terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

UM DIA, ISTO TINHA DE ACONTECER.

Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

por Mia Couto

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Já não me importo


Já não me importo
Até com o que amo ou creio amar. 
Sou um navio que chegou a um porto


E cujo movimento é ali estar.
Nada me resta
Do que quis ou achei. 
Cheguei da festa 
Como fui para lá ou ainda irei ...Indiferente
A quem sou ou suponho que mal sou, 
Fito a gente
Que me rodeia e sempre rodeou,
Com um olhar
Que, sem o poder ver, 
Sei que é sem ar
De olhar a valer.
E só me não cansa 
O que a brisa me traz
De súbita mudança 
No que nada me faz. 


Fernando Pessoa

domingo, 19 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Animais: dos filmes aos cosméticos.


"Li hoje na Visão um artigo da Time sobre a forma como são tratados os animais em Hollywood durante as filmagens. Será que longe vai o tempo em que um cavalo era vendado e empurrado de um penhasco sobre um lago, de modo a captar-se a imagem de um cowboy montado a saltar para a água? Tal sucedeu em 1939, durante as filmagens do western Jesse James. A indignação foi geral e surgiram novas regras para as gravações com animais.

Recentemente, e apesar dos esforços e acompanhamento da American Humane Association, um dos treinadores abateu um chimpanzé à frente de um supervisor durante a rodagem de Speed Racer, em 2008. Mas há casos de total respeito pelo bem-estar dos animais, como o novo filme de Steven Spielberg, Cavalo de Guerra. E a tecnologia pode dar uma ajuda: Planeta dos Macacos: a Origem foi filmado sem… um único símio.

Também a PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) acompanha de perto o bem-estar dos animais, seja frente às câmaras ou noutras situações. Por isso a ONG segue questões tão importantes como testes em animais. Recentemente, a Avon, a Mary Kay e a Estée Lauder passaram a incluir a lista de marcas que fazem testes em animais (a lista pode ser consultada aqui). Esteja atento: na hora de comprar o gel de banho ou o creme facial, não é só o aroma que conta…"

Fonte: Gingko blog.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Porque é a minha hora favorita do dia...

Temos estas palavras. Agora, é aqui que estamos. Reparaste que utilizo a primeira pessoa do plural, nós, refiro-me, claro, a ti e a mim. Talvez haja outras pessoas a ler este texto mas, agora, neste preciso agora, só podemos ter a certeza acerca de nós, somos os únicos aqui. Eu sei que os nossos corpos estão em algum lugar específico, localizável por GPS, é possível que esteja uma temperatura perfeita nesse lugar, os milagres da climatização, mas também é possível que entre uma aragem gelada pela janela aberta, pela janela aberta do carro,também é possível que esse lugar seja ao ar livre. É possível, mas é pouco importante porque, agora, neste preciso agora, estamos aqui. A nossa atenção está toda nestas palavras.

Alguns, vários, passaram também por aqui, demoraram-se apenas durante quatro ou cinco linhas do início. Depois, tentando reter a a informação essencial, agarraram-se a uma ou duas linhas do meio e do final, infelizmente para eles, nem sempre a informação é o mais essencial. E, dessa forma, não chegaram a sentir aquilo que possuímos por estar aqui, aquilo que realmente importa: este tempo.

Repara na forma como passa este tempo lido. Temos muitas oportunidades para respirar. Se quisermos, apenas pela vontade do nosso entendimento, podemos alongar as palavras para fazer caber nelas os nossos caprichos mais lânguidos. Podemos também, sem pressa, demorarmo-nos na pontuação. Não temos horário rígido para chegar ao ponto final. Quanto lá chegarmos, o mundo estará todo à nossa espera. A propósito, onde está esse mundo enquanto lemos estas palavras?


Espero que tenhas desligado o telemóvel ou, pelo menos, espero que ninguém te ligue. O mundo, esse mundo cronometrado, aqui, é menos do que o horizonte que formos capazes de levantar através da nossa capacidade de imaginar, por exemplo, um pôr-do-sol. Aproveita bem este privilégio que possuímos, vou tentar aproveitá-lo contigo, ainda temos uma boa quantidade de tempo para permanecer aqui, nestas palavras. Olha lá para longe, o sol tão pesado, de cor tão madura, mel, o sol a esforçar-se para segurar os seus contornos, mas a transbordar de si mesmo, a descer a um ritmo que não conseguimos apreender completamente e que, no entanto, ninguém pode impedir. Aproxima-se cada vez mais do horizonte, irá tocá-lo, não tardará a tocá-lo. Temos agora consciência deste instante. E o sol toca o horizonte. Primeiro, fica pousado sobre ele, duas linhas que se tocam, sol e horizonte, um linha e um círculo ardente; depois, a terra abre-se para recebê-lo, o sol entra muito devagar no lugar que lhe pertence, como se quisesse proteger-se, como se regressasse. Mas, mais tempo, e o sol desaparece. Sobre o horizonte, fica o clarão de um sol que existiu, todo o tamanho do passado. E nós ainda estamos aqui, estas palavras. Ainda não sabemos o que acontecerá depois.

José Luís Peixoto, na revista Espiral do Tempo, Inverno 2011.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Acorda mundo!

Incrível como andamos distraídos com tudo e mais alguma coisa e não damos atenção nem importância ao que é relevante, propositado ou não... deixamos-nos levar e eles conseguem os seus perigosos objectivos!!! Há que acordar, o Iraque é o exemplo do país acusado de esconder armas de destruição massiva e o resultado é uma região totalmente destruída e esquecida pelo mundo...Nem tudo o que parece é.

(...) Estamos a assistir ao envio de forças navais, homens, sistemas de armamento de ponta, controlados através do comando estratégico norte-americano em Omaha, Nebrasca, e que envolve uma coordenação entre EUA, NATO e forças israelitas, além de outros aliados no golfo Pérsico (Arábia Saudita e estados do Golfo). Estas forças estão a postos. Isto não significa necessariamente que vamos entrar num cenário de terceira guerra mundial, mas os planos militares no Pentágono, nas bases da NATO, em Bruxelas e em Israel, estão a ser feitos. E temos de os levar muito a sério. Tudo pode acontecer, estamos numa encruzilhada muito perigosa e infelizmente a opinião pública está mal informada. Dão espaço a Hollywood, aos crimes e a todo o tipo de acontecimentos banais, mas, no que toca a este destacamento militar que poderá levar-nos a uma terceira guerra mundial, ninguém diz nada. Isso é um dos problemas, porque a opinião pública é muito importante para evitar esta guerra. E isso não está a acontecer, as pessoas não se estão a organizar para se oporem à guerra. Isto não é uma questão política, é um problema muito mais vasto, e tenho de dizer que os meios de comunicação ocidentais estão envolvidos em actos de camuflagem absolutamente criminosos. Só o facto de alinharem com a agenda militar, como estão a fazer na Síria, onde sabemos que os rebeldes são apoiados pela NATO, na Arábia Saudita e em Israel, e como fizeram na Líbia, é chocante do meu ponto de vista, porque as mentiras que se criam servem para justificar uma intervenção humanitária.(...)


Dias que lembramos...

Hoje jantaremos os quatro na cozinha como de costume, o jantar não será nada de extraordinário e a sobremesa é uma mousse de manga, espero que calhe bem. Não vai haver prendas (só os miminhos de sempre), nem spas a dois, nem roupas novas e vamos chegar a casa como de costume... As "crianças" ficam connosco como ficaram todos os dias desde o dia que nasceram. Perto das 11 da noite junto à lareira bebemos um vinho e comemos chocolate, ele sorri. Já passaram por nós 11 Dias dos Namorados, direi eu, que tenho essas coisas mais ou menos presentes...


(Texto adaptado...)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

movies and words...



- You are my best friend as well as my lover, and I do not know which side of you I enjoy the most. I treasure each side, just as I have treasured our life together.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Eu que sou piegas.

Eu que sou piegas desatei a chorar quando morreu o gato da minha vizinha. A Dona Antónia, coitada, vivia para o bichano. Sempre que a encontrava na rua lá passeava o felino pela trela, apresentando-o a beltrano e sicrano, como quem festeja o deslumbramento do filho pródigo. É verdade que nunca casou, que nunca conheceu ardor de amor e que não é particularmente competitiva.

A Dona Antónia trabalhava nos correios e pergunta-me, sempre que me vê na mercearia a comprar clementinas do Algarve, se eu sei o que significa o cavaleiro a tocar a trompeta no cavalo empinado, símbolo dos CTT. Com a paciência de quem conta as lesmas no quintal e chupando o divino açúcar das mouras frutas, respondia-lhe com toque matreiro que nada sabia, só pelo prazer de a ouvir contar a mesma lengalenga: o célebre montador representa o arauto medievo das epístolas, antes dessa modernice do telégrafo e quando os mansos cornos dos bois ritmavam o país, a par do toque da matriz. O país do atraso e dos atrasados.

A Dona Antónia também é piegas, além de improdutiva. Nunca passou da cepa torta, coitada, e nos correios jamais foi promovida porque perdia muito tempo a ouvir as maleitas dos velhotes que iam levantar a pensão e contar as côdeas perdigotando o dedo. Nas acções de formação fugia-lhe o olho lírico para o Chefe Jaime, mas este, nada piegas, queria ser secretário de estado das telecomunicações e nunca lhe deu bola.

O Chefe Jaime era conhecido pelas suas ideias avançadas, particularmente quando dizia que só ele faria o trabalho dos quatro colegas da estação dos Prazeres, alarido que muito agradou à administração que, num ataque de proeficiência, despediu a Dona Antónia, A Senhora Perpétua, a jovem Vanessa e o precário Adérito. A Senhora Perpétua escrevia sonetos, que são uma pieguice pegada; a jovem Vanessa apaixonou-se pelo vocalista surdo dos anzóis danados e a paixão é um fogo que queima as pálpebras da eficácia e o precário Adérito, ah, o precário Adérito, tinha uma fantasia sexual com as tartarugas da Antártida, que são, é sabido, muito lentas.

O resmunguarda não sabia o que dizer, mas a sua patologia melancólica fazia-o desconfiar do metódico condutor que atropelou o Tobias só porque a fera não estava na passadeira. Custe o que custar, dizia o automobilizado, o meu carro há-de passar.

A Dona Antónia enterrou o Tobias no quintal e em vez de lápide plantou uma preguiçosa oliveira grega que levanta os braços para o Sol – devagar, muito devagar.

Crónica de João Teixeira Lopes, em "P3".

Até a essência da língua perdemos...



"Quando eu escrevo a palavra acção, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o C na pretensão de me ensinar a nova grafia.

De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa.

Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim.

São muitos anos de convívio.

Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes CCC's e PPP's me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância.

Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora:  - não te esqueças de mim!

Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí.

E agora as palavras já nem parecem as mesmas.

O que é ser proativo?

Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.

Depois há os intrusos, sobretudo o R, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato.

Caíram hifenes e entraram RRR's que andavam errantes.

É uma união de facto, e  para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem.

Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os EEE's passaram a ser gémeos, nenhum usa ( ^^^) chapéu.

E os meses perderam importância e dignidade; não havia motivo para terem privilégios. Assim, temos  janeiro, fevereiro, março, são tão importantes como peixe, flor, avião.

Não sei se estou a ser suscetível, mas sem P, algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.

As palavras transformam-nos.

Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos.

Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do C não me faça perder a direção, nem me fracione, e nem quero tropeçar em algum objeto.

Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um C a atrapalhar.

Só não percebo porque é que temos que ser NÓS a alterar a escrita, se a LÍNGUA É NOSSA ...? ! ? ! ?


Os ingleses não o fizeram, os franceses desde 1700 que não mexem na sua língua e porquê nós ?
Será que não pudemos, com a ajuda da troika, recuperar do deficit na nossa língua ?
Ou atão deichemos que os 35 por cento de anal fabetos fassão com que a nova ortografia imponha se bué depréça !"

Arménio Casal

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Quando penso que já pouca coisa me surpreende...

Não fiques indiferente...Portugal.

As autoridades nada podem fazer? como assim??? Mesmo sendo uma propriedade privada e não se tendo em conta as leis que defendem o bem estar animal, é uma questão de saúde pública!!!! Existem animais em decomposição a céu aberto...........




"PROTESTEM!!! NÃO PODEMOS PERMITIR QUE ESTE HOLOCAUSTO CONTINUE!


ENVIE O SEU EMAIL de desagrado e protesto perante esta situação que sucede há vários anos no município de Lagoa! 
(ver mais abaixo na descrição os contactos + modelo de carta + petição)

Já foram feitas denúncias às entidades competentes, nada foi feito.

Os animais vivem em condições deploráveis, completamente negligenciados, estão esqueléticos de tanta fome que têm.


É inadmissível e inacreditável como vivem estes seres, vacas, porcos, ovelhas, cavalos, cães... é um HORROR! 

Fotos e info retirados do Link;
https://www.facebook.com/groups/235181663233354/photos/

Grupo "Alerta para chacina em Lagoa":
https://www.facebook.com/groups/235181663233354/

Link no Liveandcare.org; http://www.liveloveandcare.org/blog/2012/02/animais-negligenciadosmortos-e-outros-prestes-a-morrer-em-lagoa/



............................................................

ENVIE EMAIL DE PROTESTO E INDIGNAÇÃO PARA:

gapresidente@cm-lagoa.pt,
dirgeral@dgv.min-agricultura.pt,
secretariado.direccao@dgv.min-agricultura.pt,
gabministra@mamaot.gov.pt,
gab.seaot@mamaot.gov.pt,
belem@presidencia.pt,
gp_ps@ps.parlamento.pt,
gp_psd@psd.parlamento.pt,
gp_pp@pp.parlamento.pt,
bloco.esquerda@be.parlamento.pt,
gp_pcp@pcp.parlamento.pt,
PEV.correio@pev.parlamento.pt,
luispaulo.alves@europarl.europa.eu,
regina.bastos@europarl.europa.eu,
luismanuel.capoulassantos@europarl.europa.eu,
mariadagraca.carvalho@europarl.europa.eu,
carlos.coelho@europarl.europa.eu,
antonio.campos@europarl.europa.eu,
mario.david@europarl.europa.eu,
diogo.feio@europarl.europa.eu,
josemanuel.fernandes@europarl.europa.eu,
elisa.ferreira@europarl.europa.eu,
joao.ferreira@europarl.europa.eu,
ilda.figueiredo@europarl.europa.eu,
anamaria.gomes@europarl.europa.eu,
marisa.matias@europarl.europa.eu,
nuno.melo@europarl.europa.eu,
vital.moreira@europarl.europa.eu,
mariadoceu.patraoneves@europarl.europa.eu,
miguel.portas@europarl.europa.eu,
paulo.rangel@europarl.europa.eu,
rui.tavares@europarl.europa.eu,
nuno.teixeira@europarl.europa.eu


Cópia em Cc:

secdir@jn.pt,
jn.online@jn.pt,
direccao@cmjornal.pt,
dn@dn.pt,
info@ionline.pt,
contacto@siconline.pt,
teresadimas@sic.pt
agenda.informacao@rtp.pt,
relacoes.publicas@tvi.pt,
lmartins@lusa.pt,
agencialusa@lusa.pt

..............................
ASSINE A PETIÇÃO
Petição Contra a chacina em Lagoa! 
http://www.peticaopublica.com/?pi=P2012N20465

..............................
MODELO DE CARTA

Venho mostrar o meu desagrado e protesto perante uma situação que se sucede município de Lagoa há vários anos!

Perante as imagens, os relatos de pessoas que o presenciaram pessoalmente, há animais mortos, outros prestes a morrer e mais uns quantos com visíveis maus tratos. Depois de feitas várias denúncias às entidades competentes, nada foi feito!

Alguns dos animais mortos, encontram-se já em elevado estado de decomposição e por enterrar. Os ainda vivos, mostram-se visivelmente malnutridos, doentes, sem falar dos locais onde são mantidos, no meio de lixo, incluindo restos de cadáveres em putrefacção.
Exijo que tomem as devidas providências, de forma a terminar com este crime horrendo e salvaguardar a vida dos animais que ainda estão vivos!
É inadmissível que em pleno século XXI num país da União Europeia se assista a um cenário medieval como este. Um verdadeiro campo de concentração ao qual as autoridades competentes nada fazem.
Exijo que este caso seja resolvido salvaguardando a vida destes animais e que jamais volte acontecer o mesmo num país dito civilizado.

Diz em síntese a Directiva 98/58/CE do Conselho, de 20 de Julho de 1998, relativa à protecção dos animais nas explorações pecuárias

Os Estados-Membros tomarão disposições para que os proprietários ou detentores de animais assegurem o bem-estar dos animais ao seu cuidado e garantam que não lhes sejam causados sofrimentos, dores ou lesões inúteis. De acordo com a experiência e os conhecimentos científicos, as condições de criação dizem respeito aos seguintes pontos:

• Pessoal: os animais devem ser tratados por pessoal em número suficiente e que possua capacidades e competência profissional adequadas.
• Inspecção: todos os animais mantidos em explorações pecuárias devem ser inspeccionados pelo menos uma vez por dia. Os animais doentes ou lesionados devem ser tratados sem demora e, se necessário, isolados em instalações adequadas.
(...)
• Instalações e alojamento: os materiais utilizados na construção dos alojamentos devem poder ser limpos e desinfectados. A circulação do ar, o teor de poeiras, a temperatura e a humidade devem manter-se dentro de limites aceitáveis. Os animais mantidos em instalações fechadas não devem ficar em escuridão permanente nem ser expostos continuamente a luz artificial.
(...)
• Alimentação, água e outras substâncias: os animais devem ser alimentados com uma dieta saudável e adaptada, em quantidade suficiente e a intervalos regulares. É proibida a administração de outras substâncias, com excepção das necessárias para fins terapêuticos ou profilácticos ou das destinadas a tratamento zootécnico. Além disso, o equipamento de fornecimento de alimentação e água deve minimizar os riscos de contaminação.
(...)

Relembramos o que diz a nossa Constituição para a PROTECÇÃO AOS ANIMAIS:

Lei n.º 92/95 de 12 de SetembroA Assembleia da República decreta, nos termos dos artigos 164.º, alínea d), e 169.º, n.º 3, da Constituição, o seguinte:

CAPÍTULO I

Princípios gerais

Artigo 1.º
Medidas gerais de protecção

1 - São proibidas todas as violências injustificadas contra animais, considerando-se como tais os actos consistentes, sem necessidade, se infligir a morte, o sofrimento cruel e prolongado ou graves lesões a um animal.

2 - Os animais doentes, feridos ou em perigo devem, na medida do possível, ser socorridos. (…)

Atenciosamente,
(O seu nome)"


domingo, 5 de fevereiro de 2012

"A cultura da morte"


"Há quem considere que a tourada seja cultura, há quem a encare como tradição. Mas é apenas o que o homem tem de pior"(...)

(...) "Sejam lutas de cães na América Latina, sacrifícios de animais em locais públicos do Nepal, combates de galos na Tailândia ou touradas na Península Ibérica, tudo se resume à tortura para diversão de humanos." (...)

Fonte e desenvolvimento aqui - P3

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Juno - a história de uma heroina...


Todos temos heróis e referências na vida que nos inspiram, pois bem, os meus são os "Junos" que vagueiam por esse mundo fora...uns têm a sorte de mostrar como são valiosos, outros a infelicidade de morrer às nossas mãos...pena que nem todos reconheçam e vejam como são seres maravilhosos.

"Qualquer pessoa que adota um cão ou gato de um abrigo pode perceber que há algo em comum a todo animal resgatado: ele recebeu uma segunda chance de vida. Este é certamente o caso de Juno, uma cadela da raça Belgian Malinois que foi resgatada de um abrigo poucos dias antes de ser eutanasiada. Mas desde que foi viver com sua nova família em Alcoa, Tennessee, EUA, Juno também assumiu o papel de salvadora do garoto Lucas Hembree, de 4 anos de idade. As informações são do site Global Animal."

Fonte e desenvolvimento da história aqui - ANDA

São estes os próximos novos membros da UE.


Sobre a Ucrânia, lia isto:

"...I've seen an updated video by PETA (Germany) this morning, and the first thing you see is a dog in his death throes, writhing and foaming at the mouth - poisoned in front of passers-by in the street. No doubt no one would even look twice, and even less think to assist. It is mentality issue, first and foremost. And sadly, with the high level of corruption in such countries, things are not going to change in a hurry, and certainly far too late for these unfortunate animals. I hope I am wrong, but I fear I am not. Read the news whenever you want: an attack by a dog on a child always makes the front page, and everybody goes "Oh my God, the poor kid being mauled by such a BEAST". But when thousands, hundreds of thousands of strays are brutally massacred after a life of cruelty on the street, nobody even raises an eyebrow. Such is Human hypocracy. Such is the Human mistaken belief that only Human life counts. And it gets worse every day. There are more and more of us every day now, and such overpopulation, the lack of space, ressources, proper education for children, breeds brutality, indifference and selfishness. Towards each other, and certainly - and usually unpunished so - towards those who cannot fight back: the animals. Human society has made sure to withhold them proper rights to fend off the worst of this, quite intentionally so - for if people cannot legally abuse and murder each other, they need somewhere else to vent their lower instincts on. See: Hunters. Just as a example. The same sort now roams Ukrainian streets, butchering hapless dogs and cats - who will even approach their murderer with tail wagging, thinking a piece of rare food and kindness is offered them. No, the only beast that has ever walked this planet in milllions of years is man. Accept it. I, as Olga, would wish it otherwise. Not for us, but for the animals, who deserve compassion and kindness from the hand of man - who should know better - but receive only cruelty and death" ...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O tempo das coisas...


devagar, o tempo transforma tudo em tempo. 
o ódio transforma-se em tempo, o amor 
transforma-se em tempo, a dor transforma-se 
em tempo. 

os assuntos que julgámos mais profundos, 
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis, 
transformam-se devagar em tempo. 

por si só, o tempo não é nada. 
a idade de nada é nada. 
a eternidade não existe. 
no entanto, a eternidade existe. 

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos. 
os instantes do teu sorriso eram eternos. 
os instantes do teu corpo de luz eram eternos. 

foste eterna até ao fim. 

José Luís Peixoto

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Vidas adiadas...


Se a vida não fosse tão insubstituível
talvez ousássemos utilizá-la.
Porém arrumamo-la na prateleira
como um vistoso par de sapatos
que é bonito de se ver
mas não para uso diário.
Assim, continuamos por aí sentados
numa expectativa descalça.


Margareta Ekström

domingo, 29 de janeiro de 2012

Aos consumidores com consciência...

Andava eu a informar-se sobre tintas de pintar o cabelo e deparo-me com várias alternativas no mercado que sabia testarem os seus produtos em animais, nomeadamente a L'oreal e Garnier...existia a dúvida inerente à Wella...pois  bem, após algumas pesquisas descubro que a Wella pertence ao grupo "Procter & Gamble" (detentor de outras marcas como a Pantene, Iams/Eukanuba, Gillette, perfumes Hugo Boss e Gucci, detergentes Tide etc.etc...), que testa em animais os seus produtos. Eu boicotarei todos eles até que o uso de animais deixe de ser uma realidade...

Aqui ficam algumas fontes e demais informações:


http://www.peta.org/living/beauty-and-personal-care/companies/search.aspx?Testing=1&Range=0&PageIndex=4

http://www.pg.com/en_US/brands/all_brands.shtml (Todas as marcas da P&G)

http://www.pandgkills.com/main.html

http://www.sourcewatch.org/index.php?title=Procter_%26_Gamble

http://www.pg.com/en_US/sustainability/point_of_view/animal_welfare.shtml - (o grupo no seu "site", assume o facto de recorrer ao uso de animais em testes como último recurso...seja isso o que for...e que desenvolve esforços em encontrar alternativas que permitam eliminar totalmente os testes em animais, a questão é que o procedimento se mantém...)


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Paraísos envenenados, são o autêntico inferno para os animais...

Antes de viajarem para estes paraísos envenenados, informem-se antes, de forma a que não sejam cúmplices (com o vosso dinheiro) do crime organizado, corrupção, etc...que mata, tortura e explora animais para turista VER.



Abre os link's, lê e divulga, para que outros sejam informados...

"This is a well written piece about the dire situation for elephants in Thailand that is partly caused by "innocent" tourists. "For any tourist visiting an elephant camp and riding these beautiful animals, the latest information has serious implications. People who ignore what is occurring effectively support the killing and torture of wild-born elephants." Please read & share. We know that many do not know the ugly truth about elephant rides - you can learn more on http://tinyurl.com/3yu97k8."

http://www.nationmultimedia.com/opinion/Thai-elephants-are-being-killed-for-tourist-dollar-30174341.html

(...) "For any tourist visiting an elephant camp and riding these beautiful animals, the latest information has serious implications. People who ignore what is occurring effectively support the killing and torture of wild-born elephants." (...)


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Não há concertação para o amor.


Do mesmo modo que não há maneira de chegarmos a um acordo para a chamada Concertação Social, também no amor está difícil de conseguir. Não há concertação social que valha ao amor, porque há sempre alguém que acha pouco mas sobretudo que faz de mais. As pessoas têm medo de fazer de mais e eu percebo-as. A possibilidade de fazerem uma entorse, luxação no ombro ou esgotamento mental são muito superiores quando isso acontece. Há de resto a ideia de que quando fazemos de mais somos vulgarizados por isso.

E o amor não se quer vulgar; pelo contrário, quer-se distintivo, como aqueles que a polícia usa ao peito para que se saiba o seu nome. O amor tem de saber o seu nome e as letras de que é feito e por isso tem de chegar a um acordo. E nisto há sempre um Carvalho da Silva, um João Proença, gente a gritar nas ruas “ CGTP unidade sindical! 40 horas já! 40 horas já!” E o amor, tal qual estas 40 horas, tem de ser já. Não há passado no amor nem futuro, o amor é só presente, é este agora com que escrevo, é a urgência que sentimos ao chamar a ambulância. Na verdade, é o carro do INEM que vai na frente a abrir caminho. O amor quando é bom cede, e eu não acredito em pessoas que amem sem que o façam. O amor cede todos os dias, é o “está bem está bem” como quem diz “ai se eu não te amasse tanto!”, é o “pronto, vou lá eu!”, quando já estamos deitados e nem sequer fomos nós que deixámos a luz da sala acesa. O amor é esse levantar da cama, é enfrentar o inverno do corredor, quantas vezes o da cozinha, que é como se sabe o chão mais frio, e apagar a luz e correr por ali fora até chegarmos à nossa cama, onde está o nosso amor tão quente, tão coberto, para aí entrarmos sem demora, com os nossos dois pés gélidos e lhe provocarmos um mais que justo e romântico choque térmico. Choque térmico.

Fonte: Fernando Alvim

"O escândalo do falso acordo"


Concertação Social não pára de aumentar.

O mal-estar causado pela assinatura do Acordo de Concertação Social não pára de aumentar. E, à medida que se conhecem os itens do documento, as baterias apontadas ao eng.º João Proença são cada vez mais. Torres Couto, fundador da UGT, afirmou que o acto é "suicidário" e que aquela central caminha para a dissolução. E sindicatos e sindicalistas afins não param de criticar, por vezes acerbamente, o que entender ser uma capitulação de Proença. Este, claramente irritado, tem procurado defender-se com argumentos tão irracionais como idiotas, mas o que está em causa deita por terra qualquer tentativa de justificação. 

O dr. Passos Coelho subiu ao palco e disse, entre outras banalidades e omissões, que se estava em presença "de uma grande coligação social." Não é assim. O primeiro-ministro não aceita as evidências e quer enganar quem? Com a saída da CGTP, o desenrolar dos acontecimentos são de molde a preocupar. Menos de vinte e quatro horas depois, uma manifestação de descontentes gritou a sua cólera perante o edifício do Parlamento. "E isto não vai parar!", exclamou Carvalho da Silva, que vai deixar o lugar de secretário-geral da CGTP, por exigências estatutárias, e ser substituído por Arménio Carlos. 


Claro que apareceram aduladores do documento. Os mais despropositados foram o dr. Tavares de Miranda e o também dr. Braga de Macedo, recuperados de um limbo onde muito bem estavam. O dr. Miranda discreteou acerca das inabaláveis virtudes de um texto, cujos objectivos salvíficos são comoventes. Parece que a pátria estava em perigo de soçobrar, não acontecesse a assinatura singularmente patriótica do eng.º Proença. E o dr. Braga, sempre muito inteligente, exautorou as declarações de Torres Couto, de quem disse ser muito amigo, fora o despautério daquele absurdo "radicalismo"; ou foi "fundamentalismo" o que disse? 

O facto é que o "acordo" é um texto beligerante, que desfere golpes terríveis em muitos avanços sociais do mundo do trabalho. A Imprensa tem enumerado a lista e chega a ser sórdido o que patrões e governo querem fazer com o apoio sorridente do eng.º Proença. Este, desasado e sem saber onde se meter, culpa os jornalistas. Os jornalistas são culpados de muita coisa; mas de esta, não. O eng.º Proença cumpre, aliás, o desígnio histórico que tem caracterizado o seu trajecto e o da UGT. Não vale a pena cauterizar velhas feridas fazendo ressurgir histórias ignóbeis. Mas cada um come do que quer e a mais não é obrigado. 

A verdade é que as ambições patronais foram obtidas, com a conivência de UGT, e não há volta a dar ante as circunstâncias. O escarmento de que o eng.º Proença é alvo não é injusto: ele assumiu as responsabilidades de fazer o que fez, num momento particularmente dramático da sociedade portuguesa e, em especial, da classe trabalhadora. Porque é esse o caso. Todos nós, os que trabalhamos, operários, jornalistas, professores, mecânicos, motoristas, vamos ser atingidos pela onda avassaladora de uma série de iniquidades de que a UGT é responsável. É extremamente significativo ver quem apoia e aplaude este acordo. E a desvergonha aumenta quando o eng.º Proença agita a bandeira da "meia hora" como vitória singular. A verdade é que a historieta da "meia hora" foi um engodo, enganador como todos os engodos. As coisas estavam preparadas e cumpliciadas para se apresentar a "cedência" governamental e patronal como ganho sindical. O embuste servia para justificar o que aí vinha. 

Estamos em pleno reino da infâmia. Enfraquecido pelas pressões conservadoras e ultraliberais e pelas traições oportunistas de aventureiros sem escrúpulos, o mundo do trabalho está cada vez mais encostado á parede do seu infortúnio. Porém, a história no-lo ensina que os incidentes de percurso, por dramáticos e dolorosos que sejam, são superados pela força da razão. Estamos num desses períodos, em que tudo parece perdido. Mas não está. O estádio civilizacional será, ocasionalmente, interrompido, mas não é nunca uma etapa definitiva. E o poder, quase totalitário, que parece avassalar a Europa, começa, aliás, a apresentar fissuras. Todas as derrotas são aparentes, por muito duradouras no aspecto. E não há conquista sem luta nem luta sem sofrimento."

Fonte: Baptista Bastos

domingo, 22 de janeiro de 2012

O que não se fala sobre o Amor...

As canções e os poemas ignoram tanto acerca do amor. Como se explica, por exemplo, que não falem dos serões a ver televisão no sofá? Não há explicação. O amor também é estar no sofá, tapados pela mesma manta, a ver séries más ou filmes maus. Talvez chova lá fora, talvez faça frio, não importa. O sofá é quentinho e fica mesmo à frente de um aparelho onde passam as séries e os filmes mais parvos que já se fizeram. Daqui a pouco começam as televendas, também servem.

Fonte: - Visão, Janeiro 2012
Peixoto , José Luís.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

As Saudades Curtas.

Também as versões-formiga dos maiores sentimentos têm tanto direito ao respeito como os leões e as impalas. Até por serem muito mais numerosas e frequentes, como está a multidão de insectos para com a pequena minoria dos vertebrados. 

A minha formiguinha emocional são as saudades curtas que eu tenho da Maria João. Plenas não posso ter, graças a ela e a Deus, porque são poucos os momentos em que ela não está comigo. Mesmo não sendo muitas, essas faltas, por muito felizmente pequenas e provocadas pela necessidade, são suficientes para incutir em mim a dor, nem que seja por cinco minutos apenas, de estar separado dela. 
Parecem estúpidas as saudades curtas. São certamente insensíveis e solipsistas, perante as saudades longas e profundas, que não têm cura nem, por serem insolúveis, têm a esperança de, um dia, deixarem de existir. 
São saudades de uma hora, de um almoço perdido, de uma tarde interrompida. Parecem irracionais e ingratas, estas saudades curtas, de que sofrem as pessoas apaixonadas e felizes ou infelizes. 
Mas não são. Daqui a um X número de horas, vou morrer. Daqui a um Y número de horas, vai morrer a Maria João. Morra quem morra, com a maior ou mais pequena das antecedências, o certo é que o tempo da vida e da saudade está contado. 
Cada hora que não estou com ela está para sempre, definitivamente, finitamente perdida. E é daí que vêm as saudades curtas do amor, que tomam cada momento por uma vida. Só por amor se vive assim. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (18 Jun 2011)'

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

movies and words...



They say you fall in love only once, but everytime I look at you, I fall in love all over again.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Brutal, mas imprescindível de ser visto...

Afinal quem são os verdadeiros piratas?!
Este documentário, que me deixou "perplexa"...só prova aquilo que penso há anos sobre a ONU - cambada de fantoches que satisfazem os interesses dos mais fortes e ricos...

Obrigatório...

 Clicar nos link's, para visualizar.