a queria ! 
A minha voz no vento ia tocar-lhe o ouvido 
De outro. será de outro 
Como antes de meus beijos 
Sua voz, seu corpo claro, seus olhos infinitos 
Já não a quero, é certo, 
Porém talvez a queira 
Ah ! é tão curto o amor, tão demorado o olvido 
Porque em noites como esta 
Eu a apertei em meus braços, 
Minha alma se exaspera por havê-la perdido 
Mesmo que seja a última esta dor que me causa 
E estes versos os últimos que eu lhe tenha escrito. 


Pablo Neruda

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Gosto tanto, de...

 acordar aos Domingos, 
com o cheiro a torradas 
no ar, abrir as portadas 
e deixar a luz entrar, deixar que traga consigo a aragem quente da manhã. Ouvir o chilrear dos pássaros loucos de felicidade, acender velas que cheiram às flores que me deste.
Gosto da tranquilidade que o lilás e o azul me trazem, ainda que os olhe num dia menos claro. Gosto de olhar as flores violeta que nascem nas árvores, que me cumprimentam sempre que as olho. De sentir as beijocas dos meus cães, enquanto tento ainda levantar-me da cama... como é bom, o seu eterno carinho... De comer as torradas com compota de frutos silvestres, de fechar os olhos e sentir o vento, do cheirinho a eucalipto, de tomar o café ainda de camisolão na varanda, deixando-me extasiar pela paisagem que me envolve e pensar de todas as vezes; a vida é apenas isto...e como sabe tão bem, pensar que é apenas isto!...


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Acasos?...talvez não...



Cada pessoa que passa na nossa vida, passa sozinha, é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra! Cada pessoa que passa na nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.

Charlie Chaplin

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Precisa-se de matéria prima para construir um País.

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós.

Nós como povo. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.

Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.

Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte... Fico triste.

Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados! É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda... Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. 
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.

E você, o que pensa?.... MEDITE!

Eduardo Prado Coelho, in Público


domingo, 22 de maio de 2011

PORQUE NÃO?...


Tocam todas as flautas, harmoniosas melodias?
É o desespero apenas tema de livros de ficção?



São os sorrisos sempre, condição da natureza humana?
Sopra o vento boas marés?


São o preto e branco, cores da mesma bandeira?
São as rugas, traços sagrados?
São a justiça e igualdade, pérolas da humanidade?



Quero eu falar de tudo?
É a realidade, fruto da imaginação?


É o amor, uma eternidade?
É o passado, um só momento?
É uma lágrima, a verdade de uma intenção?
É a vida, uma obra prima?



É a lealdade, incondicional?
São as mudanças, simples de acontecer?

É a autenticidade, um sopro do coração?


São os aromas, fragrâncias da Lua?
É a dignidade, uma virtude dourada?
É a inocência, uma asa da sensibilidade?


São só tolos os poetas?
É a solidão lacónica?
É o céu o limite?


É a fé, uma presença?
Somos, enfim, quando caímos, protegidos pela felicidade?...



Partido pelos Animais e pela Natureza, concorre às legislativas 2011...

Por estas e tantas outras razões, o meu apoio, tal como o do Miguel Real, vai também para o PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza, porque acredito que é possível sonhar e eu, tal como Álvaro de Campos;..."tenho em mim todos os sonhos do mundo."...


"O escritor e ensaísta Miguel Real manifestou o seu apoio ao Partido pelos Animais e pela Natureza e enviou-nos o texto que abaixo partilhamos.

"Considero o Partido pelos Animais e pela Natureza a primeira expressão verdadeira de um novo tipo de intervenção cívica e ética em Portugal que prima por uma relação autêntica com todos os seres vivos. Estou convicto que o exemplo do PAN frutificará com abundantes resultados na consciência moral e política dos portugueses do futuro, conduzindo à formação de uma nova mentalidade, radicalmente diferente das anteriores, promovendo um Portugal mais harmónico e mais solidário.


Tenho seguido o longo trabalho de Paulo Borges como pensador e, na linha dos grandes vultos da cultura portuguesa passada, considero-o anunciador de um mundo futuro éticamente mais saudável, mais humano e mais justo, desbloqueador dos imensos nós que têm amarado Portugal a um destino nefasto.

O meu voto no PAN é um voto no Futuro!" "

Fonte : PAN

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Está na hora de ir para a rua!...

"Tomar as ruas - lembrar que o Povo é soberano 

-Em solidariedade e comunhão com a ocupação popular dos espaços públicos em Espanha, acamparemos a partir das 20:00 de Sexta-Feira, dia 20 de Maio, nas praças de Portugal - pelo fim desta falsa "democracia", pelo poder popular. Sem bandeiras nem fronteiras, reivindicamos o mundo para tod@s - porque o mundo é NOSSO!

-Não apelamos neste momento à abstenção nem a nenhum sentido de voto, apelamos a que tod@s juntos protestemos contra os actuais sistemas políticos e económico-financeiros geradores de miséria e desigualdade, por uma sociedade mais livre, justa e solidária. E que possamos reflectir e discutir sobre como construir uma verdadeira Democracia (leia-se poder popular). Fora das estruturas partidárias e das centrais sindicais - em primeira pessoa, sem mediações nem representantes.

http://www.facebook.com/pages/Portuguese-Revolution/201017953273879

http://www.facebook.com/event.php?eid=215259321832340

http://www.facebook.com/event.php?eid=150424415025671

LISBOA: Rossio

PORTO: Batalha

COIMBRA: Praça 8 de Maio 

FARO: Jardim Manuel Bivar (Na Marina)

Marquem/Ocupem e divulguem mais locais!"

Fonte: "Revolução Portuguesa"



"ATTENTION: All you rule-breakers, you misfits and troublemakers - all you free spirits and pioneers - all you visionaries and non-conformists ...

Everything that the establishment has told you is wrong with you - is actually what's right with you.

You see things others don’t. You are hardwired to change the world.
your mind is irrepressible - and this threatens authority. 
You were born to be a revolutionary"

 

domingo, 15 de maio de 2011

Eu não procuro nada em ti

Eu não procuro nada em ti,
nem a mim próprio, é algo em ti
que procura algo em ti
no labirinto dos meus pensamentos.


Eu estou entre ti e ti,
a minha vida, os meus sentidos
(principalmente os meus sentidos)
toldam de sombras o teu rosto.

O meu rosto não reflecte a tua imagem,
o meu silêncio não te deixa falar,
o meu corpo não deixa que se juntem
as partes dispersas de ti em mim.


Eu sou talvez
aquele que procuras,
e as minhas dúvidas a tua voz
chamando do fundo do meu coração.


Manuel António Pina
[Prémio Camões 2011]

movies and words...


Man in photo: She is in love. 
Nino Quincampoix: I don't even know her! 
Man in photo: Oh, you know her. 
Nino Quincampoix: Since when? 
Man in photo: Since always. 
Man in photo: In your dreams. 


sábado, 14 de maio de 2011

Quando o teu olhar, me sorri...

Queria tanto dizer-te: que o teu olhar tem essa luz intensa que brilha e ilumina o mundo em que vivo... recolho-me na sua ternura e sinto como é doce o colo que me aconchega; como gosto de sentir em mim o teu olhar, a forma como me abraça...e tanto que ele me diz; quando os meus olhos encontram os teus, esses, os teus, fazem com que me prenda a ti e num jeito envergonhado, perco-me na infinitude do teu olhar... só a ele permito que a minha alma alcance e descodifique, mostrando e deixando a nu todos os meus mistérios, que sabes terem sido alguns... porque é essa a minha forma de ser que tu, tão bem identificas... Engraçado, como tão facilmente me consegues ler... que tão belo sorriso tem o teu olhar...



"Animais de 'Água para Elefantes' mal tratados "



"Espancados e submetidos a choques eléctricos"

"Os animais do novo filme ‘Água para Elefantes’, que fala sobre os maus tratos cometidos contra os animais de um circo, terão sofrido abusos por parte dos seus treinadores, antes da realização do mesmo."

Fonte e desenvolvimento aqui - CM

Irónico no mínimo, pelo que eu irei, com toda a certeza boicotar este filme...



quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ternuras...

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...




Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo, 
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão Ferreira, Infinito Pessoal



domingo, 8 de maio de 2011

As máscaras que usamos...

Friends can help each other. A true friend  is someone who lets you have total freedom to be yourself - and especially to feel.Or not feel.
Whatever you happen to be feeling at the moment is fine with them. That's what real love amounts to letting a person be what he really is...
Most people love you for who you pretend to be...


To keep their love you keep pretending-performing.
You get to love your pretense...it's true.
We're locked in an image an act - and the sad thing is: people get so used to their image - they grow  attached to their masks. They love their chains.
They forget all about who they really are.


And if you try to remind them.
They hate you for it - they feel like you're trying to steal their most preccious possession...
Be Free!


Jim Morrison

sábado, 7 de maio de 2011

O Meu Olhar

O meu olhar é nítido como um girassol.
     Tenho o costume de andar pelas estradas
     Olhando para a direita e para a esquerda,
     E de, vez em quando olhando para trás...
     E o que vejo a cada momento
     É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
     E eu sei dar por isso muito bem...
     Sei ter o pasmo essencial
     Que tem uma criança se, ao nascer,
     
     Reparasse que nascera deveras...
     Sinto-me nascido a cada momento
     Para a eterna novidade do Mundo...
     Creio no mundo como num malmequer,
     Porque o vejo.  Mas não penso nele
     Porque pensar é não compreender ...

     O Mundo não se fez para pensarmos nele
     (Pensar é estar doente dos olhos)                  
     Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

     Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
     Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
     Mas porque a amo, e amo-a por isso,
     Porque quem ama nunca sabe o que ama
     Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
     Amar é a eterna inocência,
     E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro

Espero sempre por ti...



Espero sempre por ti
o dia inteiro,
Quando na praia sobe, 
de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.

Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 5 de maio de 2011

"Diálogo interno"


- Fartei-me.
- De?
- Do que era.
- Temes a exaustão do que serás?
- Nunca.
- Porquê?
- Quando traço mal o meu trilho, deturpo o seu rumo.
- Então que fazes?
- Recolho-me. Afasto-me. Volto às bases.
- E…?
- Usando um renovado mapa mental, recomeço a jornada.
- Demasiado ermo…
- Podes contar contigo próprio sempre, essa é a norma. Se recorreres à excepção, conta um pouco com os outros.
- Aprecio esses a quem chamas “outros”.
- Por vezes o piso é falso. Nunca sabes quanto tempo perduram, nem porque permanecem.
- Intimidas-me… 
- Podes colorir a tua vida, mas se lhe juntas muitas cores… tens uma vida em branco… O prisma ensina-nos isso…
- É mau?
- É um risco.
- Devo evitá-lo?
- Deves absorvê-lo.
- Porque não posso ter todas as cores?
- É fundamental muita sapiência para na homogeneidade do policromático distinguir a heterogeneidade do monocromático. Recorda sempre isto.
- Que ganho com isso?
- Sê feliz por saber que não perdes nada.
- Quero arriscar!
- Faça-se!
- Não me vais impedir?
- Não… só mais uma coisa…
- Devo apontar?
- Sim, com o teu melhor traço mnésico. Serás bestial ou besta, e nesses ensejos em que das apoteóticas recepções cessas a auferir as cirúrgicas pedradas… voltas à base. Repensas, e renasces. És o arquitecto, engenheiro e empreiteiro de ti mesmo.
- Quem és?
- Fénix.
- És um mito! Não existes!
- E tu existes?

Por Benedita

Coisas diferentes...

Uma coisa é o amor, outra é a relação. Não sei se, quando duas pessoas estão na cama, não estarão, de facto, quatro: as duas que estão mais as duas que um e outro imaginam.

António Lobo Antunes, Diário de Notícias (2004)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Republicar, porque, hoje é dia de...

Acreditar que amanhã 
será melhor


De música suave
De acordar com o cheiro de torradas pela manhã
Ver o mar
Dia de flores e rebolar na relva com os meus amores


Dia de doces aromas
De fechar os olhos e ouvir o suave balançar das folhas das árvores ao sabor da brisa de Inverno.
Dia de "Blue Valentine"
Dia de filosofar
De chocolate quente
De acariciar a lua com o olhar
De arriscar
De amar
De colo
De um bom "Pinot Noir"
Beijos e abraços
Morrer de saudade
Estrelas cadentes
De ir...


De te desejar
Lavar a alma
Fotografar a preto e branco
De saber que tu sabes
Querer
Ver o mundo acontecer
Sentir descalça a areia molhada
Dizer tudo o que sinto


De serão à lareira
"Praga"
Quebrar a rotina
De sonhar acordada
Palavras vazias
De novos encontros
Sussurros
Dia de "Strawberry Fields Forever"
Saltar de pára-quedas
De não me levar a sério


Dia de tudo... dia de nada...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Deixei-te o sorriso em casa...

...É estranho como as pessoas tendem a desiludir...como são falíveis.
Apesar de ter esta consciência, de que o ser humano é muito imperfeito, e por norma estar de pé atrás quando conheço alguém (desconfio sempre muito, antes de confiar...)...a verdade é que lá no fundo, guardo sempre a esperança de que desta vez é que é...vou ser surpreendida, pela positiva e posso mesmo acreditar. Esta pessoa vai ser diferente, vai ser especial...É só uma questão de tempo...para que essa coisa inerente ao ser humano, se faça sentir, e inevitavelmente a desilusão surge; pesa, atropela e leva tudo à frente como se de um comboio se tratasse...Estranha característica esta, a do ser humano...
Mas no entanto, deixo sempre um sorriso em casa, reservado para mais uma possibilidade de fé...


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Imagino...

O que seria, viver num outro país; com outras pessoas, numa outra casa, com outro jardim, outras flores, diferentes amores, outros amigos, outros sonhos e realizações... Outras razões, outras dores na alma, com paz de espírito, sem ânsias, diferentes medos, correndo outros riscos, experimentando outros sabores, debaixo de um diferente céu, outros aromas, diferentes sorrisos e paixões... Leituras que me levassem por outros caminhos e aventuras... Diferentes heróis, outras películas de vidas desconhecidas, outras observações, outras sensações, diferentes pensamentos e divagações, desfrutar de outras poesias escritas por distintos autores,  outras bandas sonoras... Experimentando outras saudades de outras ausências que arrastam outros sentimentos, que carregam diferentes carinhos, outras ilusões, diferentes expectativas e emoções, noutras escolhas, em distintas esperanças...rumo a novas fantasias...
Imagino como seria ter uma outra vida, condicionada por diferentes decisões e opções, encerradas num mesmo eu...que não seria concerteza, este eu, que conheço...

"Sometimes I Wonder"...

terça-feira, 26 de abril de 2011

Lost in Translation...

Sempre que vou a um sítio contra a minha vontade,arrependo-me. Normalmente quando digo a primeira vez: "Não quero!" , é porque não quero mesmo.
Festas ruidosas, as pessoas querem falar comigo e nem sempre me apetece. Porque é que hei-de ir? As conversas trocam-se, uma pessoa ao fundo da sala suga-me a alma com o olhar enquanto mais duas me enchem de futilidades. O tamanho do sapato, o preço da renda, a comida do cão, o batom vermelho que sujou a camisa da H&M,o trânsito na A3, a nova relação da vizinha divorciada e a má ou boa vida sexual. A certa altura, acho que já não oiço ninguém. A minha cabeça abana automaticamente dizendo que sim e o meu braço repousa no balcão segurando num cigarro. A minha boca prefere fuma-lo do que motivar mais conversas dessas.
Os tipos do costume elogiam, querem uma queca, querem uma relação,sei lá.Aposto mais na primeira.
Sabem que nunca acontece nada,mas insistem em pendurar-se ao meu lado com aquele cheiro intenso a perfume,conversa que não me convencia nem que eu estivesse a 7 metros abaixo da terra a suplicar por oxigénio.
Digo que vou à casa de banho sem ter sequer vontade de urinar. Pouso o copo quase só com gelo em cima do lavatório, abro a mala e retoco a maquilhagem sem saber bem para quê. Para estar bonita? Para agradar alguém? Para ocupar mais uns minutos sem as aturar? Porque sim? Lavo as mãos e volto a sair.
Todos dançam à minha volta com uma necessidade extrema de serem visto,elogiados.
Amanhã todos vão ter fotografias no facebook e vão dizer exageradamente que foi a melhor noite das suas vidas,que são tão felizes, que tudo é perfeito e estão cheios de amigos.
Fico contente quando mesmo no meio da futilidade encontro um amigo e me diz: “Di,há tanto tempo!Está tudo bem contigo?” respondo sempre que sim. Tudo óptimo.A minha vida tem pouco interesse,pelo menos eu quero que tenha na vida dos outros. Dou-lhe dois beijos e talvez um abraço,sorrio e continuo a minha vida.Entretanto mais alguém me reconhece e vem falar comigo,paga um copo,faz perguntas,o normal.Pedem-me favores, número de telefone, perguntam-me se tenho um cigarro,se quero ir a tal lado a seguir,entre Smiths e Joy Division, entre cerveja e um sorriso.
Mais umas horas passam, o meu corpo permanece iluminado pelas cores das luzes que se destacam no meio da escuridão daquele bar. Todos usam óculos em massa pretos,todas querem camisas de ganga e leggins floridos, saltos altos, batons vermelhos e unhas coloridas,azul,verde,rosa,tons pastel,lenços tigrados e todas querem ser diferentes usando coisas iguais.Não é estranho fazermos isto?
Bem,de qualquer forma penso para mim o quanto é triste alguém ter de se anular para pertencer a alguma coisa nesta bagunça a que chamam de mundo. Eu também gosto de óculos em massa pretos,também uso raybans e essas tretas. A questão é que eu não preciso de me justificar permanentemente, nem explicar todos os dias o que sou.Eu sou e ponto.Acabou a conversa.Sei lá se sou interessante assim,se calhar ninguém me acha piada nenhuma,se calhar destaco-me,se calhar não,mas não consigo anular o que sou.
Não quero sair, prefiro ficar a ouvir jazz e a comer brownies. (...)


Por "Di", mas podia ser meu...

Soneto de Devoção

Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.



(Vinícius de Morais)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Liberdade...

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


Fernando Pessoa


sábado, 23 de abril de 2011

Pensava às vezes...

Ele parou a meu lado, cabisbaixo. Parecia mais pequeno ainda. A barba tinha tons azulados na cara dele:
– Pois é… Nisso é que está o mal. Todos vão vivendo, sem se darem conta de nada, sem verem a miséria que há. E, mesmo que não houvesse miséria, serem verem a exploração do homem pelo homem, em que vivem e de que vivem.
Levantou a cabeça para mim, e havia nos seus olhos um tom líquido que me perturbou:
– Tu já pensaste como vivem aqueles pescadores? E a gente do campo? E os operários? Tu já pensaste?
Pensara às vezes.
Jorge de Sena, Sinais de Fogo

quinta-feira, 21 de abril de 2011

"Ultimamente só me saem coisas destas que nem (me) entendo"

Para quê ficar se te vais embora? Porque é que me pedes para não ir quando sabes que também já não estou aqui há muito? Demasiado talvez. Como é que me tentas encontrar se nem eu própria sei onde estou? Sempre fomos assim. Sempre achámos perfeitos os defeitos um do outro. Sempre nos encontrámos nos desencontros do mundo, como se o destino nos empurrasse em direcções opostas. E somos felizes assim. Descobri que eras tu quando comecei a passar mais tempo em ti que em mim. E sou feliz em ti. Não me entendo. Nem tu a mim. Gosto de ti por isso.


Por June

terça-feira, 19 de abril de 2011

Relatividades...

Lembrar-me que inevitavelmente terei que morrer é a mais importante ferramenta que eu alguma vez encontrei para me ajudar a fazer as grandes escolhas na vida. Porque praticamente tudo - todas as nossas expectativas externas, todo o nosso orgulho, todo o nosso medo do embaraço ou fracasso - todas estas coisas simplesmente caem em face da morte, deixando apenas aquilo que é realmente importante. Lembrares-te que mais cedo ou mais tarde vais morrer é a melhor forma que eu conheço de evitar a armadilha de que temos alguma coisa a perder. Nós já estamos nus. Não existe nenhuma razão para não seguirmos o nosso coração.

Steve Jobs

domingo, 17 de abril de 2011

Apenas isto...

É só isto que tenho dentro de mim.
Não sei se quero que o tempo passe rápido ou se pare algures num dia destes.
Só sei que, até lá, parte de mim nem respira... espera, anseia, suspira... questiona a razão de ser das coisas, se existe... um significado, pouco importa...
Alturas há, em mim, em que se pensa no prazer de pensar e outras em que se teima em seguir os desígnios do coração e vivo, no momento, intensamente o momento, agarro-o, não deixo que se perca e suma...

Sinto algures tudo e nada, perco-me na confusão das ideias e procuro novos caminhos, sem medo do que é novo e da mudança. Arrisco, enfim...

Entrego-me aos sentimentos e às emoções, por inteiro, de outra forma não sei ser... Busco nas palavras o aconchego à alma, para que não sinta o pesar da saudade, das pessoas e do tempo.

Existe em mim um espírito livre e solitário, que persiste e resiste... não verga, é essência do que sou, residente da minha autenticidade... E na efemeridade da minha realidade, sei que posso sempre recomeçar.

...É isto que trago dentro de mim, num bocadinho de mim...



sexta-feira, 15 de abril de 2011

Música.

Um amigo dizia-me ontem que não percebe como é que "há pessoas que dizem que não ligam à música". Eu também não. Para mim, música é essencial. E nada substitui aquele prazer de ouvir uma música que nos toca as entranhas, a descoberta de uma música que ainda não conhecíamos e que, ao ouvir pela primeira vez percebemos logo que veio para ficar.
Ou ouvir pela 1762349ª vez aquela música que sempre foi "nossa" e bate sempre da mesma forma, mexendo com os nossos sentidos, a nossa cabeça, a vida que somos durante o tempo em que cantamos aquilo, em feliz desafinar.
Para mim é como respirar. Música é essencial. Todos os dias.

Por Pedro Ribeiro

Para mim, é exactamente a mesma coisa...preciso de música para respirar...


quarta-feira, 13 de abril de 2011

(...) Segundo Nietzsche a vida é um eterno retorno, porque precisamos, temos a obrigação de errar e voltar a errar quantas vezes for necessário desde que não cometamos o primário erro humano de levarmos uma vida dentro de um ciclo de mesmices. Esta teoria de Nietzsche nos convence, em suma, a levarmos uma vida de liberdade, uma vida que valha a pena ser vivida.(...)

(…) Esses sonhos eram belos. Esse é um aspecto que escapou a Freud na sua teoria dos sonhos. O sonho não é apenas uma comunicação, é também uma actividade estética, um jogo da imaginação, e esse jogo tem em si mesmo um valor. O sonho é a prova de que imaginar, sonhar com aquilo que não aconteceu, é uma das mais profundas necessidades do homem. Eis aí a razão do perigo pérfido que se esconde no sonho. Se o sonho não fosse belo, poderia ser rapidamente esquecido.(...)

(…) Olhava para ele com amor, mas temia a noite que ia chegar, tinha medo de seus sonhos. Sua vida se partira em duas. A noite e o dia disputavam o poder sobre ela.(...)

(...) Eu poderia dizer que a vertigem é a embriaguez causada pela própria fraqueza. Temos consciência da nossa própria fraqueza e não queremos resistir à ela, mas nos abandonar à ela. Embriagamo-nos com nossa própria fraqueza, queremos ser mais fracos ainda, queremos desabar em plena rua à vista de todos, queremos estar no chão, ainda mais abaixo do chão. (...)


Milan Kunder, "Insustentável Leveza do Ser".


terça-feira, 12 de abril de 2011

Morte lenta.

Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos,
quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente
quem faz da televisão o seu ídolo.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no branco
e os pingos sobre os "is"
em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite, pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente
quem passa os dias a queixar-se
da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente
quem abandona um projecto antes de o iniciar,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando o indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo
exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.

Pablo Neruda