terça-feira, 10 de abril de 2012

"The Bull Who Cried"


Evoluir apenas tecnologicamente e economicamente...não chega; precisamos e devemos evoluir como seres humanos, deixar de comer cadáveres de animais é um passo... percamos a ilusão...eles sentem e sofrem...

"The Bull Who Cried:

Knowing it was about to be slaughtered, a bull in Hong Kong did what many people fail to realize or are skeptic about when it comes to animals - he showed emotion.

As reported by "Weekly World News", a group of workers walked a bull to a packaging factory. They were about to slaughter him to make steaks and beef stews. When they were close to the front door of the slaughter house, the sorrowful bull suddenly stopped going forward and knelt down on his two front legs. The bull... was all in tears.

How did he know he was going to get killed before he entered the slaughter house? He is even smarter than people.

Mr. Shiu, a butcher recalled, "When I saw this kind of so-called "stupid" animal sobbing and with his eyes in fear and sorrow, I started trembling." "I called the rest over to see. They were just as surprised. We kept pushing the bull forward, but he just didn't want to move and sat there crying."

Billy Fong, owner of the packaging factory said, "People thought animals didn't cry like human beings. However that bull really sobbed like a baby." At that time, more than ten strong men witnessed the scene and they were all touched. Those who were responsible for slaughtering even felt more touched and teared as well.

Other workers working at the same slaughter house also came to see the crying bull. It was all packed with people. They were all shock by this scene. Three of them said they would never forget this crying bull when they slaughter other animals.

With both man and animal crying, everyone knew that nobody could kill the bull. The problem was, what should they do with him? In the end, they raised funds to buy this crying bull and sent him to a temple, where the kind monks would take care of him for life.

After the workers had made a decision, a miracle happened. A worker said, "When we promised this bull that we will not kill him, he started moving and followed us."

How did he understand people's words?

Mr. Shiu said "Believe it or not? This is real although it sounds unbelievable." No doubt, this bull changed these butchers' lives. 

Hopefully this story has in turn changed yours."



Lido em "Vegan Love"

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O Homem que Plantava Árvores.

"Esta animação delicada e única, vencedora do OSCAR® de filme curto de animação, é um tributo ao trabalho árduo e à paciência.

Conta a história de um homem bom e simples, um pastor que, em total sintonia com a natureza, faz crescer uma floresta onde antes era uma região árida e inóspita. As sementes por ele plantadas representam a esperança de que podemos deixar pra trás um mundo mais belo e promissor do que aquele que herdamos."



quinta-feira, 5 de abril de 2012

Não...

Patriota? Não: só Português.
Nasci português como nasci louro e de olhos azuis. 
Se nasci para falar, tenho que falar-me. 


Alberto Caeiro, in "Fragmentos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

quarta-feira, 4 de abril de 2012

"Hot, crowded, and running out of fuel: Earth of 2050 a scary place"

"A new report published by the Organisation for Economic Co-Operation and Development paints a grim picture of the world in 2050 based on current global trends. It predicts a world population of 9.2 billion people, generating a global GDP four times the size of today's, requiring 80 percent more energy. And with a worldwide energy mix still 85 percent reliant on fossil fuels by that time, it will be coal, oil, and gas that make up most of the difference, the OECD predicts.

Should that prove the case, and without new policy, the report warns the result will be the "locking in" of global warming, with a rise of as much as 6° C (about 10.8° F) predicted by the end of the century. Combined with other knock-on effects of population growth on biodiversity, water and health; the report asserts that the ensuing environmental degradation will result in consequences "that could endanger two centuries of rising living standards.""...

Fonte e desenvolvimento aqui - ars technica

terça-feira, 3 de abril de 2012

Portugal, país sem rebelião...

Já em tempos idos Guerra Junqueiro, fazia de nós como povo, uma descrição exacta e que continua tão actual...

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas..."


Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896.


domingo, 1 de abril de 2012

"Os alemães têm de pagar a crise"

Puseram os alemães  a produzir a seguir à II Guerra Mundial para se esquecerem de Hitler. E deu um enorme resultado. Se se fala hoje com um alemão do seu trabalho é um homem feliz. Se se tenta falar de Hitler embatuca.    

Hoje os alemães são um povo pacífico, simpático, moderno mas não toleram erros nas contas nem dívidas. (o ministro das Finanças  alemão, Wolfang Schaeuble, disse esta semana que eram uma droga). Muito menos que lhe toquem no valor do dinheiro.

Fabricar notas  é a coisa mais fácil do mundo e podia ser a solução para resolver a crise financeira. Naturalmente criando inflação. Mas como diz Paul Krugman a inflação pode ser a solução para a atual crise.  As dívidas encolhiam automaticamente.  Quem tem muito dinheiro naturalmente que ficaria com menos. E os alemães seriam os mais afectados.  

Só que a inflação é um fantasma quase tão negro para os alemães como  Hitler (foi ela, aliás, quem abriu a porta ao Fuhrer). Para pagarem as brutais indemnizações da I Guerra Mundial, impostas pelos aliados, imprimiram moeda muito acima da economia real  e causaram uma inflação gigantesca no país. A crise de 1929 fez o resto. Quando hoje o BCE segue uma política dura decontrolo da inflação, são os traumas alemães que estão por detrás. 


"Rendas  excessivas" alemãs  

Fala-se cada vez mais que os alemães se deviam lembrar hoje do que passaram. Tem fundamento? Parece ter. A guerra é outra mas o busílis é o mesmo.  Os alemães embarcaram na I Guerra porque estavam bem preparados para ela. Como se sabe foi uma carnificina. Os aliados vingaram-se a seguir, esmifrando-os com as dívidas de guerra.

Ora, salvaguardando distâncias óbvias, também nós embarcámos  numa guerra à doida do consumo com dinheiro a juros baixos que  não era nosso. Temos a vantagem de não termos morto ninguém. Só demos mesmo cabo de nós quando trocámos de  carro de dois em dois anos e saímos de  T2 para T5.  

Hoje, para nos salvarmos da bancarrota, os alemães  carregam-nos  forte nas "rendas excessivas" (para usar um termo em voga) sobre o  dinheiro que nos emprestam. Na Alemanha, dois anos a pão e água, de 1930 a 1932, bastaram para  Hitler chegar ao poder em eleições com 14 milhões de votos (37,5%).  

Por aqui, por mais brandos que sejam os costumes, nunca se sabe o que pode acontecer (afinal tivemos as guerras liberais e o estado de sitio nos anos 1920). E da dura Grécia nem se fala. Bem como da Espanha com "ganas",, à beira do resgate.    

O problema é os alemães não percebem que um Fuhrer pode ter muitas faces e nacionalidades. E o problema ainda maior, para  voltar ao princípio, é que  embatucam na história anterior a 1945. Hoje, umas lições a explicar-lhes que é melhor  pagarem a crise para não despertarem  génios do mal pela Europa fora, resolvia  o atual bloqueio europeu  do " mais um pacote de austeridade, mais um pacote de resgate".  

Paulo Gaião - Jornal Expresso.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Maus tratos a animais em Portugal, podem vir a ser punidos com pena de prisão.

Fico na esperança de que a negligência e maus tratos infligidos a animais em Portugal, se tornem de facto, actos considerados de crime e com efectiva pena de prisão. Já era sem tempo...



Artigo publicado no DN.

"Sapatos de pele: insegurança e escravidão na Índia e no Brasil"

Analisámos a responsabilidade social de 10 marcas de sapatos. No terreno, as condições de trabalho da produção de pele são degradantes e os direitos humanos e dos animais atropelados. A Timberland destaca-se pelas melhores políticas.

Arriscar a vida pela sobrevivência da família é a regra nalgumas regiões do Brasil e da Índia. Mergulhando nas terras longínquas do Mato Grosso, Brasil, ou nas fábricas de curtume do estado de Tamil Nadu, Índia, a viagem entre a criação de gado, o transporte para o matadouro e o curtume das peles mostra-nos a sombria realidade por detrás de uns simples sapatos.




A maioria das marcas de sapatos recorre a fornecedores e mostra-se pouco interessada pelo controlo da política social ou ambiental, bem como pelas fases iniciais do processo, relacionadas, por exemplo, com o bem-estar animal.

Entre as marcas mais conhecidas, a Timberland e a Ecco são as mais responsáveis. A Timberland é a melhor em toda a linha, quer pelas boas medidas, quer pela informação que presta do controlo exercido sobre os fornecedores de curtumes.

Tal como em todas as marcas analisadas, o ponto crítico reside ao nível do bem-estar animal. Com boas políticas e controlo sobre as fábricas de pele, a Ecco também não assume medidas ao nível do fornecimento de peles em bruto e nos ranchos.

Bata, Aerosoles, Aldo, Camper, Foreva, Hush Puppies e Merrel chumbaram na responsabilidade social, pois não evidenciam iniciativas para garantir boas práticas ao longo da cadeia de fornecimento de pele. Nenhuma disponibiliza informação no seu sítio na Internet ou outros canais e recusaram-se a colaborar. 

Fonte: "Deco Pro Teste."

Já existem produtos sintéticos de excelente qualidade, não há porque sustentar estes atentados aos direitos de seres humanos e não humanos.

quinta-feira, 29 de março de 2012

movies and words...



Paige: I vow to help you love life, to always hold you with tenderness and to have the patience that love demands, to speak when words are needed and to share the silence when they are not and to live within the warmth of your heart and always call it home. 

Leo: I vow to fiercely love you in all your forms, now and forever. I promise to never forget that this is a once in a lifetime love. 

O PORTUGAL FUTURO

o portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro
Ruy Belo

quarta-feira, 28 de março de 2012

...


Um homem, o seu cavalo e o seu cão iam por um caminho. Quando passavam perto de uma árvore enorme, caiu um raio e os três morreram fulminados.

Mas o homem não se deu conta de que já tinha abandonado este mundo, e prosseguiu o seu caminho com os seus dois animais (às vezes os mortos andam um certo tempo antes de tomarem consciência da sua nova condição…)

O caminho era muito comprido e, colina acima, o Sol estava muito intenso; eles estavam suados e sedentos. Numa curva do caminho viram um magnífico portal de mármore, que conduzia a uma praça pavimentada com portais de ouro.

O caminhante dirigiu-se ao homem que guardava a entrada e travou com ele, o seguinte diálogo: - Bons dias. - Bons dias – Respondeu o guardião. - Como se chama este lugar tão bonito? - Aqui é o céu.

- Que bom termos chegado ao Céu, porque estamos sedentos! - Você pode entrar e beber quanta água queira. E o guardião apontou a fonte. - Mas o meu cavalo e o meu cão também têm sede... - Sinto muito – disse o guardião – mas aqui não é permitida a entrada de animais.

O homem levantou-se com grande desgosto, visto que tinha muitíssima sede, mas não pensava em beber sozinho. Agradeceu ao guardião e seguiu adiante. Depois de caminhar um bom pedaço de tempo encosta acima, já exaustos os três, chegaram a um outro sítio, cuja entrada estava assinalada por uma porta velha que dava para um caminho de terra ladeado por árvores...

À sombra de uma das árvores estava deitado um homem, com a cabeça tapada por um chapéu. Dormia, provavelmente. - Bons dias – disse o caminhante. O homem respondeu com um aceno. - Temos muita sede, o meu cavalo, o meu cão e eu. - Há uma fonte no meio daquelas rochas – disse o homem apontando o lugar.

- Podeis beber toda a água que quiserdes. O homem, o cavalo e o cão foram até à fonte e mataram a sua sede. O caminhante voltou atrás, para agradecer ao homem. - Podeis voltar sempre que quiserdes – respondeu este.

- A propósito, como se chama este lugar? – perguntou o caminhante. - CÉU. - O Céu? Mas, o guardião do portão de mármore disse-me que ali é que era o Céu!

- Ali não é o Céu, é o inferno – contradisse o guardião. O caminhante ficou perplexo. - Deverias proibir que utilizem o vosso nome! Essa informação falsa deve provocar grandes confusões! – advertiu o caminhante.

- De modo nenhum! – respondeu o guardião – na realidade, fazem-nos um grande favor, porque ficam ali todos os que são capazes de abandonar os seus melhores amigos… 

Paulo Coelho

sexta-feira, 23 de março de 2012

Conversas soltas...

A propósito da notícia que informa o facto de nos E.U.A, treze estados passarem a permitir o porte legal de armas...

E. -  ...optimista como sou, já vislumbrei o meu futuro e não é bonito, envolve uma colecção de facas e catanas em casa para a proteger das pilhagens decorrentes dos inacabáveis tumultos sociais porque não há comida nem água e o governo fascista continua a espremer-nos...
C. - Acho que estás a exagerar...
E. -  já não é a selva?
 qual é o patamar que nos resta e que nos separa da anarquia total?
C. -  não é grande, na verdade.
E.-  pois, enfim
vamos esperando que o tempo não consuma os últimos vestígios de ética civilizacional que ainda nos restam....e tentando, com o nosso exemplo, não contribuir para a histeria crescente da sociedade em que parece que anda tudo nervoso e só é preciso um empurrãozinho para as pessoas se "passarem dos carretos"...

quinta-feira, 22 de março de 2012

" Remédios humanos podem ser letais em cães e gatos"

É comum ver em animais casos de intoxicação, alergias ou reações adversas a determinados remédios que são inofensivos aos humanos e a outras espécies.

“Parece que a adaptação do cão à vida doméstica aconteceu também no campo terapêutico e a automedicação tem se tornado cada vez mais comum”, revela Dra. Carla Berl, diretora do Hospital Veterinário Pet Care.

Além da intoxicação por conta do medicamento não ser adequado para cães, muitas vezes o remédio é administrado em doses inadequadas. “Outras vezes a intoxicação ocorre com medicamentos tópicos, pois o animal pode lamber pomadas e outras soluções”, pontua.

Gatos são ainda mais sensíveis e apresentam grande intolerância a medicamentos que são usados sem problemas em cães e humanos. “Não é raro um gato morrer ou correr sério risco de vida devido à intoxicação medicamentosa”, conta a veterinária.

“Em dezembro atendemos o Dourado, um lindo gato SRD que se intoxicou gravemente com a aplicação de um Piretróide usado no controle de pulgas e carrapatos. Ele ficou internado recebendo droga anticonvulsiva em infusão contínua por mais de 18 horas.

Ficou bem, mas muitas vezes não conseguimos reverter alguns quadros de intoxicação”, pontua Dra. Carla.

Para que cada vez menos casos como estes aconteçam, separamos uma pequena lista de medicamentos proibidos.

Alguns são fatais e outros podem causar reações adversas na dependência da dose e da sensibilidade do indivíduo. Lembre-se, procure SEMPRE a ajuda de um veterinário.

GATOS -MEDICAMENTOS PROIBIDOS:
Acido acetil salicílico (Aspirina®)
Paracetamol (Tylenol®, Anador®)
Pseudoefedrina (Claritin®, Tylenol Sinus®, Loratadina®)
Salicilato de Bismuto (Pepto Bismol®, Peptozil ®)
Iboprofeno (Advil®)
Piroxican (Feldene®, Inflamene®)
Enema de Fosfato (Fleet Enema®)
Xampu a base de Alcatrão (Sebotrat -O®, Ionil T®, Politar®)
Xampu com Benzoato de Benzila (Acarsan®)
Xampu com Acido salicílico.
Xampu com Sulfeto de Selênio (Selsun Ouro®, Selsun Azul®)
Peroxido de Benzoila – usar com cautela (Peroxidex®, Sana Dog®, Pertopic®)
Piretróide (Antiparasitário como Butox® )
Levamisol (Ascaridil®)
Azatioprina (Imuram®)
Piridium®
Diclofenaco potássio (Cataflan®)
Diclofenaco sódico (Voltaren®)

CÃES - MEDICAMENTOS PROIBIDOS:
Diclofenaco de potássio (Cataflan®)
Diclofenaco sódico (Voltaren®) e a grande maioria dos anti-inflamatórios de uso humano.
Piridium®.

CÃES - MEDICAMENTOS DE USO RESTRITO:
Ivermectina (Ivermec®, Vermectil®, Ivomec® entre outros). A ivermectina tem amplo uso em cães, mas os raças Collie, Border Collie, Pastor de Shetland, Sheepdog, Bearded Collie, Pastor Australiano e todos os seus cruzamentos são intolerantes ao seu princípio, apresentando sérias alterações neurológicas.

CÃES - MEDICAMENTOS DE USO CONTROVERSO:
Acetaminofem/Paracetamol (Tylenol®)
5- Fluororacil (Efurix®). De uso tópico se ingerido causa grave intoxicação.
Risperidona (Risperidon®).

CÃES - MEDICAMENTOS QUE REQUEREM CUIDADO NA DOSE:
Metronidazol (Flagyl®). Dose alta pode causar sintomas neurológicos.
Sulfa-Trimetroprina (Bactrim®). Quando em dose alta podem causar displasia de medula óssea levando a anemia e Hepatopatia em Labradores
Sulfassalazina (Azulfin®). Pode causar olho seco (KCS) nos cães.
Aspirina. A dose em cães deve ser muito menor que a dose em humanos.

Fonte: PetMag

Lido em "Animais S.O.S"

quarta-feira, 21 de março de 2012

Reflexo do nosso tempo...


Numa sociedade decadente, a arte, se for verdadeira, deve também reflectir a decadência. E a menos que queira atraiçoar a sua função social, a arte deve mostrar o mundo como mutável e ajudar a mudá-lo.
~Ernst Fischer

21 de Março - Dia Mundial da Poesia.


Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 20 de março de 2012

Bem vinda, Primavera!


Gosto das coisas de dentro. O que está por fora muda a cada estação. A essência, não.

Cecília Meireles


segunda-feira, 19 de março de 2012

"Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais".


 JOSÉ

Há três meses, em Deli, conheci a tradutora dos livros de José Saramago para hindi. Antes, conheci tradutores dos seus livros para búlgaro, alemão, holandês, italiano, croata, húngaro, romeno, finlandês, etc. A partir de certa altura, deixou de ser invulgar para mim chegar a um país e, antes ou depois de me apresentarem alguém, sussurrarem-me: é o tradutor do José Saramago. Entre os tradutores, entre aqueles que atravessam fronteiras com a delicadeza das palavras, traduzir a obra de José Saramago é um estatuto. Não vale a pena explicar aqui e agora, com detalhe, as razões para esse privilégio. Não sou a pessoa indicada para essa tarefa, não quero ser.

José Saramago disse-me muitas vezes: o José tem de pensar na sua obra. O José era eu. Aquilo que recordo com mais nitidez neste instante são as conversas que chegámos a ter, essa voz que me ensinava, que me incentivava a não me afastar do essencial: a vida, a vida. Eu ouvia.

Não sei há quantos anos foi, mas sei que foi no dia 1 de Maio. Estava a participar na Feira do Livro de Buenos Aires e, enquanto me dirigia para a sessão com José Saramago, não imaginava aquilo que ia encontrar. Milhares de leitores, dezenas de jornalistas. Essas imagens passam-me agora pela memória. Tenho pena que, em Portugal, a maioria das pessoas não as conhece. Iriam ter orgulho, tenho a certeza.

Telefonam-me de jornais e pedem-me um comentário à morte de José Saramago. Quando desligo, duvido dos adjectivos que escolhi, das palavras que fui capaz de dizer em segundos. O José tem de pensar na sua obra. A obra é tão oposta a tudo isto. Eu, José, não sei o que pensar.

Estou em Londres. Recebi a notícia há pouco mais de uma hora, sem adjectivos, por mensagem de telemóvel. Estava ao lado do Tamisa e fiquei parado no passeio, a olhar para uma frase simples. Este tempo: sem chuva, sem sol, apenas um céu opaco de nuvens indistintas, uma massa compacta de branco.

A Pilar del Rio sorria quase sempre, chamava-lhe José. Ele sorria-lhe de volta. Antes de conhecê-lo, imaginava toda a espécie de coisas sobre ele. Tinha lido os seus livros e tinha um deles autografado em Coimbra, após uma espera na fila em que observei cada um dos seus gestos e em que, durante segundos, lhe disse o meu nome. Anos mais tarde, quando o conheci, percebi que era uma pessoa e que essa verdade simples, que sempre estivera ao meu alcance, era grandiosa. Lembro-me muito bem do seu sorriso.

Estou em Londres. Depois de receber a notícia, regressei ao meu quarto de hotel. Escrevo estas linhas e, entre parágrafos, vou à janela e fico a olhar a Russel Square por instantes, os autocarros, as pessoas que passam. Regresso ao computador, na internet, uma amiga do facebook cita Saramago: "Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais".

Recebo um email do Jornal de Letras com links para diversos textos antigos sobre José Saramago. Há um que me chama a atenção, chama-se "Todas as palavras". Penso na banalidade desse trocadilho com o título do romance de Saramago. Que título desengraçado, penso. Decido ler o texto e percebo que foi escrito por mim em 2005.

É a morte, essa palavra, que me confunde. Passou pouco mais de uma hora desde que recebi a notícia. José Saramago era uma grande quantidade de coisas, mas há uma quantidade ainda maior de coisas que continua e continuará a ser. Em todo o mundo, continuam os seus tradutores e continuam os seus leitores, continuam as inquietações, as respostas e os silêncios, também necessários, que construiu dentro deles. Num canto da Europa, junto ao oceano, continua o seu país.

Temos o nosso país, pequeno e grande, e temos, espalhadas por séculos, figuras com a força suficiente para erguer um espelho que nos reflecte enquanto portugueses e enquanto seres humanos. Este dia, 18 de Junho de 2010, ficará associado ao tempo de um desses enormes. Começaremos hoje a tentar perceber o tamanho do quanto perdemos. Esperemos ser capazes de não nos afastarmos do essencial: a vida, a vida. A vida, José.


(José Luís Peixoto - Publicado na revista Visão e no jornal El Mundo, em Junho 2010)

domingo, 18 de março de 2012

movies and words...


Anna: - I just have to say one thing and it's really important that you just listen to me. I just... It doesn't feel like this, this thing is gonna go away, it's always there. I can't... I can't get on with my life. 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Arriscar é viver...


É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se a derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota.

Theodore Roosevelt