domingo, 26 de fevereiro de 2012

S.O.S Planet.




"Give a hand to wildlife."




Faz a tua parte, por um mundo melhor!...

Princípios


Podíamos saber um pouco mais
da morte. Mas não seria isso que nos faria
ter vontade de morrer mais
depressa. 


Podíamos saber um pouco mais
da vida. Talvez não precisássemos de viver
tanto, quando só o que é preciso é saber
que temos de viver. 


Podíamos saber um pouco mais
do amor. Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor, ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.

Nuno Júdice

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Poema à boca fechada.


Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais boiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

José Saramago

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

UM DIA, ISTO TINHA DE ACONTECER.

Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

por Mia Couto

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Já não me importo


Já não me importo
Até com o que amo ou creio amar. 
Sou um navio que chegou a um porto


E cujo movimento é ali estar.
Nada me resta
Do que quis ou achei. 
Cheguei da festa 
Como fui para lá ou ainda irei ...Indiferente
A quem sou ou suponho que mal sou, 
Fito a gente
Que me rodeia e sempre rodeou,
Com um olhar
Que, sem o poder ver, 
Sei que é sem ar
De olhar a valer.
E só me não cansa 
O que a brisa me traz
De súbita mudança 
No que nada me faz. 


Fernando Pessoa

domingo, 19 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Animais: dos filmes aos cosméticos.


"Li hoje na Visão um artigo da Time sobre a forma como são tratados os animais em Hollywood durante as filmagens. Será que longe vai o tempo em que um cavalo era vendado e empurrado de um penhasco sobre um lago, de modo a captar-se a imagem de um cowboy montado a saltar para a água? Tal sucedeu em 1939, durante as filmagens do western Jesse James. A indignação foi geral e surgiram novas regras para as gravações com animais.

Recentemente, e apesar dos esforços e acompanhamento da American Humane Association, um dos treinadores abateu um chimpanzé à frente de um supervisor durante a rodagem de Speed Racer, em 2008. Mas há casos de total respeito pelo bem-estar dos animais, como o novo filme de Steven Spielberg, Cavalo de Guerra. E a tecnologia pode dar uma ajuda: Planeta dos Macacos: a Origem foi filmado sem… um único símio.

Também a PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) acompanha de perto o bem-estar dos animais, seja frente às câmaras ou noutras situações. Por isso a ONG segue questões tão importantes como testes em animais. Recentemente, a Avon, a Mary Kay e a Estée Lauder passaram a incluir a lista de marcas que fazem testes em animais (a lista pode ser consultada aqui). Esteja atento: na hora de comprar o gel de banho ou o creme facial, não é só o aroma que conta…"

Fonte: Gingko blog.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Porque é a minha hora favorita do dia...

Temos estas palavras. Agora, é aqui que estamos. Reparaste que utilizo a primeira pessoa do plural, nós, refiro-me, claro, a ti e a mim. Talvez haja outras pessoas a ler este texto mas, agora, neste preciso agora, só podemos ter a certeza acerca de nós, somos os únicos aqui. Eu sei que os nossos corpos estão em algum lugar específico, localizável por GPS, é possível que esteja uma temperatura perfeita nesse lugar, os milagres da climatização, mas também é possível que entre uma aragem gelada pela janela aberta, pela janela aberta do carro,também é possível que esse lugar seja ao ar livre. É possível, mas é pouco importante porque, agora, neste preciso agora, estamos aqui. A nossa atenção está toda nestas palavras.

Alguns, vários, passaram também por aqui, demoraram-se apenas durante quatro ou cinco linhas do início. Depois, tentando reter a a informação essencial, agarraram-se a uma ou duas linhas do meio e do final, infelizmente para eles, nem sempre a informação é o mais essencial. E, dessa forma, não chegaram a sentir aquilo que possuímos por estar aqui, aquilo que realmente importa: este tempo.

Repara na forma como passa este tempo lido. Temos muitas oportunidades para respirar. Se quisermos, apenas pela vontade do nosso entendimento, podemos alongar as palavras para fazer caber nelas os nossos caprichos mais lânguidos. Podemos também, sem pressa, demorarmo-nos na pontuação. Não temos horário rígido para chegar ao ponto final. Quanto lá chegarmos, o mundo estará todo à nossa espera. A propósito, onde está esse mundo enquanto lemos estas palavras?


Espero que tenhas desligado o telemóvel ou, pelo menos, espero que ninguém te ligue. O mundo, esse mundo cronometrado, aqui, é menos do que o horizonte que formos capazes de levantar através da nossa capacidade de imaginar, por exemplo, um pôr-do-sol. Aproveita bem este privilégio que possuímos, vou tentar aproveitá-lo contigo, ainda temos uma boa quantidade de tempo para permanecer aqui, nestas palavras. Olha lá para longe, o sol tão pesado, de cor tão madura, mel, o sol a esforçar-se para segurar os seus contornos, mas a transbordar de si mesmo, a descer a um ritmo que não conseguimos apreender completamente e que, no entanto, ninguém pode impedir. Aproxima-se cada vez mais do horizonte, irá tocá-lo, não tardará a tocá-lo. Temos agora consciência deste instante. E o sol toca o horizonte. Primeiro, fica pousado sobre ele, duas linhas que se tocam, sol e horizonte, um linha e um círculo ardente; depois, a terra abre-se para recebê-lo, o sol entra muito devagar no lugar que lhe pertence, como se quisesse proteger-se, como se regressasse. Mas, mais tempo, e o sol desaparece. Sobre o horizonte, fica o clarão de um sol que existiu, todo o tamanho do passado. E nós ainda estamos aqui, estas palavras. Ainda não sabemos o que acontecerá depois.

José Luís Peixoto, na revista Espiral do Tempo, Inverno 2011.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Acorda mundo!

Incrível como andamos distraídos com tudo e mais alguma coisa e não damos atenção nem importância ao que é relevante, propositado ou não... deixamos-nos levar e eles conseguem os seus perigosos objectivos!!! Há que acordar, o Iraque é o exemplo do país acusado de esconder armas de destruição massiva e o resultado é uma região totalmente destruída e esquecida pelo mundo...Nem tudo o que parece é.

(...) Estamos a assistir ao envio de forças navais, homens, sistemas de armamento de ponta, controlados através do comando estratégico norte-americano em Omaha, Nebrasca, e que envolve uma coordenação entre EUA, NATO e forças israelitas, além de outros aliados no golfo Pérsico (Arábia Saudita e estados do Golfo). Estas forças estão a postos. Isto não significa necessariamente que vamos entrar num cenário de terceira guerra mundial, mas os planos militares no Pentágono, nas bases da NATO, em Bruxelas e em Israel, estão a ser feitos. E temos de os levar muito a sério. Tudo pode acontecer, estamos numa encruzilhada muito perigosa e infelizmente a opinião pública está mal informada. Dão espaço a Hollywood, aos crimes e a todo o tipo de acontecimentos banais, mas, no que toca a este destacamento militar que poderá levar-nos a uma terceira guerra mundial, ninguém diz nada. Isso é um dos problemas, porque a opinião pública é muito importante para evitar esta guerra. E isso não está a acontecer, as pessoas não se estão a organizar para se oporem à guerra. Isto não é uma questão política, é um problema muito mais vasto, e tenho de dizer que os meios de comunicação ocidentais estão envolvidos em actos de camuflagem absolutamente criminosos. Só o facto de alinharem com a agenda militar, como estão a fazer na Síria, onde sabemos que os rebeldes são apoiados pela NATO, na Arábia Saudita e em Israel, e como fizeram na Líbia, é chocante do meu ponto de vista, porque as mentiras que se criam servem para justificar uma intervenção humanitária.(...)


Dias que lembramos...

Hoje jantaremos os quatro na cozinha como de costume, o jantar não será nada de extraordinário e a sobremesa é uma mousse de manga, espero que calhe bem. Não vai haver prendas (só os miminhos de sempre), nem spas a dois, nem roupas novas e vamos chegar a casa como de costume... As "crianças" ficam connosco como ficaram todos os dias desde o dia que nasceram. Perto das 11 da noite junto à lareira bebemos um vinho e comemos chocolate, ele sorri. Já passaram por nós 11 Dias dos Namorados, direi eu, que tenho essas coisas mais ou menos presentes...


(Texto adaptado...)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

movies and words...



- You are my best friend as well as my lover, and I do not know which side of you I enjoy the most. I treasure each side, just as I have treasured our life together.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Eu que sou piegas.

Eu que sou piegas desatei a chorar quando morreu o gato da minha vizinha. A Dona Antónia, coitada, vivia para o bichano. Sempre que a encontrava na rua lá passeava o felino pela trela, apresentando-o a beltrano e sicrano, como quem festeja o deslumbramento do filho pródigo. É verdade que nunca casou, que nunca conheceu ardor de amor e que não é particularmente competitiva.

A Dona Antónia trabalhava nos correios e pergunta-me, sempre que me vê na mercearia a comprar clementinas do Algarve, se eu sei o que significa o cavaleiro a tocar a trompeta no cavalo empinado, símbolo dos CTT. Com a paciência de quem conta as lesmas no quintal e chupando o divino açúcar das mouras frutas, respondia-lhe com toque matreiro que nada sabia, só pelo prazer de a ouvir contar a mesma lengalenga: o célebre montador representa o arauto medievo das epístolas, antes dessa modernice do telégrafo e quando os mansos cornos dos bois ritmavam o país, a par do toque da matriz. O país do atraso e dos atrasados.

A Dona Antónia também é piegas, além de improdutiva. Nunca passou da cepa torta, coitada, e nos correios jamais foi promovida porque perdia muito tempo a ouvir as maleitas dos velhotes que iam levantar a pensão e contar as côdeas perdigotando o dedo. Nas acções de formação fugia-lhe o olho lírico para o Chefe Jaime, mas este, nada piegas, queria ser secretário de estado das telecomunicações e nunca lhe deu bola.

O Chefe Jaime era conhecido pelas suas ideias avançadas, particularmente quando dizia que só ele faria o trabalho dos quatro colegas da estação dos Prazeres, alarido que muito agradou à administração que, num ataque de proeficiência, despediu a Dona Antónia, A Senhora Perpétua, a jovem Vanessa e o precário Adérito. A Senhora Perpétua escrevia sonetos, que são uma pieguice pegada; a jovem Vanessa apaixonou-se pelo vocalista surdo dos anzóis danados e a paixão é um fogo que queima as pálpebras da eficácia e o precário Adérito, ah, o precário Adérito, tinha uma fantasia sexual com as tartarugas da Antártida, que são, é sabido, muito lentas.

O resmunguarda não sabia o que dizer, mas a sua patologia melancólica fazia-o desconfiar do metódico condutor que atropelou o Tobias só porque a fera não estava na passadeira. Custe o que custar, dizia o automobilizado, o meu carro há-de passar.

A Dona Antónia enterrou o Tobias no quintal e em vez de lápide plantou uma preguiçosa oliveira grega que levanta os braços para o Sol – devagar, muito devagar.

Crónica de João Teixeira Lopes, em "P3".

Até a essência da língua perdemos...



"Quando eu escrevo a palavra acção, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o C na pretensão de me ensinar a nova grafia.

De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa.

Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim.

São muitos anos de convívio.

Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes CCC's e PPP's me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância.

Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora:  - não te esqueças de mim!

Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí.

E agora as palavras já nem parecem as mesmas.

O que é ser proativo?

Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.

Depois há os intrusos, sobretudo o R, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato.

Caíram hifenes e entraram RRR's que andavam errantes.

É uma união de facto, e  para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem.

Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os EEE's passaram a ser gémeos, nenhum usa ( ^^^) chapéu.

E os meses perderam importância e dignidade; não havia motivo para terem privilégios. Assim, temos  janeiro, fevereiro, março, são tão importantes como peixe, flor, avião.

Não sei se estou a ser suscetível, mas sem P, algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.

As palavras transformam-nos.

Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos.

Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do C não me faça perder a direção, nem me fracione, e nem quero tropeçar em algum objeto.

Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um C a atrapalhar.

Só não percebo porque é que temos que ser NÓS a alterar a escrita, se a LÍNGUA É NOSSA ...? ! ? ! ?


Os ingleses não o fizeram, os franceses desde 1700 que não mexem na sua língua e porquê nós ?
Será que não pudemos, com a ajuda da troika, recuperar do deficit na nossa língua ?
Ou atão deichemos que os 35 por cento de anal fabetos fassão com que a nova ortografia imponha se bué depréça !"

Arménio Casal

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Quando penso que já pouca coisa me surpreende...

Não fiques indiferente...Portugal.

As autoridades nada podem fazer? como assim??? Mesmo sendo uma propriedade privada e não se tendo em conta as leis que defendem o bem estar animal, é uma questão de saúde pública!!!! Existem animais em decomposição a céu aberto...........




"PROTESTEM!!! NÃO PODEMOS PERMITIR QUE ESTE HOLOCAUSTO CONTINUE!


ENVIE O SEU EMAIL de desagrado e protesto perante esta situação que sucede há vários anos no município de Lagoa! 
(ver mais abaixo na descrição os contactos + modelo de carta + petição)

Já foram feitas denúncias às entidades competentes, nada foi feito.

Os animais vivem em condições deploráveis, completamente negligenciados, estão esqueléticos de tanta fome que têm.


É inadmissível e inacreditável como vivem estes seres, vacas, porcos, ovelhas, cavalos, cães... é um HORROR! 

Fotos e info retirados do Link;
https://www.facebook.com/groups/235181663233354/photos/

Grupo "Alerta para chacina em Lagoa":
https://www.facebook.com/groups/235181663233354/

Link no Liveandcare.org; http://www.liveloveandcare.org/blog/2012/02/animais-negligenciadosmortos-e-outros-prestes-a-morrer-em-lagoa/



............................................................

ENVIE EMAIL DE PROTESTO E INDIGNAÇÃO PARA:

gapresidente@cm-lagoa.pt,
dirgeral@dgv.min-agricultura.pt,
secretariado.direccao@dgv.min-agricultura.pt,
gabministra@mamaot.gov.pt,
gab.seaot@mamaot.gov.pt,
belem@presidencia.pt,
gp_ps@ps.parlamento.pt,
gp_psd@psd.parlamento.pt,
gp_pp@pp.parlamento.pt,
bloco.esquerda@be.parlamento.pt,
gp_pcp@pcp.parlamento.pt,
PEV.correio@pev.parlamento.pt,
luispaulo.alves@europarl.europa.eu,
regina.bastos@europarl.europa.eu,
luismanuel.capoulassantos@europarl.europa.eu,
mariadagraca.carvalho@europarl.europa.eu,
carlos.coelho@europarl.europa.eu,
antonio.campos@europarl.europa.eu,
mario.david@europarl.europa.eu,
diogo.feio@europarl.europa.eu,
josemanuel.fernandes@europarl.europa.eu,
elisa.ferreira@europarl.europa.eu,
joao.ferreira@europarl.europa.eu,
ilda.figueiredo@europarl.europa.eu,
anamaria.gomes@europarl.europa.eu,
marisa.matias@europarl.europa.eu,
nuno.melo@europarl.europa.eu,
vital.moreira@europarl.europa.eu,
mariadoceu.patraoneves@europarl.europa.eu,
miguel.portas@europarl.europa.eu,
paulo.rangel@europarl.europa.eu,
rui.tavares@europarl.europa.eu,
nuno.teixeira@europarl.europa.eu


Cópia em Cc:

secdir@jn.pt,
jn.online@jn.pt,
direccao@cmjornal.pt,
dn@dn.pt,
info@ionline.pt,
contacto@siconline.pt,
teresadimas@sic.pt
agenda.informacao@rtp.pt,
relacoes.publicas@tvi.pt,
lmartins@lusa.pt,
agencialusa@lusa.pt

..............................
ASSINE A PETIÇÃO
Petição Contra a chacina em Lagoa! 
http://www.peticaopublica.com/?pi=P2012N20465

..............................
MODELO DE CARTA

Venho mostrar o meu desagrado e protesto perante uma situação que se sucede município de Lagoa há vários anos!

Perante as imagens, os relatos de pessoas que o presenciaram pessoalmente, há animais mortos, outros prestes a morrer e mais uns quantos com visíveis maus tratos. Depois de feitas várias denúncias às entidades competentes, nada foi feito!

Alguns dos animais mortos, encontram-se já em elevado estado de decomposição e por enterrar. Os ainda vivos, mostram-se visivelmente malnutridos, doentes, sem falar dos locais onde são mantidos, no meio de lixo, incluindo restos de cadáveres em putrefacção.
Exijo que tomem as devidas providências, de forma a terminar com este crime horrendo e salvaguardar a vida dos animais que ainda estão vivos!
É inadmissível que em pleno século XXI num país da União Europeia se assista a um cenário medieval como este. Um verdadeiro campo de concentração ao qual as autoridades competentes nada fazem.
Exijo que este caso seja resolvido salvaguardando a vida destes animais e que jamais volte acontecer o mesmo num país dito civilizado.

Diz em síntese a Directiva 98/58/CE do Conselho, de 20 de Julho de 1998, relativa à protecção dos animais nas explorações pecuárias

Os Estados-Membros tomarão disposições para que os proprietários ou detentores de animais assegurem o bem-estar dos animais ao seu cuidado e garantam que não lhes sejam causados sofrimentos, dores ou lesões inúteis. De acordo com a experiência e os conhecimentos científicos, as condições de criação dizem respeito aos seguintes pontos:

• Pessoal: os animais devem ser tratados por pessoal em número suficiente e que possua capacidades e competência profissional adequadas.
• Inspecção: todos os animais mantidos em explorações pecuárias devem ser inspeccionados pelo menos uma vez por dia. Os animais doentes ou lesionados devem ser tratados sem demora e, se necessário, isolados em instalações adequadas.
(...)
• Instalações e alojamento: os materiais utilizados na construção dos alojamentos devem poder ser limpos e desinfectados. A circulação do ar, o teor de poeiras, a temperatura e a humidade devem manter-se dentro de limites aceitáveis. Os animais mantidos em instalações fechadas não devem ficar em escuridão permanente nem ser expostos continuamente a luz artificial.
(...)
• Alimentação, água e outras substâncias: os animais devem ser alimentados com uma dieta saudável e adaptada, em quantidade suficiente e a intervalos regulares. É proibida a administração de outras substâncias, com excepção das necessárias para fins terapêuticos ou profilácticos ou das destinadas a tratamento zootécnico. Além disso, o equipamento de fornecimento de alimentação e água deve minimizar os riscos de contaminação.
(...)

Relembramos o que diz a nossa Constituição para a PROTECÇÃO AOS ANIMAIS:

Lei n.º 92/95 de 12 de SetembroA Assembleia da República decreta, nos termos dos artigos 164.º, alínea d), e 169.º, n.º 3, da Constituição, o seguinte:

CAPÍTULO I

Princípios gerais

Artigo 1.º
Medidas gerais de protecção

1 - São proibidas todas as violências injustificadas contra animais, considerando-se como tais os actos consistentes, sem necessidade, se infligir a morte, o sofrimento cruel e prolongado ou graves lesões a um animal.

2 - Os animais doentes, feridos ou em perigo devem, na medida do possível, ser socorridos. (…)

Atenciosamente,
(O seu nome)"


domingo, 5 de fevereiro de 2012

"A cultura da morte"


"Há quem considere que a tourada seja cultura, há quem a encare como tradição. Mas é apenas o que o homem tem de pior"(...)

(...) "Sejam lutas de cães na América Latina, sacrifícios de animais em locais públicos do Nepal, combates de galos na Tailândia ou touradas na Península Ibérica, tudo se resume à tortura para diversão de humanos." (...)

Fonte e desenvolvimento aqui - P3

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Juno - a história de uma heroina...


Todos temos heróis e referências na vida que nos inspiram, pois bem, os meus são os "Junos" que vagueiam por esse mundo fora...uns têm a sorte de mostrar como são valiosos, outros a infelicidade de morrer às nossas mãos...pena que nem todos reconheçam e vejam como são seres maravilhosos.

"Qualquer pessoa que adota um cão ou gato de um abrigo pode perceber que há algo em comum a todo animal resgatado: ele recebeu uma segunda chance de vida. Este é certamente o caso de Juno, uma cadela da raça Belgian Malinois que foi resgatada de um abrigo poucos dias antes de ser eutanasiada. Mas desde que foi viver com sua nova família em Alcoa, Tennessee, EUA, Juno também assumiu o papel de salvadora do garoto Lucas Hembree, de 4 anos de idade. As informações são do site Global Animal."

Fonte e desenvolvimento da história aqui - ANDA