segunda-feira, 30 de abril de 2012

É urgente ver...é urgente agir, é urgente MUDAR!...


POR UMA NOVA LEI! JÁ!!!!.....
Vídeo de Lançamento da 2.ª Fase da Campanha "Por uma Nova Lei de Protecção dos Animais em Portugal" "Um Passo em Frente".

domingo, 29 de abril de 2012

Miguel Portas.


As grandes causas são um espantoso conforto para não se olhar para dentro e para se fugir de si próprio. Isto não é fácil de dizer, mas é inteiramente assim.

(Miguel Portas, em entrevista ao 'Expresso')

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Estados de espírito...

Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece...

~Clarice Lispector

Comentário à citação de Clarice Lispector, que achei muito interessante, de tal forma partilho...

A sociedade discretamente nos convence da vida que devemos ter, do ciclo que devemos seguir e das obrigações que devemos considerar. Tornando-nos pessoas cegas e inconscientes. A tv em vez de ensinar, manipula. A música em vez de entreter, instiga. As revistas em vez de mostrar fatos, nos trás fofocas.E a pessoa em vez de questionar, aceita. A vaidade em vez de ser algo natural é algo nocivo, como já dizia Hebert Viana: “Religião, é dieta. Fé, só na estética.Ritual é malhação. Amor é cafona. Sinceridade é careta. Pudor é ridículo.Sentimento é bobagem. Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção.Roubar pode, envelhecer não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso. Jovens não têm mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada”. E assim a sociedade vai se infiltrando cada vez mais fundo nos finos pêlos do grande coelho branco que é tirado da cartola do Universo, e lá instala seu confortável lar. Em vez de dar, exigimos, e em vez de aproveitar, reclamamos. Em vez de reclamar do que devemos, aceitamos. Aceitamos estudar com um único objetivo, aceitamos ultrapassar esse objetivo entrando em uma faculdade, e depois ainda criamos outro objetivo, ser um bom profissional, pra ter um bom dinheiro, pra poder comprar uma boa tv de plasma e pagar a balada do filho adolescente. Aceitamos trabalhar mais do que agüentamos, afinal, precisamos de dinheiro pra manter nosso padrão de vida,precisamos de dinheiro pra ter com que pagar as filas em que se cobram. A grande ilusão. A natureza nos dá tudo, nós não lhe damos nada, nós a usamos pra correr nosso ciclo, e quando estivermos velhinhos, ganhando nossa aposentadoria, poderemos olhar fotos do mundo e de tudo que não vimos pq estávamos muito ocupados com o corre-corre em busca da estabilidade. E assim, sem perceber, de fininho, a sociedade nos corrompe e nos impede de sonhar, torna nossa ambição maior que nossa razão, e nosso materialismo/consumismo maior que nossa sede de conhecimento. E no tempo em que deveríamos sonhar, nós dormimos, nós corremos, nós vamos ao banco, nós assistimos futebol, nós assistimos novela, pq afinal, não podemos perder tempo sonhando num mundo tão desenvolvido. E em vez de pararmos na estrada pra ver as estrelas no céu tão bonitas, nós apertamos mais o acelerador, pq afinal, já é tarde e trabalhamos o dia todo pra chegar em casa,tomar uma ducha, comer uma lasanha congelada e dormir, pq amanhã acordamos cedo. E nesse meio tempo, ninguém teve tempo de perceber que o ano de 1984 chegou, do jeito que queria chegar, discretamente, aniquilando palavras do nosso vocabulário e implantando desejos em nossa mente. Nos trazendo medo, medo de ir até ali às 11 da noite pq podemos ser assaltados,medo de conversar com um desconhecido pq ele pode ser o que não parece,medo de ir até a outra cidade de bicicleta pq periga sofrer um acidente, medo de dar um pulinho no país ao lado por ter medo do desconhecido. 
Trazendo  preguiça e comodismo. O comodismo de ir até a padaria de carro, pra que ir apé se tem um carro pra nos levar? O comodismo de não fazer comida, pra que fazer comida se tem o delivery da lanchonete? E desse jeito perdemos o que deveríamos ter guardado, a sete chaves, no fundo de nossos desejos, a necessidade de arriscar, a necessidade de mudar, a necessidade de correr o risco, e a vontade de correr de encontro ao desconhecido. "Os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é não arriscar nada. A pessoa que não corre nenhum risco, não faz nada, não tem nada, não consegue nada e não é nada. Ela pode até evitar sofrimentos e desilusões, mas não sente, não muda,não cresce, não ama, não vive. Acorrentada por suas atitudes, ela torna-se escrava e priva-se da liberdade”. “Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!”.E é por essas e outras que muita coisa nesse mundo é "só para raros".Eu espero “que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva”

De B. Rodrigues.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Gostava de morar na tua pele.

Gostava de morar na tua pele
desintegrar-me em ti e reintegrar-me
não este exílio escrito no papel
por não poder ser carne em tua carne.


Gostava de fazer o que tu queres
ser alma em tua alma em um só corpo
não o perto e o distante entre dois seres
não este haver sempre um e sempre o outro.


Um corpo noutro corpo e ao fim nenhum
tu és eu e eu sou tu e ambos ninguém
seremos sempre dois sendo só um.


Por isso esta ferida que faz bem
este prazer que dói como outro algum
e este estar-se tão dentro e sempre aquém.


Manuel Alegre, Sete Sonetos e um Quarto

terça-feira, 24 de abril de 2012

Pela liberdade sempre...servidão, nunca!


Sobre as comemorações do 25 de Abril deste ano, só me ocorrem duas citações; uma atribuída a Oscar Wilde, que diz: "Hoje em dia conhecemos o preço de tudo e o valor de nada." A outra de  Albert Camus ... "Liberdade é uma possibilidade de ser melhor, enquanto que escravidão é a certeza de ser pior." ...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

As impossibilidades definitivas...


Há sãos e doentes, pobres e ricos, desde que o mundo é mundo. Podemos aliviar a pobreza, tentar uma distribuição equitativa dos bens, refrear o egoísmo, a avidez e a especulação, mas não se pode esperar transformar os inaptos em génios usando simplesmente a educação, a quem é duro de ouvido não se pode ensinar que existe uma música divina no espírito humano, nem se conseguirá jamais converter à generosidade os ávidos e cobiçosos. 

Sándor Márai, "A Mulher Certa".

"Os bárbaros entre nós"


Esta semana foi notícia a queda de um rei. Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón-Dos Sicilias tropeçou no Botswana e foi parar ao Hospital San José de Madrid. Os media, sempre muito interessados no que sucede a tão proeminente figura, logo se animaram em frenesim emitindo aquele tipo de diretos que consomem tempo e paciência pois raramente dizem mais do que foi dito e redito. Em resumo, o rei está bem. 

Sucede que o rei pode estar bem mas o que ele fez não está nada bem. Apesar de uma inicial ocultação mediática, típica de um meio onde faltam jornalistas e prevalecem lacaios, veio a saber-se o que realmente andou Juan Carlos a fazer pelo Botswana. Matar elefantes. 

A partir daqui surgiram dois tipos de críticas. Uma, largamente maioritária, concentrou-se no dinheiro gasto. No Botswana paga-se 40.000 euros para matar um elefante. Uma tal despesa frívola indignou muitos espanhóis num momento em que as medidas de austeridade atiram para o desemprego e miséria milhares de pessoas. A outra crítica, minoritária, foi direito ao verdadeiro assunto, ou seja, o facto de este homem se divertir a matar elefantes, uma espécie em vias de extinção.

Não vale a pena estar com delicadezas. Este rei é um bárbaro, um primitivo, um delinquente. Como o são todos aqueles que retiram prazer a chacinar indefesas criaturas. Em vias de extinção ou não, a vida animal sofre uma pressão insustentável por parte do homem que cada vez mais ocupa, explora e esgota os recursos naturais necessários à existência de outras formas de vida. A caça, toda ela, de coelhos ou elefantes, é uma atividade sem qualquer justificação na sociedade contemporânea. É um crime praticado por gente incivilizada, por muito dinheiro ou posição social que tenha. É a expressão de um atavismo cultural que persiste. É isto que queremos quando falamos de civilização?

É claro que os praticantes têm os seus argumentos. Não são muitos, reduzem-se a dois. O primeiro é o da tradição. Sempre se caçou e, portanto, há que continuar a fazê-lo. A tradição é invariavelmente usada para legitimar tudo o que há de mais primitivo e bárbaro. Acontece que a sociedade humana se foi desenvolvendo precisamente contra a tradição, banindo práticas, alterando comportamentos, procurando "civilizar" os homens. Não fosse isso e ainda hoje teríamos a generalização da escravatura, a discriminação das mulheres ou dos que têm uma diferente cor de pele. E, se tais práticas grosseiras persistem em alguns lugares, é nossa tarefa combatê-las decididamente.

Mas o argumento mais pérfido é o que pretende que a caça protege as espécies. Diz-se que sem caça já não existiriam muitos animais. Sem touradas não existiriam touros e por aí adiante. Defende-se a matança, sistemática e organizada, em nome da vida. Será que esta gente, para além da sua malvadez, também acha que somos todos estúpidos? 

A proteção das espécies animais só se pode fazer de uma única maneira. Preservando os seus habitats, refreando a expansão agrícola e esgotamento dos recursos, impedindo a chacina. A extinção das espécies ameaça o equilíbrio ecológico e coloca em risco todas as outras espécies. Incluindo a nossa. Como se pode ser tão irresponsável?

Mas não quero terminar sem abordar aquilo que realmente é mais chocante nesta história das caçadas de reis e afins. Já é grave que gente ignara se dedique a maltratar animais, seja por divertimento, seja por "tradição". Mas que sejam aqueles que constituem a elite da sociedade a fazê-lo não pode deixar de nos revoltar. Este rei, que é Presidente da secção espanhola do WWF (Fundo Mundial para a Natureza), sabe perfeitamente o que está em causa e o impacto nocivo do seu comportamento. Ao agir de forma tão displicente, demonstra que não tem as qualidades necessárias para representar um povo. Não é definitivamente um bom exemplo para ninguém. E já agora, viva a república.

Mas não é só ele. Este tipo de caça grossa e cara predomina nas elites. Que se divertem a matar e a exibir as suas vestimentas, as suas armas, os seus troféus. O topo da nossa sociedade está repleta de bárbaros. E isso tem de ser denunciado e combatido. Tenham vergonha, antropopitecos.

Este artigo de opinião foi escrito em conformidade com o novo Acordo Ortográfico.

Fonte: Artigo de Leonel Moura - JN

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Que a vida não seque...

‎Porque temos de sobreviver. Porque, à noite, a esta hora, temos de encontrar força para conseguirmos dormir, descansar, e temos de acreditar que no dia seguinte poderemos acordar na vida que quisemos, que desejámos. Temos de acreditar que poderemos acordar na vida que conseguimos construir e que essa vida tem valor, vale a pena. Muito mais difícil do que esse esforço é considerarmos que fomos incapazes, que não conseguimos melhor, que a culpa foi nossa, toda e exclusiva.

José Luís Peixoto, in 'Abraço'

quinta-feira, 19 de abril de 2012

"Casar ou não casar? Eis a questão"

Estou perante uma charada: será que se realmente casar fosse mais acessível haveria mais casamentos ou estamos perante uma mudança de mentalidades face ao passado?


Em conversa com jovens dos 18 aos 28 anos no âmbito do estudo C-Spotters, falávamos da cada vez mais comum utilização de "vouchers" ou vales de descontos adquiridos em inúmeros sites que proliferam na "world wide web".

Jantares em restaurantes de renome, "after-hours", massagens, cursos de reiki, maquilhagem, astronomia, gastronomia, quem não aproveitou? Um dado curioso, em 50 jovens entrevistados neste estudo, apenas uma era casada. O que me fez pensar.

E se um desses sites especializados em descontos oferecesse um voucher de 30, 50, 70% de desconto em casamentos em 2012… qual seria a reacção? Será que havia uma adesão em massa digna de aparecer na abertura dos jornais da noite ou os números mantinham-se estáveis?

Inúmeras razões podem ser apontadas para a quebra nos casamentos entre os jovens. O dinheiro (mais especificamente, a falta dele), a elevada taxa de divórcios, a diminuição das vantagens fiscais, a falta de vontade, a falta de confiança, a dificuldade em crescer, a descrença no amor.

Mas e se, realmente, casar passasse a ser uma “actividade” acessível aos jovens em 2012. Será que havia mudanças? Será que havia mais “vontade” de casar?

Para os noivos vejo algumas vantagens: mais 11 dias de férias úteis (apenas para quem trabalha e não a recibos verdes, desculpem), uma boa oportunidade para viajar (e todos os locais do mundo podem ser românticos, das Fiji ao Vietname, da Islândia a Nova Iorque), um "stock" renovado de electrodomésticos e molduras, uma boa desculpa para reunir amigos e familiares e oficializar um sentimento de pertença.

Para os convidados outras mais – porque como bons amigos, todos gostam de ajudar à festa. Inclusive dançar ao som do DJ contratado que, para além de pôr música, também enche os balões das crianças, faz atelier de danças latinas e deita o fogo-de-artifício na altura do bolo (porque é a "crise" e o DJ até se safa nas outras tarefas). Já para não falar do gin tónico, das gravatas enroladas à volta da cabeça do noivo e amigos e do cherne servido ao almoço/jantar.

Mesmo assim contínuo sem respostas. Estou perante uma charada, um enigma, um "conundrum". Será que se realmente casar fosse mais acessível haveria mais casamentos ou estamos perante uma mudança de mentalidades, de atitudes, de comportamentos radicais face ao passado? O facto de ser socialmente aceite sair de casa para uma união de facto é a razão principal? Será que com 28 anos só vou ter cinco ou seis casamentos por medo dos divórcios, ou porque simplesmente já não faz sentido a celebração do amor numa cerimónia oficial porque na vivência do dia-a-dia basta? Chamem-me romântica mas eu gosto de casamentos. Mas se me perguntarem a mim se me quero casar… não sei que resposta dar.

Fonte: Artigo publicado no "P3"

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Inacreditável!!!

Correm os rumores de que a famigerada caçada do Rei Espanhol em África, terá sido proporcionada por uma destas excursões do El Corte Inglés... "Na agência de viagens da marca há de tudo, desde matar elefantes no Botswana ou no Zimbabué, leopardos e hipopótamos em Moçambique, e girafas, leopardos e leões na Namíbia ou na África do Sul... É ver para crer: " - http://www.viajeselcorteingles.es/caza/africa.html 

Fica o link da petição que solicita o fim desta barbárie, levada a cabo e para divertimento de quem tem muito dinheiro, em pleno sec. XXI.
http://actuable.es/peticiones/dile-al-corte-ingles-no-organice-viajes-cazar-animales

terça-feira, 17 de abril de 2012

movies and words...


Inez: You're in love with a fantasy. 
Gil: I'm in love with you. 

"O lado (muito) negro da WWF"

Fiquei absolutamente chocada....agora entendo porque é o Rei de Espanha membro honorário da WWF...bem como tantos outros monarcas europeus...com a mesma conduta. Para mim, esta organização ambiental perdeu toda a sua credibilidade...





A WWF é a maior associação ambientalista a nível mundial... só que há muito que deixou de ser ambientalista. Vejam o documentário "O Silêncio dos Pandas" (em inglês) onde se fica a saber como a destruição do planeta - incluindo a promoção desbragada de transgénicos - é a maior fonte de lucro desta Organização.

Fonte: Bio Terra.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Português, mas pouco...


Pois...nem tudo o que parece, é...

Um exemplo para outros veterinários do país...

Apesar da notícia ser do ano passado, a informação é actual. 


Associação ARPA promove esterilização de animais a preços reduzidos.

Defensoras da esterilização dos animais de companhia como um dos métodos mais eficazes no controlo de populações errantes e preocupadas com a falta de campanhas de sensibilização em Portugal, duas médicas veterinárias de nacionalidade brasileira fundaram, este mês, a ARPA – Associação pela Redução Populacional e Abandono de Cães e Gatos, em Vila Nova de Poiares.


Dirigida aos donos de cães e gatos que não têm capacidade económica para suportar as despesas com a esterilização dos seus animais, a ARPA oferece a possibilidade de esta ser feita a preços económicos. “Os preços variam entre os 20 euros para um gato macho, e os 70 euros para uma cadela de grande porte”, adiantou, ao JN, Mildren Costa, que há quatro anos pratica medicina veterinária em Portugal.


Quando chegou encontrou uma realidade bastante diferente da existente no Brasil. “Lá, as prefeituras e as universidades trabalham em parceria para que os animais possam ser esterilizados mesmo quando os donos não têm muito dinheiro. Fazem preços mais reduzidos ou facilitam o pagamento, através de prestações mensais, por exemplo”, disse.


Neste momento, a associação está apenas a receber as inscrições, podendo as fichas serem preenchidas aqui. “Depois de nos enviarem a documentação solicitada, os pedidos são sujeitos a uma triagem. Podem candidatar-se pessoas da zona centro do país, contudo, só serão aceites aquelas que ganhem o salário mínimo, estejam desempregadas ou reformadas. Cada pessoa pode candidatar todos os animais que tiver”, adianta Mildren Costa, vice-presidente da ARPA.


As intervenções cirúrgicas serão feitas sempre ao domingo ou dias feriados, estando as primeiras marcadas para 13 de Março. Numa segunda fase, as duas mentoras deste projecto pretende alargar o projecto aos animais errantes. “Nesse caso, iremos proceder à sua captura, esterilização e devolução”, explicou, dizendo que em “Vila Nova de Poiares, há centenas de colónias de gatos”.


A aposta na esterilização a preços reduzidos e a animais errantes pretende ser uma forma de tentar controlar as ninhadas de animais abandonados e “evitar a morte destes animais nos canis”. “Aqui, em Portugal, a eutanásia nos canis parece ser o método preferido para erradicar os animais abandonados. No Brasil, a eutanásia de animais errantes é a última das soluções e utilizada apenas em casos extremos”, criticou Mildren Costa.


Para mais informações, deixamos aqui os contactos da ARPA:
Estrada da Beira
Entroncamento
3350-087 Vila Nova de Poiares

arpa.associacao@gmail.com ou 93 169 76 33      

Fonte: Blog "os Bichos" JN.

domingo, 15 de abril de 2012

Opções "Eco".

Fica a informação a quem possa interessar; os hipermercados Continente comercializam uma gama de produtos de limpeza "Eco" (marca branca), desde detergentes que respeitam o meio ambiente a guardanapos, papel higiénico e rolos de papel de cozinha reciclados (a preços mais reduzidos que os de papel não reciclado). São produtos que visam a consciência ecológica, respeito e preocupação com a preservação da natureza. Procurei noutras grandes superfícies da cidade onde resido, e não encontrei estas alternativas aos produtos ditos "normais".

Numa outra vertente; estão já disponíveis no mercado itens diversos dirigidos a quem se sensibiliza com o bem estar animal, ou seja, podem-se adquirir produtos como ovos, leite e iogurtes biológicos...tendo estes, como factor de diferenciação, a proveniência de animais criados ao ar livre e não enjaulados e alimentados com farinhas alteradas...Uma opção, a meu ver, bem mais ética e saudável. Ficam as sugestões...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

"Homossexuais contestatários" ???

À minha frente, no elevador, está um rapaz dos seus 16 ou 17 anos. Pelo modo como coloca os pés no chão, cruza as mãos uma sobre a outra e inclina ligeiramente a cabeça, percebo que é gay.
Estamos no edifício da FNAC do Chiado. Trabalho naquela zona e, pelo menos duas vezes por dia, subo e desço a Rua Garrett. Frequentemente, por comodidade, utilizo o elevador da FNAC: é uma forma prática de ir da Baixa para o Chiado e vice-versa.

Em todas as grandes cidades do mundo há lugares preferidos pelas comunidades gay. Não sei as razões que conduzem a essas escolhas, mas muitos guias turísticos já as referem. O Chiado é, em Lisboa, uma dessas zonas – e, de facto, cruzamo-nos aí constantemente com ‘casais’ de mulheres e sobretudo ‘casais’ de homens de todas as idades.

Julgo ser um facto notório que a comunidade gay está a crescer. Há quem afirme que não é assim – e o que se passa é que os gays têm cada vez menos receio de se assumirem, cada vez menos receio de revelarem as suas inclinações, tendo orgulho (e não vergonha) de serem como são.

Talvez esta explicação seja parcialmente verdadeira.

Mas, se for assim, é natural que o número de gays esteja mesmo a crescer. O assumir da homossexualidade por parte de figuras públicas acabará forçosamente por ter um efeito multiplicador, pois funciona como propaganda.

Até há duas gerações a homossexualidade era reprimida socialmente, pelo que muitos jovens com inclinações homossexuais teriam pejo de se assumir – acabando alguns por constituir família para afastar eventuais suspeitas. Conheço vários exemplos desses: casos de homens e mulheres que se casaram, vindo mais tarde a trocar o parceiro ou a parceira por uma pessoa do mesmo sexo.

Ora hoje passa-se o contrário: alguns jovens que não têm inclinações evidentes acabam por ser atraídos pelo mistério que ainda rodeia a homossexualidade e pelo fenómeno de moda que ela assumiu em determinados sectores. Não duvido de que há gays que nascem gays. Mas também há gays que se tornam gays – por influência de amigos, por pressão do meio em que se movem (no ambiente da moda isso é claro), e por outra razão que explicarei adiante e me levou a escrever este artigo.

Ao olhar esse jovem que ia à minha frente no elevador, pensei: será que há 20 anos ou 30 anos ele teria a mesma atitude, assumiria tão ostensivamente a sua inclinação? E, indo mais longe, se ele tivesse sido jovem nessa altura seria gay?

Tive dúvidas. Ao observar aquele rapaz tive a percepção clara de que a sua forma de estar, assumindo tão evidentemente a homossexualidade, correspondia a uma atitude de revolta.

Durante séculos, os filhos seguiram submissamente as orientações dos pais em matéria de profissão e casamento. Às vezes contrariados, mas seguiam. Havia famílias de diplomatas, de advogados, de arquitectos, de empresários, de comerciantes, de carpinteiros, de padeiros, de trabalhadores rurais.

Mas nos anos 60 dá-se na sociedade ocidental uma revolução que mudaria o mundo. É a geração dos Beatles, de Woodstock, do Maio de 68, da droga, do sexo livre e da contestação à guerra do Vietname – ‘Make love, not war’ –, da contestação em geral.

O termo ‘contestatário’ entrou na linguagem comum. As palavras ‘irreverente’, ‘insubmisso’, ‘rebelde’, etc. deixaram de ter uma conotação negativa e passaram a ser vistas como elogios. E não se tratava apenas de um fenómeno europeu. Uns anos antes, do lado de lá do Atlântico, filmes como Rebel Without a Cause (Fúria de Viver), de Nicholas Ray, faziam furor – e James Dean, o protagonista, tornava-se o ícone de uma geração ‘rebelde’ sem uma ‘causa’ bem definida.

Nessa época, um jovem que não fosse contestatário não estava bem dentro do seu tempo.

Pertenci a essa geração em que muitos jovens da minha idade estavam em guerra aberta com a família. Eu tinha amigos revolucionários, que andavam a pintar paredes com frases contra Salazar e a guerra colonial, ou em reuniões clandestinas contra a ditadura, cujos pais tinham lugares de confiança no regime salazarista.

Houve conflitos tremendos entre pais e filhos. Os pais, funcionários exemplares, presidentes de Câmara, directores-gerais, militares de elevada patente, etc., sofriam horrores com a irreverência dos filhos que andavam em manifestações, entravam em conflito com a Polícia e às vezes eram presos.

Em 1969, era o meu tio José Hermano Saraiva ministro da Educação Nacional, eu estava envolvido na luta académica contra o Governo na Escola de Belas-Artes. E pouco depois o meu irmão mais velho foi preso e julgado por ‘actividades subversivas’ – e quem o defendeu, num acto de grande coragem e dignidade, foi ainda o meu tio José Hermano, que era então deputado.

Acrescente-se que muitos dos políticos que hoje estão no activo andaram envolvidos em lutas estudantis e em movimentos revolucionários. O caso de Durão Barroso, que militou no MRPP, é o mais conhecido mas não é o único.

Nos dias que correm, todas essas ilusões revolucionárias morreram ou estão em vias de extinção. O fim da União Soviética e a queda do Muro de Berlim, a evolução da China para uma economia capitalista, a morte política de Fidel, tudo isso fez com que certos mitos desabassem e nascessem outras formas de recusa do modelo de sociedade em que vivemos.

Ora uma delas é a homossexualidade. Para alguns jovens, a homossexualidade surge como uma forma de mostrar a sua ‘diferença’, de manifestar a sua recusa de uma sociedade convencional, de lutar contra a hipocrisia daqueles que não têm coragem de se mostrar como são, de demonstrar solidariedade com aqueles que são discriminados ou perseguidos pelas suas opções.

Ser homossexual, para muitos jovens, é tudo isto. É uma forma de insubmissão. E, está claro, é um desafio aos pais. Se antes os jovens desafiavam os pais tornando-se ‘de esquerda’, hoje desafiam-nos recusando a ‘família burguesa’ e mostrando-lhes que há outras formas de relacionamento e até de constituir família. Aliás, assumir-se como homossexual talvez seja, por muitas razões, o maior desafio que um filho pode fazer aos pais.

Todas as gerações, desde esses idos de 60, tiveram os seus sinais exteriores de revolta. Foram os cabelos compridos, as drogas, as calças à boca-de-sino, as barbas à Fidel Castro, os posters de Che Guevara colados na parede do quarto.

Ora a exposição da homossexualidade é hoje uma delas. E a opção gay é uma forma de negação radical: porque rejeita a relação homem-mulher, ou seja, o acto que assegura a reprodução da espécie. Nas relações homossexuais há um niilismo assumido, uma ausência de utilidade, uma recusa do futuro. Impera a ideia de que tudo se consome numa geração – e que o amanhã não existe. De resto, o uso de roupas pretas, a fuga da cor, vão no mesmo sentido em direcção ao nada.

O fenómeno da homossexualidade como forma de contestação deste modelo de sociedade em que vivemos, de afirmação radical de uma diferença – enquadrada num fenómeno contestatário iniciado nos anos 60 –, nunca foi abordado.

Mas olhando para aquele adolescente que ia à minha frente no elevador da FNAC, percebi que era isso que o movia quando fazia uma pose ostensivamente feminina. Ele dizia aos companheiros de elevador: «Eu sou diferente, eu não sou como vocês, eu recuso esta sociedade hipócrita, eu assumo-me».


por José António Saraiva, jornal "Sol".


Num "tumbl", uma resposta a este artigo:


Sim. Ando de elevador muitas vezes. Às vezes inclino a cabeça, admito. Muitas vezes uso os braços de modo que ache confortável. Estas coisas acontecem quando começo a pensar em coisas, ou observo o mundo ao meu redor. Creio que algo bastante comum em qualquer pessoa que trabalhe e passe a vida a criar mundos imaginários para cinema. Nasci bom observador, admito que não por escolha, e tive a sorte de encontrar maneira de ajudar a criar emoções e memórias através de imagens em movimento.
Elevadores. Passagens tão temporárias e interessantes. Elevadores sempre me fascinaram, por criarem um espaço forçado de observação. Tão pequeno, mas cheio de detalhes. Quem veste o quê, quem olha para onde, quem tosse quando.

Imagino ser aquele rapaz. Podia perfeitamente ser eu. Aliás, fui eu há uns meses. Em Setembro. Estive em Portugal e trouxe o meu namorado para ele conhecer a minha família, que tanto me adora e respeita, e também para conhecer o país onde cresci, as ruas onde andei e os edifícios que me rodeavam em criança. Sou gay e sempre fui. Nunca tive dúvidas e nunca foi uma escolha. Ninguém escolheria alguma vez ser gay, porque muito provavelmente isso traria uma vida de desafios como ter de educar uma pessoa como José António Saraiva. E já agora, caso isto seja novidade, também ninguém escolhe ser heterossexual.
Ir a Portugal com o meu namorado foi um passeio de redescoberta de um país que sempre me trouxe muitas memórias. Desde memórias péssimas de ser violentamente gozado na escola, a nível físico e psicológico, por ser gay. Desde memórias óptimas a criar um grupo de amigos que nunca me trataram de maneira diferente quando eu inclino a cabeça, ou mexo os braços, ou pouso os pés no chão.
Tive a sorte de ter uma família acolhedora, mas conheço muitos casos em que tal não acontece. Se há coisa que aprendi foi a não julgar os outros. Acho que não há nada mais precioso na vida do que aprender com a individualidade de cada um. Talvez seja por isso que tenha conseguido ser tão bem sucedido tanto em Hollywood como em Silicon Valley.
E, apesar de ser gay, ajudei a criar imagens que marcaram o mundo. Imagens que inspiraram adultos e crianças a acreditarem num mundo melhor. Um mundo em que dois robots se podem apaixonar, ou dois escuteiros se podem conhecer em crianças e viver juntos a vida inteira, ou um mundo em que um astronauta encontre um melhor amigo num simples cowboy. Sem falar de um rato que pode cozinhar… Estes não existem na verdade, mas transmitem um ideal de um mundo em que eu acredito ser possível viver. Em que cada pessoa é como é, e em que cada um de nós tem a oportunidade de trazer algo mágico às pessoas que se cruzam na nossa vida.
Não sei em que mundo o José António Saraiva vive, mas pela maneira como publicamente julga os outros deve ser um espaço bastante triste. Tenho pena de não ter estado naquele elevador, naquele momento. Pelo menos, poderia ter olhado para ele, sorrido e, quem sabe, mostrar que o Portugal de agora é um país muito mais acolhedor do que alguma vez foi. Um país em que posso trazer o meu namorado e criar memórias novas para o resto da nossa vida. Um país em que nos podemos casar como qualquer outra pessoa.
Aqui na Califórnia, sinto-me em casa. Sinto-me em casa porque sei que posso andar de elevador, e muito provavelmente vou conhecer alguém que se calhar com apenas vinte anos criou uma empresa que está a mudar o mundo. Ou alguém que se calhar inclina a cabeça de certa maneira, e me faz sorrir por saber que pertenço a um mundo em que podemos ser verdadeiros, genuínos e nós próprios.
E entretanto vou criando outros mundos imaginários. Que muito provavelmente irão fazer sorrir os filhos, netos ou bisnetos do José António Saraiva.

Fonte: "Tumbl Fonzie"

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Gostei tanto, que li várias vezes...

Crónica de Rodrigo Guedes de Carvalho: Contra as bestas, pelos animais

Nunca aceitei dar a cara por uma campanha mas, desta vez, vou bater-me pelos bichos, que são mais que ser vivos

Por:  Rodrigo Guedes de Carvalho

Em tempo de crise, tenho pena de não poder fazer publicidade para reforçar o mealheiro... Estou a brincar. Apesar de achar, como já aqui o disse, que os jornalistas arranjam ligações muito mais dúbias como assessores, isso não me leva a admitir que possamos fazer publicidade. Ainda recebi um convite aqui e ali, mas com o tempo as empresas percebem que estamos proibidos pelo nosso código deontológico. Mas há um outro tipo de convites, que muitos julgam não ter a ver com publicidade, o que nuns casos é verdade, noutros, nem por isso... Refiro-me ao que vulgarmente se chama “campanhas”, sempre com uma face muito humanitária, sem ligações a partidos, clubes ou facções, sempre coisas muito politicamente correctas. Como beber um copo de leite, sorrir para a câmara e aconselhar as pessoas a prevenirem a osteoporose, ou ser filmado, sempre sorridente, a empacotar latas de atum e pacotes de arroz, pedindo às pessoas mais donativos para um qualquer banco alimentar contra a fome. Não recebi muitos convites destes, mas os suficientes para poder dizer que nem a isso estou disposto. Não é uma questão de afirmação de algo, é mesmo feitio. Não gosto de me expor mais do que já me exponho (por inerência de funções...), e ao contrário de muita “figura pública”, que gosta de aparecer porque isso lhe permite aparecer mais e mais vezes, o que “apareço” chega e sobra-me. Mas, aqui chegados, eis que informo que vou dar a cara por uma campanha. Contradição? Talvez, você julgará, depois de me explicar. Aceitei o convite para fazer parte de um vídeo que pretende reforçar a sensibilização da classe política que faz leis. Aceitei porque se trata de mudar (tentar mudar) a legislação absurda que, em Portugal, equipara os animais a objectos ou coisas. Não me vou alongar muito sobre o assunto, até porque me parece daqueles tão óbvios que não percebo porque têm sequer discussão. E é precisamente isto, e apenas isto que direi. Que, com quase 50 anos de idade (e portanto, pouca paciência), e mais de 25 de jornalismo, posso afirmar que o meu entendimento das coisas se baseia em factos, mais do que ideias ou outras subjectividades. E os factos são claros e gritantes. Os animais não podem ser equiparados a objectos porque... porque... não são objectos. Será tão difícil perceber? Será difícil perceber que não podem ser coisas se têm coração, sangue em veias e artérias, olhos para ver, mais todos os sentidos que nós temos, e que sentem fome, e sede, e medo, e solidão, e saudades? E que não só são seres vivos como nós, como nos ensinam tanta coisa que esquecemos depressa na nossa vida calculista, como dar incondicionalmente, sem saber o que receberão. E por isso, por estas coisas tão simples, vou juntar a minha voz aos que querem lembrar aos responsáveis do País as coisas mais elementares. Faço--o para ajudar a “causa”, mas faço-o também por mim, pela minha “imagem”, quero, neste caso, que não restem dúvidas a ninguém sobre a minha posição na matéria. Quero que seja claro que defendo e defenderei sempre os animais, as vítimas mais fáceis e indefesas da bestialidade de que somos capazes. Quero pedir à classe política que nos mostre, com uma nova lei, que não pactuará mais com abandonos selvagens (de facto, como se os bichos fossem coisas que se deitam para o lixo...), nem com mau tratos abjectos e gratuitos. E que quem o fizer enfrentará uma punição. E não me venham, por favor, como já ouvi, dizer-me que “em tempo de crise” a questão da defesa dos animais é uma questão “menor”. Os tempos de crise têm costas largas, quando se quer. Mas, precisamente, os tempos de crise não são, seguramente, apenas financeiros. São tempos de crise civilizacional, moral, educacional. Repare que na base da “crise” estiveram, como hoje todos sabemos, homens e mulheres que demonstraram falta de honra e dignidade, com as suas falcatruas, as suas fraudes, gastos faraónicos em nome da ganância e da ambição medíocre, negociatas a favorecer amigos, obras que não servem para nada pagas com o dinheiro dos nosso impostos, um desvario que foi originando pequeninos buracos, que depois formaram uma bola de neve, e depois um tsunami de dívidas que invadiu um país, depois, outro, e é hoje uma doença mundial. O dinheiro não tem vontade, não se mexe sozinho. Fomos nós que rolámos os dados assim. Foi a falta de solidez moral que levou à crise. Por isso, sim, a questão dos animais não só não é menor, como seria uma boa oportunidade para se começar a gerir povos com os princípios simples da defesa dos mais desprotegidos contra a lei selvagem do mais forte. Se pensar bem, aplica-se a tanta coisa...

"O País e o Mundo", crónica, Rodrigo Guedes de Carvalho
(TVmais nº1004 de 13 a 19 Abril/2012)


Nota:  Rodrigo Guedes de Carvalho, é actualmente subdirector de Informação da SIC, apresentando o Jornal da Noite, de segunda a sexta-feira, com Clara de Sousa.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Não basta abrir a janela

Para ver os campos e o rio. 
Não é bastante não ser cego 
Para ver as árvores e as flores. 
É preciso também não ter filosofia nenhuma. 
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas. 
Há só cada um de nós, como uma cave. 
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora; 
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, 
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela. 


Falas de civilização, e de não dever ser, 
Ou de não dever ser assim. 
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos, 
Com as cousas humanas postas desta maneira. 
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos. 
Dizes que se fossem como tu queres, seria melhor. 
Escuto sem te ouvir. 
Para que te quereria eu ouvir? 
Ouvindo-te nada ficaria sabendo. 
Se as cousas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo. 
Se as cousas fossem como tu queres, seriam só como tu queres. 
Ai de ti e de todos que levam a vida 
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!


Entre o que vejo de um campo e o que vejo de outro campo
Passa um momento uma figura de homem.
Os seus passos vão com «ele» na mesma realidade,
Mas eu reparo para ele e para eles, e são duas cousas:
O «homem» vai andando com as suas ideias, falso e estrangeiro,
E os passos vão com o sistema antigo que faz pernas andar,
Olho-o de longe sem opinião nenhuma.
Que perfeito que é nele o que ele é – o seu corpo,
A sua verdadeira realidade que não tem desejos nem esperanças,
Mas músculos e a maneira certa e impessoal de os usar. 


Alberto Caeiro 

S.O.S. Planet.