quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Sim, sei bem


Que nunca serei alguém.


Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.


Fernando Pessoa.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Feliz Natal!...


A todos deixo os meus votos de boas festas, aproveitem para serem FELIZES, porque a vida é muito curta...e valiosa demais para ser desperdiçada!...

O Imperialismo americano, no seu melhor...


..."Para promover a sua colecção de roupa para a próxima Primavera, a criadora Donna Karan resolveu fazer uma campanha na cidade de Jacmel, no Sul do Haiti, devastado pelo terramoto de Janeiro de 2010.


Em primeiro plano vê-se a modelo brasileira Adriana Lima, rosto sério e olhar profundo, vestida com um macaco verde que custa cerca de 1500 euros. Mais atrás, dois rapazes haitianos, provavelmente sobreviventes do terramoto, com as suas t-shirts e a olhar o vazio. É esta combinação de luxo e miséria que está a gerar polémica."...

Desenvolvimento da notícia aqui - Jornal Público

Paradigma da crise...


Não podemos querer que as coisas mudem, se fazemos sempre o mesmo. A crise é a maior bênção que pode acontecer às pessoas e aos países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia assim como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem os inventos, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise supera-se a si mesmo, sem ter sido superado. Quem atribui à crise os seus fracassos e penúrias, violenta o seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a dificuldade para encontrar as saídas e as soluções. Sem crises não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crises não há méritos. É na crise que aflora o melhor de cada um, porque sem crise todo vento é uma carícia. Falar da crise é promovê-la. Não falar da crise é exaltar o conformismo. Em vez disto, trabalhemos arduamente. Acabemos de uma vez por todas com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.”

Albert Einstein

ULTRAJE a todos que defendem os direitos dos animais.


O FBI resolve definir como "terroristas" todos aqueles que denunciam sob a forma de video, em investigações undercover, todos aqueles que expõe sob a forma de imagens a tortura, os abusos e a crueldade das fazendas industriais e a realidade das "pesquisas científicas".
O ultra-reacionário FBI não me surpreende: afinal seu objetivo foi sempre defender as grandes corporações.
O fato é que, pela própria definição do termo "terrrorista", assim é qualificado quem:
- sistematicamente faz uso do terror como uma forma de coação
1. uso da violência e ameaças como forma de intimidação e coação, especialmente para fins políticos;
- provoca por estes meios um estado de medo ou de submissão
Sendo assim, para ocultar o TERROR que apoia, o FBI parece ter reinventado o sentido do termo, de forma a que os exploradores torturadores __ os verdadeiros TERRORISTAS __ sejam protegidos em suas prerrogativas de TERROR e ASSASSINATO.
Quem é submetido à violência?
Quem é mantido em estado de medo e submissão?
Quem é violentado, cortado, degolado, "experimentado", cegado, torturado, furado, morto, espancado, abusado, aprisionado, ofendido?


FBI Says Activists Who Investigate Factory Farms Can Be Prosecuted as Terrorists
www.greenisthenewred.com

Lido em "Cadeia para quem maltrata animais".




Notícias de última hora vindas de Taiji - Via Paul Watson

"Nenhum dos guardiães do The Cove foi preso durante a blitz realizada no hotel, mas todos os laptops, cameras e e celulares foram confiscados, sem razão alguma. Todos os guardiães do The Cove foram ROUBADOS e destituídos de suas propriedades pessoais e portanto, privados da possibilidade de registar as atrocidades em Taiji. Este é um ato de desespero que tenta silenciar a liberdade de expressão e corresponde a uma tentativa de encobrir a chacina dos golfinhos em Taiji. Agora, mais do que nunca, precisamos de voluntários no local para encarar os assassinos".
Qualquer semelhança com a decisão do FBI de taxar e julgar os autores dos documentários sobre os abusos com animais como "terroristas" NÃO é mera coincidência.
São todos farinha do mesmo velho e fétido saco.
Por estas curiosas inversões éticas, bandidos são os que registram os fatos.
E não aqueles que matam, torturam e exploram.
Estranhamente, 70 anos depois do covarde ataque a Pearl Harbour, hoje o governo americano parece andar de braços dados, amistosamente, com o governo do Japão.
É óbvio que sabemos o porquê: a localização do Japão é considerada "estratégica" pelos EUA. Roosevelt com certeza se revira na tumba, ao ver o que o país se tornou depois da II Guerra Mundial.
Norah


No último dia 16 o ativista do The Cove Erwin Vermeulen foi preso ao tentar registrar a transferência dos golfinhos das redes nos mares de Taiji para o "resort" onde são mantidos até a sua revenda para outros exploradores em sea aquariuns do mundo todo...
Estes são os que os japoneses preferiram não matar e sim vender.



In "Cadeia para quem maltrata animais"

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Enquanto o resto da Europa se preocupa em refinanciar os bancos a Islândia teve a coragem de seguir outro rumo...


Islândia triplicará seu crescimento em 2012 após a prisão de políticos e banqueiros.



Islândia conseguiu acabar com um governo corrupto e parasita. Prendeu os responsáveis pela crise financeira, mandando para a prisão. Começou a redigir uma nova Constituição feita por eles e para eles. E hoje, graças à mobilização, será o país mais próspero de um ocidente submetido a uma tenaz crise de dívida. 

É a cidadania islandesa, cuja revolta em 2008 foi silenciada na Europa por temor a que muitos percebessem. Mas conseguiram, graças à força de toda uma nação, o que começou sendo crise se converteu em oportunidade. Uma oportunidade que os movimentos altermundistas observaram com atenção e o colocaram como modelo realista a seguir.

Consideramos que a história da Islândia é uma das melhores noticias dos tempos atuais. Sobretudo depois de saber que segundo as previsões da Comissão Europeia, este país do norte atlântico, fechará 2011 com um crescimento de 2,1% e que em 2012, este crescimento será de 1,5%, uma cifra que supera o triplo dos países da zona euro. A tendência ao crescimento aumentará inclusive em 2013, quando está previsto que alcance 2,7%. Os analistas asseveram que a economia islandesa segue mostrando sintomas de desequilíbrio. E que a incerteza segue presente nos mercados. Porém, voltou a gerar emprego e a dívida pública foi diminuindo de forma palpável.

Este pequeno país do periférico ártico recusou resgatar os bancos. Os deixou cair e aplicou a justiça sobre aqueles que tinham provocado certos descalabros e desmandes financeiros. Os matizes da história islandesa dos últimos anos são múltiplos. Apesar de transcender parte dos resultados que todo o movimento social conseguiu, pouco foi falado do esforço que este povo realizou. Do limite que alcançaram com a crise e das múltiplas batalhas que ainda estão por se resolver. 

Porém, o que é digno de menção é a história que fala de um povo capaz de começar a escrever seu próprio futuro, sem ficar a mercê do que se decida em despachos distantes da realidade cidadã. E embora continuem existindo buracos para preencher e escuros por iluminar.

A revolta islandesa não causou outras vítimas que os políticos e os homens de finanças costumam divulgar. Não derramou nenhuma gota de sangue. Não houve a tão famosa "Primavera Árabe". Nem sequer teve rastro mediático, pois os meios passaram por cima na ponta dos pés. Mesmo assim, conseguiram seus objetivos de forma limpa e exemplar.

Hoje, seu caso bem pode ser o caminho ilustrativo dos indignados espanhóis, dos movimentos Occupy Wall Street e daqueles que exigirem justiça social e justiça econômica em todo o mundo.

Agora estou mais preparado para enfrentar um dia de notícias tugolesas!

Original em: http://forner179.blogspot.com/2011/12/is...to-en.html

Fonte: http://maestroviejo.wordpress.com/2011/1...-sociales/

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Pernoitas em Mim


pernoitas em mim 
e se por acaso te toco a memória... amas 
ou finges morrer 


pressinto o aroma luminoso dos fogos 
escuto o rumor da terra molhada 
a fala queimada das estrelas 


é noite ainda 
o corpo ausente instala-se vagarosamente 
envelheço com a nómada solidão das aves 


já não possuo a brancura oculta das palavras 
e nenhum lume irrompe para beberes 

Al Berto


domingo, 11 de dezembro de 2011

OS MEUS LÁPIS ERAM TRISTES


Eu sei pai. Não devia ter tirado o desenho do outro menino.
Mas era tão bonito!

Os carrinhos que ele desenhou eram de todas as cores e pintou uns balões no céu que pareciam rir-se para mim. E, sabes pai, nas casas dos desenhos dele, tenho a certeza, naquelas casas que ele fazia, as crianças nunca tinham frio nem medo.

Eu quis muitas vezes fazer desenhos como aqueles, juro que tentei pai.
Só que acho que os meus lápis eram tristes e quando riscavam no papel nunca pintavam aquelas cores.
É verdade pai. Eu sei que me deste lápis que, por fora, eram vermelhos, azuis e amarelos mas, por dentro, pai, eram todos cinzentos e, por mais que eu quisesse desenhar um sol, saía sempre uma bola escura e as casas pareciam sempre geladas e feias.

Não foi por mal, pai. Eu queria tanto uma caixa de lápis alegres que riscassem desenhos como aquele.
Mas os meus lápis eram tristes.

Chamava-se Bastien. Tinha três anos. Morreu em França às mãos do pai dentro de uma máquina de lavar roupa por ter tirado um desenho a um colega do jardim de infância.

Lido aqui.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

...foi o sorriso...


Creio que foi o sorriso,
sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.




Correr, navegar, morrer naquele sorriso.


Eugénio de Andrade

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Continua a ser este o canil/gatil da câmara municipal de Lisboa...e é este tipo de gente que lida com os animais...


Lisboa – visita ao canil com novos incidentes. Obras continuam paradas.

Apesar de terem ficado com os pneus furados, concretizou-se hoje, 5/12, entre as 11h e as 12h10m, a visita da autora da providência cautelar e de uma voluntária do Grupo de Lisboa ao canil/gatil de Lisboa para visitar os animais aí detidos e verificar o cumprimento das diversas alíneas da sentença da providência cautelar.

Acção idêntica, em que a autora estava acompanhada do advogado, tinha anteriormente sido gorada pelos responsáveis do canil/gatil (ver post de 19 de Outubro). Posteriormente, e em resposta ao e-mail que lhe foi dirigido (ver post de 11 de Novembro), o novo técnico responsável pelo canil/gatil, Dr. Vasco Ribeiro, informou que a autora, na sua qualidade de munícipe, podia realizar a visita quando entendesse. E assim foi feito.

Inicialmente, a Drª Filomena e Drª Ana Machado, que receberam os membros do Grupo, tentaram limitar a visita aos animais detidos no canil 3 por serem os adoptáveis. Perante a cópia do e-mail recebido do Dr. Vasco Ribeiro, que referia o canil na sua integralidade e a recusa liminar de aceitar limitações à visita, iniciou-se a mesma.

 O canil 3 alberga actualmente 28 cães. A maior parte das jaulas só têm um animal,  mesmo que seja de porte mínimo. Muitos cães estavam molhados. Pelo menos 3 casotas não têm tecto. Nenhuma jaula tinha comida, que nos informaram só ser dada por volta das 13h.

No canil 1 (ala fechada) estavam hoje 16 cães, 6 dos quais de porte pequeno. Também não tinham comida.

 No canil 2 encontravam-se, em semi obscuridade,  9 animais, ditos “suspeitos de raiva” e em quarentena. O espaço das celas é mínimo e só têm o lajedo gelado e molhado para se deitarem.

 No gatil estavam 22 gatos (gatos/as adultos e juvenis) e 1 cachorro numa jaula. A maioria estavam juntos (5 jaulas com respectivamente 3/4 animais), mas as jaulas estavam com as divisórias abertas. Tinham comida, água e areia.

No final da vista, foram escritas reclamações no respectivo livro, por incumprimento das alíneas c) e) g) e k) (ver post de 18 de Julho)

Em relação à alínea j) – passeios dos cães – não foi obtido esclarecimento.

Da mesma forma, em relação às alíneas b) d) h), ignora-se se estão a ser cumpridas ou não.

 À saída, um insólito acontecimento esperava as duas visitantes: os 2 pneus do lado direito de uma das viaturas estavam completamente em baixo. Depois de chamado o reboque constatou-se, na oficina, que também os 2 pneus da direita da outra viatura tinham sido perfurados com um objecto cortante. Uma vez que os golpes foram feitos na parte lateral, os pneus ficaram inutilizados.

O acesso viário ao canil é exclusivo e termina na porta do mesmo, onde existe segurança permanente que garantiu que durante aquele intervalo de tempo ninguém do exterior tinha chegado ao canil.

Foi apresentada queixa-crime na PSP contra as pessoas presentes no canil/gatil, excluindo as três que acompanharam as visitantes.

 Conclusão: neste momento estão ao todo no canil/ gatil 54 cães e 22 gatos. Recordamos que antes da providência cautelar só o canil 1 chegava a ter 67 cães.

É preciso conhecer as estatísticas completas do movimento de entradas, saídas e abates no canil/gatil nos últimos meses para interpretar estes dados.


 In Campanha de Esterilização de animais abandonados.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

meu coração é só meu


Ele também aprecia mais o meu raciocínio e o meu talento do que este coração, sem dúvida o meu único orgulho, a fonte de tudo, de toda energia, de toda ventura e de toda desgraça. Ah, o que eu sei, qualquer um pode saber… Mas o meu coração é só meu.




Goethe. Livro “Os sofrimentos do jovem Werther”.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

o máximo prazer da vida...


Entendeu que as palavras de Nietzsche significavam que era preciso escolher sua vida_ele tinha de usufruí-la em vez de ser ‘usufruído’ por ela. Em outras palavras, tinha que amar seu destino. E, acima de tudo, havia a pergunta que Zaratustra sempre fazia_ se gostaríamos de repetir a mesma vida eternamente. Uma idéia curiosa e, quanto mais Julius pensava nela, mais seguro se sentia: a mensagem de Nietzsche para nós era viver de forma a querer a mesma vida sempre.

Irvin D. Yalom. Livro “A cura de Schopenhauer”.


Sopros da vida...

Cada vez que respiramos, afastamos a morte que nos ameaça. (…) No fim, ela vence, pois desde o nascimento é esse  o nosso destino e ela brinca um pouco com a sua presa antes de a comer. Mas continuamos a viver com grande interesse e inquietação durante o máximo tempo possível do  mesmo modo que sopramos uma bola de sabão até esta ficar bastante grande, embora tenhamos a certeza absoluta que vai rebentar.”





Schopenhauer. Livro  “O mundo como vontade e representação”.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Inverno (árabe) do nosso descontentamento



Apesar do apoio da China e da Rússia (por interesses geopolíticos estratégicos?), um número cada vez maior de países tem condenado a violência exercida pelas forças de segurança e pelo exército do regime ditatorial da Síria contra o seu próprio povo. Os manifestantes, apesar da repressão, não desarmam. A comunidade internacional tem, até ao momento, evitado intervir directamente nesta luta. E o sinal mais forte até acabou por vir mesmo da Liga Árabe, que suspendeu a Síria da condição de membro, até que a violência contra os manifestantes anti-regime termine. Bashar al-Assad está, assim, cada vez mais isolado.

Em comum com as lutas travadas na Tunísia, no Egipto ou na Líbia, o que move o povo sírio é o desejo de liberdade, de colocar um ponto final no reinado mantido por opressores e torcionários. Estima-se que os mortos no conflito armado, que dura desde o início deste ano, ultrapassem em muito os 3.000.

Todavia, a questão síria tem contornos muito complexos, nomeadamente no que respeita ao peso político internacional dos seus – ainda – aliados (como a China e a Rússia), ao poder económico de outros dos seus apoiantes (como o Irão) e aos interesses de alguns dos seus agora opositores (como a Turquia). Por isso, e infelizmente, este conflito interno ameaça ser mais longo e duro do que aqueles que agitaram os seus vizinhos.

Contextualizando, o Oriente e o Norte de África estão, deste o final do ano passado, a braços com revoluções, protestos e manifestações populares. A renúncia de Ben Ali, na Tunísia, e de Hosni Mubarak, no Egipto, galvanizou os civis de diversos países à resistência e à luta, mais ou menos organizada, contra os regimes ditatoriais, a censura e a repressão que sofrem. Teve assim início a “Primavera Árabe”.

Já em Outubro, Muammar Khadafi foi morto a tiro, depois de ter sido capturado e torturado por rebeldes líbios, após largos meses de guerra civil. Nos dois primeiros casos, os “danos colaterais” (destruição das infra-estruturas vitais à economia dos países) foram relativamente baixos, quando comparados com o sucedido na Líbia.

Na Síria, são várias as organizações internacionais que, há meses, exigem que a comunidade internacional tome medidas concretas e eficazes contra o Governo sírio, tentando, deste modo, acabar com o que muitos apelidam de “atrocidades”, atingindo contornos de “crimes contra a Humanidade”. No entanto, e concretamente no que respeita à Organização das Nações Unidas, todas as tentativas de resolução apresentadas ao Conselho de Segurança foram, até ao momento, bloqueadas pela China e pela Rússia, dois fortes aliados do regime sírio.

Mas, enfim, estou convencida de que, seja pela fuga, por renúncia ou por morte, com maior ou menor apoio da comunidade internacional, uma coisa é inevitável: Bashar al-Assad acabará por ser afastado do poder. Até lá, tenho para mim que ainda assistiremos a muitas mais mortes, a muito mais destruição, a muitos mais crimes. A Síria será, no final de tudo isto, um país devastado, aniquilado, massacrado. Depois da “Primavera Árabe”, estamos prestes a assistir ao Inverno (árabe) do nosso descontentamento.

Publicado em p3 (Público)

domingo, 20 de novembro de 2011

"Be the change you want to see in the world"!


..."Não o forças a nada, não lhe bates, não lhe dás ordens, porque sabes que a brandura pode mais do que a força, que a água é mais forte do que a rocha, que o amor é mais forte do que a violência."... 

In Siddhartha, Hermann Hesse.


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

"A lógica dos afectos"


Amamo-nos a nós próprios nos outros; neles procuramos amiúde a mesmidade; a confirmação mais ou menos reconfortante do nosso pequeno mundo
Texto de João Teixeira Lopes 

Que os afectos tenham uma lógica, eis já todo um programa. Que não sejam produto livre do encantado e romanesco encontro amoroso; que resistam ao apelo da liberdade absoluta e da crença individualista na escolha do outro, que a escolha, enfim, seja parcialmente determinada, mediada, condicionada, eis todo um universo oposto ao espírito do tempo medido em ofegantes respirações de telenovela. Pois tudo nos arrasta em sentido contrário: a ausência de leis do amor puro; a sua força invencível para quebrar tradições e barreiras; a costureirinha que conquista o coração de ouro do príncipe de ouro banhado.

Outrora, nos manuais de sociologia, surgia uma curiosa e irritante frase de Peter Berger, que desafiava (e desafia ainda) o impulso heróico-romântico dos estudantes: a flecha de cupido é teleguiada. Por outras palavras, uma acumulação de estudos demonstrava que tendíamos a escolher alguém que nos replicasse no plano dos gostos, dos valores, das preferências ético-culturais. Em suma, e de forma, mais forte: afinidades electivas (título de um romance de Goethe, mas remetendo a uma origem química que designa as afinidades que destroem um composto em proveito de novas combinações – os entes amorosos transformam-se num só: uno, irredutível, coerente até à raiz).

Amamo-nos a nós próprios nos outros; neles procuramos amiúde a mesmidade; a confirmação mais ou menos reconfortante do nosso pequeno mundo. O encontro resulta, entre outros factores, de termos vivido no mesmo banho socializador, de frequentarmos os mesmos locais, cafés, festas, círculos de vizinhança e proximidade (Michel Bouzon). Até a forma como apreciamos eroticamente certas características pessoais e corporais, associando-as, não raras vezes, a traços de personalidade, traduzem (traem…) a moldura dos actos aparentemente mais livres de outras conotações. É certo que estes processos de escolha desviam-se frequentemente de estratégias explícitas, embora, em alguns casos, mais raros, elas se mantenham (“o bom casamento” dos “mercados matrimoniais” fechados ou os colégios da OPUS DEI no Porto, onde, quando elas e eles chegam à puberdade, frequentando colégios exclusivamente masculinos ou femininos, são introduzidos em “clubes” altamente reservados de tempos livres para “escolherem” um potencial companheiro amoroso sob altíssima vigilância).

Ao estudar as escolas secundárias do Porto verifiquei como estas lógicas podiam ser cruéis. Pobre da rapariga de meio burguês que ousasse partilhar afectos com o rapaz do bairro social. Teria a reputação destruída em torno de um processo de violenta ostracização.

Dir-me-ão que hoje é diferente, uma vez que transitamos em círculos sociais mais heterogéneos, que os espaços públicos baralham e misturam, que a mobilidade social enfraquece a semelhança. Ainda assim, um trabalho de pesquisa recente, feito em colaboração com António Firmino da Costa, mostrou-nos como as jovens mulheres, mais escolarizadas, “puxavam” pelos seus cônjuges, em geral com menor formação escolar, para estarem mais aptos a participar em determinadas conversas, círculos, rituais e encontros. Eles sabiam falar de futebol e alta cilindrada, mas elas pensavam, por boas ou más razões, que a frequência académica lhes abriria outros repertórios e lhes forneceria novas ferramentas.

Não irei mais longe. Não tenho a pretensão de que a sociologia tudo possa e deva explicar. E sei como as singularidades e excepções são correlativas da regra. Os trânsfugas de classe, cultura e etnia que o digam. Quem não se lembra, sem emoção, de todas as estórias de amantes de campos opostos, de famílias desavindas, de etnias a ferro e fogo, de ódios sociais e rácicos, que atravessam as pontes, para nelas, tantas vezes, se beijarem e morrerem? Não, a Sociologia felizmente não explica tudo.

Fonte: P3 (Público)

...Contudo não devemos viver em função das expectativas dos outros sobre nós, nem a vida dos outros (por muito atractivas que possam parecer ou nas quais nos identifiquemos bastante...), apenas a nossa própria vida, de acordo com as nossas expectativas e felicidade!...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

"Campanha da Benetton põe políticos aos beijos"


Com o lema “Unhate”, o tema central desta campanha é a união contra o ódio, sendo o slogan: “Neste mundo, o ódio nunca é apaziguado pelo ódio. Só o não odiar pode apaziguar o ódio”. Para isso, a empresa têxtil fez montagens com imagens de líderes políticos e religiosos aos beijos.

Veja aqui as imagens: http://unhate.benetton.com/

Fonte: "i"

Folhas ou estrelas...

..."A maior parte das pessoas, Kamala, são como uma folha que cai, que flutua ao vento, que hesita e que cai no chão. Mas há outros, poucos, que são como estrelas, que seguem um rumo firme, nenhum vento os afecta,  têm dentro de si as suas leis e o seu rumo"...


Siddhartha, Hermann Hesse.