sexta-feira, 13 de abril de 2012

"Homossexuais contestatários" ???

À minha frente, no elevador, está um rapaz dos seus 16 ou 17 anos. Pelo modo como coloca os pés no chão, cruza as mãos uma sobre a outra e inclina ligeiramente a cabeça, percebo que é gay.
Estamos no edifício da FNAC do Chiado. Trabalho naquela zona e, pelo menos duas vezes por dia, subo e desço a Rua Garrett. Frequentemente, por comodidade, utilizo o elevador da FNAC: é uma forma prática de ir da Baixa para o Chiado e vice-versa.

Em todas as grandes cidades do mundo há lugares preferidos pelas comunidades gay. Não sei as razões que conduzem a essas escolhas, mas muitos guias turísticos já as referem. O Chiado é, em Lisboa, uma dessas zonas – e, de facto, cruzamo-nos aí constantemente com ‘casais’ de mulheres e sobretudo ‘casais’ de homens de todas as idades.

Julgo ser um facto notório que a comunidade gay está a crescer. Há quem afirme que não é assim – e o que se passa é que os gays têm cada vez menos receio de se assumirem, cada vez menos receio de revelarem as suas inclinações, tendo orgulho (e não vergonha) de serem como são.

Talvez esta explicação seja parcialmente verdadeira.

Mas, se for assim, é natural que o número de gays esteja mesmo a crescer. O assumir da homossexualidade por parte de figuras públicas acabará forçosamente por ter um efeito multiplicador, pois funciona como propaganda.

Até há duas gerações a homossexualidade era reprimida socialmente, pelo que muitos jovens com inclinações homossexuais teriam pejo de se assumir – acabando alguns por constituir família para afastar eventuais suspeitas. Conheço vários exemplos desses: casos de homens e mulheres que se casaram, vindo mais tarde a trocar o parceiro ou a parceira por uma pessoa do mesmo sexo.

Ora hoje passa-se o contrário: alguns jovens que não têm inclinações evidentes acabam por ser atraídos pelo mistério que ainda rodeia a homossexualidade e pelo fenómeno de moda que ela assumiu em determinados sectores. Não duvido de que há gays que nascem gays. Mas também há gays que se tornam gays – por influência de amigos, por pressão do meio em que se movem (no ambiente da moda isso é claro), e por outra razão que explicarei adiante e me levou a escrever este artigo.

Ao olhar esse jovem que ia à minha frente no elevador, pensei: será que há 20 anos ou 30 anos ele teria a mesma atitude, assumiria tão ostensivamente a sua inclinação? E, indo mais longe, se ele tivesse sido jovem nessa altura seria gay?

Tive dúvidas. Ao observar aquele rapaz tive a percepção clara de que a sua forma de estar, assumindo tão evidentemente a homossexualidade, correspondia a uma atitude de revolta.

Durante séculos, os filhos seguiram submissamente as orientações dos pais em matéria de profissão e casamento. Às vezes contrariados, mas seguiam. Havia famílias de diplomatas, de advogados, de arquitectos, de empresários, de comerciantes, de carpinteiros, de padeiros, de trabalhadores rurais.

Mas nos anos 60 dá-se na sociedade ocidental uma revolução que mudaria o mundo. É a geração dos Beatles, de Woodstock, do Maio de 68, da droga, do sexo livre e da contestação à guerra do Vietname – ‘Make love, not war’ –, da contestação em geral.

O termo ‘contestatário’ entrou na linguagem comum. As palavras ‘irreverente’, ‘insubmisso’, ‘rebelde’, etc. deixaram de ter uma conotação negativa e passaram a ser vistas como elogios. E não se tratava apenas de um fenómeno europeu. Uns anos antes, do lado de lá do Atlântico, filmes como Rebel Without a Cause (Fúria de Viver), de Nicholas Ray, faziam furor – e James Dean, o protagonista, tornava-se o ícone de uma geração ‘rebelde’ sem uma ‘causa’ bem definida.

Nessa época, um jovem que não fosse contestatário não estava bem dentro do seu tempo.

Pertenci a essa geração em que muitos jovens da minha idade estavam em guerra aberta com a família. Eu tinha amigos revolucionários, que andavam a pintar paredes com frases contra Salazar e a guerra colonial, ou em reuniões clandestinas contra a ditadura, cujos pais tinham lugares de confiança no regime salazarista.

Houve conflitos tremendos entre pais e filhos. Os pais, funcionários exemplares, presidentes de Câmara, directores-gerais, militares de elevada patente, etc., sofriam horrores com a irreverência dos filhos que andavam em manifestações, entravam em conflito com a Polícia e às vezes eram presos.

Em 1969, era o meu tio José Hermano Saraiva ministro da Educação Nacional, eu estava envolvido na luta académica contra o Governo na Escola de Belas-Artes. E pouco depois o meu irmão mais velho foi preso e julgado por ‘actividades subversivas’ – e quem o defendeu, num acto de grande coragem e dignidade, foi ainda o meu tio José Hermano, que era então deputado.

Acrescente-se que muitos dos políticos que hoje estão no activo andaram envolvidos em lutas estudantis e em movimentos revolucionários. O caso de Durão Barroso, que militou no MRPP, é o mais conhecido mas não é o único.

Nos dias que correm, todas essas ilusões revolucionárias morreram ou estão em vias de extinção. O fim da União Soviética e a queda do Muro de Berlim, a evolução da China para uma economia capitalista, a morte política de Fidel, tudo isso fez com que certos mitos desabassem e nascessem outras formas de recusa do modelo de sociedade em que vivemos.

Ora uma delas é a homossexualidade. Para alguns jovens, a homossexualidade surge como uma forma de mostrar a sua ‘diferença’, de manifestar a sua recusa de uma sociedade convencional, de lutar contra a hipocrisia daqueles que não têm coragem de se mostrar como são, de demonstrar solidariedade com aqueles que são discriminados ou perseguidos pelas suas opções.

Ser homossexual, para muitos jovens, é tudo isto. É uma forma de insubmissão. E, está claro, é um desafio aos pais. Se antes os jovens desafiavam os pais tornando-se ‘de esquerda’, hoje desafiam-nos recusando a ‘família burguesa’ e mostrando-lhes que há outras formas de relacionamento e até de constituir família. Aliás, assumir-se como homossexual talvez seja, por muitas razões, o maior desafio que um filho pode fazer aos pais.

Todas as gerações, desde esses idos de 60, tiveram os seus sinais exteriores de revolta. Foram os cabelos compridos, as drogas, as calças à boca-de-sino, as barbas à Fidel Castro, os posters de Che Guevara colados na parede do quarto.

Ora a exposição da homossexualidade é hoje uma delas. E a opção gay é uma forma de negação radical: porque rejeita a relação homem-mulher, ou seja, o acto que assegura a reprodução da espécie. Nas relações homossexuais há um niilismo assumido, uma ausência de utilidade, uma recusa do futuro. Impera a ideia de que tudo se consome numa geração – e que o amanhã não existe. De resto, o uso de roupas pretas, a fuga da cor, vão no mesmo sentido em direcção ao nada.

O fenómeno da homossexualidade como forma de contestação deste modelo de sociedade em que vivemos, de afirmação radical de uma diferença – enquadrada num fenómeno contestatário iniciado nos anos 60 –, nunca foi abordado.

Mas olhando para aquele adolescente que ia à minha frente no elevador da FNAC, percebi que era isso que o movia quando fazia uma pose ostensivamente feminina. Ele dizia aos companheiros de elevador: «Eu sou diferente, eu não sou como vocês, eu recuso esta sociedade hipócrita, eu assumo-me».


por José António Saraiva, jornal "Sol".


Num "tumbl", uma resposta a este artigo:


Sim. Ando de elevador muitas vezes. Às vezes inclino a cabeça, admito. Muitas vezes uso os braços de modo que ache confortável. Estas coisas acontecem quando começo a pensar em coisas, ou observo o mundo ao meu redor. Creio que algo bastante comum em qualquer pessoa que trabalhe e passe a vida a criar mundos imaginários para cinema. Nasci bom observador, admito que não por escolha, e tive a sorte de encontrar maneira de ajudar a criar emoções e memórias através de imagens em movimento.
Elevadores. Passagens tão temporárias e interessantes. Elevadores sempre me fascinaram, por criarem um espaço forçado de observação. Tão pequeno, mas cheio de detalhes. Quem veste o quê, quem olha para onde, quem tosse quando.

Imagino ser aquele rapaz. Podia perfeitamente ser eu. Aliás, fui eu há uns meses. Em Setembro. Estive em Portugal e trouxe o meu namorado para ele conhecer a minha família, que tanto me adora e respeita, e também para conhecer o país onde cresci, as ruas onde andei e os edifícios que me rodeavam em criança. Sou gay e sempre fui. Nunca tive dúvidas e nunca foi uma escolha. Ninguém escolheria alguma vez ser gay, porque muito provavelmente isso traria uma vida de desafios como ter de educar uma pessoa como José António Saraiva. E já agora, caso isto seja novidade, também ninguém escolhe ser heterossexual.
Ir a Portugal com o meu namorado foi um passeio de redescoberta de um país que sempre me trouxe muitas memórias. Desde memórias péssimas de ser violentamente gozado na escola, a nível físico e psicológico, por ser gay. Desde memórias óptimas a criar um grupo de amigos que nunca me trataram de maneira diferente quando eu inclino a cabeça, ou mexo os braços, ou pouso os pés no chão.
Tive a sorte de ter uma família acolhedora, mas conheço muitos casos em que tal não acontece. Se há coisa que aprendi foi a não julgar os outros. Acho que não há nada mais precioso na vida do que aprender com a individualidade de cada um. Talvez seja por isso que tenha conseguido ser tão bem sucedido tanto em Hollywood como em Silicon Valley.
E, apesar de ser gay, ajudei a criar imagens que marcaram o mundo. Imagens que inspiraram adultos e crianças a acreditarem num mundo melhor. Um mundo em que dois robots se podem apaixonar, ou dois escuteiros se podem conhecer em crianças e viver juntos a vida inteira, ou um mundo em que um astronauta encontre um melhor amigo num simples cowboy. Sem falar de um rato que pode cozinhar… Estes não existem na verdade, mas transmitem um ideal de um mundo em que eu acredito ser possível viver. Em que cada pessoa é como é, e em que cada um de nós tem a oportunidade de trazer algo mágico às pessoas que se cruzam na nossa vida.
Não sei em que mundo o José António Saraiva vive, mas pela maneira como publicamente julga os outros deve ser um espaço bastante triste. Tenho pena de não ter estado naquele elevador, naquele momento. Pelo menos, poderia ter olhado para ele, sorrido e, quem sabe, mostrar que o Portugal de agora é um país muito mais acolhedor do que alguma vez foi. Um país em que posso trazer o meu namorado e criar memórias novas para o resto da nossa vida. Um país em que nos podemos casar como qualquer outra pessoa.
Aqui na Califórnia, sinto-me em casa. Sinto-me em casa porque sei que posso andar de elevador, e muito provavelmente vou conhecer alguém que se calhar com apenas vinte anos criou uma empresa que está a mudar o mundo. Ou alguém que se calhar inclina a cabeça de certa maneira, e me faz sorrir por saber que pertenço a um mundo em que podemos ser verdadeiros, genuínos e nós próprios.
E entretanto vou criando outros mundos imaginários. Que muito provavelmente irão fazer sorrir os filhos, netos ou bisnetos do José António Saraiva.

Fonte: "Tumbl Fonzie"

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Gostei tanto, que li várias vezes...

Crónica de Rodrigo Guedes de Carvalho: Contra as bestas, pelos animais

Nunca aceitei dar a cara por uma campanha mas, desta vez, vou bater-me pelos bichos, que são mais que ser vivos

Por:  Rodrigo Guedes de Carvalho

Em tempo de crise, tenho pena de não poder fazer publicidade para reforçar o mealheiro... Estou a brincar. Apesar de achar, como já aqui o disse, que os jornalistas arranjam ligações muito mais dúbias como assessores, isso não me leva a admitir que possamos fazer publicidade. Ainda recebi um convite aqui e ali, mas com o tempo as empresas percebem que estamos proibidos pelo nosso código deontológico. Mas há um outro tipo de convites, que muitos julgam não ter a ver com publicidade, o que nuns casos é verdade, noutros, nem por isso... Refiro-me ao que vulgarmente se chama “campanhas”, sempre com uma face muito humanitária, sem ligações a partidos, clubes ou facções, sempre coisas muito politicamente correctas. Como beber um copo de leite, sorrir para a câmara e aconselhar as pessoas a prevenirem a osteoporose, ou ser filmado, sempre sorridente, a empacotar latas de atum e pacotes de arroz, pedindo às pessoas mais donativos para um qualquer banco alimentar contra a fome. Não recebi muitos convites destes, mas os suficientes para poder dizer que nem a isso estou disposto. Não é uma questão de afirmação de algo, é mesmo feitio. Não gosto de me expor mais do que já me exponho (por inerência de funções...), e ao contrário de muita “figura pública”, que gosta de aparecer porque isso lhe permite aparecer mais e mais vezes, o que “apareço” chega e sobra-me. Mas, aqui chegados, eis que informo que vou dar a cara por uma campanha. Contradição? Talvez, você julgará, depois de me explicar. Aceitei o convite para fazer parte de um vídeo que pretende reforçar a sensibilização da classe política que faz leis. Aceitei porque se trata de mudar (tentar mudar) a legislação absurda que, em Portugal, equipara os animais a objectos ou coisas. Não me vou alongar muito sobre o assunto, até porque me parece daqueles tão óbvios que não percebo porque têm sequer discussão. E é precisamente isto, e apenas isto que direi. Que, com quase 50 anos de idade (e portanto, pouca paciência), e mais de 25 de jornalismo, posso afirmar que o meu entendimento das coisas se baseia em factos, mais do que ideias ou outras subjectividades. E os factos são claros e gritantes. Os animais não podem ser equiparados a objectos porque... porque... não são objectos. Será tão difícil perceber? Será difícil perceber que não podem ser coisas se têm coração, sangue em veias e artérias, olhos para ver, mais todos os sentidos que nós temos, e que sentem fome, e sede, e medo, e solidão, e saudades? E que não só são seres vivos como nós, como nos ensinam tanta coisa que esquecemos depressa na nossa vida calculista, como dar incondicionalmente, sem saber o que receberão. E por isso, por estas coisas tão simples, vou juntar a minha voz aos que querem lembrar aos responsáveis do País as coisas mais elementares. Faço--o para ajudar a “causa”, mas faço-o também por mim, pela minha “imagem”, quero, neste caso, que não restem dúvidas a ninguém sobre a minha posição na matéria. Quero que seja claro que defendo e defenderei sempre os animais, as vítimas mais fáceis e indefesas da bestialidade de que somos capazes. Quero pedir à classe política que nos mostre, com uma nova lei, que não pactuará mais com abandonos selvagens (de facto, como se os bichos fossem coisas que se deitam para o lixo...), nem com mau tratos abjectos e gratuitos. E que quem o fizer enfrentará uma punição. E não me venham, por favor, como já ouvi, dizer-me que “em tempo de crise” a questão da defesa dos animais é uma questão “menor”. Os tempos de crise têm costas largas, quando se quer. Mas, precisamente, os tempos de crise não são, seguramente, apenas financeiros. São tempos de crise civilizacional, moral, educacional. Repare que na base da “crise” estiveram, como hoje todos sabemos, homens e mulheres que demonstraram falta de honra e dignidade, com as suas falcatruas, as suas fraudes, gastos faraónicos em nome da ganância e da ambição medíocre, negociatas a favorecer amigos, obras que não servem para nada pagas com o dinheiro dos nosso impostos, um desvario que foi originando pequeninos buracos, que depois formaram uma bola de neve, e depois um tsunami de dívidas que invadiu um país, depois, outro, e é hoje uma doença mundial. O dinheiro não tem vontade, não se mexe sozinho. Fomos nós que rolámos os dados assim. Foi a falta de solidez moral que levou à crise. Por isso, sim, a questão dos animais não só não é menor, como seria uma boa oportunidade para se começar a gerir povos com os princípios simples da defesa dos mais desprotegidos contra a lei selvagem do mais forte. Se pensar bem, aplica-se a tanta coisa...

"O País e o Mundo", crónica, Rodrigo Guedes de Carvalho
(TVmais nº1004 de 13 a 19 Abril/2012)


Nota:  Rodrigo Guedes de Carvalho, é actualmente subdirector de Informação da SIC, apresentando o Jornal da Noite, de segunda a sexta-feira, com Clara de Sousa.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Não basta abrir a janela

Para ver os campos e o rio. 
Não é bastante não ser cego 
Para ver as árvores e as flores. 
É preciso também não ter filosofia nenhuma. 
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas. 
Há só cada um de nós, como uma cave. 
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora; 
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, 
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela. 


Falas de civilização, e de não dever ser, 
Ou de não dever ser assim. 
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos, 
Com as cousas humanas postas desta maneira. 
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos. 
Dizes que se fossem como tu queres, seria melhor. 
Escuto sem te ouvir. 
Para que te quereria eu ouvir? 
Ouvindo-te nada ficaria sabendo. 
Se as cousas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo. 
Se as cousas fossem como tu queres, seriam só como tu queres. 
Ai de ti e de todos que levam a vida 
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!


Entre o que vejo de um campo e o que vejo de outro campo
Passa um momento uma figura de homem.
Os seus passos vão com «ele» na mesma realidade,
Mas eu reparo para ele e para eles, e são duas cousas:
O «homem» vai andando com as suas ideias, falso e estrangeiro,
E os passos vão com o sistema antigo que faz pernas andar,
Olho-o de longe sem opinião nenhuma.
Que perfeito que é nele o que ele é – o seu corpo,
A sua verdadeira realidade que não tem desejos nem esperanças,
Mas músculos e a maneira certa e impessoal de os usar. 


Alberto Caeiro 

S.O.S. Planet.




terça-feira, 10 de abril de 2012

"The Bull Who Cried"


Evoluir apenas tecnologicamente e economicamente...não chega; precisamos e devemos evoluir como seres humanos, deixar de comer cadáveres de animais é um passo... percamos a ilusão...eles sentem e sofrem...

"The Bull Who Cried:

Knowing it was about to be slaughtered, a bull in Hong Kong did what many people fail to realize or are skeptic about when it comes to animals - he showed emotion.

As reported by "Weekly World News", a group of workers walked a bull to a packaging factory. They were about to slaughter him to make steaks and beef stews. When they were close to the front door of the slaughter house, the sorrowful bull suddenly stopped going forward and knelt down on his two front legs. The bull... was all in tears.

How did he know he was going to get killed before he entered the slaughter house? He is even smarter than people.

Mr. Shiu, a butcher recalled, "When I saw this kind of so-called "stupid" animal sobbing and with his eyes in fear and sorrow, I started trembling." "I called the rest over to see. They were just as surprised. We kept pushing the bull forward, but he just didn't want to move and sat there crying."

Billy Fong, owner of the packaging factory said, "People thought animals didn't cry like human beings. However that bull really sobbed like a baby." At that time, more than ten strong men witnessed the scene and they were all touched. Those who were responsible for slaughtering even felt more touched and teared as well.

Other workers working at the same slaughter house also came to see the crying bull. It was all packed with people. They were all shock by this scene. Three of them said they would never forget this crying bull when they slaughter other animals.

With both man and animal crying, everyone knew that nobody could kill the bull. The problem was, what should they do with him? In the end, they raised funds to buy this crying bull and sent him to a temple, where the kind monks would take care of him for life.

After the workers had made a decision, a miracle happened. A worker said, "When we promised this bull that we will not kill him, he started moving and followed us."

How did he understand people's words?

Mr. Shiu said "Believe it or not? This is real although it sounds unbelievable." No doubt, this bull changed these butchers' lives. 

Hopefully this story has in turn changed yours."



Lido em "Vegan Love"

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O Homem que Plantava Árvores.

"Esta animação delicada e única, vencedora do OSCAR® de filme curto de animação, é um tributo ao trabalho árduo e à paciência.

Conta a história de um homem bom e simples, um pastor que, em total sintonia com a natureza, faz crescer uma floresta onde antes era uma região árida e inóspita. As sementes por ele plantadas representam a esperança de que podemos deixar pra trás um mundo mais belo e promissor do que aquele que herdamos."



quinta-feira, 5 de abril de 2012

Não...

Patriota? Não: só Português.
Nasci português como nasci louro e de olhos azuis. 
Se nasci para falar, tenho que falar-me. 


Alberto Caeiro, in "Fragmentos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

quarta-feira, 4 de abril de 2012

"Hot, crowded, and running out of fuel: Earth of 2050 a scary place"

"A new report published by the Organisation for Economic Co-Operation and Development paints a grim picture of the world in 2050 based on current global trends. It predicts a world population of 9.2 billion people, generating a global GDP four times the size of today's, requiring 80 percent more energy. And with a worldwide energy mix still 85 percent reliant on fossil fuels by that time, it will be coal, oil, and gas that make up most of the difference, the OECD predicts.

Should that prove the case, and without new policy, the report warns the result will be the "locking in" of global warming, with a rise of as much as 6° C (about 10.8° F) predicted by the end of the century. Combined with other knock-on effects of population growth on biodiversity, water and health; the report asserts that the ensuing environmental degradation will result in consequences "that could endanger two centuries of rising living standards.""...

Fonte e desenvolvimento aqui - ars technica

terça-feira, 3 de abril de 2012

Portugal, país sem rebelião...

Já em tempos idos Guerra Junqueiro, fazia de nós como povo, uma descrição exacta e que continua tão actual...

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas..."


Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896.


domingo, 1 de abril de 2012

"Os alemães têm de pagar a crise"

Puseram os alemães  a produzir a seguir à II Guerra Mundial para se esquecerem de Hitler. E deu um enorme resultado. Se se fala hoje com um alemão do seu trabalho é um homem feliz. Se se tenta falar de Hitler embatuca.    

Hoje os alemães são um povo pacífico, simpático, moderno mas não toleram erros nas contas nem dívidas. (o ministro das Finanças  alemão, Wolfang Schaeuble, disse esta semana que eram uma droga). Muito menos que lhe toquem no valor do dinheiro.

Fabricar notas  é a coisa mais fácil do mundo e podia ser a solução para resolver a crise financeira. Naturalmente criando inflação. Mas como diz Paul Krugman a inflação pode ser a solução para a atual crise.  As dívidas encolhiam automaticamente.  Quem tem muito dinheiro naturalmente que ficaria com menos. E os alemães seriam os mais afectados.  

Só que a inflação é um fantasma quase tão negro para os alemães como  Hitler (foi ela, aliás, quem abriu a porta ao Fuhrer). Para pagarem as brutais indemnizações da I Guerra Mundial, impostas pelos aliados, imprimiram moeda muito acima da economia real  e causaram uma inflação gigantesca no país. A crise de 1929 fez o resto. Quando hoje o BCE segue uma política dura decontrolo da inflação, são os traumas alemães que estão por detrás. 


"Rendas  excessivas" alemãs  

Fala-se cada vez mais que os alemães se deviam lembrar hoje do que passaram. Tem fundamento? Parece ter. A guerra é outra mas o busílis é o mesmo.  Os alemães embarcaram na I Guerra porque estavam bem preparados para ela. Como se sabe foi uma carnificina. Os aliados vingaram-se a seguir, esmifrando-os com as dívidas de guerra.

Ora, salvaguardando distâncias óbvias, também nós embarcámos  numa guerra à doida do consumo com dinheiro a juros baixos que  não era nosso. Temos a vantagem de não termos morto ninguém. Só demos mesmo cabo de nós quando trocámos de  carro de dois em dois anos e saímos de  T2 para T5.  

Hoje, para nos salvarmos da bancarrota, os alemães  carregam-nos  forte nas "rendas excessivas" (para usar um termo em voga) sobre o  dinheiro que nos emprestam. Na Alemanha, dois anos a pão e água, de 1930 a 1932, bastaram para  Hitler chegar ao poder em eleições com 14 milhões de votos (37,5%).  

Por aqui, por mais brandos que sejam os costumes, nunca se sabe o que pode acontecer (afinal tivemos as guerras liberais e o estado de sitio nos anos 1920). E da dura Grécia nem se fala. Bem como da Espanha com "ganas",, à beira do resgate.    

O problema é os alemães não percebem que um Fuhrer pode ter muitas faces e nacionalidades. E o problema ainda maior, para  voltar ao princípio, é que  embatucam na história anterior a 1945. Hoje, umas lições a explicar-lhes que é melhor  pagarem a crise para não despertarem  génios do mal pela Europa fora, resolvia  o atual bloqueio europeu  do " mais um pacote de austeridade, mais um pacote de resgate".  

Paulo Gaião - Jornal Expresso.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Maus tratos a animais em Portugal, podem vir a ser punidos com pena de prisão.

Fico na esperança de que a negligência e maus tratos infligidos a animais em Portugal, se tornem de facto, actos considerados de crime e com efectiva pena de prisão. Já era sem tempo...



Artigo publicado no DN.

"Sapatos de pele: insegurança e escravidão na Índia e no Brasil"

Analisámos a responsabilidade social de 10 marcas de sapatos. No terreno, as condições de trabalho da produção de pele são degradantes e os direitos humanos e dos animais atropelados. A Timberland destaca-se pelas melhores políticas.

Arriscar a vida pela sobrevivência da família é a regra nalgumas regiões do Brasil e da Índia. Mergulhando nas terras longínquas do Mato Grosso, Brasil, ou nas fábricas de curtume do estado de Tamil Nadu, Índia, a viagem entre a criação de gado, o transporte para o matadouro e o curtume das peles mostra-nos a sombria realidade por detrás de uns simples sapatos.




A maioria das marcas de sapatos recorre a fornecedores e mostra-se pouco interessada pelo controlo da política social ou ambiental, bem como pelas fases iniciais do processo, relacionadas, por exemplo, com o bem-estar animal.

Entre as marcas mais conhecidas, a Timberland e a Ecco são as mais responsáveis. A Timberland é a melhor em toda a linha, quer pelas boas medidas, quer pela informação que presta do controlo exercido sobre os fornecedores de curtumes.

Tal como em todas as marcas analisadas, o ponto crítico reside ao nível do bem-estar animal. Com boas políticas e controlo sobre as fábricas de pele, a Ecco também não assume medidas ao nível do fornecimento de peles em bruto e nos ranchos.

Bata, Aerosoles, Aldo, Camper, Foreva, Hush Puppies e Merrel chumbaram na responsabilidade social, pois não evidenciam iniciativas para garantir boas práticas ao longo da cadeia de fornecimento de pele. Nenhuma disponibiliza informação no seu sítio na Internet ou outros canais e recusaram-se a colaborar. 

Fonte: "Deco Pro Teste."

Já existem produtos sintéticos de excelente qualidade, não há porque sustentar estes atentados aos direitos de seres humanos e não humanos.

quinta-feira, 29 de março de 2012

movies and words...



Paige: I vow to help you love life, to always hold you with tenderness and to have the patience that love demands, to speak when words are needed and to share the silence when they are not and to live within the warmth of your heart and always call it home. 

Leo: I vow to fiercely love you in all your forms, now and forever. I promise to never forget that this is a once in a lifetime love. 

O PORTUGAL FUTURO

o portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro
Ruy Belo

quarta-feira, 28 de março de 2012

...


Um homem, o seu cavalo e o seu cão iam por um caminho. Quando passavam perto de uma árvore enorme, caiu um raio e os três morreram fulminados.

Mas o homem não se deu conta de que já tinha abandonado este mundo, e prosseguiu o seu caminho com os seus dois animais (às vezes os mortos andam um certo tempo antes de tomarem consciência da sua nova condição…)

O caminho era muito comprido e, colina acima, o Sol estava muito intenso; eles estavam suados e sedentos. Numa curva do caminho viram um magnífico portal de mármore, que conduzia a uma praça pavimentada com portais de ouro.

O caminhante dirigiu-se ao homem que guardava a entrada e travou com ele, o seguinte diálogo: - Bons dias. - Bons dias – Respondeu o guardião. - Como se chama este lugar tão bonito? - Aqui é o céu.

- Que bom termos chegado ao Céu, porque estamos sedentos! - Você pode entrar e beber quanta água queira. E o guardião apontou a fonte. - Mas o meu cavalo e o meu cão também têm sede... - Sinto muito – disse o guardião – mas aqui não é permitida a entrada de animais.

O homem levantou-se com grande desgosto, visto que tinha muitíssima sede, mas não pensava em beber sozinho. Agradeceu ao guardião e seguiu adiante. Depois de caminhar um bom pedaço de tempo encosta acima, já exaustos os três, chegaram a um outro sítio, cuja entrada estava assinalada por uma porta velha que dava para um caminho de terra ladeado por árvores...

À sombra de uma das árvores estava deitado um homem, com a cabeça tapada por um chapéu. Dormia, provavelmente. - Bons dias – disse o caminhante. O homem respondeu com um aceno. - Temos muita sede, o meu cavalo, o meu cão e eu. - Há uma fonte no meio daquelas rochas – disse o homem apontando o lugar.

- Podeis beber toda a água que quiserdes. O homem, o cavalo e o cão foram até à fonte e mataram a sua sede. O caminhante voltou atrás, para agradecer ao homem. - Podeis voltar sempre que quiserdes – respondeu este.

- A propósito, como se chama este lugar? – perguntou o caminhante. - CÉU. - O Céu? Mas, o guardião do portão de mármore disse-me que ali é que era o Céu!

- Ali não é o Céu, é o inferno – contradisse o guardião. O caminhante ficou perplexo. - Deverias proibir que utilizem o vosso nome! Essa informação falsa deve provocar grandes confusões! – advertiu o caminhante.

- De modo nenhum! – respondeu o guardião – na realidade, fazem-nos um grande favor, porque ficam ali todos os que são capazes de abandonar os seus melhores amigos… 

Paulo Coelho

sexta-feira, 23 de março de 2012

Conversas soltas...

A propósito da notícia que informa o facto de nos E.U.A, treze estados passarem a permitir o porte legal de armas...

E. -  ...optimista como sou, já vislumbrei o meu futuro e não é bonito, envolve uma colecção de facas e catanas em casa para a proteger das pilhagens decorrentes dos inacabáveis tumultos sociais porque não há comida nem água e o governo fascista continua a espremer-nos...
C. - Acho que estás a exagerar...
E. -  já não é a selva?
 qual é o patamar que nos resta e que nos separa da anarquia total?
C. -  não é grande, na verdade.
E.-  pois, enfim
vamos esperando que o tempo não consuma os últimos vestígios de ética civilizacional que ainda nos restam....e tentando, com o nosso exemplo, não contribuir para a histeria crescente da sociedade em que parece que anda tudo nervoso e só é preciso um empurrãozinho para as pessoas se "passarem dos carretos"...

quinta-feira, 22 de março de 2012

" Remédios humanos podem ser letais em cães e gatos"

É comum ver em animais casos de intoxicação, alergias ou reações adversas a determinados remédios que são inofensivos aos humanos e a outras espécies.

“Parece que a adaptação do cão à vida doméstica aconteceu também no campo terapêutico e a automedicação tem se tornado cada vez mais comum”, revela Dra. Carla Berl, diretora do Hospital Veterinário Pet Care.

Além da intoxicação por conta do medicamento não ser adequado para cães, muitas vezes o remédio é administrado em doses inadequadas. “Outras vezes a intoxicação ocorre com medicamentos tópicos, pois o animal pode lamber pomadas e outras soluções”, pontua.

Gatos são ainda mais sensíveis e apresentam grande intolerância a medicamentos que são usados sem problemas em cães e humanos. “Não é raro um gato morrer ou correr sério risco de vida devido à intoxicação medicamentosa”, conta a veterinária.

“Em dezembro atendemos o Dourado, um lindo gato SRD que se intoxicou gravemente com a aplicação de um Piretróide usado no controle de pulgas e carrapatos. Ele ficou internado recebendo droga anticonvulsiva em infusão contínua por mais de 18 horas.

Ficou bem, mas muitas vezes não conseguimos reverter alguns quadros de intoxicação”, pontua Dra. Carla.

Para que cada vez menos casos como estes aconteçam, separamos uma pequena lista de medicamentos proibidos.

Alguns são fatais e outros podem causar reações adversas na dependência da dose e da sensibilidade do indivíduo. Lembre-se, procure SEMPRE a ajuda de um veterinário.

GATOS -MEDICAMENTOS PROIBIDOS:
Acido acetil salicílico (Aspirina®)
Paracetamol (Tylenol®, Anador®)
Pseudoefedrina (Claritin®, Tylenol Sinus®, Loratadina®)
Salicilato de Bismuto (Pepto Bismol®, Peptozil ®)
Iboprofeno (Advil®)
Piroxican (Feldene®, Inflamene®)
Enema de Fosfato (Fleet Enema®)
Xampu a base de Alcatrão (Sebotrat -O®, Ionil T®, Politar®)
Xampu com Benzoato de Benzila (Acarsan®)
Xampu com Acido salicílico.
Xampu com Sulfeto de Selênio (Selsun Ouro®, Selsun Azul®)
Peroxido de Benzoila – usar com cautela (Peroxidex®, Sana Dog®, Pertopic®)
Piretróide (Antiparasitário como Butox® )
Levamisol (Ascaridil®)
Azatioprina (Imuram®)
Piridium®
Diclofenaco potássio (Cataflan®)
Diclofenaco sódico (Voltaren®)

CÃES - MEDICAMENTOS PROIBIDOS:
Diclofenaco de potássio (Cataflan®)
Diclofenaco sódico (Voltaren®) e a grande maioria dos anti-inflamatórios de uso humano.
Piridium®.

CÃES - MEDICAMENTOS DE USO RESTRITO:
Ivermectina (Ivermec®, Vermectil®, Ivomec® entre outros). A ivermectina tem amplo uso em cães, mas os raças Collie, Border Collie, Pastor de Shetland, Sheepdog, Bearded Collie, Pastor Australiano e todos os seus cruzamentos são intolerantes ao seu princípio, apresentando sérias alterações neurológicas.

CÃES - MEDICAMENTOS DE USO CONTROVERSO:
Acetaminofem/Paracetamol (Tylenol®)
5- Fluororacil (Efurix®). De uso tópico se ingerido causa grave intoxicação.
Risperidona (Risperidon®).

CÃES - MEDICAMENTOS QUE REQUEREM CUIDADO NA DOSE:
Metronidazol (Flagyl®). Dose alta pode causar sintomas neurológicos.
Sulfa-Trimetroprina (Bactrim®). Quando em dose alta podem causar displasia de medula óssea levando a anemia e Hepatopatia em Labradores
Sulfassalazina (Azulfin®). Pode causar olho seco (KCS) nos cães.
Aspirina. A dose em cães deve ser muito menor que a dose em humanos.

Fonte: PetMag

Lido em "Animais S.O.S"

quarta-feira, 21 de março de 2012

Reflexo do nosso tempo...


Numa sociedade decadente, a arte, se for verdadeira, deve também reflectir a decadência. E a menos que queira atraiçoar a sua função social, a arte deve mostrar o mundo como mutável e ajudar a mudá-lo.
~Ernst Fischer

21 de Março - Dia Mundial da Poesia.


Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 20 de março de 2012

Bem vinda, Primavera!


Gosto das coisas de dentro. O que está por fora muda a cada estação. A essência, não.

Cecília Meireles