segunda-feira, 4 de junho de 2012

Também existem na Ásia, bons exemplos...

Campanhas de controle de natalidade de cães abandonados no Bhutan. Um exemplo raro em prol dos animais, na Ásia.

Desenvolvimento aqui - HSI’s Bhutan Project Extended

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Eu Simplesmente Amo-te.

Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde.

Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se. 


Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor"

quinta-feira, 31 de maio de 2012

S.O.S Planet.




Que bom, o amor dele não vai morrer...


"Desmorrer
Por Miguel Esteves Cardoso

Desta vez, a Maria João teve sorte. Nunca tinha visto uma médica a chorar. Foi a Maria João que puxou as lágrimas, quando a Dra. Teresa Ferreira lhe disse que não havia mais metástases dentro dela. Ficámos os três a chorar e a olhar para os outros olhos a chorar.

A minha amada já tinha esquecido o futuro. Já não queria saber da casa nova, do tecido para forrar os sofás, do Verão seguinte. Estava convencida que estava cheia de metástases. Doía-lhe o corpo todo. Tinha desanimado. Estava preparada para a morte. Só a morte é mais triste. Tinha-se preparado para ouvir o que já sabia, para não se assustar quando lhe dissessem que o cancro na mama tinha voltado e que se tinha espalhado por toda a parte.

Depois - mas não logo, porque não é de momento para o outro que se desmorre - voltou a ver vida pela frente. Reapareceu um horizonte e um caminho até lá, com passos para dar. "São tão raras as boas notícias", disse a médica, "e é tão bom dá-las, vocês não imaginam". Nós não imaginámos. Começámos a chorar. As lágrimas ajudam muito. As dos outros especialmente. Chorar sozinho não tem o mesmo efeito. A Maria João tem chorado por razões tristes. Desta vez estava a chorar de felicidade.

Como chora cada vez que ouve ou lê palavras doces, a dar força, a partilhar a dor, a juntar-se para que ela saiba que há muita gente a sofrer com ela, tal é a vontade delas que ela não sofra. Ou sofra pouco. Embora isto de se ficar vivo também se estranhe um bocadinho."

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Não Há Amor como o Primeiro.


Não há amor como o primeiro. Mais tarde, quando se deixa de crescer, há o equivalente adulto ao primeiro amor — é o primeiro casamento; mas não é igual. O primeiro amor é uma chapada, um sacudir das raízes adormecidas dos cabelos, uma voragem que nos come as entranhas e não nos explica. Electrifica-nos a capacidade de poder amar. Ardem-nos as órbitas dos olhos, do impensável calor de podermos ser amados. Atiramo-nos ao nosso primeiro amor sem pensar onde vamos cair ou de onde saltámos. Saltamos e caímos. Enchemos o peito de ar, seguramos as narinas com os dedos a fazer de mola de roupa, juramos fazer três ou quatro mortais de costas, e estatelamo-nos na água ou no chão, como patos disparados de um obus, com penas a esvoaçar por toda a parte. 

Há amores melhores, mas são amores cansados, amores que já levaram na cabeça, amores que sabem dizer “Alto-e-pára-o-baile”, amores que já dão o desconto, amores que já têm medo de se magoarem, amores democráticos, que se discutem e debatem. E todos os amores dão maior prazer que o primeiro. O primeiro amor está para além das categorias normais da dor e do prazer. Não faz sentido sequer. Não tem nada a ver com a vida. Pertence a um mundo que só tem duas cores — o preto-preto feito de todos os tons pretos do planeta e o branco-branco feito de todas as cores do arco-íris, todas a correr umas para as outras. 

Podem ficar com a ternura dos 40 e com a loucura dos 30 e com a frescura dos 20 — não há outro amor como o amor doentio, fechado-no-quarto, o amor do armário, com uma nesga de porta que dá para o Paraíso, o amor delirante de ter sempre a boca cheia de coração e não conseguir dizer coisa com coisa, nem falar, nem pedir para sair, nem sequer confessar: “Adeus Mariana — desta vez é que me vou mesmo suicidar.” Podem ficar (e que remédio têm) com o «savoir-faire» e os «fait-divers» e o “quero com vista pró mar se ainda houver”. Não há paz de alma, nem soalheira pachorra de cafunés com champagne, que valha a guerra do primeiro amor, a única em que toda a gente perde e toda a gente morre e ninguém fica para contar como foi. 

Não há regras para gerir o primeiro amor. Se fosse possível ser gerido, ser previsto, ser agendado, ser cuidado, não seria primeiro. A única regra é: «Não pensar, não resistir, não duvidar». Como acontece em todas as tragédias, o primeiro amor sofre-se principalmente por não continuar. Anos mais tarde, ainda se sonha retomá-lo, reconquistá-lo, acrescentar um último capítulo mais feliz ou mais arrumado. Mas não pode ser. O primeiro amor é o único milagre da nossa vida — «e não há milagres em segunda mão». É tão separado do resto como se fosse uma primeira vida. Depois do primeiro amor, morre-se. Quando se renasce há uma ressaca. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'

terça-feira, 29 de maio de 2012

Cantiga, Partindo-se

Senhora, partem tão tristes
Meus olhos, por vós, meu bem,

Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.
Tão tristes, tão saudosos,
Tão doentes da partida,
Tão cansados, tão chorosos,
Da morte mais desejosos
Cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes os tristes,
Tão fora de esperar bem,
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.


João Roiz de Castelo Branco (século XV)

...E assim vai o nosso belo Portugal...


"Subsídios para as touradas.

Por falar em subsídios, no passado dia 21/03/2012 foi publicada no Diário da República a lista dos subsídios atribuídos pelo IFAP no 2.º semestre de 2011, tal como se havia publicado a listagem relativa ao 1.º semestre de 2011 no dia 26/09/...2011.

No ano de 2011 o IFAP atribuiu subsídios no valor de € 9.823.004,34 às empresas e membros das famílias da tauromaquia:


Ortigão Costa - 1.236.214,63 €
Lupi - 980.437,77 €
Passanha - 735.847,05 €
Palha - 772.579,22 €
Ribeiro Telles - 472.777,55 €
Câmara - 915.637,78 €
Veiga Teixeira - 635.390,94 €
Freixo - 568.929,14 €
Cunhal Patrício - 172.798,71 €
Brito Paes - 441.838,32 €
Pinheiro Caldeira - 125.467,45 €
Dias Coutinho - 389.712,42 €
Cortes de Moura - 313.676,87 €
Rego Botelho - 420.673,80 €
Cardoso Charrua - 80.759,12 €
Romão Moura - 248.378,56 €
Brito Vinhas - 53.686,78 €
Romão Tenório - 283.173,89 €
Sousa Cabral - 318.257,79 €
Varela Crujo - 188.957,35 €
Assunção Coimbra - 330.789,44 €
Murteira - 137.019,76 €

Andam os canis municipais a matar cães e gatos porque não têm mais espaço para os acolher e há 10 milhões de euros aplicados na tourada só no ano de 2011? As associações vivem de CARIDADE! Tal como os velhotes que nem têm dinheiro para pagar os medicamentos com a porcaria de reforma que recebem!

Este Verão vamos ver mais e mais florestas a arderem porque as câmaras não têm subsídios para a limpeza das mesmas, e Portugal não tem dinheiro para comprar helicópteros. Andam as esquadras da polícia podres e os carros enfiados em garagens porque não há fundos para os arranjar.

Andam as crianças a ir para a escola sem tomar o pequeno almoço porque há famílias que só têm dinheiro para pagar as rendas, para não dormirem na rua. Foram cortados subsídios de Natal para ajudar a pagar a dívida portuguesa ao estrangeiro.

Não há dinheiro para nada mas há 10 MILHÕES DE EUROS para a tauromaquia só num ano?"

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Ser vegetariano...

Prova de que ser vegetariano não é sinónimo de falta de saúde, bem pelo contrário, é a seguinte lista de vegetarianos famosos...para além dos que faltam... Inspira-te!





sexta-feira, 25 de maio de 2012

"Where did dogs come from? It turns out we don't really know"

Qual será afinal a origem do cão? Nem todos os cientistas são unânimes quanto à teoria, que diz; serem os cães descendentes dos lobos...


"Dogs were the very first creatures that humans domesticated, and their remains have been found along with those of humans from before we even had basic things like agriculture. And, with the advent of molecular tools, researchers were able to identify the animal that was domesticated (the gray wolf), as well as a handful of breeds that appear to be "ancient," and split off close to the source of domestication."(...)

Fonte e desenvolvimento, aqui - Ars technica.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Espera

Horas, horas sem fim,
graves, profundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.


Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um passáro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.


Eugénio de Andrade

movies and words...


terça-feira, 22 de maio de 2012

"8 mitos sobre o vegetarianismo"


"Saiba quantos portugueses não comem carne, onde encontrar respostas para as suas dúvidas, conheça lojas especializadas e restaurantes com ementas especiais e descubra se sempre é verdade o que se diz sobre vegetarianos.

Há 30 mil vegetarianos em Portugal. Esta foi uma das conclusões de um estudo realizado pela Nielsen, no final do ano passado, para o Centro Vegetariano, um site português dedicado a esta temática. O tempo em que ser vegetariano era visto como atitude excêntrica já lá vai. Há mais informação, mais restaurantes, mais alternativas nos restaurantes tradicionais, mais lojas, mais produtos, mais acessibilidade."(...)

Fonte e desenvolvimento, aqui - JN


"European tourist countries ~ the ugly truth"

No que à forma como tratamos os animais diz respeito, é assim que somos vistos pelo resto da Europa; país de terceiro mundo, cruel, sem humanismo, sem evolução civilizacional, de mentalidade retrograda...comparado a países do leste...uma região a evitar pelos turistas!... 
Eu pessoalmente sinto muita tristeza e vergonha, por ter nascido numa terra que trata desta forma os seus animais... 


Obrigatório ver, link - Ocupy for animals. (Imagens graficamente fortes...)





segunda-feira, 21 de maio de 2012

O Teu Olhar nos Meus Olhos


Sempre onde tu estás
Naquilo que faço
Viras-te agarras os braços

Toco-te onde te viras
O teu olhar nos meus olhos

Viro-me para tocar nos teus braços
Agarras o meu tocar em ti

Toco-te para te ter de ti
A única forma do teu olhar
Viro o teu rosto para mim

Sempre onde tu estás
Toco-te para te amar olho para os teus olhos.


Harold Pinter, poeta inglês (1930-2008), in "Várias Vozes"

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Um excelente exemplo!

"Depois dos bons resultados alcançados o ano passado, o Canil Municipal de Lagos volta a promover uma Campanha de Castração gratuita de cães e gatos, com o objetivo de continuar a controlar esta população animal."



Isto é que é um excelente exemplo a seguir por todas as Câmaras! Já agora, quem puder, aproveite para esterilizar o seu amigo de 4 patas - é um bem que lhe faz!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

"Oportunidade, disse ele"

Que o desemprego é uma oportunidade, disse ele, talvez pensando no mercado de trabalho como um ambiente líquido, onde se navega na fluidez absoluta, ou saltando de nenúfar em nenúfar, abrindo janelas a cada novo emprego.

Que alegria, imaginais melhor sorte do que ter tempo para as promoções ou os descontos ou os saldos ou a feira ou a orgia ou a dinâmica de grupo ou lá o que é aquilo do Pingo Doce, podeis agora saltar, pular, esfaquear, comer as migalhas da casa grande e esquecer a luta de classes; que oportunidade para sairdes da caverna e receberdes a luz do liberalismo, o mundo é vosso, o futuro é vosso, há "low-costs" como dantes havia as auto-estradas para quando abandonardes este país, aliviando a panela de pressão. Ide e levai a boa nova deste reino onde a flexibilidade é a lei, uma corda que nunca rompe, que estica sempre e até sempre. Ide e levai o dízimo.

Que o desemprego é uma oportunidade, disse ele, mas pensava nos empresários, que assim podem baixar salários e exportar mais, qualquer dia a China e a Índia pedem-nos a receita, como é bom explorar em Portugal.

Que não ter dinheiro para os tratamentos ou o transporte ao hospital é uma oportunidade, para desintoxicar, abrir horizontes, amar a ecologia, des-medicalizar, combater o bio-poder e viver das ervinhas medicinais.

Que deixar o curso por não ter dinheiro para as propinas é uma oportunidade, pode o rapazola procurar emprego e se não há emprego há oportunidade e se não há oportunidade talvez haja oportunismo.

Que a pobreza é uma oportunidade, para ser-se honesto, humilde, servil e os pobrezinhos, já se sabe, vivem no coração das damas caridosas.

Que mexer, reformar, reestruturar, relançar, desmontar, inventariar é uma oportunidade para ferir a rotina de morte, não há nada como a instabilidade, a adrenalina de não saber o amanhã, o imprevisto é "sexy" e mobilizador, agora todos somos radicais, extremistas da economia, revolucionários da mais-valia, ai este erotismo de mercado, salivo com a oferta e a procura como bestas sádicas à solta, que frenesim, que excitação.

Que morrer é uma oportunidade: o défice melhora, as agências funerárias facturam, os padres oram e os campos agradecem.

Crónica de João Teixeira Lopes no P3.

Paraísos envenenados!

Se os turistas não alimentassem esta barbaridade, isto (tortura de animais para divertir turistas...) não existia! E não são apenas os macacos a sofrerem estes horrores, exploram também com o mesmo objectivo; os elefantes, os ursos, etc,etc...por estas e outras razões, não coloco os pés nestes países...turismo de tortura!...


Sociedade morta de humanismo...

"Nós estamos a assistir ao que eu chamaria a morte do cidadão e, no seu lugar, o que temos e, cada vez mais, é o cliente. Agora já ninguém nos pergunta o que é que pensamos, agora perguntam-nos qual a marca do carro, de fato, de gravata que temos, quanto ganhamos..."

José Saramago.

terça-feira, 15 de maio de 2012

"Sopa de Plástico" flutuante no Pacífico norte...

Como é possível que não se tomem medidas sérias para resolver esta situação...e como é possível, que nos dias de hoje, os nossos vizinhos ainda não depositem o lixo na reciclagem...que ainda e de forma serena atirem papeis, embalagens várias, "beatas" de tabaco e tudo o resto para o chão...para quando uma cultura evoluída, verdadeiramente ecológica e cívica?!



Uma ilha de lixo flutua ao largo da costa da Califórnia, no oeste dos EUA, como um gigantesco testamento da dependência dos seres humanos de objetos de plástico e da sua incapacidade de se desfazer deles de forma apropriada.

Qual é o tamanho desse pedaço do oceano? Alguns dizem que é do tamanho da Província de Quebec, no Canadá, ou 1,5 milhão de quilômetros quadrados – o tamanho do Estado do Amazonas. Outros dizem que essa massa de lixo que se aglomerou por causa das correntezas é do tamanho dos Estados Unidos – ou 9,6 milhões de quilômetros quadrados. Mas poderia também ser o dobro disso. Do The Wall Street Journal.

A Grande Mancha de Lixo do Pacífico, como é chamada, é uma metáfora monumental para o problema mundial do lixo, usada pelos ambientalistas para dramatizar o problema de como lidar com o acúmulo de detritos. Mas essa massa flutuante de plástico é difícil de medir, e poucas pessoas estão de acordo sobre qual é seu tamanho. Isso torna difícil determinar o que fazer a respeito. Matéria de Carl Bialik, The Wall Street Journal.

Isso não impediu que alguns ativistas e a mídia usassem apenas as maiores estimativas do tamanho da massa para advertir para uma catástrofe ambiental.

“Descobrimos que isso (a ilha) captura a imaginação e o foco do público”, diz Eben Schwartz, do programa de lixo marinho da Comissão Costeira da Califórnia, uma agência estatal. No entanto, “embora tentemos caracterizar o problema de forma precisa, há o risco de caracterização errada”.

A porção do oceano com grande concentração de plásticos descartados é um produto do movimento das correntes, conhecido com Redemoinho Subtropical do Pacífico, que junta e concentra os detritos. A área chamou a atenção pública graças ao esforços de Charles Moore, um carpinteiro que se transformou em capitão-do-mar que navegou pela área em 1997 e ficou chocado ao encontrar rejeitos de plástico a centenas de quilômetros da costa. “Isso detonou o alarme e o meu desejo de monitorá-lo, me fez querer quantificá-lo, saber a melhor forma de lidar com ele”, diz Moore, um oficial de marinha mercante. Ele criou a Fundação de Pesquisa Marinha Algalita para estudar essa área do oceano e divulgar o problema do plástico.

Pesquisadores da fundação tentaram quantificar o redemoinho navegando em alto-mar no Pacífico e catando plástico e plâncton com o uso de um coador que parece uma grande arraia. Coar toda a superfície da área para recolher o plástico seria impossível e, por isso, os barcos da fundação Algalita pesquisam uma pequena amostra, como fazem os pesquisadores de opinião em sondagens eleitorais.

Mas é difícil saber como extrapolar as descobertas deles para toda a região. As bordas do redemoinho mudam conforme as estações e alguns cientistas, como Holly Bamford, diretora da programa de detritos marinhos da Administração Nacional da Atmosfera e dos Oceanos, ou Noaa, uma agência do governo americano, alegam que a região de alta concentração de plástico está confinada a uma pequena área do redemoinho.

“Admiro Charles”, afirma David Karl, um oceanógrafo da Universidade do Havaí. Mas a estimativa de Moore quanto ao tamanho da mancha de plástico – quase duas vezes o tamanho dos EUA – é considerada um chute por Karl. “Ele não sabe o limite” da área.

Moore baseou-se em modelos de correntes marítimas de um cientista aposentado para fazer uma estimativa do alcance da sopa de plástico. “Fiz uma estimativa grosseira, pegando um globo e colocando minha mão sobre a área definida por essa corrente e colocando minha mão sobre o continente africano” para ver como os dois se comparavam. “A parte da sopa condensada pode ser consideravelmente menor”, admite. Mas ele critica os que “se sentam em gabinetes de Washington e dizem que a coisa não é tão ruim”.

Bamford diz que unidades de medida inconsistentes do problema têm impedido a pesquisa. “Estamos tentando desenvolver um método padronizado”, diz ela da Noaa, “para que possamos realmente saber como isso se compara com vários locais ao redor do mundo.”

Parte das informações equivocadas sai de outros grupos ambientalistas que exageram as pesquisas alarmantes. O colunista ambiental David Suzuki escreveu sobre uma “ilha de lixo plástico enorme, em expansão, com dez metros de profundidade e maior que a província de Quebec”. Perguntado se a região com alta concentração de plástico poderia ser realmente chamada de ilha, Bill Wareham, um especialista em conservação marinha da Fundação David Suzuki, diz: “Não vai parecer uma ilha no contexto de ‘Olha, posso caminhar nisso’. Mas é uma densidade muito alta de plástico.” Ele acrescenta: “David fala de uma maneira em que ele molda a questão para que as pessoas possam entendê-la.”

Mesmo que cientistas e ambientalistas possam concordar quanto ao tamanho e à concentração de plástico no redemoinho, não se sabe o que eles podem fazer com as informações que coletam. Os detritos de plástico têm o potencial de lesar pássaros e mamíferos que os comem, porque carregam toxinas, podem causar feridas internas e enganar os animais fazendo-os pensar que estão saciados. Mas é difícil ter números concretos. “É muito difícil dizer que um pássaro morreu por causa de plástico no estômago”, diz Bamford.

Embora ninguém ache que os possíveis benefícios do plástico compensam os riscos, Karl, da Universidade do Havaí, encontrou algumas vantagens – uma alta concentração de microorganismos nos detritos. “Os microorganismos são bons para o oceano, porque eles produzem oxigênio”, diz.

* Matéria [How Big Is That Widening Gyre of Floating Plastic?] do The Wall Street Journal, no Valor Econômico, 25/03/2009.

[EcoDebate, 27/03/2009]




A situação mantém-se e tem vindo a agravar-se de dia para dia...

http://www.midwayfilm.com/
Este pequeno vídeo de (3:55 minutos) mostra uma ilha que está localizada no Oceano Pacífico, a 2.000 km do litoral.
Nesta ilha não vive ninguém a não ser as aves, e ainda ... 

E ainda - "Vai haver cada vez mais ilhas de lixo no meio dos oceanos".


segunda-feira, 14 de maio de 2012

O amor é inextricável, por Miguel Portas.


E-mailei eu: «Joana, salva-me, aceitei uma palestra sobre Os sentidos do Amor e não sei que diga.» Tinha feito asneira e estava desesperado. E-mailou ela: «Miguel já tens idade para saber que o amor não tem qualquer sentido». Ela tinha razão, mas não era esta a ajuda de que eu precisava. Muito menos de um passeio a livros antigos. Amor em forma de doutrina e revisão de matéria dada não casam comigo. As variantes literárias também não, acabo sempre na pieguice. Sobrava-me um recurso e foi por esse que segui. Comprei a Ana e a Maria, mergulhei na sabedoria popular e finalmente voltei a dar razão à Joana – o amor é inextricável.

* * *

Para a Ana e a Maria, o amor é destino.

Se você for do signo do Leão, na semana entre 26 de Março e 1 de Abril, aproveite: «A época é muito positiva e prática no que se refere a amor e sexo. O romantismo de uma ceia a dois ser-lhe-á insuficiente». O voo tem um único senão: «será preferível com um conhecimento já existente pois a altura não favorece novos relacionamentos».

E o amor é um acaso.

«Podemos estar a viver uma vida calma e monótona, mas no momento seguinte encontramo-nos a trocar olhares com alguém que nos faz sentir atrevidos». Tais instantes «apanham-nos desprevenidos e podem mudar o curso das nossas vidas». Aliás, «a atracção sexual é frequentemente semelhante a loucura». Porquê? Porque «duas pessoas racionais que mal se conhecem são capazes de se comprometerem para o próximo meio século». É verdade, ele há gente para tudo.

O amor é estúpido.

Edna O'Brien, escritora de desconcertante lucidez reconhece: «Tenho tendência para me sentir atraída por homens altos, magros e bonitos que são, todos, uns sacanas dissimulados.» Fica sem se perceber se é porque os opostos se atraem, ou pelo contrário.

E o amor é uma doença.

«Os apaixonados têm a sensação de se conhecerem há muitos anos.» E «é comum pensar-se que o amor jamais terá fim». De facto, não é normal. E deve ser por isso que, «devido à sua intensidade, o nosso organismo só suporta viver em estado de paixão durante três meses».

Até agora relatei amores porreiros.

* * *

Acontece que o amor é muito complicado.

Quem o jura é João Portugal, o Ricky Maertens do meu bairro. O rapaz tem muita dialéctica. Diz que «a felicidade depende do amor» e que é «extremamente feliz». Ama que se farta e é aqui que as coisas se complicam. Para uma relação demorar muito tempo, «tem que existir amor». Mas ele, apesar de feliz, acha que «o desgaste surge quando as pessoas estão todos os dias uma com a outra» e por isso prefere «uma boa fórmula para manter uma relação»: não ver a miúda três ou quatro dias por semana. Assim rende mais, mas vêem como é difícil?

E o amor é muito simples.

Sem ironia, os consultórios das duas revistas são bons. Fogem ao moralismo, aumentam a auto-estima das leitoras e ajudam-nas a pensar que são mais livres do que na realidade são. O G.L. acha que o amor é uma algibeira. Está desiludido porque «as mulheres só se aproximam por causa do dinheiro que tenho». O consultório aconselha-o a não praticar «extravagancias monetárias» e que informe as candidatas de que «nunca se casaria sem total separação de bens». A M.S., por seu lado, tem 18 anos e descobriu que uma relação nunca é a dois. Há quase sempre a família de permeio e o Espírito Santo por cima. Ela adora um rapaz de «classe social baixa» que a família, boa pois claro, detesta. O consultório não vai de meias medidas: «opte pelo que a faz mais feliz mesmo que isso implique deixar entes queridos de fora».

O amor é uma surpresa.

«Um dia a minha mulher contratou os serviços de um prostituto e fiquei surpreendido e ao mesmo tempo excitado. Agora ela quer repetir. Que devo fazer?» O consultório é lapidar: «Não existe razão alguma para o leitor aceitar um relacionamento que lhe desagrade. Fale com a sua mulher. Mas não fique apenas numa posição crítica. Mostre também as suas fantasias, procure surpreendê-la.» Tarantantan...

E o amor é um desatino.

O D.M. encontrou a sua esposa «na cama com a melhor amiga. Mais tarde, confessou estar apaixonada por ela. A verdade é que não a consigo esquecer».

Ela conseguiu e lá terá as suas razões. Por isso, o consultório diz que «é preciso respeitar, embora o leitor deva avaliar se é uma experiência passageira» E remata: «implorando e humilhando-se ninguém consegue conquistar o amor do parceiro».

Mas há mais, muito mais. Porque o amor pode ser terrível.

«Namorei mas não resultou porque lhe batia muito e era muito ciumento. Só sinto desejo sexual por prostitutas», confessa B.S.. Diagnóstico do consultório: «O leitor tem sérias dúvidas acerca das suas possibilidades. Foram elas que estragaram o seu namoro. Batia e tinha ciúmes porque não era capaz de acreditar no amor da sua namorada.» Está na altura de «pedir ajuda a um técnico especializado». Antes que alguém o ponha atrás das grades, digo eu.

* * *

Embora dirigidas a raparigas, a Ana e a Maria também destacam, com fotogramas, humilhações inversas. Em O Cravo e a Rosa, uma tal de «Dinorá provoca Cornélio que dorme no tapete... e consegue que este volte a beijar-lhe os pés... ficando satisfeita por ter conseguido domá-lo». Esta criatura promete bem mais que a Alma dos Laços de Família e anuncia a vingança das mulheres no limiar do novo milénio.

Também fiquei a saber que o amor é pudor e discrição.

«Cameron Diaz não aparecerá nua. Leto, o novo namorado da actriz, vetou a sua participação no filme Stuck Nowhere, pela existência de uma cena de nu onde apareceria ao lado do ex-namorado, Matt Dyllon. Cá na minha, a coisa ainda acaba em divórcio. Foi o que aconteceu com Dennis Quaid, que exige da ex-companheira «a custódia do filho e a módica quantia de seis milhões de dólares».

E o amor é exibição.

Na rubrica de mensagens, à «deusa do amor» deu-lhe para a literatura: «Sabes que te levo comigo e que, para onde vás, eu irei, como um anjo que me guarda e com as suas asas me aquece, como um ser apaixonado que nem de noite te esquece.» Esta é forte. Estão a ver porque rasgo tudo o que deliro escrever? Já o príncipe Carlos não tem estes problemas, até podia ser analfabeto. «Ele tudo fez para preencher com amor o vazio deixado por Diana. Tem efectuado operações de charme junto dos súbditos – ao que um rei se obriga, coitado! –, está mais humano e ri em público. Com tudo isto, conquistou bons níveis de popularidade, de tal forma que ate' o cada vez mais assumido romance com Camilla Parker-Bowles deixou de ser olhado com desconfiança pelo povo.» Mais ou menos o mesmo se passa com Martha da Noruega e Victória da Suécia: «Simpáticas e cultas, ambas fazem parte do restrito grupo das solteiras mais desejadas da Europa. Por razões óbvias.»

Esta é um pouco estranha. Porque o amor não é só dinheiro, garante uma «viúva rica» que o quer partilhar com alguém. E há outra, nos classificados, de 53 anos, disposta a receber «cavalheiro que realize pequenos e grandes trabalhos domésticos. Fornece cama e outros acessórios de lingerie». Será que o desespero do desamor só toca os simples?

* * *

Fim de viagem.

Devo dizer-vos que a Ana e a Maria, embora tributárias do amor romântico, são expressões populares de uma mudança positiva em matéria de comportamentos. Elas andam a par das telenovelas. E mil pontos acima do Big Brother. Aí, o mais recente amor é o do Gaspar pela Big. Um é cão, outro cadela e se os animais votassem quem ganhava era ela.

11 de setembro – Viragem, por Miguel Portas