segunda-feira, 27 de junho de 2011

O que não se promove nos postais turísticos...




‎...Antes de viajarem para um qualquer país, ao informarem-se sobre os monumentos e outros locais de interesse a visitar, procurem também todo o tipo de  informação disponível sobre a forma como os animais são por lá tratados. Depois, em consciência, decidam se devem ou não apoiar, com o vosso dinheiro e visita, estas deploráveis realidades!... Quanto menos não seja, caros amigos dos animais (os que se dizem seus amantes e protectores, activistas e afins...) , façam-no por uma questão de coerência e sensibilidade...

Muitos são os que se dedicam à "causa" nos seus países de origem e que depois, quando decidem ir passear para um destino estrangeiro, estão-se a "borrifar" para estas questões, o que é, a meu ver, uma hipocrisia... E não me venham com o argumento de que "a ser assim, não se viaja para lado algum"; não passam de desculpas, falsos argumentos...

Claro que existem animais mal tratados e negligenciados em qualquer parte do mundo, pois gente de mau carácter, mal formada e pobre de espírito habita pelo planeta fora, mas também é verdade que felizmente e, por exemplo, na Europa existem alguns países onde as leis de protecção animal (que são efectivamente cumpridas/punitivas), de defesa dos seus direitos e dignidades são uma realidade, bem como governos e autoridades sensíveis à problemática dos maus tratos a animais... São países que considero de primeiro mundo, onde a maioria das mentalidades é evoluída e não têm como prática recorrente deitar fora um animal quando já não "presta", onde o abandono, negligência e maus tratos são recriminados e seriamente punidos ...

Considerem como critério de escolha para o vosso destino de viagem, por exemplo, o facto de um determinado país tratar de igual ou pior modo os seus animais que em Portugal... Averiguem se também lá serão ou não considerados lixo descartável, envenenados, enforcados, escorraçados e depois tomem a vossa decisão em consciência. E informem-se, pois a ignorância dá jeito, mas não serve de desculpa!...


Países situados na Europa onde os animais são tratados como lixo ou pior... - A saber: Espanha, Itália, Grécia, Chipre, Roménia, Bulgária, Croácia, Sérvia, Albânia  Turquia... 
Mais informações, testemunhos, fotos e factos aquiEsdaw - European Society of Dog and Animal Welfare. e Holiday in Greece: A Warning to Animal Lovers e A flair country with a black soul

domingo, 26 de junho de 2011

"Ainda o Sem Abrigo"



Já vos falei dele, sim aqui . Dois anos passados, continua sem se adaptar. Já não anda tão limpo e, a pessoa que o acolheu está quase tão louca como ele. A responsabilidade é grande. Esquece os medicamentos, bebe muito e vagueia sabe-se lá por onde. Depois de regresso, volta sujo, faz zaragatas durante a noite. Numa sociedade estruturada e cautelosa desconfia-se e temem-se os marginais, os aparentemente loucos e os verdadeiros loucos. Queremos segurança e uma cidadania responsável. Questiona-se o que se paga para usufruir de um espaço com certezas de alguma segurança. Sem piedade, também acusei, e não gostei que um louco meio andrajoso se misturasse com as crianças no jardim. Depois, habituei-me a ele. Tolerei e condenei-me também. E agora que está ainda mais degradado, finalmente falei com ele.

Apanhada desprevenida, hesitei, mas... Raios, é apenas uma pessoa  problemática e doente! Subserviente e cheio de tiques, prontificou-se a carregar o meu saco de garrafas vazias até ao ecoponto. Confiei e cedi. Apagou o cigarro que estava a meio e guardou-o na beira do muro para mais tarde o terminar até ao fim. Enquanto se estilhaçavam todas as garrafas em pedaços de vidro, trocámos algumas palavras. O essencial para me aperceber da esperteza da sobrevivência. Na sua aparente loucura, rápido na comunicação, rápido na tarefa, falou-me atabalhoadamente de contratos de trabalho, da remuneração à hora e, à sua maneira fez-se à moedinha.  

 By Mz

S. João




Tenho pena de não ter comigo o belo texto que François Mitterrand dedicou ao S. João do Porto, creio (não tenho a certeza) no "La paille et le grain"*. O antigo presidente francês, que visitava Portugal a convite de Mário Soares, terá percebido, nesse mergulho na noturna multidão tripeira, muito do nosso caráter como povo.

Há anos que não vinha a um S. João. E não me arrependi de ter voltado a experimentar esta noite, que é única no mundo. 

Conheço portugueses que vivem obcecados em fazer visitas turísticas a longínquos destinos da moda, como se disso dependesse o seu currículo cosmopolita, e que confessam nunca ter estado num S. João no Porto. Coitados... 

* Afinal, estava errado: como um atento leitor notou, era no "L'abeille et l'architecte"


Por: Francisco Seixas da Costa



terça-feira, 21 de junho de 2011

"Tudo me interessa e nada me prende."

Tudo me interessa e nada me prende.
Atendo a tudo sonhando sempre; fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo, recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos;

mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte de com quem falei.
Assim, muitas vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com que ele disse o que me não lembra, ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu a narrativa que me não recordava ter-lhe feito.
Sou dois, e ambos têm a distância - irmãos siameses que não estão pegados.

O Livro do Desassossego - Fernando Pessoa


domingo, 19 de junho de 2011

Apenas isto...

Ventana sobre el miedo


El hombre desayuna miedo.
El miedo al silencio aturde las calles.
El miedo amenaza.
Si usted ama, tendrá sida.
Si fuma, tendrá cancer.
Si respira, tendrá contaminación.
Si bebe, tendrá accidentes.
Si come, tendrá colesterol.
Si habla, tendrá desempleo.
Si camina, tendrá violencia.
Si piensa, tendrá angustia.
Si duda, tendrá locura.
Si siente, tendrá soledad.


Eduardo Galeano



"Lisboa , Providência cautelar – Divulgada a sentença" sobre o canil municipal de Lisboa...

"Junho 16, 2011 por campanhaesterilizacaoanimais

O Grupo de Lisboa tomou hoje conhecimento da sentença proferida no âmbito da providência cautelar que foi favorável aos animais, como podem ler aqui. A sentença ainda não transitou em julgado.

O Grupo de Lisboa vai agora reunir para analisar a sentença e preparar o seguimento da acção. A todos(as) que apoiaram e incentivaram esta luta colectiva um abraço de alegria e de agradecimento

O relato das audiências de 2 e 11 de Maio, em que foram ouvidas as testemunhas do canil, está agora, como prometido, disponível no post de 12 de Maio."


sábado, 18 de junho de 2011

palavras de Saramago...

Ora, a solidão, ainda vai ter de aprender muito para saber o que isso é,
Sempre vivi só,
Também eu, mas a solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós.









José Saramago 
O Ano da Morte de Ricardo Reis

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Os "eus" que espelhamos...

Esses eus de que somos feitos, sobrepostos como pratos empilhados nas mãos de um empregado de mesa, têm outros vínculos, outras simpatias, pequenas constituições e direitos próprios - chamem-lhes o que quiserem (e muitas destas coisas nem sequer têm nome) - de modo que um deles só comparece se chover, outro só numa sala de cortinados verdes, outro se Mrs. Jones não estiver presente, outro ainda se se lhe prometer um copo de vinho - e assim por diante; pois cada indivíduo poderá multiplicar, a partir da sua experiência pessoal, os diversos compromissos que os seus diversos eus estabelecerem consigo - e alguns são demasiado absurdos e ridículos para figurarem numa obra impressa.

Virginia Woolf, Orlando


terça-feira, 14 de junho de 2011

...À espera!

Vivemos inquietos, na ânsia de algo, esperamos sempre por qualquer coisa:
Esperamos a entrada para a escola , esperamos os 18 anos de idade, esperamos um emprego que faça de nós “alguém”, esperamos um Amor eterno.




Esperamos um filho, esperamos a viagem que experimentamos em sonhos, esperamos matar saudades de alguém, esperamos que se lembrem de nós, esperamos o reconhecimento dos outros, esperamos ler o livro da nossa vida, esperamos ver o filme que mude o nosso trajecto.


Esperamos que o governo mude, que a pobreza no mundo seja uma miragem, esperamos ter esperança no futuro, esperamos pela tolerância dos homens, esperamos que o planeta não se canse de tanta agressão e cometa o suicídio, esperamos que as consciências despertem, esperamos alcançar paz de espírito.

Foto:(c) Miguel Rita



Esperamos não nos arrepender de tudo aquilo que não fizemos, esperamos saltar de pára-quedas em direcção à liberdade, esperamos que os amigos não partam e que os nossos pais vivam toda a nossa duração, esperamos ter força para ultrapassar os obstáculos, esperamos que as virtudes dos nossos heróis se tornem reais, esperamos não ceder às angústias, esperamos não magoar, esperamos que as folhas caiam a cada Outono, esperamos fazer sentido, esperamos não desperdiçar tempo, esperamos ser maiores para a humanidade.


Esperamos pela idade de ser avós e olhar para trás com a certeza de uma preenchida história de vida...


...Contudo apenas existimos, não vivemos de verdade, porque apenas esperamos...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935)

Porque és maior que o tempo, que o espaço, porque eras do tamanho daquilo que vias e não do tamanho da tua altura...


Quando vier a Primavera, (7-11-1915)


Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.


Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.


Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.


Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.


Alberto Caeiro

terça-feira, 7 de junho de 2011

Porque amor é amor a nada ...

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou de mais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


Carlos Drummond de Andrade


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Que o tempo volte para trás...

"Do melhor que me lembro da minha infância, foi de nunca ouvir nem sentir a(s) palavra(a) pressa, stress, limite, atraso, urgência, objectivos, bulling, pedófilia, rapto, hiperactividade, obesidade, diabetes, percentil, trauma, bronquiolites, AVC, FMI...

Eu só me lembro que havia tempo para tudo, o mundo podia acabar no ano 2000, toda a gente queria saber o terceiro segredo de Fátima e provavelmente com sorte no Verão íamos para o Algarve..." ...


Que o tempo volte para trás...

As explicações que não são reveladas...

Segundo informação avançada pela jornalista Clara de Sousa, na sua página do facebook: as "Autoridades regionais alemãs revelam que os primeiros testes conduzidos a rebentos vegetais (rebentos de soja e outros) de uma quinta orgânica no Norte da Alemanha, que se suspeitava estarem na origem de um surto da bactéria E.Coli, tiveram resultados negativos."...
Para quem tiver paciência e curiosidade, pode encontrar nestes artigos explicações interessantes e plausíveis ao aparecimento súbito desta bactéria que, a meu ver, são bastante elucidativos e só não vê quem não quer ver...


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Lembro-me agora

Lembro-me agora que tenho de marcar um
encontro contigo, num sítio em que ambos
nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma
das ocorrências da vida venha
interferir no que temos para nos dizer. Muitas
vezes me lembrei que esse sítio podia
ser, até, um lugar sem nada de especial,


como um canto de café, em frente de um espelho
que poderia servir até de pretexto
para reflectir a alma, a impressão da tarde,
o último estertor do dia antes de nos despedirmos,
quando é preciso encontrar uma fórmula que
disfarce o que, afinal, não conseguimos dizer. É
que o amor nem sempre é uma palavra de uso,
aquela que permite a passagem à comunicação
mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale,
de súbito, o sentido da despedida, e cada um de nós
leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o próprio
ser, como se uma troca de almas fosse possível
neste mundo. Então, é natural que voltes atrás e
me peças: «Vem comigo!», e devo dizer-te que muitas
vezes pensei em fazer isso mesmo, mas era tarde,
isto é, a porta tinha-se fechado até outro
dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então
as palavras caem no vazio, como se nunca tivessem
sido pensadas. No entanto, ao escrever-te para marcar
um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos
para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que
é também a mais absurda, de um sentimento; e, por
trás disso, a certeza de que o mundo há-de ser outro no dia
seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores
do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos
encontrar; que há-de ser um dia azul, de verão, em que
o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí
que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas,
que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo
das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros. 


Nuno Júdice

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Para quê uma Nova Lei de Protecção dos Animais?

Os casos de crueldade, negligência e abandono multiplicam-se a cada dia que passa. As autoridades “competentes” para agirem nesses casos, ou não sabem que são autoridades (não conhecem a legislação), ou então não se esforçam minimamente para fazê-la cumprir. Há ainda os casos em que mesmo querendo agir, esses agentes da autoridade não têm meios para fazê-lo;

     Os Centros de Recolha Oficial, vulgos canis municipais, são, regra geral, uma miséria. As condições em que os animais são mantidos são cruelmente vergonhosas, e também, regra geral, não é feito qualquer esforço para mudar o estado de coisas. Os funcionários municipais recrutados para trabalhar nos canis, geralmente não têm qualquer formação na área, e pior, vão fazer serviços para o canil como forma de “castigo”. Sim, vão gerir “resíduos sólidos urbanos”. As Câmaras Municipais promovem a crueldade, impedindo os cidadãos de alimentarem os animais famintos, pedindo-lhes, assim, que ignorem o que vêem. Promovem a falta de compaixão, e nada fazem para resolver realmente e de forma eficaz o problema dos animais errantes. É assim que, oficialmente, tratamos os animais que são responsabilidade do Estado;

     Os circos com animais continuam a instalar-se um pouco por todo o país, os médicos veterinários municipais continuam a ter medo dos circenses, e continuam, mesmo com nítidas ilegalidades no que diz respeito ao bem-estar dos animais, a contribuir para o licenciamento dos ditos. A última legislação, autoria do Governo, não está a ser minimamente cumprida, a situação é do conhecimento geral, mas as autoridades locais, regionais, e nacionais nada fazem. Como dizem as funcionárias da DGV (Direcção Geral de Veterinária, autoridade máxima nacional na área) “eles depois vêm para aqui reclamar e cheiram mal”;
   
   Os rodeios estão, a pouco e pouco, a instalar-se em Portugal, de certa forma manobra da indústria tauromáquica, e a DGV está, desde 2005, para emitir opinião perante um parecer que a ANIMAL lhe entregou a respeito dessa actividade, alegando que aguarda um parecer de um especialista brasileiro (…);

     Depois de, em 2008, a ANIMAL ter participado com a sua proposta para a alteração do Estatuto Jurídico dos animais no Código Civil num grupo de trabalho liderado por uma Direcção-Geral do Ministério da Justiça, e de essa proposta ter recebido boas críticas por parte desse organismo, hoje, em 2011, os animais continuam a ser tão considerados no Código Civil quanto o é uma cadeira;


Estes pontos poderiam continuar infinitamente, como todos sabemos. O símbolo máximo da forma como tratamos os animais em Portugal é a tauromaquia. O Campo Pequeno é um local de tortura, primitivismo e barbaridade localizado no coração da capital do país. Aquele local simboliza a forma como tratamos os animais em Portugal. Nem precisamos de ir mais longe, basta que observemos como se entretém o povo deste país. Como podemos esperar que se protejam os cães, os gatos, e todos os outros animais, se massacramos bois numa arena, cobramos bilhetes, emitimos o espectáculo nas televisões nacionais, e temos as celebridades, os fazedores de opinião, a regozijarem-se com ele?


Por todas estas razões e por tantas outras, é fundamental que nos indignemos, que ajamos, que saiamos para as ruas. O trabalho de mudança faz-se nos escritórios, sim, mas também se faz nas ruas.  Por favor considere juntar-se à ANIMAL no dia 25 de Junho, e vir dizer à Direcção-Geral de Veterinária que já chega. Já chega de serem permissivos com tudo o que de mal se passa com os animais deste país.


Acredita na importância de uma Nova Lei de Protecção dos Animais em Portugal? Então junte-se a esta campanha! Saiba como aqui:  http://www.animal.org.pt/animal_campanha17set.html "


Fonte: Associação Animal

domingo, 29 de maio de 2011

Poema 20

Posso escrever os versos mais tristes esta noite 
Escrever por exemplo: 
A noite está fria e tiritam, azuis, os astros à distância 
Gira o vento da noite pelo céu e canta 
Posso escrever os versos mais tristes esta noite 
Eu a quiz e por vezes ela também me quiz 
Em noites como esta, apertei-a em meus braços 


Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito 
Ela me quiz e as vezes eu também a queria 
Como não ter amado seus grandes olhos fixos ? 
Posso escrever os versos mais lindos esta noite 
Pensar que não a tenho 
Sentir que já a perdi 
Ouvir a noite imensa mais profunda sem ela 
E cai o verso na alma como orvalho no trigo 
Que importa se não pode o meu amor guardá-la ? 
A noite está estrelada e ela não está comigo 
Isso é tudo 
A distância alguém canta. A distância 
Minha alma se exaspera por havê-la perdido 
Para tê-la mais perto meu olhar a procura 
Meu coração procura-a, ela não está comigo 
A mesma noite faz brancas as mesmas árvores 
Já não somos os mesmos que antes havíamos sido 
Já não a quero, é certo 
Porém quanto a queria ! 
A minha voz no vento ia tocar-lhe o ouvido 
De outro. será de outro 
Como antes de meus beijos 
Sua voz, seu corpo claro, seus olhos infinitos 
Já não a quero, é certo, 
Porém talvez a queira 
Ah ! é tão curto o amor, tão demorado o olvido 
Porque em noites como esta 
Eu a apertei em meus braços, 
Minha alma se exaspera por havê-la perdido 
Mesmo que seja a última esta dor que me causa 
E estes versos os últimos que eu lhe tenha escrito. 


Pablo Neruda

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Gosto tanto, de...

 acordar aos Domingos, 
com o cheiro a torradas 
no ar, abrir as portadas 
e deixar a luz entrar, deixar que traga consigo a aragem quente da manhã. Ouvir o chilrear dos pássaros loucos de felicidade, acender velas que cheiram às flores que me deste.
Gosto da tranquilidade que o lilás e o azul me trazem, ainda que os olhe num dia menos claro. Gosto de olhar as flores violeta que nascem nas árvores, que me cumprimentam sempre que as olho. De sentir as beijocas dos meus cães, enquanto tento ainda levantar-me da cama... como é bom, o seu eterno carinho... De comer as torradas com compota de frutos silvestres, de fechar os olhos e sentir o vento, do cheirinho a eucalipto, de tomar o café ainda de camisolão na varanda, deixando-me extasiar pela paisagem que me envolve e pensar de todas as vezes; a vida é apenas isto...e como sabe tão bem, pensar que é apenas isto!...


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Acasos?...talvez não...



Cada pessoa que passa na nossa vida, passa sozinha, é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra! Cada pessoa que passa na nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.

Charlie Chaplin

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Precisa-se de matéria prima para construir um País.

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós.

Nós como povo. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.

Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.

Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte... Fico triste.

Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados! É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda... Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. 
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.

E você, o que pensa?.... MEDITE!

Eduardo Prado Coelho, in Público


domingo, 22 de maio de 2011

PORQUE NÃO?...


Tocam todas as flautas, harmoniosas melodias?
É o desespero apenas tema de livros de ficção?



São os sorrisos sempre, condição da natureza humana?
Sopra o vento boas marés?


São o preto e branco, cores da mesma bandeira?
São as rugas, traços sagrados?
São a justiça e igualdade, pérolas da humanidade?



Quero eu falar de tudo?
É a realidade, fruto da imaginação?


É o amor, uma eternidade?
É o passado, um só momento?
É uma lágrima, a verdade de uma intenção?
É a vida, uma obra prima?



É a lealdade, incondicional?
São as mudanças, simples de acontecer?

É a autenticidade, um sopro do coração?


São os aromas, fragrâncias da Lua?
É a dignidade, uma virtude dourada?
É a inocência, uma asa da sensibilidade?


São só tolos os poetas?
É a solidão lacónica?
É o céu o limite?


É a fé, uma presença?
Somos, enfim, quando caímos, protegidos pela felicidade?...



Partido pelos Animais e pela Natureza, concorre às legislativas 2011...

Por estas e tantas outras razões, o meu apoio, tal como o do Miguel Real, vai também para o PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza, porque acredito que é possível sonhar e eu, tal como Álvaro de Campos;..."tenho em mim todos os sonhos do mundo."...


"O escritor e ensaísta Miguel Real manifestou o seu apoio ao Partido pelos Animais e pela Natureza e enviou-nos o texto que abaixo partilhamos.

"Considero o Partido pelos Animais e pela Natureza a primeira expressão verdadeira de um novo tipo de intervenção cívica e ética em Portugal que prima por uma relação autêntica com todos os seres vivos. Estou convicto que o exemplo do PAN frutificará com abundantes resultados na consciência moral e política dos portugueses do futuro, conduzindo à formação de uma nova mentalidade, radicalmente diferente das anteriores, promovendo um Portugal mais harmónico e mais solidário.


Tenho seguido o longo trabalho de Paulo Borges como pensador e, na linha dos grandes vultos da cultura portuguesa passada, considero-o anunciador de um mundo futuro éticamente mais saudável, mais humano e mais justo, desbloqueador dos imensos nós que têm amarado Portugal a um destino nefasto.

O meu voto no PAN é um voto no Futuro!" "

Fonte : PAN

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Está na hora de ir para a rua!...

"Tomar as ruas - lembrar que o Povo é soberano 

-Em solidariedade e comunhão com a ocupação popular dos espaços públicos em Espanha, acamparemos a partir das 20:00 de Sexta-Feira, dia 20 de Maio, nas praças de Portugal - pelo fim desta falsa "democracia", pelo poder popular. Sem bandeiras nem fronteiras, reivindicamos o mundo para tod@s - porque o mundo é NOSSO!

-Não apelamos neste momento à abstenção nem a nenhum sentido de voto, apelamos a que tod@s juntos protestemos contra os actuais sistemas políticos e económico-financeiros geradores de miséria e desigualdade, por uma sociedade mais livre, justa e solidária. E que possamos reflectir e discutir sobre como construir uma verdadeira Democracia (leia-se poder popular). Fora das estruturas partidárias e das centrais sindicais - em primeira pessoa, sem mediações nem representantes.

http://www.facebook.com/pages/Portuguese-Revolution/201017953273879

http://www.facebook.com/event.php?eid=215259321832340

http://www.facebook.com/event.php?eid=150424415025671

LISBOA: Rossio

PORTO: Batalha

COIMBRA: Praça 8 de Maio 

FARO: Jardim Manuel Bivar (Na Marina)

Marquem/Ocupem e divulguem mais locais!"

Fonte: "Revolução Portuguesa"



"ATTENTION: All you rule-breakers, you misfits and troublemakers - all you free spirits and pioneers - all you visionaries and non-conformists ...

Everything that the establishment has told you is wrong with you - is actually what's right with you.

You see things others don’t. You are hardwired to change the world.
your mind is irrepressible - and this threatens authority. 
You were born to be a revolutionary"

 

domingo, 15 de maio de 2011

Eu não procuro nada em ti

Eu não procuro nada em ti,
nem a mim próprio, é algo em ti
que procura algo em ti
no labirinto dos meus pensamentos.


Eu estou entre ti e ti,
a minha vida, os meus sentidos
(principalmente os meus sentidos)
toldam de sombras o teu rosto.

O meu rosto não reflecte a tua imagem,
o meu silêncio não te deixa falar,
o meu corpo não deixa que se juntem
as partes dispersas de ti em mim.


Eu sou talvez
aquele que procuras,
e as minhas dúvidas a tua voz
chamando do fundo do meu coração.


Manuel António Pina
[Prémio Camões 2011]

movies and words...


Man in photo: She is in love. 
Nino Quincampoix: I don't even know her! 
Man in photo: Oh, you know her. 
Nino Quincampoix: Since when? 
Man in photo: Since always. 
Man in photo: In your dreams. 


sábado, 14 de maio de 2011

Quando o teu olhar, me sorri...

Queria tanto dizer-te: que o teu olhar tem essa luz intensa que brilha e ilumina o mundo em que vivo... recolho-me na sua ternura e sinto como é doce o colo que me aconchega; como gosto de sentir em mim o teu olhar, a forma como me abraça...e tanto que ele me diz; quando os meus olhos encontram os teus, esses, os teus, fazem com que me prenda a ti e num jeito envergonhado, perco-me na infinitude do teu olhar... só a ele permito que a minha alma alcance e descodifique, mostrando e deixando a nu todos os meus mistérios, que sabes terem sido alguns... porque é essa a minha forma de ser que tu, tão bem identificas... Engraçado, como tão facilmente me consegues ler... que tão belo sorriso tem o teu olhar...



"Animais de 'Água para Elefantes' mal tratados "



"Espancados e submetidos a choques eléctricos"

"Os animais do novo filme ‘Água para Elefantes’, que fala sobre os maus tratos cometidos contra os animais de um circo, terão sofrido abusos por parte dos seus treinadores, antes da realização do mesmo."

Fonte e desenvolvimento aqui - CM

Irónico no mínimo, pelo que eu irei, com toda a certeza boicotar este filme...



quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ternuras...

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...




Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo, 
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão Ferreira, Infinito Pessoal