quarta-feira, 9 de maio de 2012

AMIGO.


Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra amigo!


"Amigo" é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo, 
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!


"Amigo" (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
"Amigo" é o contrário de inimigo!
"Amigo" é o erro corrigido
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada!


"Amigo" é a solidão derrotada!
"Amigo" é uma grande tarefa,
É um trabalho sem fim,
Um espaço sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
"Amigo" vai ser, é já uma grande festa!


Alexandre O'Neill, No Reino da Dinamarca

Rio+20: porque razão ninguém fala dele em Portugal?


Há dois anos e meio, a Cimeira de Copenhaga – o COP15 – foi amplamente falada e noticiada em Portugal. Vista como uma das mais importantes conferências ambientais de sempre, a Cimeira do Clima da capital dinamarquesa foi, durante os seus 11 dias – e nos meses anteriores -, um dos assuntos mais comentados em Portugal.
Passaram quase três anos e eis-nos na contagem decrescente para uma nova cimeira das Nações Unidas, o Rio+20. Uma das mais importantes cimeiras de sempre relacionada com a economia verde e o desenvolvimento sustentável, o Rio+20 tem o condão de não só comemorar os 20 anos da Cimeira da Terra, de 1992, como realizar-se no Brasil, um dos Países que mais está na moda em Portugal: é para lá que as empresas portuguesas se querem internacionalizar, é em terras brasileiras que já vivem muitos dos melhores profissionais portuguesas, à procura da pujança da sua economia de BRIC.
Então, porque razão não se fala, em Portugal, no Rio+20. “O contexto agora é muito diferente. Há um tema que domina grande parte da atenção pública e mediática, que é o da crise. Dentro do próprio País, a actividade na área da sustentabilidade é bastante débil – sobretudo no Governo, mas também nas empresas – por falta de dinheiro e pelo entendimento de que é preciso fazer a economia crescer a qualquer custo”, explicou ao Green Savers o jornalista Ricardo Garcia.
Em Dezembro de 2009, Ricardo Garcia foi o enviado do jornal Público a Copenhaga. Hoje, este é um luxo a que muitos jornais não podem recorrer. “Os próprios órgãos de comunicação social estão mais debilitados, em termos de recursos. As redacções estão cada vez mais pequenas e o número de jornalistas especializados está a diminuir. Isto já acontecia em 2009, quando ocorreu Copenhaga, mas nessa altura havia uma enorme expectativa em torno daquela cimeira, que gerou um interesse maior”, explica agora Ricardo Garcia. “O Rio+20 não está a criar nada parecido em termos de expectativa”, concluiu o jornalista.
Segundo o director-executivo da Oikos, João José Fernandes, há explicações para esta falta de interesse português no Rio+20, mas a justificação “não existe”. “As explicações estão relacionadas com a tradicional apatia dos cidadãos e das instituições portuguesas com a política internacional e com a cooperação para o desenvolvimento. Esta tendência acentuou-se nos últimos anos – desde 2008 – com a crise económica e com as medidas de austeridade em que o nosso país está mergulhado”, revelou o responsável ao Green Savers.
Segundo João José Fernandes, quando muitos portugueses têm o “prato meio vazio”, dificilmente têm “paz de espírito para reflectir sobre as inevitáveis consequências do esgotamento dos recursos naturais, da perda de biodiversidade, das alterações climáticas, da crise energética ou da inexistência de soberania alimentar do nosso país”.
“O imediatismo é sempre um mau conselheiro, mas é o que fala mais alto. As organizações da sociedade civil (por exemplo as ONGD e as ONGA) sentem hoje mais dificuldades no agendamento político de causas globais do que em 1992 ou 2002. A explicação é simples: menos apoio efectivo por parte de uma classe média em empobrecimento e falta de respeito por parte dos governantes e do Estado”, continuou o responsável.
Em 1992 e em 2002, a delegação oficial portuguesa ao Rio de Janeiro e a Joanesburgo foi preparada e integrou elementos de organizações da sociedade civil. “A falta de visibilidade do Rio+20 na comunicação social decorre do alheamento dos cidadãos, da impotência das organizações da sociedade civil, da apropriação indevida por parte das grandes empresas em torno do discurso do desenvolvimento sustentável (greenwashing) e da ignorância – e falta de mundo – de uma boa parte dos nossos líderes políticos”, de acordo com o director-executivo da Oikos.
Pouca mobilização das ONG
O alheamento da sociedade está também relacionado com a pouca mobilização das ONG. “Raramente surge informação quanto ao Rio+20 vinda das ONG, com excepção de algumas, como a Quercus ou a Oikos. Outras instituições também estão pouco activas”, explica Ricardo Garcia.
“A Oikos é pioneira” – avisa João José Fernandes. “Mesmo perante [alguns] os constrangimentos, estamos envolvidos na promoção de duas iniciativas de grande envergadura e potencial: uma campanha e petição a nível mundial para a criação de Provedores de Justiça para as Gerações Futuras; e na promoção de uma União Global para a Sustentabilidade”, explica.
Os Provedores de Justiça para as Gerações Futuras, de acordo com o responsável, são figuras independentes dos Governos, com poderes de monitorização das decisões tomadas pelos Órgãos Executivos, de modo a avaliar o seu potencial impacto nas gerações futuras. Serão estabelecidos a uma base nacional e internacional.
Já a União Global para a Sustentabilidade é uma iniciativa que surgiu no Brasil e que está a ser alargada paulatinamente à América Latina, mas que pretende ser global. “A Oikos já se comprometeu a promover esta união, que visa não apenas exigir, mas actuar na promoção de sociedades mais prósperas, felizes, justas, seguras e em equilíbrio com o ambiente”, recorda o responsável.
“É um facto [que o Rio+20] é uma conferência que não está a mobilizar muito”, conclui Ricardo Garcia. “Mas acredito que, quando chegarmos perto do evento, as coisas vão mudar. Embora eu desconfie que, pelo menos em Portugal, [o Rio+20] não despertará tanto interesse como outras cimeiras da ONU”.
E o leitor, conhece alguma instituição que esteja a promover o Rio+20 em Portugal? Como podemos fazer chegar a importância da transição para a economia verde aos cidadãos portugueses? Enviem-nos as vossas propostas e ideias. E ajudem a partilhar a conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável junto dos vossos amigos e contactos.

Siga-nos no Twitter e Facebook. E no site, claro.

Fonte: Green Savers.

terça-feira, 8 de maio de 2012

POEMA À MÃE


No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade, Os Amantes sem Dinheiro

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Hipocrisia humana...

Mauriac, perito nos mil arcanos onde se refugia a hipocrisia humana, sempre pronta a ver o mal no mundo como obra dos outros, quando não de Deus, e jamais como obra nossa, desafiava assim o farisaísmo dos que se desculpam com o espectáculo da miséria universal para não verem nem remediarem aquela que mais deve importar-nos: a que está próxima, no sentido próprio e figurado. A começar pela nossa, naturalmente". 

Eduardo Lourenço.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

movies and words...



"At the end of Eternal Sunshine of the Spotless Mind, they keep looping the part when they run in the snow...
In the original script, we were told that they keep erasing themselves and getting back together. The looping therefore means that their happiness will only be temporary and they’ll keep doing the same mistakes. But for now, they’re in love..."

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Personagem.

Teu nome é quase indiferente 
e nem teu rosto já me inquieta. 
A arte de amar é exactamente 
a de se ser poeta. 



Para pensar em ti, me basta 
o próprio amor que por ti sinto: 
és a ideia, serena e casta, 
nutrida do enigma do instinto. 


O lugar da tua presença 
é um deserto, entre variedades: 
mas nesse deserto é que pensa 
o olhar de todas as saudades. 


Meus sonhos viajam rumos tristes 
e, no seu profundo universo, 
tu, sem forma e sem nome, existes, 
silêncio, obscuro, disperso. 


Teu corpo, e teu rosto, e teu nome, 
teu coração, tua existência, 
tudo - o espaço evita e consome: 
e eu só conheço a tua ausência. 


Eu só conheço o que não vejo. 
E, nesse abismo do meu sonho, 
alheia a todo outro desejo, 
me decomponho e recomponho. 


Cecília Meireles, in 'Viagem'

Campanha de Esterilização de animais...


Campanha de Esterilização - Casa de Saúde Animal da Trofa

uma campanha de esterilização, em que amigos de animais que recolhem animais de rua e/ou donos conscienciosos podem esterilizar/castrar o seu animal de companhia a um preço convidativo. (não se tratam por isso de preços de tabela)
Esta campanha decorre na Casa de Saúde Animal da Trofa, a Dra. Daniela, além de uma excelente pessoa é uma excelente veterinária, ciente que apenas através da esterilização podemos controlar o número de animais abandonados, resolveu ajudar cobrando preços bem mais baixos do que são normalmente praticados. 

Volto a dizer, que podem usufruir destes preços, animais errantes e animais com dono.

A esterilização/castração tem de ser marcada previamente.

Abaixo ficam os contactos que podem ser usados, vamos passar a palavra, para que durante o mês de Maio, possam ser esterilizados/castrados dezenas de animais.
Lembrem-se, não existem donos suficientes para a quantidade de animais abandonados que existem, e quase todos os dias, recebemos apelos de ninhadas para adopção (fruto de animais errantes), ninhadas sem mãe etc etc, vamos ajudar a mudar a triste realidade?

Hvt - Casa de Saúde Animal Lda
São Martinho do Bougado-São Martinho (Bougado) - HVT |Casa de Saúde Animal
911 175 771

hvtcasasaudeanimal@gmail.com
http://www.esteriliza-me.org/

Fonte: Rita Sousa.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Tragicamente belo...

Quando sair este jornal, a Maria João e eu estaremos a caminho do IPO de Lisboa, à porta do qual compraremos o PÚBLICO de hoje. Hoje ela será internada e hoje à noite, desde o mês de Setembro do ano passado, será a primeira vez que dormiremos sem ser juntos.

O meu plano é que, quando me expulsarem do IPO, ela se lembre de ir ler o PÚBLICO... e leia esta crónica a dizer que já estou cheio de saudades dela. É a melhor maneira que tenho de estar perto dela, quando não me deixam estar. Mesmo ficando num hotel a 30 passos dela, dói-me de muito mais longe.
...
O IPO consegue ser uma segunda casa. Nenhum outro hospital consegue ser isso. Podem ser hospitais muito bons. Mas não são como uma casa. O IPO é. Há uma alegria, um humor, uma dedicação e uma solidariedade, bem-educada e generosa, que não poderiam ser mais diferentes da nossa atitude e maneira de ser - resignada, fatalista e piegas - que são o default institucional da nacionalidade portuguesa. É graxa? Para que tratem bem a Maria João? Talvez seja. Mas é merecida. Até porque toda a gente que os três IPO de Portugal tratam é tratada como se tivesse direito a todas as regalias. Há muitos elogios que, não obstante serem feitos para nos beneficiarem, não deixam de ser absolutamente justos e justificados.

Este é um deles. Eu estou aqui ao pé de ti. Como tu estás ao pé de mim. Chorar em público é como pedir que nada de mau nos aconteça. É uma sorte. É o contrário do luto. Volta para mim.


Crónica de Miguel Esteves Cardosos a 2011-11-28.

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Crónica de Miguel Esteves Cardoso, publicada no passado Domingo:



Às vezes encontramo-nos com a cabeça nas mãos. Tudo o que poderia ter corrido bem correu mal. O mundo, que era igual à vida, afasta-se de repente. Distancia-se e continua a existir, como se nada tivesse a ver ou a haver connosco, como se fizesse questão de mostrar a independência dele, mundo, que não existe só porque nos damos conta dele. A má notícia é má, mas a pior, para quem cá está, é a pessoal. A minha pessoa é a Maria João e a Maria João passa mal. Nem o amor nem a sabedoria médica a podem salvar. Só uma conjunção das duas coisas, mais um acrescento de milagre. O cabrão do cancro alastra-se. Exterminado no pulmão ou na mama, foge para o cérebro, onde se refugia e cresce. Forma uma força da morte, aproveitando as barreiras antigas entre o sangue e o cérebro, que infiltra conforme lhe apetece. Hoje, domingo, é o último dia em que estaremos juntos, dois amores, felizes há quase vinte anos. Amanhã, logo às nove da manhã, estaremos na consulta dos excelentes neurocirurgiões do Hospital de Santa Maria, onde nos avisarão das complicações possíveis. Obama deveria inspirar-se na perfeição clínica e humana do serviço de saúde português e francês. Mas a dor não diminui. Nem a tristeza abranda. Vai morrer o meu amor. Não vai. Como o meu amor por ela, nunca há-de morrer. As coisas acontecem sem acontecer o pensamento nelas. A alma, o coração e a cabeça são coisas diferentes. Que se dão bem. E são amigas. E deixam de ser quando morrem.



É urgente ver...é urgente agir, é urgente MUDAR!...


POR UMA NOVA LEI! JÁ!!!!.....
Vídeo de Lançamento da 2.ª Fase da Campanha "Por uma Nova Lei de Protecção dos Animais em Portugal" "Um Passo em Frente".

domingo, 29 de abril de 2012

Miguel Portas.


As grandes causas são um espantoso conforto para não se olhar para dentro e para se fugir de si próprio. Isto não é fácil de dizer, mas é inteiramente assim.

(Miguel Portas, em entrevista ao 'Expresso')

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Estados de espírito...

Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece...

~Clarice Lispector

Comentário à citação de Clarice Lispector, que achei muito interessante, de tal forma partilho...

A sociedade discretamente nos convence da vida que devemos ter, do ciclo que devemos seguir e das obrigações que devemos considerar. Tornando-nos pessoas cegas e inconscientes. A tv em vez de ensinar, manipula. A música em vez de entreter, instiga. As revistas em vez de mostrar fatos, nos trás fofocas.E a pessoa em vez de questionar, aceita. A vaidade em vez de ser algo natural é algo nocivo, como já dizia Hebert Viana: “Religião, é dieta. Fé, só na estética.Ritual é malhação. Amor é cafona. Sinceridade é careta. Pudor é ridículo.Sentimento é bobagem. Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção.Roubar pode, envelhecer não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso. Jovens não têm mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada”. E assim a sociedade vai se infiltrando cada vez mais fundo nos finos pêlos do grande coelho branco que é tirado da cartola do Universo, e lá instala seu confortável lar. Em vez de dar, exigimos, e em vez de aproveitar, reclamamos. Em vez de reclamar do que devemos, aceitamos. Aceitamos estudar com um único objetivo, aceitamos ultrapassar esse objetivo entrando em uma faculdade, e depois ainda criamos outro objetivo, ser um bom profissional, pra ter um bom dinheiro, pra poder comprar uma boa tv de plasma e pagar a balada do filho adolescente. Aceitamos trabalhar mais do que agüentamos, afinal, precisamos de dinheiro pra manter nosso padrão de vida,precisamos de dinheiro pra ter com que pagar as filas em que se cobram. A grande ilusão. A natureza nos dá tudo, nós não lhe damos nada, nós a usamos pra correr nosso ciclo, e quando estivermos velhinhos, ganhando nossa aposentadoria, poderemos olhar fotos do mundo e de tudo que não vimos pq estávamos muito ocupados com o corre-corre em busca da estabilidade. E assim, sem perceber, de fininho, a sociedade nos corrompe e nos impede de sonhar, torna nossa ambição maior que nossa razão, e nosso materialismo/consumismo maior que nossa sede de conhecimento. E no tempo em que deveríamos sonhar, nós dormimos, nós corremos, nós vamos ao banco, nós assistimos futebol, nós assistimos novela, pq afinal, não podemos perder tempo sonhando num mundo tão desenvolvido. E em vez de pararmos na estrada pra ver as estrelas no céu tão bonitas, nós apertamos mais o acelerador, pq afinal, já é tarde e trabalhamos o dia todo pra chegar em casa,tomar uma ducha, comer uma lasanha congelada e dormir, pq amanhã acordamos cedo. E nesse meio tempo, ninguém teve tempo de perceber que o ano de 1984 chegou, do jeito que queria chegar, discretamente, aniquilando palavras do nosso vocabulário e implantando desejos em nossa mente. Nos trazendo medo, medo de ir até ali às 11 da noite pq podemos ser assaltados,medo de conversar com um desconhecido pq ele pode ser o que não parece,medo de ir até a outra cidade de bicicleta pq periga sofrer um acidente, medo de dar um pulinho no país ao lado por ter medo do desconhecido. 
Trazendo  preguiça e comodismo. O comodismo de ir até a padaria de carro, pra que ir apé se tem um carro pra nos levar? O comodismo de não fazer comida, pra que fazer comida se tem o delivery da lanchonete? E desse jeito perdemos o que deveríamos ter guardado, a sete chaves, no fundo de nossos desejos, a necessidade de arriscar, a necessidade de mudar, a necessidade de correr o risco, e a vontade de correr de encontro ao desconhecido. "Os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é não arriscar nada. A pessoa que não corre nenhum risco, não faz nada, não tem nada, não consegue nada e não é nada. Ela pode até evitar sofrimentos e desilusões, mas não sente, não muda,não cresce, não ama, não vive. Acorrentada por suas atitudes, ela torna-se escrava e priva-se da liberdade”. “Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!”.E é por essas e outras que muita coisa nesse mundo é "só para raros".Eu espero “que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva”

De B. Rodrigues.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Gostava de morar na tua pele.

Gostava de morar na tua pele
desintegrar-me em ti e reintegrar-me
não este exílio escrito no papel
por não poder ser carne em tua carne.


Gostava de fazer o que tu queres
ser alma em tua alma em um só corpo
não o perto e o distante entre dois seres
não este haver sempre um e sempre o outro.


Um corpo noutro corpo e ao fim nenhum
tu és eu e eu sou tu e ambos ninguém
seremos sempre dois sendo só um.


Por isso esta ferida que faz bem
este prazer que dói como outro algum
e este estar-se tão dentro e sempre aquém.


Manuel Alegre, Sete Sonetos e um Quarto

terça-feira, 24 de abril de 2012

Pela liberdade sempre...servidão, nunca!


Sobre as comemorações do 25 de Abril deste ano, só me ocorrem duas citações; uma atribuída a Oscar Wilde, que diz: "Hoje em dia conhecemos o preço de tudo e o valor de nada." A outra de  Albert Camus ... "Liberdade é uma possibilidade de ser melhor, enquanto que escravidão é a certeza de ser pior." ...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

As impossibilidades definitivas...


Há sãos e doentes, pobres e ricos, desde que o mundo é mundo. Podemos aliviar a pobreza, tentar uma distribuição equitativa dos bens, refrear o egoísmo, a avidez e a especulação, mas não se pode esperar transformar os inaptos em génios usando simplesmente a educação, a quem é duro de ouvido não se pode ensinar que existe uma música divina no espírito humano, nem se conseguirá jamais converter à generosidade os ávidos e cobiçosos. 

Sándor Márai, "A Mulher Certa".

"Os bárbaros entre nós"


Esta semana foi notícia a queda de um rei. Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón-Dos Sicilias tropeçou no Botswana e foi parar ao Hospital San José de Madrid. Os media, sempre muito interessados no que sucede a tão proeminente figura, logo se animaram em frenesim emitindo aquele tipo de diretos que consomem tempo e paciência pois raramente dizem mais do que foi dito e redito. Em resumo, o rei está bem. 

Sucede que o rei pode estar bem mas o que ele fez não está nada bem. Apesar de uma inicial ocultação mediática, típica de um meio onde faltam jornalistas e prevalecem lacaios, veio a saber-se o que realmente andou Juan Carlos a fazer pelo Botswana. Matar elefantes. 

A partir daqui surgiram dois tipos de críticas. Uma, largamente maioritária, concentrou-se no dinheiro gasto. No Botswana paga-se 40.000 euros para matar um elefante. Uma tal despesa frívola indignou muitos espanhóis num momento em que as medidas de austeridade atiram para o desemprego e miséria milhares de pessoas. A outra crítica, minoritária, foi direito ao verdadeiro assunto, ou seja, o facto de este homem se divertir a matar elefantes, uma espécie em vias de extinção.

Não vale a pena estar com delicadezas. Este rei é um bárbaro, um primitivo, um delinquente. Como o são todos aqueles que retiram prazer a chacinar indefesas criaturas. Em vias de extinção ou não, a vida animal sofre uma pressão insustentável por parte do homem que cada vez mais ocupa, explora e esgota os recursos naturais necessários à existência de outras formas de vida. A caça, toda ela, de coelhos ou elefantes, é uma atividade sem qualquer justificação na sociedade contemporânea. É um crime praticado por gente incivilizada, por muito dinheiro ou posição social que tenha. É a expressão de um atavismo cultural que persiste. É isto que queremos quando falamos de civilização?

É claro que os praticantes têm os seus argumentos. Não são muitos, reduzem-se a dois. O primeiro é o da tradição. Sempre se caçou e, portanto, há que continuar a fazê-lo. A tradição é invariavelmente usada para legitimar tudo o que há de mais primitivo e bárbaro. Acontece que a sociedade humana se foi desenvolvendo precisamente contra a tradição, banindo práticas, alterando comportamentos, procurando "civilizar" os homens. Não fosse isso e ainda hoje teríamos a generalização da escravatura, a discriminação das mulheres ou dos que têm uma diferente cor de pele. E, se tais práticas grosseiras persistem em alguns lugares, é nossa tarefa combatê-las decididamente.

Mas o argumento mais pérfido é o que pretende que a caça protege as espécies. Diz-se que sem caça já não existiriam muitos animais. Sem touradas não existiriam touros e por aí adiante. Defende-se a matança, sistemática e organizada, em nome da vida. Será que esta gente, para além da sua malvadez, também acha que somos todos estúpidos? 

A proteção das espécies animais só se pode fazer de uma única maneira. Preservando os seus habitats, refreando a expansão agrícola e esgotamento dos recursos, impedindo a chacina. A extinção das espécies ameaça o equilíbrio ecológico e coloca em risco todas as outras espécies. Incluindo a nossa. Como se pode ser tão irresponsável?

Mas não quero terminar sem abordar aquilo que realmente é mais chocante nesta história das caçadas de reis e afins. Já é grave que gente ignara se dedique a maltratar animais, seja por divertimento, seja por "tradição". Mas que sejam aqueles que constituem a elite da sociedade a fazê-lo não pode deixar de nos revoltar. Este rei, que é Presidente da secção espanhola do WWF (Fundo Mundial para a Natureza), sabe perfeitamente o que está em causa e o impacto nocivo do seu comportamento. Ao agir de forma tão displicente, demonstra que não tem as qualidades necessárias para representar um povo. Não é definitivamente um bom exemplo para ninguém. E já agora, viva a república.

Mas não é só ele. Este tipo de caça grossa e cara predomina nas elites. Que se divertem a matar e a exibir as suas vestimentas, as suas armas, os seus troféus. O topo da nossa sociedade está repleta de bárbaros. E isso tem de ser denunciado e combatido. Tenham vergonha, antropopitecos.

Este artigo de opinião foi escrito em conformidade com o novo Acordo Ortográfico.

Fonte: Artigo de Leonel Moura - JN

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Que a vida não seque...

‎Porque temos de sobreviver. Porque, à noite, a esta hora, temos de encontrar força para conseguirmos dormir, descansar, e temos de acreditar que no dia seguinte poderemos acordar na vida que quisemos, que desejámos. Temos de acreditar que poderemos acordar na vida que conseguimos construir e que essa vida tem valor, vale a pena. Muito mais difícil do que esse esforço é considerarmos que fomos incapazes, que não conseguimos melhor, que a culpa foi nossa, toda e exclusiva.

José Luís Peixoto, in 'Abraço'

quinta-feira, 19 de abril de 2012

"Casar ou não casar? Eis a questão"

Estou perante uma charada: será que se realmente casar fosse mais acessível haveria mais casamentos ou estamos perante uma mudança de mentalidades face ao passado?


Em conversa com jovens dos 18 aos 28 anos no âmbito do estudo C-Spotters, falávamos da cada vez mais comum utilização de "vouchers" ou vales de descontos adquiridos em inúmeros sites que proliferam na "world wide web".

Jantares em restaurantes de renome, "after-hours", massagens, cursos de reiki, maquilhagem, astronomia, gastronomia, quem não aproveitou? Um dado curioso, em 50 jovens entrevistados neste estudo, apenas uma era casada. O que me fez pensar.

E se um desses sites especializados em descontos oferecesse um voucher de 30, 50, 70% de desconto em casamentos em 2012… qual seria a reacção? Será que havia uma adesão em massa digna de aparecer na abertura dos jornais da noite ou os números mantinham-se estáveis?

Inúmeras razões podem ser apontadas para a quebra nos casamentos entre os jovens. O dinheiro (mais especificamente, a falta dele), a elevada taxa de divórcios, a diminuição das vantagens fiscais, a falta de vontade, a falta de confiança, a dificuldade em crescer, a descrença no amor.

Mas e se, realmente, casar passasse a ser uma “actividade” acessível aos jovens em 2012. Será que havia mudanças? Será que havia mais “vontade” de casar?

Para os noivos vejo algumas vantagens: mais 11 dias de férias úteis (apenas para quem trabalha e não a recibos verdes, desculpem), uma boa oportunidade para viajar (e todos os locais do mundo podem ser românticos, das Fiji ao Vietname, da Islândia a Nova Iorque), um "stock" renovado de electrodomésticos e molduras, uma boa desculpa para reunir amigos e familiares e oficializar um sentimento de pertença.

Para os convidados outras mais – porque como bons amigos, todos gostam de ajudar à festa. Inclusive dançar ao som do DJ contratado que, para além de pôr música, também enche os balões das crianças, faz atelier de danças latinas e deita o fogo-de-artifício na altura do bolo (porque é a "crise" e o DJ até se safa nas outras tarefas). Já para não falar do gin tónico, das gravatas enroladas à volta da cabeça do noivo e amigos e do cherne servido ao almoço/jantar.

Mesmo assim contínuo sem respostas. Estou perante uma charada, um enigma, um "conundrum". Será que se realmente casar fosse mais acessível haveria mais casamentos ou estamos perante uma mudança de mentalidades, de atitudes, de comportamentos radicais face ao passado? O facto de ser socialmente aceite sair de casa para uma união de facto é a razão principal? Será que com 28 anos só vou ter cinco ou seis casamentos por medo dos divórcios, ou porque simplesmente já não faz sentido a celebração do amor numa cerimónia oficial porque na vivência do dia-a-dia basta? Chamem-me romântica mas eu gosto de casamentos. Mas se me perguntarem a mim se me quero casar… não sei que resposta dar.

Fonte: Artigo publicado no "P3"

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Inacreditável!!!

Correm os rumores de que a famigerada caçada do Rei Espanhol em África, terá sido proporcionada por uma destas excursões do El Corte Inglés... "Na agência de viagens da marca há de tudo, desde matar elefantes no Botswana ou no Zimbabué, leopardos e hipopótamos em Moçambique, e girafas, leopardos e leões na Namíbia ou na África do Sul... É ver para crer: " - http://www.viajeselcorteingles.es/caza/africa.html 

Fica o link da petição que solicita o fim desta barbárie, levada a cabo e para divertimento de quem tem muito dinheiro, em pleno sec. XXI.
http://actuable.es/peticiones/dile-al-corte-ingles-no-organice-viajes-cazar-animales

terça-feira, 17 de abril de 2012