segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

"O escândalo do falso acordo"


Concertação Social não pára de aumentar.

O mal-estar causado pela assinatura do Acordo de Concertação Social não pára de aumentar. E, à medida que se conhecem os itens do documento, as baterias apontadas ao eng.º João Proença são cada vez mais. Torres Couto, fundador da UGT, afirmou que o acto é "suicidário" e que aquela central caminha para a dissolução. E sindicatos e sindicalistas afins não param de criticar, por vezes acerbamente, o que entender ser uma capitulação de Proença. Este, claramente irritado, tem procurado defender-se com argumentos tão irracionais como idiotas, mas o que está em causa deita por terra qualquer tentativa de justificação. 

O dr. Passos Coelho subiu ao palco e disse, entre outras banalidades e omissões, que se estava em presença "de uma grande coligação social." Não é assim. O primeiro-ministro não aceita as evidências e quer enganar quem? Com a saída da CGTP, o desenrolar dos acontecimentos são de molde a preocupar. Menos de vinte e quatro horas depois, uma manifestação de descontentes gritou a sua cólera perante o edifício do Parlamento. "E isto não vai parar!", exclamou Carvalho da Silva, que vai deixar o lugar de secretário-geral da CGTP, por exigências estatutárias, e ser substituído por Arménio Carlos. 


Claro que apareceram aduladores do documento. Os mais despropositados foram o dr. Tavares de Miranda e o também dr. Braga de Macedo, recuperados de um limbo onde muito bem estavam. O dr. Miranda discreteou acerca das inabaláveis virtudes de um texto, cujos objectivos salvíficos são comoventes. Parece que a pátria estava em perigo de soçobrar, não acontecesse a assinatura singularmente patriótica do eng.º Proença. E o dr. Braga, sempre muito inteligente, exautorou as declarações de Torres Couto, de quem disse ser muito amigo, fora o despautério daquele absurdo "radicalismo"; ou foi "fundamentalismo" o que disse? 

O facto é que o "acordo" é um texto beligerante, que desfere golpes terríveis em muitos avanços sociais do mundo do trabalho. A Imprensa tem enumerado a lista e chega a ser sórdido o que patrões e governo querem fazer com o apoio sorridente do eng.º Proença. Este, desasado e sem saber onde se meter, culpa os jornalistas. Os jornalistas são culpados de muita coisa; mas de esta, não. O eng.º Proença cumpre, aliás, o desígnio histórico que tem caracterizado o seu trajecto e o da UGT. Não vale a pena cauterizar velhas feridas fazendo ressurgir histórias ignóbeis. Mas cada um come do que quer e a mais não é obrigado. 

A verdade é que as ambições patronais foram obtidas, com a conivência de UGT, e não há volta a dar ante as circunstâncias. O escarmento de que o eng.º Proença é alvo não é injusto: ele assumiu as responsabilidades de fazer o que fez, num momento particularmente dramático da sociedade portuguesa e, em especial, da classe trabalhadora. Porque é esse o caso. Todos nós, os que trabalhamos, operários, jornalistas, professores, mecânicos, motoristas, vamos ser atingidos pela onda avassaladora de uma série de iniquidades de que a UGT é responsável. É extremamente significativo ver quem apoia e aplaude este acordo. E a desvergonha aumenta quando o eng.º Proença agita a bandeira da "meia hora" como vitória singular. A verdade é que a historieta da "meia hora" foi um engodo, enganador como todos os engodos. As coisas estavam preparadas e cumpliciadas para se apresentar a "cedência" governamental e patronal como ganho sindical. O embuste servia para justificar o que aí vinha. 

Estamos em pleno reino da infâmia. Enfraquecido pelas pressões conservadoras e ultraliberais e pelas traições oportunistas de aventureiros sem escrúpulos, o mundo do trabalho está cada vez mais encostado á parede do seu infortúnio. Porém, a história no-lo ensina que os incidentes de percurso, por dramáticos e dolorosos que sejam, são superados pela força da razão. Estamos num desses períodos, em que tudo parece perdido. Mas não está. O estádio civilizacional será, ocasionalmente, interrompido, mas não é nunca uma etapa definitiva. E o poder, quase totalitário, que parece avassalar a Europa, começa, aliás, a apresentar fissuras. Todas as derrotas são aparentes, por muito duradouras no aspecto. E não há conquista sem luta nem luta sem sofrimento."

Fonte: Baptista Bastos

domingo, 22 de janeiro de 2012

O que não se fala sobre o Amor...

As canções e os poemas ignoram tanto acerca do amor. Como se explica, por exemplo, que não falem dos serões a ver televisão no sofá? Não há explicação. O amor também é estar no sofá, tapados pela mesma manta, a ver séries más ou filmes maus. Talvez chova lá fora, talvez faça frio, não importa. O sofá é quentinho e fica mesmo à frente de um aparelho onde passam as séries e os filmes mais parvos que já se fizeram. Daqui a pouco começam as televendas, também servem.

Fonte: - Visão, Janeiro 2012
Peixoto , José Luís.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

As Saudades Curtas.

Também as versões-formiga dos maiores sentimentos têm tanto direito ao respeito como os leões e as impalas. Até por serem muito mais numerosas e frequentes, como está a multidão de insectos para com a pequena minoria dos vertebrados. 

A minha formiguinha emocional são as saudades curtas que eu tenho da Maria João. Plenas não posso ter, graças a ela e a Deus, porque são poucos os momentos em que ela não está comigo. Mesmo não sendo muitas, essas faltas, por muito felizmente pequenas e provocadas pela necessidade, são suficientes para incutir em mim a dor, nem que seja por cinco minutos apenas, de estar separado dela. 
Parecem estúpidas as saudades curtas. São certamente insensíveis e solipsistas, perante as saudades longas e profundas, que não têm cura nem, por serem insolúveis, têm a esperança de, um dia, deixarem de existir. 
São saudades de uma hora, de um almoço perdido, de uma tarde interrompida. Parecem irracionais e ingratas, estas saudades curtas, de que sofrem as pessoas apaixonadas e felizes ou infelizes. 
Mas não são. Daqui a um X número de horas, vou morrer. Daqui a um Y número de horas, vai morrer a Maria João. Morra quem morra, com a maior ou mais pequena das antecedências, o certo é que o tempo da vida e da saudade está contado. 
Cada hora que não estou com ela está para sempre, definitivamente, finitamente perdida. E é daí que vêm as saudades curtas do amor, que tomam cada momento por uma vida. Só por amor se vive assim. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (18 Jun 2011)'

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

movies and words...



They say you fall in love only once, but everytime I look at you, I fall in love all over again.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Brutal, mas imprescindível de ser visto...

Afinal quem são os verdadeiros piratas?!
Este documentário, que me deixou "perplexa"...só prova aquilo que penso há anos sobre a ONU - cambada de fantoches que satisfazem os interesses dos mais fortes e ricos...

Obrigatório...

 Clicar nos link's, para visualizar.

"Assassina de cães e gatos em SP pode ter matado mais de 30 mil animais em 8 anos."...

Publico aqui esta notícia, com o intuito de que todos aqueles que resgatam animais da rua e os protegem, que o façam mesmo, que os protejam...não virem as costas ao destino dos animais em causa...entregá-los em abrigos, fat's, adoptantes, etc não chega, é de extrema importância acompanhar a vida destes animais durante todo o processo...caso contrário; "é pior a emenda que o soneto".


Tomem isto como exemplo. Muitas foram as associações e particulares; ditos protectores de animais a entregar os mesmos a esta "senhora"... Brasil, mas podia ser por cá.

..."Depoimentos de vários protetores, vizinhos e de um detetive apontam que o número de animais mortos é imensamente maior do que o encontrado esta semana. Segundo o detetive particular, contratado por protetores independentes, somente nos 20 dias em que ele esteve vigiando o local, cerca de 300 animais entraram na casa dela e nenhum deles saiu."...



Sobre este assunto:
"Animais para adoção - São Paulo disse...

Olha gente, eu tô com a minha opinião sobre isso engasgada já há alguns dias. Vou falar e quem não gostar que se lixe. Mesmo que não tivessem circulado esses alertas, qualquer pessoa com um mínimo de inteligência teria uma pulga gigantesca incomodando atrás da orelha. Quando a esmola é muita o santo desconfia. Como uma pessoa consegue recolher e manter tantos cães e gatos? Tem gente que entregou DEZENAS de animais a ela num único mês! O que essas pessoas estavam pensando quando faziam isso? Será que não paravam e se perguntavam como ela vai mantê-los, abrigá-los ou doá-los? Ou simplesmente pensavam que era só largar lá na casa dela e virar as costas para que todos os problemas fossem resolvidos? Pô gente, papai noel não existe. Se todos os protetores e associações enfrentam infinitas dificuldades pra manter seus resgatados, por que com ela seria diferente? Por que com ela seria mais fácil? Nem rica a mulher é para alguém pensar que ela tinha condições de resolver tudo o que acreditavam que ela estava resolvendo. Eu sei que falar é fácil e que agora é muito tarde para todos esses animais que ela matou covardemente, mas quero que essa história tenha pelo menos um lado positivo e sirva de lição aprendida a duras penas: desconfiem de quem oferece mundos e fundos, desconfiem de quem proporciona tantas facilidades, acompanhem seus resgatados em lares temporários, abrigos e na casa dos adotantes, entendam que não dá para largar o animal com quem quer que seja e virar as costas. É o mínimo que se espera de pessoas conscientes e que já cansaram de ver de muito perto as atrocidades que o ser humano é capaz de cometer."...

domingo, 15 de janeiro de 2012

movies and words...


Usando as palavras de uma amiga...


..."Amigos defensores da causa animal,

Não sei se estão a par da nova página do Governo, na qual cada cidadão pode criar um MOVIMENTO que defenda algo que considere importante, e no final, o cidadão que criou o MOVIMENTO que tiver mais apoiantes terá uma audiência com o primeiro-ministro para defender a causa!

Depois de consultar os vários MOVIMENTOS existentes apercebi-me que para já existem 4 diferentes destinados à causa animal, são eles:
- Abolição das corridas de Touros;
- Animais reconhecidos pelo Estado Português;
- 2 pernas por 4 patas;
- Movimento contra as touradas.

Podem apoiar os 4! Não há problema! 

Se conseguirmos que um destes MOVIMENTOS seja o mais apoiado, é um grande passo na defesa dos animais!!!!

O link para apoiarem os MOVIMENTOS é: http://www.portugal.gov.pt/pt/o-meu-movimento/ver-movimentos.aspx?o=p

Atenção, antes de poderem apoiar algum dos movimentos, têm de se registar! ( canto superior direito da página)" ...

Ao momento existem já mais Movimentos neste âmbito, que podem apoiar...é só pesquisar...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

...“que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria." …


De românticos e de altruístas todos temos um pouco. Assim como se fossemos uma espécie de membros do Instituto de Socorros a Náufragos da Vida. Só que uns têm as quotas em dia para com a sociedade; outros, preferem olhar para o lado e pensar que os tempos são de crise, que anda meio mundo a tentar enganar o outro meio e que o Estado deve ser a “mão que embala o berço” dos mais desprotegidos.

Deparamo-nos diariamente com mendigos, desgraçados a quem a fortuna da vida lhes virou as costas (ou eles a ela); homens e mulheres que fazem das soleiras dos prédios ou dos bancos de jardim a sua cama, e do álcool e das drogas o seu ponto de fuga para um universo muito próprio. O deles.

Por vezes, a nossa tentação é a de, como que para aliviar a consciência, preencher com uns trocos ou com umas migalhas de comida a mão que se estende à nossa caridade. Outras vezes, voltamos a cara, não querendo ver a triste realidade que está perante nós, como se, assim, este estado de coisas não existisse e aquele que se aproxima de nós não passasse de uma sombra, sem corpo, sem alma, sem vida. É o risco de contágio pela cegueira da “crise”, a desculpa motivada pelos “tempos difíceis” que se avizinham. Sabemos na ponta da língua a velha frase: “se todos ajudarem, não custa tanto”. Mas custa.

Diversos organismos nacionais apontam para que o número de pobres em Portugal ande perto dos dois milhões de pessoas (dados do terceiro trimestre de 2011). Os exemplos entram-nos pelos olhos dentro, dia após dia, noticiário após noticiário… De facto, a televisão é um veículo por excelência para as denúncias dos ultrajes à vida humana, mas, cinicamente, tem a vantagem de nos separar dos miseráveis por um ecrã. Não nos toca na pele. E assim, com maior ou menor consciência, com maior ou menor leviandade, acabamos por fazer letra morta do que está escrito nas primeiras linhas da Declaração Fundamental dos Direitos do Homem: “que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria […]. Na Carta, os povos das Nações […] se declararam resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla”.

Há diversas pedras no caminho para se chegar a este ideal. Uma delas é inata na natureza humana: todos temos medo de ser enganados e de, nestes casos, estarmos a contribuir com dinheiro ou com comida para “mais um drogado”, ou para “mais um bêbado de rua”, que mal tem onde cair morto; para um parasita, que vive às custas dos nossos impostos, porque “é um malandro e não quer é trabalhar”. Cometemos bastas vezes um erro crasso – tomamos a nuvem por Juno.

Onde pretendo chegar com tudo isto? Ao homem que, todos os dias vejo nos semáforos da Avenida de França, no Porto, que empunha um simples pedaço de cartão no qual está escrito apenas: “TENHO FOME”. Está ali, parado e mudo, cabeça baixa. Nem sequer se aproxima de quem não se digna a abrir o vidro do carro, quanto mais não seja para dizer “não”. Vejo-o quase todos os dias, ali, parado, de cartaz na mão. Arranco ao sinal verde e ele lá fica. Mas, por incrível que pareça, acompanha-me quase sempre, durante grande parte do resto da minha viagem.

Publicado em "P3"


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Carta de Ano Novo para o Governo ...


"Excelentíssimos Senhores:
Primeiro-ministro,
Presidente da República,
Presidente da Assembleia da República,
Ministros,
Representantes do Governo e dos Partidos,
Deputados


Chamo-me Sandra, sou Professora do 1º Ciclo, por opção e, embora não tenha colocação há 5 anos, não perco o optimismo e a fé, e mantenho-me o mais activa possível pela melhoria da educação, do respeito e da humanidade.
Antes de continuar, quero informar que esta carta não será redigida segundo o novo acordo ortográfico, pois ainda prevalece em mim um pouco de orgulho no meu País e na minha cultura.
Há bastantes anos atrás, era eu ainda uma Criança, lembro-me de quanto orgulho eu tinha em Portugal. Era um País importante e diferente dos outros para mim, um País com uma grande História, uma forte cultura, cheio de tradições bonitas e de pessoas felizes.
Quando cresci, percebi que no País que eu admirava, havia muita coisa errada, e contra a qual não se fazia nada, não fiquei feliz e, por isso mesmo, fui perdendo o meu patriotismo. O que acredito que acontece aos poucos a milhares de portugueses.
Neste momento somos um País “fracturado”, onde a nossa cultura se desvanece por entre a multiculturalidade cada vez maior. Ao longo de curtos anos, tenho assistido a uma metamorfose que eu, como Portuguesa, não aceitei. A nossa Língua, confunde-se com a Língua Brasileira, o pequeno comércio tradicional que dava cor às ruas e que os turistas adoram, morre, engolido, não pelas grandes superfícies, mas pelas conhecidas lojas asiáticas que aumentam catastroficamente de dia para dia, oferecendo produtos sem qualidade duradoura, alguns até com materiais tóxicos, mas a preços tão baixos, que os portugueses não conseguem evitar, esquecendo até o quanto a China desrespeita os direitos humanos e, principalmente, os direitos das Crianças, forçando-as a trabalhar, aprisionadas, maltratadas e em condições miseráveis. Portugal e os Portugueses aceitam compactuar com isto? A nossa economia está a ser engolida pela economia chinesa que cresce vertiginosamente, às custas de Crianças, não respeitando as leis da concorrência, nem os Direitos Humanos.
Eu não quero a cultura de outro País, eu quero a minha cultura, eu quero pertencer a um País que respeita os Direitos do Homem, das Crianças e dos Animais.
Neste momento estamos no Século XXI, Portugal não é um País do Terceiro Mundo. Regredir ou “vender o próprio sangue” e Pátria não é a solução para o desenvolvimento. Somos Portugueses, temos uma longa História para contar e devemos provar que somos dignos dessa História e dos nossos antepassados.
Passaram milhares de anos desde que o Império Romano do Ocidente caiu, e, esse sim, foi um tempo horrível em que vendiam e usavam Crianças e Animais, pois além dos Romanos serem cruéis, não tinham conhecimentos científicos sobre o sofrimento Humano e Animal, como nós, felizmente, já temos nos nossos dias. Tantos séculos depois não se justifica, com todos os conhecimentos que temos, aceitarmos que se continuem a praticar actos cruéis contra seres indefesos comos as Crianças e os Animais.
Assim sendo, e para que não paremos no tempo e no desenvolvimento, é fundamental apostar na Educação e não marginalizá-la ou ridicularizá-la, ela é o bem primordial, para o correcto, honesto e humano, desenvolvimento e crescimento do País, em Português.
Esperando que estejam de acordo comigo e que, por isso, desejem tanto quanto eu e milhares de Portugueses, que Portugal se “cultive e dê frutos”, tornando-se num País mais bonito, com cultura própria e humanidade, um País de Portugueses com orgulho, capazes de melhorar e de fazer a diferença, venho pedir-lhes, Excelentíssimos Senhores, como cidadã Portuguesa, que, em 2012, redijam duas novas Leis, uma que Proteja verdadeiramente as Crianças em Portugal (anexo 1) e outra, muito importante, que Proteja os Animais em Portugal, dando-lhes um Estatuto de Animal, Ser Vivo, e não permitindo que continuem a existir abusos, maus tratos, abandonos e canis mais cruéis que arenas romanas (anexo 2).
No entanto, para que ambas as Leis sejam eficazes será necessário fiscalizar o próprio cumprimento das mesmas, por isso, além das Leis deve criar organismos que sejam obrigados a fiscalizar o cumprimento das Leis, devendo a Justiça punir também quem for negligente com o cumprimento das Leis ou quem tiver conhecimento do não cumprimento das mesmas.
Peço-lhe ainda que visite todas as alas do canil de Lisboa e de outros canis em Portugal, verá a razão pela qual os canis devem ser abolidos e substituídos por Casas Abrigo com Centros de Adopção, ou, pelo menos, por terrenos onde os Animais possam estar libertos e ao ar livre.

Confio e acredito que este Governo não nos desiludirá como todos os anteriores, e que este ano, 2011, seja o último em que vimos actos cruéis contra Crianças e Animais não serem punidos.

Disponho-me a ajudar no que for necessário para a criação das novas Leis.
Obrigada e um Feliz 2012


Anexo1 – Lei pela Protecção das Crianças (link)
Neste link verão dezenas de crimes cometidos nos últimos anos contra Crianças, as localizações dos mesmos e as falhas da Justiça.

Anexo 2 – Portugal no Séc.XXI (link)
Neste link verão dezenas de crimes cometidos nos últimos anos contra Animais e as cruéis condições em que os Animais são mantidos e aprisionados nos canis."


Sandra.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

movies and words...


I am nothing special; just a common man with common thoughts, and I've led a common life. There are no monuments dedicated to me and my name will soon be forgotten. But in one respect I have succeeded as gloriously as anyone who's ever lived: I've loved another with all my heart and soul; and to me, this has always been enough. 

Sim, sei bem


Que nunca serei alguém.


Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.


Fernando Pessoa.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Feliz Natal!...


A todos deixo os meus votos de boas festas, aproveitem para serem FELIZES, porque a vida é muito curta...e valiosa demais para ser desperdiçada!...

O Imperialismo americano, no seu melhor...


..."Para promover a sua colecção de roupa para a próxima Primavera, a criadora Donna Karan resolveu fazer uma campanha na cidade de Jacmel, no Sul do Haiti, devastado pelo terramoto de Janeiro de 2010.


Em primeiro plano vê-se a modelo brasileira Adriana Lima, rosto sério e olhar profundo, vestida com um macaco verde que custa cerca de 1500 euros. Mais atrás, dois rapazes haitianos, provavelmente sobreviventes do terramoto, com as suas t-shirts e a olhar o vazio. É esta combinação de luxo e miséria que está a gerar polémica."...

Desenvolvimento da notícia aqui - Jornal Público

Paradigma da crise...


Não podemos querer que as coisas mudem, se fazemos sempre o mesmo. A crise é a maior bênção que pode acontecer às pessoas e aos países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia assim como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem os inventos, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise supera-se a si mesmo, sem ter sido superado. Quem atribui à crise os seus fracassos e penúrias, violenta o seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a dificuldade para encontrar as saídas e as soluções. Sem crises não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crises não há méritos. É na crise que aflora o melhor de cada um, porque sem crise todo vento é uma carícia. Falar da crise é promovê-la. Não falar da crise é exaltar o conformismo. Em vez disto, trabalhemos arduamente. Acabemos de uma vez por todas com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.”

Albert Einstein

ULTRAJE a todos que defendem os direitos dos animais.


O FBI resolve definir como "terroristas" todos aqueles que denunciam sob a forma de video, em investigações undercover, todos aqueles que expõe sob a forma de imagens a tortura, os abusos e a crueldade das fazendas industriais e a realidade das "pesquisas científicas".
O ultra-reacionário FBI não me surpreende: afinal seu objetivo foi sempre defender as grandes corporações.
O fato é que, pela própria definição do termo "terrrorista", assim é qualificado quem:
- sistematicamente faz uso do terror como uma forma de coação
1. uso da violência e ameaças como forma de intimidação e coação, especialmente para fins políticos;
- provoca por estes meios um estado de medo ou de submissão
Sendo assim, para ocultar o TERROR que apoia, o FBI parece ter reinventado o sentido do termo, de forma a que os exploradores torturadores __ os verdadeiros TERRORISTAS __ sejam protegidos em suas prerrogativas de TERROR e ASSASSINATO.
Quem é submetido à violência?
Quem é mantido em estado de medo e submissão?
Quem é violentado, cortado, degolado, "experimentado", cegado, torturado, furado, morto, espancado, abusado, aprisionado, ofendido?


FBI Says Activists Who Investigate Factory Farms Can Be Prosecuted as Terrorists
www.greenisthenewred.com

Lido em "Cadeia para quem maltrata animais".




Notícias de última hora vindas de Taiji - Via Paul Watson

"Nenhum dos guardiães do The Cove foi preso durante a blitz realizada no hotel, mas todos os laptops, cameras e e celulares foram confiscados, sem razão alguma. Todos os guardiães do The Cove foram ROUBADOS e destituídos de suas propriedades pessoais e portanto, privados da possibilidade de registar as atrocidades em Taiji. Este é um ato de desespero que tenta silenciar a liberdade de expressão e corresponde a uma tentativa de encobrir a chacina dos golfinhos em Taiji. Agora, mais do que nunca, precisamos de voluntários no local para encarar os assassinos".
Qualquer semelhança com a decisão do FBI de taxar e julgar os autores dos documentários sobre os abusos com animais como "terroristas" NÃO é mera coincidência.
São todos farinha do mesmo velho e fétido saco.
Por estas curiosas inversões éticas, bandidos são os que registram os fatos.
E não aqueles que matam, torturam e exploram.
Estranhamente, 70 anos depois do covarde ataque a Pearl Harbour, hoje o governo americano parece andar de braços dados, amistosamente, com o governo do Japão.
É óbvio que sabemos o porquê: a localização do Japão é considerada "estratégica" pelos EUA. Roosevelt com certeza se revira na tumba, ao ver o que o país se tornou depois da II Guerra Mundial.
Norah


No último dia 16 o ativista do The Cove Erwin Vermeulen foi preso ao tentar registrar a transferência dos golfinhos das redes nos mares de Taiji para o "resort" onde são mantidos até a sua revenda para outros exploradores em sea aquariuns do mundo todo...
Estes são os que os japoneses preferiram não matar e sim vender.



In "Cadeia para quem maltrata animais"

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Enquanto o resto da Europa se preocupa em refinanciar os bancos a Islândia teve a coragem de seguir outro rumo...


Islândia triplicará seu crescimento em 2012 após a prisão de políticos e banqueiros.



Islândia conseguiu acabar com um governo corrupto e parasita. Prendeu os responsáveis pela crise financeira, mandando para a prisão. Começou a redigir uma nova Constituição feita por eles e para eles. E hoje, graças à mobilização, será o país mais próspero de um ocidente submetido a uma tenaz crise de dívida. 

É a cidadania islandesa, cuja revolta em 2008 foi silenciada na Europa por temor a que muitos percebessem. Mas conseguiram, graças à força de toda uma nação, o que começou sendo crise se converteu em oportunidade. Uma oportunidade que os movimentos altermundistas observaram com atenção e o colocaram como modelo realista a seguir.

Consideramos que a história da Islândia é uma das melhores noticias dos tempos atuais. Sobretudo depois de saber que segundo as previsões da Comissão Europeia, este país do norte atlântico, fechará 2011 com um crescimento de 2,1% e que em 2012, este crescimento será de 1,5%, uma cifra que supera o triplo dos países da zona euro. A tendência ao crescimento aumentará inclusive em 2013, quando está previsto que alcance 2,7%. Os analistas asseveram que a economia islandesa segue mostrando sintomas de desequilíbrio. E que a incerteza segue presente nos mercados. Porém, voltou a gerar emprego e a dívida pública foi diminuindo de forma palpável.

Este pequeno país do periférico ártico recusou resgatar os bancos. Os deixou cair e aplicou a justiça sobre aqueles que tinham provocado certos descalabros e desmandes financeiros. Os matizes da história islandesa dos últimos anos são múltiplos. Apesar de transcender parte dos resultados que todo o movimento social conseguiu, pouco foi falado do esforço que este povo realizou. Do limite que alcançaram com a crise e das múltiplas batalhas que ainda estão por se resolver. 

Porém, o que é digno de menção é a história que fala de um povo capaz de começar a escrever seu próprio futuro, sem ficar a mercê do que se decida em despachos distantes da realidade cidadã. E embora continuem existindo buracos para preencher e escuros por iluminar.

A revolta islandesa não causou outras vítimas que os políticos e os homens de finanças costumam divulgar. Não derramou nenhuma gota de sangue. Não houve a tão famosa "Primavera Árabe". Nem sequer teve rastro mediático, pois os meios passaram por cima na ponta dos pés. Mesmo assim, conseguiram seus objetivos de forma limpa e exemplar.

Hoje, seu caso bem pode ser o caminho ilustrativo dos indignados espanhóis, dos movimentos Occupy Wall Street e daqueles que exigirem justiça social e justiça econômica em todo o mundo.

Agora estou mais preparado para enfrentar um dia de notícias tugolesas!

Original em: http://forner179.blogspot.com/2011/12/is...to-en.html

Fonte: http://maestroviejo.wordpress.com/2011/1...-sociales/

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Pernoitas em Mim


pernoitas em mim 
e se por acaso te toco a memória... amas 
ou finges morrer 


pressinto o aroma luminoso dos fogos 
escuto o rumor da terra molhada 
a fala queimada das estrelas 


é noite ainda 
o corpo ausente instala-se vagarosamente 
envelheço com a nómada solidão das aves 


já não possuo a brancura oculta das palavras 
e nenhum lume irrompe para beberes 

Al Berto


domingo, 11 de dezembro de 2011

OS MEUS LÁPIS ERAM TRISTES


Eu sei pai. Não devia ter tirado o desenho do outro menino.
Mas era tão bonito!

Os carrinhos que ele desenhou eram de todas as cores e pintou uns balões no céu que pareciam rir-se para mim. E, sabes pai, nas casas dos desenhos dele, tenho a certeza, naquelas casas que ele fazia, as crianças nunca tinham frio nem medo.

Eu quis muitas vezes fazer desenhos como aqueles, juro que tentei pai.
Só que acho que os meus lápis eram tristes e quando riscavam no papel nunca pintavam aquelas cores.
É verdade pai. Eu sei que me deste lápis que, por fora, eram vermelhos, azuis e amarelos mas, por dentro, pai, eram todos cinzentos e, por mais que eu quisesse desenhar um sol, saía sempre uma bola escura e as casas pareciam sempre geladas e feias.

Não foi por mal, pai. Eu queria tanto uma caixa de lápis alegres que riscassem desenhos como aquele.
Mas os meus lápis eram tristes.

Chamava-se Bastien. Tinha três anos. Morreu em França às mãos do pai dentro de uma máquina de lavar roupa por ter tirado um desenho a um colega do jardim de infância.

Lido aqui.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

...foi o sorriso...


Creio que foi o sorriso,
sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.




Correr, navegar, morrer naquele sorriso.


Eugénio de Andrade

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Continua a ser este o canil/gatil da câmara municipal de Lisboa...e é este tipo de gente que lida com os animais...


Lisboa – visita ao canil com novos incidentes. Obras continuam paradas.

Apesar de terem ficado com os pneus furados, concretizou-se hoje, 5/12, entre as 11h e as 12h10m, a visita da autora da providência cautelar e de uma voluntária do Grupo de Lisboa ao canil/gatil de Lisboa para visitar os animais aí detidos e verificar o cumprimento das diversas alíneas da sentença da providência cautelar.

Acção idêntica, em que a autora estava acompanhada do advogado, tinha anteriormente sido gorada pelos responsáveis do canil/gatil (ver post de 19 de Outubro). Posteriormente, e em resposta ao e-mail que lhe foi dirigido (ver post de 11 de Novembro), o novo técnico responsável pelo canil/gatil, Dr. Vasco Ribeiro, informou que a autora, na sua qualidade de munícipe, podia realizar a visita quando entendesse. E assim foi feito.

Inicialmente, a Drª Filomena e Drª Ana Machado, que receberam os membros do Grupo, tentaram limitar a visita aos animais detidos no canil 3 por serem os adoptáveis. Perante a cópia do e-mail recebido do Dr. Vasco Ribeiro, que referia o canil na sua integralidade e a recusa liminar de aceitar limitações à visita, iniciou-se a mesma.

 O canil 3 alberga actualmente 28 cães. A maior parte das jaulas só têm um animal,  mesmo que seja de porte mínimo. Muitos cães estavam molhados. Pelo menos 3 casotas não têm tecto. Nenhuma jaula tinha comida, que nos informaram só ser dada por volta das 13h.

No canil 1 (ala fechada) estavam hoje 16 cães, 6 dos quais de porte pequeno. Também não tinham comida.

 No canil 2 encontravam-se, em semi obscuridade,  9 animais, ditos “suspeitos de raiva” e em quarentena. O espaço das celas é mínimo e só têm o lajedo gelado e molhado para se deitarem.

 No gatil estavam 22 gatos (gatos/as adultos e juvenis) e 1 cachorro numa jaula. A maioria estavam juntos (5 jaulas com respectivamente 3/4 animais), mas as jaulas estavam com as divisórias abertas. Tinham comida, água e areia.

No final da vista, foram escritas reclamações no respectivo livro, por incumprimento das alíneas c) e) g) e k) (ver post de 18 de Julho)

Em relação à alínea j) – passeios dos cães – não foi obtido esclarecimento.

Da mesma forma, em relação às alíneas b) d) h), ignora-se se estão a ser cumpridas ou não.

 À saída, um insólito acontecimento esperava as duas visitantes: os 2 pneus do lado direito de uma das viaturas estavam completamente em baixo. Depois de chamado o reboque constatou-se, na oficina, que também os 2 pneus da direita da outra viatura tinham sido perfurados com um objecto cortante. Uma vez que os golpes foram feitos na parte lateral, os pneus ficaram inutilizados.

O acesso viário ao canil é exclusivo e termina na porta do mesmo, onde existe segurança permanente que garantiu que durante aquele intervalo de tempo ninguém do exterior tinha chegado ao canil.

Foi apresentada queixa-crime na PSP contra as pessoas presentes no canil/gatil, excluindo as três que acompanharam as visitantes.

 Conclusão: neste momento estão ao todo no canil/ gatil 54 cães e 22 gatos. Recordamos que antes da providência cautelar só o canil 1 chegava a ter 67 cães.

É preciso conhecer as estatísticas completas do movimento de entradas, saídas e abates no canil/gatil nos últimos meses para interpretar estes dados.


 In Campanha de Esterilização de animais abandonados.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

meu coração é só meu


Ele também aprecia mais o meu raciocínio e o meu talento do que este coração, sem dúvida o meu único orgulho, a fonte de tudo, de toda energia, de toda ventura e de toda desgraça. Ah, o que eu sei, qualquer um pode saber… Mas o meu coração é só meu.




Goethe. Livro “Os sofrimentos do jovem Werther”.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

o máximo prazer da vida...


Entendeu que as palavras de Nietzsche significavam que era preciso escolher sua vida_ele tinha de usufruí-la em vez de ser ‘usufruído’ por ela. Em outras palavras, tinha que amar seu destino. E, acima de tudo, havia a pergunta que Zaratustra sempre fazia_ se gostaríamos de repetir a mesma vida eternamente. Uma idéia curiosa e, quanto mais Julius pensava nela, mais seguro se sentia: a mensagem de Nietzsche para nós era viver de forma a querer a mesma vida sempre.

Irvin D. Yalom. Livro “A cura de Schopenhauer”.


Sopros da vida...

Cada vez que respiramos, afastamos a morte que nos ameaça. (…) No fim, ela vence, pois desde o nascimento é esse  o nosso destino e ela brinca um pouco com a sua presa antes de a comer. Mas continuamos a viver com grande interesse e inquietação durante o máximo tempo possível do  mesmo modo que sopramos uma bola de sabão até esta ficar bastante grande, embora tenhamos a certeza absoluta que vai rebentar.”





Schopenhauer. Livro  “O mundo como vontade e representação”.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Inverno (árabe) do nosso descontentamento



Apesar do apoio da China e da Rússia (por interesses geopolíticos estratégicos?), um número cada vez maior de países tem condenado a violência exercida pelas forças de segurança e pelo exército do regime ditatorial da Síria contra o seu próprio povo. Os manifestantes, apesar da repressão, não desarmam. A comunidade internacional tem, até ao momento, evitado intervir directamente nesta luta. E o sinal mais forte até acabou por vir mesmo da Liga Árabe, que suspendeu a Síria da condição de membro, até que a violência contra os manifestantes anti-regime termine. Bashar al-Assad está, assim, cada vez mais isolado.

Em comum com as lutas travadas na Tunísia, no Egipto ou na Líbia, o que move o povo sírio é o desejo de liberdade, de colocar um ponto final no reinado mantido por opressores e torcionários. Estima-se que os mortos no conflito armado, que dura desde o início deste ano, ultrapassem em muito os 3.000.

Todavia, a questão síria tem contornos muito complexos, nomeadamente no que respeita ao peso político internacional dos seus – ainda – aliados (como a China e a Rússia), ao poder económico de outros dos seus apoiantes (como o Irão) e aos interesses de alguns dos seus agora opositores (como a Turquia). Por isso, e infelizmente, este conflito interno ameaça ser mais longo e duro do que aqueles que agitaram os seus vizinhos.

Contextualizando, o Oriente e o Norte de África estão, deste o final do ano passado, a braços com revoluções, protestos e manifestações populares. A renúncia de Ben Ali, na Tunísia, e de Hosni Mubarak, no Egipto, galvanizou os civis de diversos países à resistência e à luta, mais ou menos organizada, contra os regimes ditatoriais, a censura e a repressão que sofrem. Teve assim início a “Primavera Árabe”.

Já em Outubro, Muammar Khadafi foi morto a tiro, depois de ter sido capturado e torturado por rebeldes líbios, após largos meses de guerra civil. Nos dois primeiros casos, os “danos colaterais” (destruição das infra-estruturas vitais à economia dos países) foram relativamente baixos, quando comparados com o sucedido na Líbia.

Na Síria, são várias as organizações internacionais que, há meses, exigem que a comunidade internacional tome medidas concretas e eficazes contra o Governo sírio, tentando, deste modo, acabar com o que muitos apelidam de “atrocidades”, atingindo contornos de “crimes contra a Humanidade”. No entanto, e concretamente no que respeita à Organização das Nações Unidas, todas as tentativas de resolução apresentadas ao Conselho de Segurança foram, até ao momento, bloqueadas pela China e pela Rússia, dois fortes aliados do regime sírio.

Mas, enfim, estou convencida de que, seja pela fuga, por renúncia ou por morte, com maior ou menor apoio da comunidade internacional, uma coisa é inevitável: Bashar al-Assad acabará por ser afastado do poder. Até lá, tenho para mim que ainda assistiremos a muitas mais mortes, a muito mais destruição, a muitos mais crimes. A Síria será, no final de tudo isto, um país devastado, aniquilado, massacrado. Depois da “Primavera Árabe”, estamos prestes a assistir ao Inverno (árabe) do nosso descontentamento.

Publicado em p3 (Público)

domingo, 20 de novembro de 2011

"Be the change you want to see in the world"!


..."Não o forças a nada, não lhe bates, não lhe dás ordens, porque sabes que a brandura pode mais do que a força, que a água é mais forte do que a rocha, que o amor é mais forte do que a violência."... 

In Siddhartha, Hermann Hesse.


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

"A lógica dos afectos"


Amamo-nos a nós próprios nos outros; neles procuramos amiúde a mesmidade; a confirmação mais ou menos reconfortante do nosso pequeno mundo
Texto de João Teixeira Lopes 

Que os afectos tenham uma lógica, eis já todo um programa. Que não sejam produto livre do encantado e romanesco encontro amoroso; que resistam ao apelo da liberdade absoluta e da crença individualista na escolha do outro, que a escolha, enfim, seja parcialmente determinada, mediada, condicionada, eis todo um universo oposto ao espírito do tempo medido em ofegantes respirações de telenovela. Pois tudo nos arrasta em sentido contrário: a ausência de leis do amor puro; a sua força invencível para quebrar tradições e barreiras; a costureirinha que conquista o coração de ouro do príncipe de ouro banhado.

Outrora, nos manuais de sociologia, surgia uma curiosa e irritante frase de Peter Berger, que desafiava (e desafia ainda) o impulso heróico-romântico dos estudantes: a flecha de cupido é teleguiada. Por outras palavras, uma acumulação de estudos demonstrava que tendíamos a escolher alguém que nos replicasse no plano dos gostos, dos valores, das preferências ético-culturais. Em suma, e de forma, mais forte: afinidades electivas (título de um romance de Goethe, mas remetendo a uma origem química que designa as afinidades que destroem um composto em proveito de novas combinações – os entes amorosos transformam-se num só: uno, irredutível, coerente até à raiz).

Amamo-nos a nós próprios nos outros; neles procuramos amiúde a mesmidade; a confirmação mais ou menos reconfortante do nosso pequeno mundo. O encontro resulta, entre outros factores, de termos vivido no mesmo banho socializador, de frequentarmos os mesmos locais, cafés, festas, círculos de vizinhança e proximidade (Michel Bouzon). Até a forma como apreciamos eroticamente certas características pessoais e corporais, associando-as, não raras vezes, a traços de personalidade, traduzem (traem…) a moldura dos actos aparentemente mais livres de outras conotações. É certo que estes processos de escolha desviam-se frequentemente de estratégias explícitas, embora, em alguns casos, mais raros, elas se mantenham (“o bom casamento” dos “mercados matrimoniais” fechados ou os colégios da OPUS DEI no Porto, onde, quando elas e eles chegam à puberdade, frequentando colégios exclusivamente masculinos ou femininos, são introduzidos em “clubes” altamente reservados de tempos livres para “escolherem” um potencial companheiro amoroso sob altíssima vigilância).

Ao estudar as escolas secundárias do Porto verifiquei como estas lógicas podiam ser cruéis. Pobre da rapariga de meio burguês que ousasse partilhar afectos com o rapaz do bairro social. Teria a reputação destruída em torno de um processo de violenta ostracização.

Dir-me-ão que hoje é diferente, uma vez que transitamos em círculos sociais mais heterogéneos, que os espaços públicos baralham e misturam, que a mobilidade social enfraquece a semelhança. Ainda assim, um trabalho de pesquisa recente, feito em colaboração com António Firmino da Costa, mostrou-nos como as jovens mulheres, mais escolarizadas, “puxavam” pelos seus cônjuges, em geral com menor formação escolar, para estarem mais aptos a participar em determinadas conversas, círculos, rituais e encontros. Eles sabiam falar de futebol e alta cilindrada, mas elas pensavam, por boas ou más razões, que a frequência académica lhes abriria outros repertórios e lhes forneceria novas ferramentas.

Não irei mais longe. Não tenho a pretensão de que a sociologia tudo possa e deva explicar. E sei como as singularidades e excepções são correlativas da regra. Os trânsfugas de classe, cultura e etnia que o digam. Quem não se lembra, sem emoção, de todas as estórias de amantes de campos opostos, de famílias desavindas, de etnias a ferro e fogo, de ódios sociais e rácicos, que atravessam as pontes, para nelas, tantas vezes, se beijarem e morrerem? Não, a Sociologia felizmente não explica tudo.

Fonte: P3 (Público)

...Contudo não devemos viver em função das expectativas dos outros sobre nós, nem a vida dos outros (por muito atractivas que possam parecer ou nas quais nos identifiquemos bastante...), apenas a nossa própria vida, de acordo com as nossas expectativas e felicidade!...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

"Campanha da Benetton põe políticos aos beijos"


Com o lema “Unhate”, o tema central desta campanha é a união contra o ódio, sendo o slogan: “Neste mundo, o ódio nunca é apaziguado pelo ódio. Só o não odiar pode apaziguar o ódio”. Para isso, a empresa têxtil fez montagens com imagens de líderes políticos e religiosos aos beijos.

Veja aqui as imagens: http://unhate.benetton.com/

Fonte: "i"

Folhas ou estrelas...

..."A maior parte das pessoas, Kamala, são como uma folha que cai, que flutua ao vento, que hesita e que cai no chão. Mas há outros, poucos, que são como estrelas, que seguem um rumo firme, nenhum vento os afecta,  têm dentro de si as suas leis e o seu rumo"...


Siddhartha, Hermann Hesse.



terça-feira, 15 de novembro de 2011

O que Distingue um Amigo Verdadeiro

Não se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupação da alma e a ocupação do espaço, o tempo que se pode passar e a atenção que se pode dar — todas estas coisas são finitas e têm de ser partilhadas. Não chegam para mais de um, dois, três, quatro, cinco amigos. É preciso saber partilhar o que temos com eles e não se pode dividir uma coisa já de si pequena (nós) por muitas pessoas. 

Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém, chega a ser preciso ser-se inimigo de quem se gosta. 

Em Portugal, a amizade leva-se a sério e pratica-se bem. É uma coisa à qual se dedica tempo, nervosismo, exaltação. A amizade é vista, e é verdade, como o único sentimento indispensável. No entanto, existe uma mentalidade Speedy González, toda «Hey gringo, my friend», que vê em cada ser humano um «amigo». Todos conhecemos o género — é o «gajo porreiro», que se «dá bem com toda a gente». E o «amigalhaço». E tem, naturalmente, dezenas de amigos e de amigas, centenas de amiguinhos, camaradas, compinchas, cúmplices, correligionários, colegas e outras coisas começadas por c. 
Os amigalhaços são mais detestáveis que os piores inimigos. Os nossos inimigos, ao menos, não nos traem. Odeiam-nos lealmente. Mas um amigalhaço, que é amigo de muitos pares de inimigos e passa o tempo a tentar conciliar posições e personalidades irreconciliáveis, é sempre um traidor. Para mais, pífio e arrependido. Para se ser um bom amigo, têm de herdar-se, de coração inteiro, os amigos e os inimigos da outra pessoa. E fácil estar sempre do lado de quem se julga ter razão. O que distingue um amigo verdadeiro é ser capaz de estar ao nosso lado quando nós não temos razão. O amigalhaço, em contrapartida, é o modelo mais mole e vira-casacas da moderação. Diz: «Eu sou muito amigo dele, mas tenho de reconhecer que ele é um sacana.» Como se pode ser amigo de um sacana? Os amigos são, por definição, as melhores pessoas do mundo, as mais interessantes e as mais geniais. Os amigos não podem ser maus. A lealdade é a qualidade mais importante de uma amizade. E claro que é difícil ser inteiramente leal, mas tem de se ser. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Fragmento 36

São as pessoas que habitualmente me cercam, são as almas que, desconhecendo-me, todos os dias me conhecem com o convívio e a fala, que me põem na garganta do espírito o nó salivar do desgosto físico. É a sordidez monótona da sua vida, paralela à exterioridade da minha, é a sua consciência íntima de serem meus semelhantes, que me veste o traje de forçado, me dá a cela de penitenciário, me faz apócrifo e mendigo.



O Livro do Desassossego, Fernando Pessoa. Bernardo Soares.